Saint Seiya: O Rugido do Camaleão
89 Surgem as Estrelas Malignas
[Santuário de Atena]
Assim que Atena e seus cavaleiros regressaram do Templo Submarino eles foram recebidos pelos cavaleiros de ouro e demais servos do Santuário. Todos foram ovacionados, os cavaleiros de ouro cumprimentaram os cavaleiros de bronze e demonstraram estar orgulhosos deles. Seiya e outros ficaram surpresos ao verem Aldebaran sã e salvo.
Depois da calorosa recepção, todos os feridos foram levados para serem tratados. Já Atena ficou para trás, pois os cavaleiros de ouro queriam conversar com ela.
— Atena nos perdoe por não irmos ao seu encontro, mas o Mestre ancião nos proibiu de sair do Santuário. — Disse Aiolia também fazendo uma reverência.
Mu, Shaka, Aldebaran e Milo seguem o exemplo e também fazem reverência.
— Aldebaran… — Sorriu Saori gentilmente. — Como está a sua recuperação?
— É muito bom poder vê-la novamente deusa Atena. — Disse Aldebaran tomando a frente e se ajoelhando. — Minha recuperação está indo muito bem, em breve estarei completamente recuperado. Sinto muito por não ter lhe acompanhado até o templo de Poseidon. — Disse ele abaixando a cabeça.
— Está tudo bem Aldebaran, eu também errei em ir sem nenhuma proteção, mesmo que minha intenção fosse diplomática eu não poderia ter ido só e sinto muito por ter me exposto ao perigo daquele jeito, mas foi a única forma que eu encontrei para amenizar toda a destruição que Poseidon estava causando e infelizmente com isso acabei colocando os cavaleiros de bronze para lutarem mais uma vez…
— Jovem Atena, perdoe-me, mas existe uma ameaça iminente que não pode ser ignorada… a qualquer momento os espectros de Hades estarão livres novamente. — Disse o mestre ancião através do seu cosmo. — Sei que o momento não parece oportuno, contudo, não podemos baixar nossa guarda mediante a ameaça do Imperador do Submundo.
— Eu entendo a situação, Mestre Ancião, de fato a guerra contra Hades é inevitável, devemos nos preparar. No entanto, eu tomei uma decisão… Irei proibir que os cavaleiros de bronze voltem a lutar, eles não devem se envolver nessa nova Guerra Santa, eles devem ter a oportunidade de viver como jovens normais.
— Atena… perdoe-me, mas esse seu desejo é ingênuo… a guerra santa contra Hades poderá perdurar por muito tempo, e inevitavelmente os cavaleiros de bronze podem ser envolvidos mesmo que eles não estejam no fronte desta guerra… Por mais nobres que sejam suas intenções, elas são demasiadamente juvenis. — Alertou Shaka.
— E-eu… — Saori suspirou. — Eu sei que é um desejo egoísta e ingênuo, mas eles já se sacrificaram tanto por mim, já sangraram tanto… as vezes penso que a única coisa que posso fazer por eles é libertá-los desse vínculo sangrento.
Todos ficaram em silêncio, pois todos ali também abandonaram suas vidas normais em prol de lutar por Atena em nome da paz e da justiça. A vida de um guerreiro de Atena não é fácil, ela é muitas vezes cruel e pode ser bastante ingrata.
— Então está decidido. — Disse Mu quebrando o silêncio. — Nós iremos afastá-los do Santuário. Irei confiscar suas armaduras até segunda ordem.
— Obrigada Mu. — Disse Saori um pouco mais aliviada. — Estou contando com você e com todos para impedirmos que Seiya e os outros se envolvam nesta guerra. Devemos isso a eles… eu devo isso a eles.
— Muito bem deusa Atena, se esse é o seu desejo iremos cumpri-lo. Mas agora a senhora deve descansar enquanto pode. Precisa de tempo para recuperar-se bem. — Disse Milo.
Saori assentiu e se retirou, Milo a acompanhou até o seu templo.
Assim que os ferimentos dos cavaleiros de bronze foram tratados, eles foram informados que Atena havia ordenado que eles deveriam se retirar do Santuário.
— Como assim nos retirar do Santuário? — Indagou Seiya.
— A deusa Atena quer apenas que vocês tirem um merecido tempo de descanso para poderem se recuperar melhor. — Respondeu Mii.
— Acho que não seria ruim passar uns dias em casa. — Comentou Shiryu.
— Vocês não estão mesmo incomodados com isso? — Questionou Seiya.
— Vamos Seiya, isso é um privilégio para poucos. — Disse Hyoga.
— Tsc… acho que tudo bem então. — Aceitou finalmente. — Mas antes de irmos quero ver a Saori.
— Não Seiya, Atena está descansando agora. Infelizmente vocês terão que esperar Atena se recuperar.
— Seiya, a partir de agora vocês devem tratar a jovem Saori como a Deusa Atena, não poderão mais tratá-la como uma amiga. — Disse uma voz serena se aproximando.
— É você Mu? O que você quer dizer com isso?
— Enquanto vocês dormiam, Saori Kido assumiu seu posto como Atena e mesmo que vocês que lutaram ao lado dela não podem fugir das regras do Santuário. Vocês não poderão mais ter contato direto com Atena. — Explicou Mu.
— Mas isso é muito injusto! Depois de tudo o que passamos, vocês querem nos proibir de te ver a Saori!? — Disse Seiya irritado.
— Seiya, nós somos servos de Atena, não podemos confundir as coisas. — Disse Mii.
— Isso é fácil pra você, vai continuar ao lado da Saori já que é uma Saintia!
— Seiya, você deveria saber que esse dia chegaria. — Disse June.
Não foi fácil, mas Seiya acabou sendo “convencido” que agora que a Saori assumiu como a Deusa do Santuário existiam regras a serem seguidas e que eles não poderiam ver a Saori mais como uma amiga, mas sim como Atena, a deusa da terra e que eles teriam que se acostumar com a nova realidade.
Mesmo a contragosto, Seiya respeitou as ordens de Atena e voltou para o Japão, mas se recusou a ficar na Mansão Kido, ele foi para o Orfanato ficar com a Mino. Shiryu voltou para Rozan, para a alegria de Shunrei e do Mestre Ancião. Ikki decidiu procurar por Shun que ainda não havia retornado e prometeu dar notícias a June. Já June decidiu voltar para a agora solitária ilha de Andrômeda, mas confiante que Shun retornaria sã e salvo. Hyoga voltou para a Sibéria, voltou para a vila onde vivia seu amigo Jacob.
Antes de partir perguntaram a Mu como ficaram as suas armaduras, Mu respondeu que levaria algum tempo para que as armaduras fossem recuperadas e restauradas.
Pouco depois da partida dos cavaleiros de bronze, Mu e Kiki foram até as ruínas do Templo de Poseidon para recuperarem as armaduras de bronze, Kiki mais uma vez serviu de guia, porém como prometido a Saori, Mu apenas as guardou em seu templo zodiacal.
[Castelo de Heinstein, Alemanha]
O Castelo ficava perto das cidades de Schwangau e Füssen, no sudoeste da Baviera. O castelo possuía uma grande portaria, um caramanchão, torres quadradas e cidadelas, além de duas torres no extremo oeste.
O castelo era enorme e possuía um hall de entrada maravilhoso, inúmeras salas, todas extravagantes, também continha uma Sala do Trono, vários quartos tipo suíte e tinha uma misteriosa e profunda Gruta.
Uma sombra alada chega no castelo, era uma linda mulher com uma armadura negra deslumbrante, em seus braços ela carregava um jovem desacordado.
Ela caminha pelos corredores sombrios e sem vida do palácio em direção a sala do trono. — Esse castelo parece bem melhor que o último. — Pensou enquanto caminhava.
Ao chegar, ela coloca o jovem desacordado no trono.
— Pandora, vem aqui. Estou na sala do trono. — Disse a mulher e sua voz ecoou por todo castelo.
Uma jovem que dormia em um quarto escuro como a mais densa noite desperta. Ela se levanta e sai do seu quarto, a jovem tinha uma pele branca, pálida, quase desprovida de vida. Ela começa a caminhar pelos corredores do castelo em direção a sala do trono. O silêncio do castelo era mórbido, e a única coisa que era possível escutar eram os passos da jovem, ecoando por onde ela passava.
Ao chegar na sala do trono a jovem vê o jovem sentado no trono.
— O que significa isso? — Diz ela surpresa.
— Ora minha jovem, estou tão surpresa quanto você. Nunca imaginei que o receptáculo de Hades poderia ser um cavaleiro.
— Perdoe-me senhora Ker, mas é ele mesmo quem deveria ser o receptáculo? — Questionou Pandora preocupada.
— Veja por si mesma. — Disse Ker estendendo a mão na direção do jovem. Um colar com um pingente começa a sair de dentro do peitoral da armadura. — Veja, reconhece esse pingente?
— Sim, não há dúvidas. É ele.
— Eu o encontrei à deriva pelo Mar Mediterraneo. Certamente ele estava participando da Guerra entre Atena e Poseidon. — Disse Ker com um sorriso no rosto. — Para a nossa sorte ele foi um dos sobreviventes.
— Compreendo. Mas agora devemos nos concentrar no retorno do Senhor Hades, farei todos os preparativos. — Disse Pandora estendendo uma das mãos. — Guardas!
Dois soldados surgiram das sombras e caminharam até o trono. Eles vestiam armaduras negras que tinham um brilho roxo soturno, cada um portava uma foice pequena. O elmo possuía pequenos chifres e cobria quase a cabeça toda. As proteções dos ombros, antebraço e joelhos possuem espinhos.
— Em quê podemos ajudar, senhora Pandora? — Disse um deles.
— Levem o receptáculo para a suíte real e o acomodem lá, e quero que tirem essa armadura suja dele.
— Sim senhora! — Os soldados pegaram o jovem e o levaram.
— E a senhora, o que fará agora?
— A qualquer momento o selo que prende os espectros se romperá, e eles finalmente estarão livres e não será necessário qualquer intervenção. Então acho que por hora retornarei ao submundo, o resto deixarei em suas mãos.
— Sim senhora. Ficarei aqui aguardando que os espectros se reúnam no castelo e os organizarei. Estaremos todos prontos para receber as ordens do senhor Hades.
— Tenho certeza que o senhor Hades irá se surpreender com os rumos desta Guerra Santa que nem iniciou e nosso exército já está com a vantagem. — Sorriu Ker.
— Como assim, deusa Ker?
— Graças a mim, o Santuário está praticamente destruído. Foi uma pequena brincadeirinha que fiz, mas que surpreendentemente rendeu bons frutos.
— A senhora agiu sem o conhecimento do Senhor Hades?
— Não se preocupe com isso, minha criança. O que está feito está feito, o destino do Santuário de Atena era a ruína com ou sem a minha intervenção. Mas enfim, já vou indo. — Disse a Deusa se dissolvendo em escuridão.
Mais tarde naquela noite uma aura sombria tomou conta do corpo do jovem que estava sendo vigiado e pouco depois o selo que prendia os espectros de Hades perdeu seu poder. E mais uma vez os servos do submundo caminhavam sob a terra.
— Pandora! — Chamava uma voz dentro do quarto real.
— Essa voz… será que o garoto despertou? — Disse um dos guardas.
— Onde está a Pandora!? Tragam ela aqui imediatamente!
— É melhor chamarmos a senhora Pandora de uma vez. — Disse o outro guarda saindo do seu posto.
Momentos depois o soldado esqueleto retorna.
— Senhora Pandora, ele despertou, porém estranhamente ele chama por seu nome.
— Então isso quer dizer que meu senhor Hades… deixe-me vê-lo imediatamente!
O guarda abre a porta do quarto e Pandora o adentra. O jovem estava sentado em sua gigantesca e luxuosa cama real, ela era cheia de adornos de ouro e de pedras preciosas cravadas na madeira.
— Pandora, estou confuso, onde estou? — Perguntou o jovem colocando a mão sobre o rosto.
— Esse sem dúvidas é o cosmo do meu senhor. — Pensou Pandora, que logo faz reverência e se ajoelha diante do jovem. — Estamos em vosso Castelo, meu senhor, localizado na Alemanha.
— Alemanha? Então desta vez esta será a minha base na superfície?
— Sim, meu senhor.
— Porque este corpo está tão exaurido?
— Aparentemente o seu hospedeiro estava participando como um cavaleiro no confronto entre Atena e Poseidon.
— Então ele se tornou um cavaleiro de atena? Curioso. Eu não havia previsto isso. Mas como eu imaginava ele manteve-se puro, dono de uma alma capaz de carregar tamanha benevolência e compaixão pela humanidade e demais seres vivos… ele claramente toma para si o sofrimento das pessoas ao seu redor, carrega um grande fardo em seu coração. — Disse o jovem pegando sob o seu peito um pingente de prata que tinha gravado a frase “Yours Ever”.
— Por isso ele é o hospedeiro perfeito para o senhor, Imperador Hades. E em breve o senhor terá o domínio completo do corpo dele.
— E meus espectros? Já despertaram?
— Sim meu senhor, nesse momento as estrelas malignas estão se espalhando pelo mundo, possuindo aqueles destinados a servirem ao senhor.
{Três Dias Depois}
Saori estava dormindo em seu quarto que ficava no templo de Atena localizado ao fim das doze casas, e por mais que ela fosse uma deusa, seu quarto era mais simples do que poderia-se imaginar.
Uma névoa negra começa a entrar no quarto pelas frestas da porta, ela vai serpenteando pelo chão do quarto e depois de um tempo começa a se acumular, então uma voz soturna ecoa chamando pelo nome de Atena.
— Vamos deusa Atena, desperte…
Saori começa a despertar, enquanto isso a névoa negra se transforma em um ser encapuzado, com um manto preto de brilho arroxeado fantasmagórico.
— Quem está aí? — Diz Saori sentando-se em sua cama, ela então vê o ser encapuzado. — Que-quem é você?
— Não me diga que já se esqueceu de mim?
— Não consigo ver o seu rosto, mas sua presença é familiar… vamos, quem é você!?
— Eu sou Hades, o senhor do Submundo! — Respondeu ele dando alguns passos para frente.
— Hades!? — Disse Saori chocada. — O que está fazendo aqui!?
— Eu vim buscá-la Atena… vim levá-la para o mundo dos mortos! — Respondeu Hades que puxou de dentro do seu manto uma foice e atacou Atena, cortando-lhe a cabeça, que caiu no chão e foi rolando pelo quarto, deixando um rastro de sangue.
— Atenaaaaa! — Gritou o Mestre Ancião. Ele estava todo suado e arfava muito. — O que foi este sonho!? Será que foi um presságio? Ou só a minha mente me pregando uma peça? De qualquer forma, assim que Hades achar um hospedeiro ele irá atacar Atena e vai tentar tomar a sua cabeça… Isso será a primeira coisa que ele tentará… não posso mais ficar aqui, preciso ir proteger Atena…
Momentos depois.
— Como assim o senhor está indo embora? Já anoiteceu, pra onde o senhor vai? — Questionou Shunrei preocupada.
— É melhor assim Shunrei. Não irei envolver vocês nisso. Sombras terríveis estão se aproximando de Atena.
— Desde que eu era criança o senhor nunca saiu dos Cinco Picos. Quando o senhor volta?
— Hummm… talvez nunca minha criança… Hohohohoo.
— Isso não é hora pra brincadeiras, mestre! O senhor vai lutar, não vai? — Perguntou ela com medo, pois já sabia a resposta.
— Escute Shunrei, esses dias que nós quatro passamos juntos foram maravilhosos… me fizeram lembrar dos velhos tempos e do porque nós cavaleiros lutamos… do porque nós nos sacrificamos tanto.
— E não é por isso mesmo que o senhor deveria ficar? Eu sei que é um desejo egoísta… mas o senhor e o Shiryu são tudo o que tenho… e agora nós somos tudo o que o pequeno *Shoryu tem…
— Shunrei, você deve guardar esses momentos em seu doce coração. E mesmo se eu não voltar, você ainda terá o Shiryu e agora o Shoryu… vocês ainda tem muito o que viver pela frente.
— Mas mestre… — Falou ela com os olhos rasos d’água.
— Você jamais deve deixar o seu amado Shiryu partir dos Cinco Picos, entendeu? Vocês três devem viver em paz e harmonia… Isso é tudo que mais desejo…
Shunrei se aproxima do Mestre Ancião, se abaixa e o abraça forte. O velho mestre devolve o abraço e seus olhos ficam rasos de água. Porém ele percebe que presenças agressivas se aproximavam de Rozan, então se afasta de Shunrei.
— Bom, minha criança… agora devo ir… adeus… — Disse o mestre saltando por cima da grande cachoeira e desaparecendo na noite.
— Mestre… por favor… retorne vivo pra casa… — Pediu Shunrei de joelhos aos céus, enquanto chorava.
— Shiryu, Seiya, Hyoga, June, Shun e Ikki, eu realmente me arrependo de ter deixado o fardo da batalha com vocês por tanto tempo… Mas isso acabou! De hoje em diante todos vocês viveram como crianças normais… eu prometo! — Pensou o Mestre Ancião.
Pouco depois três sombras começaram a se aproximar do velho mestre…
— Até que para um velhote você se move bem… hehehe — Disse uma voz.
— Não à toa é um dos sobreviventes da Guerra Santa anterior! — Disse uma segunda voz.
— Entretanto, nós viemos atrás da sua cabeça! — Disse uma terceira voz.
— Hoho, vocês demoraram demais. — Disse o velho mestre pousando em uma pequena encosta.
— Você escolheu um belo lugar para ser seu túmulo. — Disse um guerreiro saindo das sombras, ele usava uma armadura negra que possuía um brilho arroxeado.
— Faz mais de duzentos anos, mas nunca esqueci desse brilho fantasmagórico… — Disse o velho mestre.
— Você já sabe quem somos, isso facilita as coisas. — Disse outro dos guerreiros se revelando. — Eu sou o *Espectro de Gárgula, a Estrela Celeste do Pecado.
Ele era alto, mas era curvado para frente, seu elmo cobria a cabeça completamente, ele usava uma máscara com um grande chifre que cobria o seu rosto. Duas grande asas negras brotavam das suas costas, suas mãos eram protegidas por grandes garras, assim como seus pés. Seu corpo era totalmente protegido por aquela armadura negra.
— Eu sou *Naso de Aracne, Estrela Celeste da Escravidão. — Disse o primeiro espectro.
Naso tinha um elmo no formato de uma cabeça de aranha, das suas costas saiam vários pares de patas que lembravam patas de aranha só que eram pontiagudos, a proteção do seu peitoral possuía duas presas e ia até abaixo da cintura, terminando em um tipo de ferrão. Tinha ombreiras duplas e a proteção das suas coxas eram vazadas, assim como o das suas pernas.
— E eu sou o *Espectro de Apoliom, Estrela Terrestre da Velocidade.
O espectro tinha um elmo que lembrava a cabeça de um gafanhoto que cobria a cabeça dele completamente, ele também tinha duas grandes antenas. Possuía proteções nas costas que se assemelhavam a asas, ele tinha ombreiras triplas, um peitoral que protegia até a cintura, seus braços e pernas também era totalmente protegidos.
— O Senhor Hades achou que seria melhor eliminá-lo primeiro, para que não ajude Atena nesta guerra. — Disse o Espectro de Arachne.
— Mesmo sendo um velhote, seu conhecimento pode atrapalhar os planos do senhor Hades. — Disse o Espectro de Apoliom.
— E hoje estamos aqui para garantir que vá se reencontrar com seus antigos companheiros no mundo dos mortos. — Disse o espectro de Gárgula.
— É um bom plano. Mas será que vocês vão conseguir? Hohohoho
— É o que veremos! Receba meu golpe! Garras Retalhadoras da Morte! — Bradou o espectro de Gárgula que voou pra cima do velho mestre.
Ele usou suas longas garras negras para atacar, mas o velho mestre desviou de todas as investidas, em seguida ele desapareceu e surgiu atrás do espectro, o golpeou com a palma da mão, e o espectro foi jogado pro final da encosta.
— Tsc… ele é rápido… — Disse Naso surpreso.
— Eu sou mais! — Respondeu Apoliom indo na direção do Mestre Ancião. — *Golpe Insectus!
Com o braço direito totalmente envolto em cosmo o espectro pulou na direção do mestre ancião para golpeá-lo com o seu punho destruidor, porém o velho mestre apenas esticou a mão e conteve aquele golpe facilmente.
O Mestre ancião então segurou o punho do espectro e começou a girá-lo acima da sua cabeça e em seguida o lançou para longe, fazendo-o cair no vale mais abaixo.
— Seu maldito… nãoo era pra você ser um velho decrepto!? — Pergunto Naso assustado.
— Hohoho, quem sabe, ou será que vocês não deveriam ter treinado mais antes?
— Bobagem! Nós, espectros de Hades, não precisamos treinar, recebemos o nosso poder diretamente do Senhor Hades. Todo conhecimento e técnicas vem das nossas Sapuris. — Respondeu Naso.
— Mas aqueles que se acomodam ficam pra trás. Depender só do poder que recebem de Hades é um erro.
— Calado! Nós três somos mais do que suficientes para acabar com você! — Disse o Espectro de Gárgula ressurgindo.
— Eu peguei leve com você, velho. Mas agora vou usar toda a minha velocidade! — Disse Apoliom que tinha escalado de volta para o topo da encosta.
Apoliom disparou em alta velocidade contra o mestre ancião e tentou um sequência de socos, mas todos foram esquivados sem qualquer dificuldade. O espectro então partiu para uma sequência de chutes, os golpes eles eram ainda mais rápidos que os anteriores, entretanto, mesmo assim seus golpes se mostraram inúteis contra o velho mestre.
— Pare de brincar! Você é o mais rápido dentre nós, como não consegue acertar um único golpe nesse velho!? — Gritou o Espectro de Gárgula.
— Você é mesmo um velho ancião de mais de 200 anos!? — Questionou o espectro de Apoliom.
O mestre ancião apenas sorriu e em seguida golpeou o espectro no estômago, trincando a proteção da sapuris e o lançando para longe.
— Eu tenho um plano. Mas vocês dois precisam ocupar ele por um instante. — Pediu o espectro de Aracne se aproximando do espectro de Gárgula.
— Espero que funcione! — Respondeu o espectro de Gárgula que voou pra cima do mestre ancião outra vez. — Garras Retalhadoras da Morte!
Naso foi até Apoliom e pediu para que eles ganhassem algum tempo, pois tinha um plano.
— Vamos tentar então! — Respondeu o espectro partindo pra cima do mestre ancião.
Agora os dois espectros estavam tentando pressionar o velho mestre.
O espectro de aracne se ocultou nas sombras e ficou aguardando a melhor hora para agir, enquanto os outros dois lutavam.
— Parece que vocês tem algum plano, mas será que vai funcionar?
— Calado! — Bradou o espectro de Apoliom.
— Ainda não? — Se perguntou o espectro de Gárgula que se esforçava bastante para não atrapalhar seu companheiro por causa da diferença de velocidade entre eles.
Por mais que os dois espectros se esforçassem para pressionar o mestre ancião, o velho mestre estava lidando com os dois facilmente.
— Tsc… Vou ter que mudar de estratégia! Tecelagem da Morte! — Naso saiu das sombras e posicionou ameaçadoramente seus quatro pares de patas na direção dos três e disparou delas o que parecia ser uma teia de aranha.
A teia espalhou-se por todo local da batalha, atingindo e paralisando os três que estavam lutando, a cada segundo que passava eles eram mais e mais envolvidos pela teia que os prendia.
Em questão de poucos segundos os três estavam presos, envolvidos completamente em grandes casulos. Naso foi até seus companheiros e com um simples movimento de mão liberou-os dos seus respectivos casulos.
— Esse era o seu plano!? — Questionou o espectro de Gárgula irritado.
— Idiota, era nisso que voce estava pensando!? — Gritou o espectro de Apoliom tirando os restos de teias que ficaram grudadas em suas antenas.
— Se eu tentasse capturar só o velho como planejava, eu iria falhar com toda certeza… — Explicou Naso indo até o casulo do mestre ancião. — Mas o que importa é que consegui capturá-lo! Agora vou sugar toda a vida dele! Será um banquete! Banquete Sangrento! — Naso enfia todas as suas patas no casulo como se fossem lanças.
— Bem, podemos dar nossa missão como concluída. — Disse Apoliom.
— Te-tem alguma coisa errada… — Balbuciou o espectro de Aracne.
— O que aconteceu? — Perguntou Apoliom.
— Tem mais energia do que eu imaginava! O cosmo dele não está diminuindo! — Disse Naso assustado.
O cosmo do velho mestre começou a aumentar e a transbordar do casulo, assustando os três espectros. Em seguida, todas as patas do espectro se estilhaçaram, Naso dá alguns passos para trás pois o casulo começou a rachar e a se desfazer, de repente o punho do mestre ancião quebra o casulo completamente e atinge o peito de Naso, estilhaçando a sua sapuris. O espectro cai no chão e uma poça de sangue começa a se formar.
— Velho maldito! — Gritou Apoliom partindo pra cima do mestre ancião. — Golpe Insectus!
O Mestre ancião bloqueou o golpe do espectro e num piscar de olhos golpeou o estômago de Apoliom estraçalhando a proteção da sua sapuris e fazendo ele vomitar muito sangue, contudo, como seu elmo era todo fechado o sangue começou a escorrer pelo seu pescoço, em seguida o espectro caiu no chão.
— Maldito! Redemoinho Traiçoeiro! — Gritou o espectro de Gárgula que alçou voo em direção do mestre ancião em alta velocidade e começou a circundá-lo criando um redemoinho de ar e cosmo, a pressão criada pelo espectro era imensa. — Você está preso no centro do redemoinho! Agora será retalhado, por minhas garras! — À medida que girava em volta do mestre ancião, o Espectro usava as suas garras e asas para lançar rajadas de ar cortantes.
O mestre ancião então saltou vários metros acima do redemoinho, se livrando facilmente dele. Logo em seguida ele desceu na direção do espectro e o atingiu com os dois pés e jogando-o para baixo, abrindo uma cratera quando atingiram o chão.
— Então como eu imaginava as forças do submundo estão se movendo, é questão de tempo para que os ataques ao Santuário comecem. — Disse o Mestre Ancião saindo da cratera e olhando para o céu noturno. — Não, o Santuário já está sobre ataque… Muitas sombras estão se movendo esta noite, posso sentir uma grande ameaça se esgueirando pela noite…
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