Saints & Storms - HIATUS
16 Capítulo 14 - Tea & Toast
Notas iniciais
P.O.V. Freya
A sexta foi tranquila. Não tive aulas com mais nenhum Cullen, apesar de ter esbarrado com Edward em um corredor e termos conversado brevemente. Ele era absurdamente encantador e quando eu olhava para ele tinha vontade de ficar olhando para sempre. Ele definitivamente era o sol, e não era apesar por parecer Apolo, mas também pela forma como a gravidade se distorcia em volta dele.
Edward tinha algo de misterioso nele, como mudanças na cor dos olhos e sua pele que seguia fria durante todos os dias, além disso, a corrente elétrica que eu sentia quando estávamos perto um do outro era algo inexplicável, como se a proximidade gerasse uma estática estranha. Além disso, ele era muito inteligente e parecia me conhecer quase melhor do que eu mesma.
Eu estava com muitas dúvidas e sabia que tinha algo de diferente com os Cullen no geral, além de algo nos meus sonhos e visões estranhas que agora pareciam envolver constantemente os Cullen e eventualmente pessoas que eu não conhecia.
O sábado então foi tomado por uma tarefa mais do que importante:
— Alô? Quem gostaria? – Ouvi a voz rouca soar do outro lado do telefone.
— Oi vovó! Sou eu, Freya – Disse com o coração quentinho de estar falando com ela.
— Oi minha querida! Que saudades! Você e sua irmã são muito relapsas comigo, nunca ligam— Ela disse com uma mágoa que eu sabia que era falsa e eu ri.
— Bem, como desculpas, que tal uma devida visita? – Ofereci.
— Que está mais do que aceita! Que horas você vem?— Ela questionou.
— Se não for te incomodar, eu posso ir agora – Disse, olhando para o relógio da cozinha e constatando que eram 9 da manhã, um horário bem aceitável, se saísse daqui exatamente agora, chegaria lá por volta das 9:50.
— Ok, precisa que eu vá te buscar em algum ponto de ônibus?
— Não precisa vó, chegando perto dai eu peço um uber.
— Ok, vou te esperar então.
Após uma breve despedida, corri para meu quarto. Lá, peguei roupas para passar o fim de semana e outros itens que precisaria. Tomei um banho rápido, me troquei e saí de casa, deixando um bilhete para Tia Claire, caso ela não olhasse a mensagem que enviei antes de chegar em casa.
Peguei o ônibus que me levava mais perto da casa de vovó e o curto caminho que restava, conclui com um uber. Ao chegar na frente da casa com uma hortinha toda colorida, na pequena rua residencial, senti um misto de nervosismo e desconforto. Eu amava minha vó, não era nada sobre ela que fazia eu me sentir assim, mas as lembranças melancólicas de meus pais e minha irmã faziam eu me sentir triste e com vontade de sair correndo e me esconder em algum outro lugar longe dali.
Não tive muito tempo para ficar congelada ali, pois logo ouvi a porta se abrindo e uma senhorinha vaidosa e com uma echarpe colorida sobre os ombros sair por ali com seu papagaio cinza no ombro.
— Freyja! – Ela saiu exclamando e sorrindo.
— Oi vovó – Sorri de canto de boca e fui até ela para abraça-la.
O abraço acabou me fazendo explodir e eu comecei a chorar. Ela com todo seu carinho, somente me acolheu e me puxou para dentro de sua casa.
Entrar ali, onde o cheiro de hortelã e incenso se misturava, era como uma viagem para tempos felizes. Todos os livros naquela estante, os vasinhos de plantas medicinais e o sofá confortável.
E foi no sofá que ela me deixou antes de sair apressada para a cozinha, voltando rapidamente com um xicara de chá.
— Sorte que eu tinha deixado o chá bem aquecido – Ela disse ao se sentar ao meu lado me entregando a xicara.
— Você sempre tem chá pronto na verdade – Eu sorri após secar as lágrimas.
— Então, me diga, o que está acumulado neste coraçãozinho? – Ela perguntou calma.
— Muita coisa, mas em parte são os restos de luto... Bem, acho que demorou para a ficha cair e apesar de eu não estar mais me sentindo depressiva como antes, eu ainda me sinto triste quando lembro – Eu expliquei.
— Eu entendo você, também sinto muito ainda a morte de sua mãe. – Alden disse com pesar – Mas é o processo. Por mais que eu encare a vida e a morte de uma forma diferente, ainda sido falta dos três, até mesmo do teimoso do seu pai.
Ficamos em silêncio por um tempo enquanto pensava mais sobre o assunto, mas rapidamente me lembrei do outro motivo para eu estar aqui.
— Vó, eu posso fazer uma pergunta? – Comecei.
— Você já fez uma, mas sua sorte é que eu respondo até mil – Ela disse rindo.
— Eu vou tentar explicar, mas é complicado porque é novo... Bem, você já encontrou alguém que teve a impressão que já tinha visto, mesmo sem nunca ter visto? – Perguntei, achando minha própria pergunta bem confusa.
— Sim... E eu acho que já sei onde essa conversa vai dar – Ela levantou então e foi para sua estante – Pode continuar falando.
— Bem, é que essa semana as aulas começaram e alunos novos chegaram. Eu tenho a impressão que já vi eles e... Eles quando me viram me chamaram de Bella, mas Bella era uma amiga deles que se matou, só que dai entra outra coisa: Os sonhos estranhos que eu estou tendo.
— Sonhos estranhos? Me conte mais sobre esses sonhos – Vovó disse muito interessada e voltando para o sofá com dois livros.
— Bem, eles mudam, mas todos parecem ter um tema parecido. Geralmente eu estou em um lugar que tem muito verde, muita chuva e eu estou interagindo com alguém. O último sonho foi na verdade uma visão que eu tive após desmaiar e – Fui interrompida por ela.
— Você desmaiou? Quando? – Ela perguntou preocupada.
— Na quinta-feira, não foi nada demais, eu só estava sentindo uma dor de cabeça estranha e dai veio um calor estranho, e enfim, acho que foi hipoglicemia, mas acabou que quando eu desmaiei, eu tive essa visão que estava em um carro indo para um aeroporto, mas eu era outra pessoa, ao mesmo tempo era eu mesma e eu estava interagindo com um homem e uma mulher.
— Freya, os outros sonhos que você tem, os verdes, você interage com quem? – Ela questionou.
— Bem, eu nunca conseguia ver os rostos de nenhum deles, era tudo muito escuro e confuso, essa visão foi a mais clara que eu tive, mas sempre tinha esse garoto que eu comecei agora a ver o rosto dele e é Edward Cullen, é ele, mas eu não sei se ele não ta aparecendo nesses sonhos só porque eu eu estou tão encantada com ele.
— Quem é Edward Cullen? – Disse apertando os olhos.
— Um dos alunos novos – Respondi rapidamente.
— Freya, eles te chamam por algum nome nesses sonhos?
— Então, ai está a parte bizarra, porque os Cullen me chamaram por Bella quando me viram... Nos sonhos todos me chamam de Bella.
O silencio predominou por um momento. Era aliviante poder falar todas essas coisas sabendo que não seria taxada de maluca.
— Freya, quando você nasceu, eu sabia que tinha algo de diferente em você. Sua aura era diferente, você vibrava de uma forma diferente e eu sabia que era algo especial, além das coisas que eu podia compreender na época, apesar de toda minha experiência. Você cresceu e começou a interagir com o mundo de um jeito diferente, até os seus 3 anos você falava coisas complexas as vezes, apontava para carros de policia, chorava quando via minha coleção de ambares e tinha uma fascinação por coisas que brilhavam no sol.
— Eu não estou entendendo onde isso está indo vovó...
— O que eu quero dizer é que eu acho que a sua vida e a vida dessa Bella estão ligadas de uma forma que eu talvez tenha uma ideia do que seja, mas que somente você poderá ter certeza e isso exige pesquisa. – Ela disse me entregando um dos livros e ao olhar para a capa vi que era um grimório de minha avó – Esse contem coisas simples, eu sei que você não se interessa tanto, mas acho que talvez seja bom você dar uma olhada nele, pode te ajudar a encontrar respostas.
— Você pode me dar um ponto de começo? – Pedi, nervosa com a responsabilidade.
— Comece procurando sobre vidas passadas, mas por favor Freya, se proteja, procure proteção, quando você cita esses Cullen, eu sinto arrepios.
Outro momento de silêncio foi necessário para processar tudo isso, eu não me interessava muito sobre esses assuntos da minha avó, realmente, mas eu acreditei que aquele livro teria respostas para parte de minhas perguntas. Minha avó se levantou e foi buscar algo na cozinha. Logo ela voltou com torradas temperadas com ervas para nós duas e ligou a TV em um programa de culinária.
— Vó... Posso fazer mais uma pergunta? – Pedi.
— Sim querida, ela disse sem tirar os olhos da TV.
— Você já se sentiu observada? Seguida? – Pedi.
— Já... – Ela disse tirando os olhos da TV.
— Vai parecer estranho, mas eu sinto as vezes que... Tem um corvo me seguindo? – Ao final da frase, vovó olhou para a janela atrás de mim e quando me virei, vi o corvo ali.
— Corvos são seres que falam sobre os mistérios da vida, da criação. Eles são símbolo de honestidade, de coragem, magia e destino. Eles transformam, enxergam além das ilusões... – Vovó disse.
Eu ainda encarava a ave quando perguntei:
— O que isso significa?
— Algo que somente você pode responder. Eu repito Freya, tem algo diferente em você. – Ela concluiu. Eu seguia olhando o corvo, após minha avó se distrair. Ele estava parado na janela.
E ele me olhava, com seus olhos de carvão parecendo enxergar além da minha alma e me causando arrepios.
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