Saint Seiya: Sob o Sangue do Escorpião
33 Um Passado Que Assombra
Notas iniciais
Embora não estivesse completamente recuperada, Antares se obrigou a retomar seu posto no quarto dia. Ainda sentia os efeitos dos chás e do incenso que foram usados por dois dias inteiros para deixar sua mente que estava a ser atormentada com pesadelos. Hora sonhos, hora lembranças. Acordava sentindo dores onde as mãos a tocaram, e com um gosto que lhe dava ânsias de vômito.
Treinaria até cair exausta se todos os Cavaleiros sagrados não estivessem em alerta máximo. Podiam ser atacados mais uma vez a qualquer momento e, por um momento, ela realmente desejou que aquilo acontecesse, pois certamente a ajudaria a desanuviar os pensamentos que estavam lhe assombrando quando acordada.
Estava encostada em um pilar do Templo de Escorpião, olhando para a chama da pira a sua frente, quando sentiu uma mão pousar em seu ombro
— Você não deveria estar aqui, Amazona. – A voz de Sagitário soou preocupada, mas ela sequer se moveu.
— Estou cansada de ficar deitada, senhor Kheiron. – Ela pontuou em um murmúrio.
— E não será de pé e em serviço que irá acelerar sua recuperação. – Ele rebateu, se colocando no foco de visão dela. – Desse modo não me ajuda a ajudá-la, menina.
— Eu não quero voltar lá pra dentro e ficar deitada. – A jovem insistiu. Embora estivesse de máscara, o centauro sabia que ela o olhava fixamente. Talvez fixamente até demais, a julgar pelo calafrio que percorreu o seu corpo.
Ele suspirou e tentou disfarçar aquilo. Nunca imaginou que se sentiria daquela forma diante dela. Depois do frenesi descrito por Cadmus e Ganimedes, alguma coisa de Escorpião pareceu mudar. Sentia as vezes que estava diante do próprio Scorpio em sua sede de sangue contida, prestes a liberá-la apenas por diversão, e não da garotinha assustada que viu crescer e se sagrar Amazona.
— Tudo bem… e como está se sentindo? – Perguntou o sagitariano, se deslocando para um lado e sentindo que a escorpiana o acompanhava com o olhar.
— Eu… só quero seguir em frente… – Ela murmurou, finalmente virando a face para o outro lado. – Se eu ficar deitada, dopada como fazem, não conseguirei fazer isso. A sensação… a sensação é muito parecida...
— Entendo…
— Não, não entende… – Antares falou com um tom amargo, fazendo com que Kheiron a olhasse surpreso. – O senhor não faz ideia do que é isso. E eu queria poder deixar isso no passado, como meu mestre sempre me instruiu. Mas eu não consigo…! – Sua voz falhou por um momento. – Isso dói! Dizer que o tempo irá cicatrizar essa ferida é uma mentira! Ela não fecha nunca! Não estanca nunca! E está mais insuportável desde que aquela Espectro apareceu!!!
Ela levou as mãos à cabeça, apertando-a entre os dedos.
— Antares… Antares, calma… – O Cavaleiro falou, preocupado com sua reação, se aproximando e a segurando pelos ombros. – É exatamente isso o que Melinoe quis causar a você.
Na primeira vez que Ganimedes o procurou, nada se sabia a respeito dos danos causados pela invasora. Apenas que os Gêmeos e Escorpião ficaram incapacitados, em pleno sofrimento. Kheiron os tratou de acordo com o que sabia previamente a respeito. Castor e Pollux não possuíam nenhum histórico de instabilidade emocional, diferente de Antares que travava uma longa batalha desde que tinha chegado ao Santuário, ainda criança.
Doses diferentes da mesma medicação para dormir foram repassadas. Para ela, os adicionais de um banho especial e incenso feito especificamente para o seu caso, junto com uma sessão de sangria [01] para remover o excesso de bílis negra [02] de seu corpo. Ao que parecia, a jovem estava começando a resistir às dosagens cada vez mais altas de valeriana, que estavam ficando arriscadas demais até mesmo para um Cavaleiro de grande resistência. Ela já tomava uma quantidade considerada letal para um ser humano comum.
Sangria era apenas um último recurso, e não algo que poderia usar constantemente, dada a quantidade de sangue que precisava extrair para começar a ter algum efeito sobre a Amazona. Ele precisava pensar em outra coisa. Antares estava se saindo um desafio cada vez maior que o esperado, e o centauro começava a pensar que aquele era um mal do qual não conseguiria tratar completamente.
— Eu… eu realmente quero poder ajudá-la, mas para isso eu preciso que você me ajude. – O Cavaleiro ponderou, escolhendo as palavras com cuidado e percebendo que ela o fitava mais uma vez. – É preciso que você continue seguindo minhas instruções e tomando infusões e banhos, mantendo os incensos queimando em seu quarto enquanto dorme. – E suspirou, sentindo um novo calafrio, embora a jovem sequer tivesse se movido ou dito qualquer coisa. – Você teve muitos progressos ao longo desses anos! Se parar agora, poderá colocar tudo a perder!
Aquilo a fez respirar pesadamente e baixar a cabeça. Cruzou os braços, pensativa. Sua melhora era algo inegável, pois quando chegara ao Santuário, temia até mesmo sua sombra.
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A pequena despertou assustada, desorientada, se culpando por ter dormido até depois do sol nascer. Estranhou não ter sido acordada com gritos e agressões, e deu-se conta de que estava sobre um colchão de palha limpa, e coberta por um lençol delicado de algodão. Percebeu que o local era muito diferente de onde costumava ficar.
Em vez de um cubículo sujo e sem ventilação, estava em um quarto espaçoso e todo em pedra escura. Não tinha grandes decorações além do leito e uma mesinha do lado, com um copo de madeira e um jarro branco, com alguns ramos de lavanda perfumados. Luz natural e ar fresco entravam por diversas frestas longas na parede, deixando o local agradável. Um baú repousava na parede oposta, junto a uma porta com uma grande tranca de ferro.
Ela demorou a associar o que aconteceu, repassando mentalmente o que houve até então. Tinha sido despertada e preparada para servir a um homem ainda nas primeiras horas da manhã. Não lembrava de sua fisionomia, mas lembrava do gosto do sangue quando o mordeu com força, no momento em que ele tentava despi-la. Correu para a rua, desesperada e aos gritos, ainda que soubesse que ninguém a ajudaria. Derrubou coisas pelo caminho, na esperança de que aquilo lhe desse algum tempo e se desvencilhou com vigor de qualquer tentativa de apanhá-la feita pelos transeuntes.
No ápice do terror, teve a impressão de ver um homem muito alto passar. Atirou contra ele a primeira coisa que conseguiu apanhar em sua corrida, mas nem mesmo soube dizer se conseguiu chamar sua atenção. O homem que mordeu a tinha alcançado e agarrado pelos cabelos emaranhados. Sem cerimônias, a jogou contra o chão de terra batida e a chutou, xingando-a pela fuga e pela ferida que ainda sangrava em sua bochecha.
Provavelmente desmaiou, pois pouco lembra do que aconteceu em seguida. Recordava apenas do ponto em que estavam afastados de Athenas, sob a sombra fresca de uma árvore. Estava envolta na capa vermelha de um Cavaleiro de Ouro de olhar ferino que a observava de boa distância, enquanto comia uvas.
Era um homem alto, de dois metros de altura e ombros largos. Tinha um porte majestoso e selvagem, de cabelos eram azul-escuros e fartos, como uma juba, e com olhos vermelhos. Olhos esses que estavam sobre ela, observando cada movimento feito. Estava vestido com uma Armadura de Ouro que a impressionou facilmente, com grandes esporas nos ombros e de elmo pontiagudo.
Sentiu medo dele, assim como sentia de qualquer homem, e ele não pareceu se importar. Ainda assim, o Cavaleiro lhe ofereceu o cacho que degustava, sem dizer uma palavra sequer, porém ela não teve coragem de aceitar.
— Estou certo de que os Deuses promoveram esse encontro, mas vejo que não confia em mim. Sinto no ar o seu medo. – Ele falou enquanto comia as últimas uvas doces. – Bom, não posso culpá-la por isso. Assim sendo, faça como quiser. Não irei obrigá-la a vir comigo. – Completou, lambendo as mãos que estavam sujas com o sumo doce.
Ainda assim, movida por algum impulso do qual desconhecia, a criança o seguiu. Atravessou uma campina, passando por uma muralha e prédios, vendo os peregrinos que caminhavam por ali olharem para aquela dupla. Muitos tinham chegado a parar suas atividades apenas para olhar ao Cavaleiro de Ouro, por quem pareciam nutrir um respeito receoso.
Cruzaram um rochedo que mais parecia uma muralha, notando mais homens trajando armaduras e lanças, como alguns que já tinha visto caminhar pelas ruas. Algo na atmosfera daquele lugar era diferente, inundava uma paz que a menina não sabia que existia.
Assim seguiram até uma imensa escadaria que subia uma montanha alta. Foi então que uma voz gentil a tirou de seu devaneio.
— Ora, pensei que ainda estivesse dormindo, pequenina.
Ela se virou rápida e arisca.
Era uma mulher de face corada e de longos cabelos verdes, presos em uma trança cuidadosa. Não era muito alta e usava uma túnica simples, de linho branco, levemente encardido. Os olhos grandes e azuis a fitavam com alívio. No ombro exposto, uma queimadura na forma de um sol parecia indicar que ela era a posse de alguém.
— Como está se sentindo, pequenina? – A mais velha perguntou sem se aproximar muito, mas abaixou-se para ficar em um nível equivalente ao dela. – Sente-se bem? Lembra-se de alguma coisa? De quem te trouxe aqui?
A menina, de tão assustada, mal se mexeu. Respondeu às perguntas feitas com um balançar da cabeça. Olhou para os lados, como se buscasse ver mais alguém ou uma rota de fuga, mas não encontrou nada além da porta por onde aquela estranha gentil veio.
— Não tenha medo, foi o mestre quem a trouxe ontem à tarde. Eu te limpei e troquei sua roupinha, lembra?. Está segura aqui. – Ela falou com voz suave e um sorriso dócil no rosto, arriscando chegar perto em mais um passo. – Quer comer alguma coisa? Você não comeu nada desde que chegou.
A criança sentia o coraçãozinho bater acelerada e dolorosamente dentro do peito. Era possível ver seus ombros magros subirem e descerem descompassados.
— Eu me chamo Ágape, sou a… a pessoa que… cuida dessa casa. – A mulher de cabelos verdes falou com cuidado na escolha das palavras, buscando acalmá-la. – Qual o seu nome, pequenina?
Mas a menina não respondeu, limitando-se a encolher-se na cama e cobrir a cabeça com o lençol, como se aquilo pudesse salvá-la de qualquer agressão. Só se deu conta do quanto a outra se aproximou quando sentiu uma mão pousar suave em sua cabeça, assustando-a. Tentou criar um pouco de coragem, contudo só conseguiu colocar parte do rosto para fora.
— Não! Não tema. – Disse a outra, vendo a mais nova estremecer e olhá-la com os olhos vermelhos cheios de terror. – Não precisa ter medo, está segura aqui. O mestre não deixará que nenhum mal aconteça. – E sentou-se na beirada da cama. – Mestre Scorpio a trouxe aqui e ordenou que cuidássemos de você, e assim será.
A criança engoliu a seco, seu corpo estava rígido, dolorido de tanta tensão. Segurava o fino cobertor azul-escuro com tanta força que poderia rasgá-lo.
— Você tem um nome, pequenina? – A mais velha quis saber.
Uma simples pergunta, mas o suficiente para que a garotinha percebesse que a criada estava tentando conquistá-la. Num impulso, tornou a deitar e cobrir-se o mais rápido que conseguiu e lá ficou, deitada e trêmula na cama.
Ágape olhou para aquele gesto, sentindo-se derrotada, mas não permitiu que o sorriso sumisse de seu rosto.
— A pequenina gosta de ovo de pata cozido? – Ela perguntou com aparente desinteresse. Precisava fazer com que, pelo menos, aquela menina comesse alguma coisa, ou ficaria ainda mais frágil. – Ou um mingau de avelã… Um caldo com pedacinhos macios de carne? Todos aqui já comeram, só falta você.
A garotinha puxou somente um pouco o lençol olhando para aquela mulher. Seus olhos vermelhos lacrimejavam pelo medo que sentia. A mulher a sua frente parecia boa, de uma gentileza da qual ela jamais conheceu. Aquela de quem fugiu jamais foi assim e a teria puxado dali pelo braço, no mínimo, para que saísse do quarto. Mas essa, diante de si, falava de modo tão doce que estremeceu.
E se ela também quisesse usá-la? Estava pronta para negar, contudo sentia-se fraca demais naquele momento. O estômago estava vazio há muitas horas, fazendo com que a menina hesitasse diante da oferta feita.
— A-avelã...! – Disse num sussurro, gaguejando com voz rouca.
Nem sabia se tinha conseguido falar, pois sentia mais medo que fome.
— Avelã? Então está certo, trarei um mingau de avelã bem gostoso para você. – A mulher falou ainda sorrindo. Foi uma pequena vitória que lhe deu esperança. – Espere só um pouquinho e eu trarei sua refeição e algo para beber.
E se retirou, deixando a porta escancarada, de onde a criança podia ver um amplo aposento e uma movimentação sutil. Parecia uma sala com uma grande mesa ao centro, repleta de pratos vazios e empilhados, como se um grande banquete tivesse acabado há poucos instantes.
Via pessoas passarem com roupas longas e passos leves, como se temessem fazer barulho. Realizavam serviços simples, indo e vindo com ânforas de cerâmica, enquanto um perdido passou com uma tigela cheia de uvas verdes e vermelhas. Alguns lançavam olhares curiosos para dentro do aposento, diretamente para a menina ali deitada.
Não demorou para que escutasse passos em sua direção, fazendo com que novamente apertasse a coberta em seus dedos pequenos e fechasse os olhos com força. Também não tardou para sentir cheiros os quais nunca havia sentido antes, mas que fizeram seu estômago se manifestar com mais vigor e sua pequena boca de lábios pálidos se encherem de água.
— Aqui está, pequenina. – Ouviu a voz doce daquela mulher, fazendo com que a menina arriscasse um olhar por fora do tecido que a cobria. – Pode comer tudo o que quiser, o tanto que quiser. Não fique acanhada!
Sobre a mesa ao lado da cama, ela viu o que lhe parecia um banquete dos deuses. Em uma bandeja grande de prata, tinha uma fatia de pão fumegante cortada ao meio, com uma calda espessa e de cheiro doce por cima de cada metade. Um ovo cozido estava descascado dentro de um pratinho menor, junto com bocados bem macios de queijo fresco. Um mingau ralo de avelã acompanhava pedacinhos de frutas moles e tinha uma jarra de sumo de uvas vermelhas para ajudar a empurrar tudo para dentro.
Estava acostumada a pão velho e mofado de trigo, pois Aquela Mulher dedicava sempre a pouca comida boa aos seus visitantes. Frutas dificilmente eram doces, pois geralmente já estavam apodrecendo. O mingau de aveia sempre era aguado e amargo, com manchas de bolor. Não eram raras as ocasiões em que a menina preferia ficar com fome a comer aquilo que lhe serviam.
A criança mal se conteve, pegando aquele pedaço de massa e comendo avidamente, pouco se importando de queimar os dedos ou a boca. Comeu os pedaços de carne, as batatas e o alho, limpando o fundo do prato com outro pedaço de pão. Comeu tudo com voracidade, dando-se conta do quão faminta estava, chegando a engasgar algumas vezes.
Quando percebeu, havia terminado toda a comida, o que a fez erguer os olhos com medo. Estava certa de que seria punida por aquilo. No entanto, aquela mulher apenas levou uma mão aos seus cabelos desarrumados com suavidade e virou-se, pegando uma jarra. Derramou o seu conteúdo avermelhado vivo em um copo de madeira e o entregou à garotinha.
— Sumo de uvas, minha querida. Pode beber e repetir, se quiser. – Ela falou.
Hesitante, a pequena aceitou, pegando o recipiente com as mãos e levando à boca, mas não sem antes dar uma boa olhada. Tinha uma cor bonita, escura, de reflexo rubro. Tinha um cheiro característico de uvas. Sabia apenas que estava gostando do sabor doce e suave, diferentemente daquele forte, que sempre lhe davam e que sempre a deixava tonta, a mercê dos visitantes d’Aquela Mulher. Bebeu tudo.
O som de batidas na porta chamou a atenção das duas. A criança, em uma mistura de susto e instinto, deixou o copo vazio cair sobre a cama e se esconder debaixo do cobertor, tremendo. Era o mesmo homem que a tinha levado da cidade e podia sentir que ele olhava para ela.
— Estou indo para a minha ronda. Deixe tudo pronto para meu retorno. – Ele falou com sua voz grave, soando calma. A pequenina estremeceu debaixo do lençol ao ouvi-lo dizer aquilo. – Se precisar de algo para ela, procure Kheiron. Eu já conversei com ele a respeito.
— Sim, meu senhor. – Ágape respondeu submissa.
O som pesado de seus passos se fizeram ouvir pelos ouvidos sensíveis da menina, afastando-se. Devagar, ela descobriu a cabeça, a tempo de vê-lo partir. O mesmo homem que a resgatou mais cedo.
A mulher, ao perceber que a menina olhava para a porta já vazia, sorriu e tratou de empilhar os pratos trazidos. Depois, afagou os cabelos azuis escuros da pequena.
— E agora, pequenina, descanse um pouco. – Ela falou com um tom zeloso e um sorriso doce no rosto. – Mais tarde trarei outra refeição para você. Está segura aqui, no Templo de Escorpião, no Santuário da Deusa Athena.
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Antares balançou a cabeça de modo impaciente, por lembrar daqueles dias. Tinha que concordar com Kheiron de que havia melhorado muito desde então e que talvez ele estivesse certo. Ela precisava terminar de cumprir todos os cuidados que foram delegados para cuidar de seus problemas. A Amazona teve que engolir a frustração e os próprios pensamentos.
— Certo, mas irei precisar de algo diferente. – Ela ponderou, relaxando os ombros que estavam tensos. – O que estamos usando já não está mais surtindo tanto efeito…
Aliviado por ouvir aquilo, o centauro sorriu com gentileza, assentindo para ela. Mas estava muito longe de se sentir tranquilo depois daquela sensação assustadora de poucos instantes. A próxima sessão de sangria teria que apresentar um resultado mais efetivo...
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