Saints & Storms - HIATUS
22 Capítulo 20 – The first time I met you
Notas iniciais
Eu não consegui mais dormir depois de sexta. Eu sentia como se minha mente estivesse nublada e tudo estivesse no automático. A sensação de deja vu sobre a história dos frios não passava e eu me sentia constantemente arrepiada.
A chuva que se iniciou nos dias seguintes não me auxiliava na minha missão de me distrair, parecia que o tempo chuvoso trazia uma bizarra melancolia.
Voltei da casa de Jonathan no sábado à noite e resolvi ficar sozinha, fiz tarefas da escola, fiz uma faxina na casa com o auxílio da tia Claire e até mesmo procurei alguns modelos de carros online. Encontrei alguns carros usados e alguns até chamaram minha atenção, geralmente carros de modelos mais antigos, mas acabei não prestando atenção real em nenhum deles.
Minha tia se animou diante da minha vontade de comprar um carro e decidiu que ela mesma procuraria alguns modelos e concordamos que o quesito mais importante era segurança.
No domingo, abri os livros da minha avó, mas eram uma grande bagunça de receitas estranhas e símbolos ainda mais estranhos, como um grimório. Eu procurei entender o que eles significavam, mas parecia informação demais. Também acabei pesquisando mais sobre as lendas na internet.
Foquei minha pesquisa sobre o mito dos frios, os vampiros, e me impressionei com a quantia de material existente, e diante das minhas observações e das lendas de Jonathan. Me senti frustrada por fim, pois ao mesmo tempo que sentia que era ridículo eu estar pesquisando sobre vampiros como se fosse algo realmente sério, uma parte da minha mente clicava positivamente para “Sim, é isso ai, faz sentido”.
Eu me joguei na cama por um bom tempo ponderando, pois eu não tinha provas, apenas uma lenda, algumas observações superficiais e uma intuição latente.
Abri novamente os livros de minha avó, mas não encontrei nada.
E então segunda feira chegou e minhas olheiras naquele dia denunciavam a noite mal dormida cheia de sonhos confusos sobre lobos gigantes atacando vampiros em um lugar verde demais. Olhei no relógio e vi que era 16 de setembro, meu aniversário. Incrível não é? Um aniversário em uma segunda.
Levantei e descobri rapidamente que não era meu dia de sorte. Tropecei em nada e cai de cara no chão. Me levantei fiz minha higiene. Nesse período acabei machucando minha sobrancelha tentando tirar um pelo fora do lugar, quase engasguei com a escova e derrubei minha nécessaire no chão, quebrando uma sombra unitária. Eu geralmente não sou uma pessoa desastrada, mas acho que hoje era pra ser um dia ruim mesmo.
Eu gostava do meu aniversário geralmente, era um dia feliz, mas acho que parte de todo meu mal humor vinha do fato de que era o primeiro aniversário que eu passava sem minha família completa.
Enquanto estava fazendo café ouvi um barulho alto que me assustou e acabei me queimando, nada demais, mas esse dia mal tinha começado e já estava cheio de acontecimentos.
— Oh Desculpe! – Minha tia veio correndo puxar minha mão para debaixo d’agua – Desculpa, desculpa, desculpa! – Claire dizia desesperada.
— Calma tia! Eu to bem, calma, foi só um pouco de agua quente, já ta tudo certo! – Eu respondi tentando acalma-la.
— Não tá tudo certo, eu vim aqui porque achei que tinha conseguido acordar mais cedo que você, ia fazer um café de aniversário! – Ela levantou as sobrancelhas, como se fosse algo muito claro e eu ri.
— Isso é fofo, mas ta tudo bem sobre o queimado, de verdade – Disse puxando minha mão de volta – Bem, se você quiser terminar as coisas aqui, eu posso deitar no sofá e fingir que ainda estou dormindo – Eu ri.
— Por favor, eu ficaria muito feliz – Ela disse rindo. Ela se virou para pegar pão no armário e eu me direcionei para a sala.
Fiquei deitada mexendo no celular até que após 30 minutos, Claire me chamou para o café.
Comemos juntas e ela disse que mais tarde eu com certeza teria bolo e suspeitei que ela havia conversado com Vivian, a mãe de Madelaine, sobre isso.
Após o café, ela me deu mais um abraço e assim que terminamos nossas tarefas matinais, ela saiu para o trabalho e eu aguardei poucos minutos antes de Maddy aparecer para irmos a escola.
— Feliz aniversário para minha princesa favoritaaaaa- Maddy gritou e me puxou para um abraço dentro do carro.
— Princesa favorita? Eu achei que era sua única princesa – Eu fingi magoa e ela riu.
— Desculpe, escolha de palavras errada – Ela disse se virando para o banco de trás e pegando um embrulho pequeno – Aqui, seu presente!
— Às vezes a gente se engana mesmo com as pessoas – Eu dramatizei um pouco mais antes de rir e pegar o embrulho. Abri rapidamente e encontrei um fone de ouvido. – AH! Eu tava precisando mesmo! Obrigada!
— Eu sei que você tava precisando, você estraga seus fones a cada 3 meses – Maddy disse rindo enquanto se virava para colocar o cinto.
— Isso é verdade, porém não precisa jogar na minha cara, ok? – Eu dei mais uma risada. Coloquei o cinto e partimos para a Prince Rupert High School. A seleção de músicas de Maddy no dia eram sobre aniversários.
O dia parecia muito estranho e uma ansiedade muito estranha para falar com Mackenzie surgiu. Sugeri que era do fato dela ter dado uma sumida, pensei que seria algum problema familiar que ela não havia anunciado.
Ao estacionarmos na escola, eu coloquei meus novos fones para funcionar e avisei Maddy que falaria com Mackenzie antes de entrar.
Me encostei no carro de Logan, já que ela sempre acabava estacionando ao lado dele e fiquei parada ali aguardando, olhei em volta e percebi que logo os Cullen estavam chegando. Eles desceram do carro e entraram, menos Alice e Edward. Alice parecia ter segurado Edward e ele pareceu confuso. Talvez ela tivesse que conversar algo em particular com ele.
Imagino que em uma casa tão cheia deva ser difícil ter privacidade. Apesar de a mãe de Mackenzie já ter espalhado que a casa era enorme.
Eu aguardei por uns 5 minutos lá enquanto observava os carros entrando com cuidado. O asfalto estava um pouco liso por causa da chuva, das folhas e possivelmente algum automóvel que havia vazado óleo no chão, pois estava realmente liso em algumas partes.
Olhei de volta para os Cullen e Edward olhava para mim. Sorri e acenei para ele, corada de ter sido pega olhando. Ele sorriu e então eu ouvi um barulho atrás de mim que me assustou. Era o corvo em cima do carro, me encarando.
O mundo entrou em câmera lenta. Eu gostaria de falar que aquele momento entrou em câmera lenta apenas pelo sorriso de Edward, ou pela estranheza do animal que me perseguia, mas foi mais por um barulho estranho que anunciou a van que entrou rápido demais dentro do estacionamento.
Foi mais pela forma como ele começou a derrapar, sem nenhum controle, provavelmente sem freio. Foi pela van um garoto que estudei junto ano passado. Era sobre essa mesma van estar vindo na minha direção enquanto a expressão de Edward ia de calma pra aterrorizada.
Eu não tive muito tempo para pensar, para reagir. Algo então bateu em mim, não na direção esperada, mas algo frio e duro me lançou ao chão, fazendo minha cabeça bater no asfalto. Tudo então começou a girar. Mãos brancas me protegeram enquanto a van se retorcia em nós. Tudo continuava girando e quando senti que a Van havia parado de se mexer eu ouvi gritos em volta de nós.
Uma voz se destacou, olhei para o meu lado e vi Edward muito próximo.
— Freya, você está bem? – Tudo girou mais diante da pergunta dele. Mais um barulho me fez olhar para cima, o corvo me encarou curioso e então voou.
— Como que você chegou aqui tão... – Tão rápido? Uma dor alucinante pulsou atrás da minha cabeça, onde eu havia batido. Super-força? Velocidade? Olhei para a lateral da van, as pessoas se acumulando em volta de nós, olhei para Edward. Pele pálida, fria, eu senti como se uma pedra tivesse batido em mim, os olhos... pretos?
— Freya – Ele pediu novamente realmente preocupado, ele pareceu estar prendendo a respiração. Eu estiquei a mão para seu rosto, sentindo que precisava resolver um cálculo. Minha mão encontrou frio de novo, macio e duro.
— Eu entendi – Eu ri, me sentindo um pouco histérica.
— Ela está bem? – Ouvi uma voz abafada ao fundo.
— Acho que ela está em choque – Outra voz respondeu enquanto tentavam nos tirar dali – A ambulância já está vindo! O hospital fica perto, Edward.
Tudo pareceu abafado enquanto eu sentia choques pelo meu corpo inteiro. Minha cabeça latejou e eu coloquei a mão atrás. Senti uma leve humidade. Oh, por isso ele está prendendo a respiração.
Senti que tudo foi ficando escuro e me entreguei a inconsciência enquanto me sentia caindo.
Água.
Eu estava dentro d’agua.
— Bella?
Eu estava me afogando, mas ao mesmo tempo conseguia respirar. Havia uma luz em meu peito.
A luz pulsou e eu fui sugada ainda mais fundo.
Cenas de uma vida que não era minha passaram rapidamente. Não era completa, mas tudo começou quando eu estava saindo de um lugar quente, eu então passando por uma placa escrito “Forks”.
Cacto. Carro de Policia. Caminhonete laranja. Um garoto chamado Jacob.
Escola.
Edward.
Vampiro.
Amor.
Eu então me vi apenas caindo de um penhasco e voltando para a água. A luz pulsando em mim.
Edward era um vampiro.
— Bella? – Olhei para o lado e vi ele lá. Edward.
— Você voltou.
— Você também.
Senti então tudo de volta. Como se peças de quebra-cabeça estivessem se encaixando.
Eu me perguntava como amava Edward tão rápido. Eu mal conhecia ele afinal.
Mas a resposta era essa: Impossivelmente, nos conhecíamos já. Ele me conhecia. Éramos a razão da existência um do outro a mais de uma vida.
Era difícil processar tudo que eu estava sentindo e vendo. Me perguntava se Edward me acharia maluca.
Deixei-me refletir enquanto minha consciência era retomada aos poucos.
O suave BIP de um monitor cardíaco que eu já conhecia sendo meu guia.
P.O.V Edward
A manhã foi tão cheia de acontecimentos que eu senti que entraria em choque se não fosse vampiro.
Tudo começou com os pensamentos de Logan e Madelaine sobre uma história que Jonathan havia contado.
Me senti alarmado com o fato de que o menino era aparentemente um Quileute. Qual a probabilidade de encontrar um Quileute no meio do Canadá? Bem, com certeza era maior que a chance de um vampiro centenário encontrar a reencarnação da mulher da sua existência.
Felizmente, os dois encaravam como uma grande piada, realmente uma lenda, mas isso me alarmou de qualquer jeito. Teríamos que nos mudar? Eu não estava pronto para ir para longe de Freya.
E os acontecimentos seguintes me deixaram ainda mais temeroso. Assim como aconteceu com Bella, quase a perdi para um acidente. Era algo irônico, como se o destino estivesse realmente fazendo um jogo doente.
O pânico de ver ela novamente na mesma situação foi maior do que eu e novamente cometi o mesmo erro, o que dessa vez era ainda mais perigoso, visto que mais pessoas sabiam sobre a possibilidade de sermos vampiros.
Poderíamos ter sido expostos.
O meu pânico só continuou escalando pois logo após salva-la do esmagamento, senti que o cheiro de seu sangue ficou mais forte. Sua cabeça estava sangrando.
— Freya, você está bem? – Perguntei diante do silêncio dela, os seus olhos pareciam perdidos. Pupilas dilatadas.
— Como que você chegou aqui tão... – Ela nunca completou a frase, olhando em volta como se estivesse procurando algo e então virando seu olhar para mim. Temi que a força com a qual havia batido sua cabeça tivesse sido muito maior do que apenas para causar um corte em seu couro cabeludo.
E se eu tivesse a matado novamente na tentativa de salva-la? Eu devia ter me afastado na primeira chance.
— Freya –Eu pedi, prendendo a respiração. Prendia a respiração por dois motivos: Ela continuava sangrando e o segundo, que com certeza cobria o primeiro: Eu temia pela sua saúde. Ela pendeu a cabeça levemente para o lado, seus olhos perdendo o foco, no entanto ela parecia tentar entender algo. O silêncio de sua mente parecia mais torturante do que nunca. Ela então esticou sua pequena mão para meu rosto e eu teria parado o planeta para apreciar a sensação de sua pele macia e quente em mim, se não fosse pela situação caótica.
— Eu entendi – Ela riu fraco, porém um pouco histérica, como se ela realmente tivesse perdido sua sanidade. E em seguida, ela simplesmente desmaiou.
Registrei em um canto da minha mente que algum aluno disse algo sobre o hospital ser perto. Senti então um braço me puxando do meio da multidão.
— Edward! Você está bem? – Registrei Jasper e virei meu rosto para ele, ele parecia realmente muito preocupado. Entendi sua preocupação: Freya estava ferida e sangrando em meus braços, pode ser que tenhamos sido expostos, mas também era uma preocupação de fachada, todos atuando para parecer irmãos muito preocupados com seu irmão envolvido em um acidente.
Alice cobria a boca registrando a impressão de choque e choro. Ela provavelmente previu que essa seria a reação mais aceitável, mas ela via que Freya acordaria.
Somente esse pensamento de Alice me manteve são.
— Eu acho que sim – Virei então meu rosto para Freya desacordada.
— Ah meu deus – Uma cabeleira ruiva saltou por nós e se lançou ao lado de Freya. Me senti imediatamente compreendido.
Os pensamentos de Madelaine eram extremamente caóticos e dolorosos. Ela emitia uma preocupação extrema com Freya e desejava que tivesse sido ela no lugar do acidente. Sua mente passava pelas cenas de receber a noticia do acidente de Freya. Da corrida até o hospital.
De ve-la entubada e com ralados. O medo de perder ela.
Os pensamentos menos nobres e menos fraternais de Madelaine sobre Freya podiam me incomodar, mas ela realmente se preocupava e amava Freya e isso era algo que eu podia respeitar.
Ela virou os olhos perdidos e cheios de lágrimas para as pessoas em volta tentando entender.
Ela havia já entrado na escola quando ouviu o som da batida, correu para a porta de volta quando ouviu o nome de Freya sendo gritado. Quando tentou se aproximar soube que a Van de um garoto chamado Nate havia rodopiado pelo estacionamento acertando eu e sua amiga.
Ela olhou de volta para Freya e ouvi com alivio o som da ambulância se aproximando.
Um acidente dessas proporções dentro da escola foi o suficiente para fazer eles virem acima do limite de velocidade recomendado.
Consegui escapar da maca dado que claramente Freya precisava mais do que eu. Mas tive de me dirigir ao hospital para não levantar suspeitas.
Nate também foi retirado de maca, o menino tinha cortes nas mãos e na testa.
Lá, meu pai examinou Freya e concluiu que havia sido uma concussão. Alguns exames de imagem foram feitos e felizmente nenhum outro dano ao seu cérebro foi feito, provavelmente ela havia desmaiado mais pelo choque.
Madelaine virou uma águia em cima de Freya, relatando todo seu histórico médico, impedindo que qualquer medicamento que ela fosse potencialmente alérgica fosse administrado e garantindo que ela estivesse realmente bem.
Em breve chegaram ao hospital sua Tia Claire e tudo que pude fazer foi observar a distância através dos pensamentos de todos.
Carlisle e eu conversamos e ele foi totalmente compreensivo, porém diante das suspeitas tão latentes, acabou me colocando em uma sala com um acesso falso, para que eu fingisse estar tomando soro com medicamento para dor. Isso cessaria algumas possíveis dúvidas dos humanos sobre nossa natureza.
A equipe médica foi compreensiva, encarando seu ato de cuidar de mim sozinho como o ato de um pai realmente preocupado e empenhado. Ele se manteve vindo me ver a cada 30 minutos e assim nos manteve livre de alguém da equipe medica tentar medir meus sinais inexistentes de vida.
Acabei sendo “liberado” depois de duas horas e me encaminhei diretamente para o quarto de Freya. Ela ficaria aqui por 24 horas para observação. Descobri rapidamente que ela estava inconsciente por causa de medicamentos.
Ao entrar na sala, vi Madelaine sentada de prontidão na cadeira ao lado da cama de Freya. A Tia de Freya tinha um navio para despachar em duas horas e portanto não poderia ficar cuidando ela. Ela teria como pedir um atestado e travar o serviço do dia, mas confiava nas mãos da pequena Warren.
Ela levantou os olhos para mim e ao perceber que não era apenas outra enfermeira, se endireitou na cadeira, parecendo nervosa.
— Posso entrar? – Pedi gentilmente.
— Claro... – Ela disse concordando com a cabeça. Me aproximei em uma velocidade razoavelmente lenta até a maca onde minha amada se encontrava inconsciente. Doia em mim ver ela daquele jeito. Minha movimentação era delicada, tanto para simular incomodo físico de alguém que acabou de se acidentar, quanto para acalmar a ruiva. – Eu ouvi que você puxou ela do caminho. – Ela disse um pouco baixo.
— Foi no instinto, eu estava caminhando até ela quando eu vi a Van. Acho que tive um surto de adrenalina – Recorri a desculpa que usei a muitos anos atrás – Eu fiquei apavorado. – ela concordou com a cabeça lentamente. Seus olhos viraram para mim, se enchendo de lágrimas e ela desviou tentando se controlar.
“Qual é Warren, não chora de novo”
— Obrigada – Ela disse e eu vi a gratidão em seus olhos, queimando-a – Eu... Bem nós não nos falamos muito e eu acho que eu não devo ter parecido tão amigável quanto Freya, mas... – Ela travou procurando palavras.
— Ela é importante para você – Ressoei seus pensamentos e ela concordou com a cabeça.
— Eu conheço ela desde pequena. Ela sempre foi minha melhor amiga e eu amo ela profundamente. – “Mais do que até mesmo ela imagina, Cullen”— Eu me preocupo, já quase perdi ela uma vez.
— Eu já perdi alguém que eu amava. Acho que consigo entender. – Eu disse. Ela concordou, ponderando sobre, seus pensamentos giravam em volta da dor.
— Você escalou no meu conceito salvando ela. – Ela disse. Tentei buscar algo mais humano para responder além de “Eu não devia escalar tão rápido, afinal eu acabei com a vida dela antes”.
— Acho que situações difíceis aproximam pessoas. – Simplifiquei.
— Não... No nosso caso não é a dor ou a situação difícil que está nos unindo, acho que é outro sentimento em comum. – Ela disse, como se estivesse tentando me ajudar a resolver uma equação e olhou para Freya. Ela estava confessando nas entrelinhas seu sentimento por Freya. Era a primeira vez que ela falava sobre isso em voz alta e isso a apavorava. Seu pensamento rodopiava em um turbilhão entre a divisão de seu amor entre fraternal e romântico. A preocupação e então o sentimento de rejeição, tudo girando em torno de como Freya nunca a amaria da segunda forma. Olhei de volta para a imagem desacordada da minha garota. Acho que nossa garota. – Cullen...
“Eu não acredito que eu vou fazer isso... Mas talvez faça ela feliz...”
— Sim? – Disse tentando registrar o que ela ia fazer.
— Se você não cuidar dela direito... Eu juro que arranco seu pau fora na unhada. – Ela disse séria. Senti um pouco de choque e confusão. Seria fácil assim? Madelaine estava desistindo de seu amor tão fácil?
Bem, considerei alguns fatores como, Freya provavelmente ser hétero, o que devia anular suas chances. Me senti imediatamente triste pela ruiva e isso me deixou ainda mais confuso.
— Eu não acho que isso vai ser necessário – minha mente formou e eu sorri.
— Eu to falando sério. – Ela assumiu a posição que eu sabia que causava medo em outros humanos que conheciam seu temperamento, mas que não fazia muito efeito em vampiros centenários.
— Eu acredito em você, de verdade. Freya já me falou sobre suas habilidades de quebrar ossos e distender músculos – Citei que Freya falava sobre ela, para acalmar seus ânimos. Ela levantou o queixo, satisfeita e orgulhosa.
— Bem, acho então que... Somos amigos? – Ela disse em dúvida, retorcendo um pouco o nariz.
— Amigos soa muito bem – Sorri amistosamente. De todos os admiradores e Bella e Freya, Madelaine era a mais fácil de lidar, mesmo que seus sentimentos fossem os mais fortes.
Ela se levantou e esticou a mão em forma de punho fechado, aguardando um cumprimento que respondi prontamente. Me deixava aliviado que ela não fosse dada a abraços e apertos de mão, afinal ela também era inteligente e eu não precisava que ela ganhasse provas de que havia algo estranho com minha temperatura.
O dia havia sido estranho até então, mas eu acho que podia lidar com o resto dele. Em breve Freya acordaria no entanto e eu sabia que após sua alta, teria que lidar com algumas perguntas.
Mas eu estava mais do que pronto para passar por tudo de novo.
Por ela eu atravessaria o inferno com um sorriso no rosto.
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