Saints & Storms - HIATUS
31 Capítulo 29 – Why I’m in love
Notas iniciais
Após passar o dia inteiro na casa de Madelaine, entre doces da tia Vivian, filmes e muitos biscoitos para o Salut, fui direto para o banho ao chegar em casa.
Deixei a água escorrer por mim enquanto continuava tentando me sentir normal de novo. O cheiro do shampoo que minha mãe sempre usava e depois o cheiro do amaciante no pijama que coloquei ao sair me ajudaram a fingir por alguns momentos que estava tudo certo.
Fui para meu quarto secando meu cabelo e lá dentro eu não pude deixar de olhar para a janela fechada.
Eu conseguia entender por que Bella tinha se apaixonado por Edward, também tinha me apaixonado e na verdade acho que sempre fui, não sei em quantas encarnações amei ele, mas era algo além de mim. Parecia que um pedaço da minha alma não estava no lugar sem ele.
Eu me sentia também agoniada com essa sensação, afinal eu me considerava completa comigo mesma, claro que tinha minhas inseguranças e desejava sim ter um grande amor, mas eu não queria ser escrava de sentimentos como estava sendo no momento.
Me encostei na cômoda atrás de mim e fiquei olhando para a janela, até que notei algo estranho nela. Ela parecia vibrar.
Me aproximei confusa e encostei no vidro com hesitação, curiosidade e medo.
Então vieram os gritos.
De dentro da minha cabeça e eles a faziam doer. Fechei os olhos ao mesmo tempo que desencostei do vidro, algo que imediatamente me arrependi, pois eu estava na praça mais próxima da escola. Era noite e tinha muitas pessoas ali.
— Em nome desta comunidade, eu digo que não aceitaremos comportamentos que sejam perigosos e nocivos para nossa cidade. Infelizmente esta jovem decidiu seguir por um caminho tortuoso e errado, mexendo com forças sombrias e desconhecidas – Joanne era a oradora daquele momento, eu não sabia de quem ela estava falando, mas não parecia que vinha coisa boa – É com pesar que temos de tomar esse tipo de atitude, mas sem isso nós colocamos em risco nossas vidas, as vidas de nossas crianças e principalmente nossas almas. Não fazer nada é ser conivente com esse tipo de comportamento, algo simplesmente abominável. Portanto, junto com o concelho nós tomamos por fim uma decisão muito difícil, talvez violenta e medieval, porém é a mais segura. Aquela que pode evitar maldições e sofrimento para tantos inocentes.
Joanne então se virou na direção que eu estava e eu estremeci, seu olhar parecia maldoso, empolgado com algo, eu olhei para trás e vi um amontoado de palha que cheirava a gasolina com uma tora de madeira no meio.
Eles iriam queimar alguém.
Um barulho na janela me tirou do transe. Era uma coruja que batia na janela. Avancei rapidamente para ela e a abri. Fazendo a coruja se assustar e ir para longe.
Meu peito parecia pesar enquanto respirava ofegante. Me virei para minha cama e me sentei ali.
— Eu estava quase invadindo o quarto a força – Dei um pulo ao ouvir a voz de Edward e meu coração foi parar na boca – Desculpe não era minha intenção te assustar – Seu semblante preocupado se afundou mais ainda e ele se aproximou da cama, sentando-se ao meu lado.
— Está tudo bem... – Disse voltando a me acalmar. Sua mão gélida alcançou a minha, trazendo algum conforto e me fazendo lembrar da minha pergunta de mais cedo – Você não apareceu na escola hoje.
— Desculpe não avisar com antecedência, mas soube quando fui para casa trocar de roupa e Alice me chamou para conversar, quando voltei você já tinha acordado e estava com sua tia.
— O que acontece com você no sol? – Perguntei confusa. Ele queimaria como os vampiros dos livros? O pensamento de Edward em chamas e agonia me deu um arrepio frio na espinha.
Seu rosto registrou algumas emoções confusas rapidamente, algo que não perceberia se não estivesse tão perto e tão atenta em seu rosto. Então ele começou a rir.
— Você não lembra disso – Ele sorriu – Você já viu.
— Não, eu nunca vi, quer dizer eu vi, mas não com os olhos que tenho agora.
— Eu não sei até onde vão as suas memórias de antes, desculpe, as vezes parece que você ainda é Bella – Ele sorriu doce e isso me deixou um pouco ansiosa.
— Edward eu já te disse, eu não sou a Bella, pelo menos não mais, eu tenho medo de você estar com expectativas que eu não posso suprir agora.
— Sua existência já supera qualquer expectativa que eu tenha sobre qualquer coisa, peço perdão se faço você sentir que não, mas é quase absurdo para mim você considerar que eu vou te amar menos agora – Ele disse arrumando algumas mexas de meu cabelo. Alcancei seu rosto e o puxei para perto de mim.
— Então comece a me amar por quem eu sou agora, eu não sou mais ela, preciso que você continue lembrando disso, não posso ficar vivendo na sombra de escolhas que não fiz, eu não quero perder experiência agora porque tive elas em outro tempo – Nos beijamos então, o beijo como sempre estava hesitante, alguma parte inconsciente de Edward parecia ainda travar na possibilidade de que me machucaria, mas eu não tinha esse medo então avancei.
Sem cortar o beijo, me virei para frente dele, sentando em seu colo, suas mãos se apertaram na minha cintura e o beijo ficou urgente. Mesmo de olhos fechados, percebi que a lâmpada estava apagando e acendendo sozinha junto de um barulho estranho.
Ele então nos virou e se deitou em cima de mim, eu estava ficando tonta quando ele se afastou cedo demais para o meu gosto.
— Exatamente, você não pode perder nenhuma experiência, por isso quero lhe apresentar a minha família.
— Você realmente quer falar sobre família agora? Não é meu tópico ideal no momento – Eu disse virando o rosto em direção ao teto e rindo um pouco frustrada. Ele me pareceu confuso e então torceu o nariz. Em um movimento que não vi, ele já estava puxando o edredom para cima de mim e eu percebi que o momento legal tinha acabado enquanto ele apagava a luz do quarto.
— Devo lembrá-la de seu pedido sobre ir com calma? – Ele riu e então se deitou ao meu lado, deixando o cobertor ser uma barreira entre nós dois.
— Porque eu tinha pedido isso mesmo? Que ideia péssima Freya – Falei mais para mim mesma e ele riu – Mas enfim, vamos lá quando?
— Por mim iriamos agora, mas talvez o mais socialmente aceitável seja próximo sábado, sua tia estará aqui? – Ele perguntou.
— Não faço ideia, os dias de trabalho dela não são exatos, depende da demanda do porto. Posso perguntar.
— Certo, então veja com ela, se ela estiver em casa no sábado pode me apresentar para ela também – Ele sorriu.
— É, poder ser... – Acenei com a cabeça antes de bocejar – Você ainda não respondeu.
— Não respondi o que? – Ele perguntou
— O que acontece com vocês no sol.
— Eu... prefiro mostrar para você. Vejo com Alice onde e quando vai ter sol de novo, mas não se preocupe com isso agora.
— Eu vou cobrar isso – Disse bocejando de novo e fechando os olhos.
— Eu não vou deixar passar – Edward completou beijando minha testa – Durma, meu amor.
Me entreguei ao sono então em seus braços enquanto ele cantarolava uma canção para mim.
Eu conseguia entender por que tinha me apaixonado por ele antes e porque estava apaixonada agora. Não sabia a quantas encarnações isso existia, mas sabia que minha alma só estava completa com ele por perto.
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