Em uma escura e chuvosa noite; o céu inteiro estaria negro, totalmente consumido pela escuridão da noite, enquanto a chuva caia, e o som dos pingos d`água podiam ser escutados desabando sobre o local. E em meio a chuva e as trevas, se encontrava uma grande e luxuosa mansão, na qual as gotas d´agua caiam sobre o teto da grande contrução. E dentro da mansão, podia se ouvir uma delicada melodia de piano, soando de forma obscura, como uma sonata sombria. Em uma das salas da mansão, podia se observar um homem de aparencia jovem e bela, provavelmente o dono de tal lugar, todo bem vestido com roupas notavelmente caras; uma camisa branca de linho trabalhada em seda, e um terno de coloração purpura, de tonalidade bem escura, vestindo o jovem de corpo atletico e definido, de pele clara e cabelos vermelhos e um pouco arrepiados. O tal jovem que estaria tocando a tal melodia, dedilhando as teclas do piano, que notavelmente era um piano caro e luxuoso, de acabamentos refinados, todo em marfim. O tal jovem que dedilhava as teclas do piano, possuia um olhar duro, firme e obstinado em seus olhos de coloração verde-azulada, fixando-o nas teclas do piano, nas quais eram suavemente dedilhadas por ele. Esse tal jovem de olhar obstinado e cabelos vermelhos se chamava Ryunaga.
Logo, uma estranha figura adentrava a sala, deferindo passos tortos e desajeitados, cruzando a sala, passando próximo as paredes todas decoradas com quadros e outros artigos de luxo, caminhando até Ryunaga, pisando em um fino e caro tapete persa que adornava o chão da sala. A tal figura se tratava de um homem, um homem de aparencia horrenda e estranha, porém, bem vestido, com um caro e elegante terno branco de camorsa cobrindo seu magro e esquisito corpo, com roupas tão caras que, por pouco, o fazia parecer bonito; porém, certos milagres não acontecem. Logo, esse homem horrendo, erguia uma de suas mãos até sua cebeça, e então retirava um chapéu que o mensmo vestia em sua cabeça, que combinava com seu terno, revelando ele ter uma cabeça totalmente calva, sem nenhum fio de cabelo, em contraste com seu rosto estranho e com sua pele asqueroza, como a de um sapo. Logo após retirar o chapéu, o tal homem o segurava com sua destra, próximo a seu abdomen, e logo ele dobrava os joelhos, curvando-se perante Ryunaga, como se fosse um servo ou mordomo do tal. O homem então logo revelava ter uma voz aguda, aspera e irritante, dizendo algumas palavras em direção a Ryunaga:
—Oh, senhor Ryunaga, aqui estou eu; Zeros de Sapo, a estrela terrestre bizarra.
Logo o tal homem que revelava se chamar Zeros, soltava o chapéu de sua destra, e então levava sua mão até o centro de seu tórax, agarrando sua roupa, e logo em um rapido movimento com seu braço, o mesma tirava sua roupa por completa, revelando estar trajando uma armadura escura e bizarra, imitando algumas características de sapo, fazendo jus ao que Zeros havia dito agora a pouco. Essa armadura negra se tratava de uma sapuris, que são as armaduras trajadas por todos os servos de Hades, deus e imperador do submundo. Ryunaga logo parava com o dedilhar nas teclas do piano, cessando sua sonata sombria, e logo o jovem daria um leve olhar de lado para Zeros, porém, mantendo seu pescoço ereto e seu rosto apontado para frente, logo dizendo em um tom suave e calmo, porém, com um tom de autoridade:
—Ótimo...
Logo em seguida, Ryunaga se levantava lentamente da banqueta do piano, e então colocava as mãos dentro dos bolsos de sua calça, ficando ali em pé parado por alguns segundos enquanto olhava para baixo,com um sorriso sombrio em seu rosto e provavelmente pensativo sobre algo que estaria prestes a acontecer, algo que certamente, mudaria a vida dele. Logo o jovem se virava, ficando de frente a janela da sala, que possuia uma aparencia neoclassica, certamente muito cara e luxuosa, e então o jovem se encaminharia até a janela, que mesmo com a chuva que caia naquela noite, estaria com uma de suas partes entre-abertas, porem as gotas de chuva não adentravam o local, pois caiam em uma direção oposta a janela. Ryunaga beirando a janela, logo inclinaria levemente seu corpo e apoiava o cotovelo de seu braço direito sobre a base da janela, que estaria em uma altura pouco abaixo de seu torax, e logo apoiando sua cabeça em sua mão direita, com seu punho fechado, apoiando seu rosto. O olhar de Ryunaga mantinha-se focado na paisagem que o jovem estaria vendo pela janela, observando o ceu de forma ampla, sem foco algum em determinado objeto ou estrela que adornava a escuridão do céu. Logo, vários feixes brilhantes começavam a surgir, rasgando o escuro véu de Nyx a medida que se movimentavam, certamente as pressas. Tais feixes de luz eram estrelas cadentes que corriam o céu, porém, não era apenas o que se viam, tais corpos celestes pairando sobre a escuridão da noite representavam muito mais do que se podia ver. Ao total, eram 108 estrelas cadentes correndo o céu, 108, o mesmo número de espectros servos de Hades, cada um representado por uma das 108 estrelas que cortavam o céu, sendo elas as estrelas maléficas de Hades, significando que esse seria o despertar dos 108 espectros de Hades. Zeros, o homem estranho que trajava a sapuris de Sapo é um desses 108 espectros, estando sua estrela entre as 108 que caiam sobre o céu lá fora, porém, o pobre coitado não era o unico que estava sendo representado por uma das 108 estrelas, sim, outro espectro estaria dentro da casa, porém, um espectro com um poder absolutamente superior ao de Zeros, porém, esse espectro ainda não trajava sua sapuris, e os unicos na casa aquela noite seriam Zeros e Ryunaga... Sim, Ryunaga era o outro espectro!
Logo, de forma misteriosa, uma sapuris aparecia no meio da sala, seria ela uma sapuris grandiosa, de cor escura e trevosa, assim como a de Zeros, porém, a sapuris que aparecia no local seria sem sombra de duvidas, infinitamente mais poderosa que a sapuris de Sapo trajada por Zeros. Essa tal sapuris teria as partes encaixadas a ponto de formar a figura de um majestoso e belo, porém ao mesmo tempo cruel e terrivel Wyvern. Ryunaga ainda olhando para fora da janela, logo abria um sorriso em seu rosto, sorriso do tipo ambicioso e obstinado, e logo o jovem se virava, focando seu olhar na majestosa e sombria armadura do mundo dos mortos, a poderosa sapuris de Wyvern, que desde o surgimento do exercito de Hades, nos tempos mitologicos, vem sendo usada por um dos 3 juízes, significando que o jovem Ryunaga ocuparia o grandioso cargo de juiz do inferno. Logo, as partes da armadura se soltavam umas das outras, e cada parte seguia em direção ao seu dono, trajando o poderoso juiz do mundo dos mortos, trajando sua legitima armadura, revelando ser Ryunaga de Wyvern, a estrela celeste da furia, um dos 3 poderosos juizes do inferno.

A madrugada termina, dando inicio a uma bela manhã, com a luz do Sol radiante, iluminando um belo jardim na Grécia, que ficava apos uma pequena vila, próxima ao tão respeitado Santuario de Atena, no qual estaria os tão falados e poderosos cavaleiros de ouro, cada um responsavel por proteger e guardar as 12 casas, cada um vigiando a casa do respectivo signo que representa. Porém, nem todas as 12 casas portariam seu respectivo cavaleiro, por que? Pois bem, a verdade é que algumas casas ainda não possuiam um cavaleiro as guardando, porém, tal coisa estaria prestes a mudar, pois já com o renascer dos 108 espectros, nenhuma das 12 casas pode dar-se ao luxo de ficar vazia, pois qualquer cavaleiro de ouro a menos em uma Guerra Santa entre Atena e Hades seria uma grande desvantagem, e em uma situação como essas, o exercito de Atena não poderia ficar desfalcado.
E enquanto o Sol sorria para a paisagem, dando "bom dia" a Terra, uma bela e jovem moça caminhava pela vila próxima ao Santuario, trajando roupas simples e confortáveis, porém, levando uma grande urna em suas costas. Será que era uma armadura? Bem, a urna aparentava grande de mais para uma jovem daquela estatura carregar nas costas, pois a moço da qual estamos falando se tratava de uma bela jovem, com cumpridos cabelos vermelhos, nos quais as pontas iam além de seu quadril, e possuia um belo par de olhos verdes-azulados, refletindo calma e serenidade. A jovem que possuia pele clara, levava além da urna em suas costas, um encantador e radiante sorriso em seu rosto, enquanto a mesma caminhava pela vila, aparentemente em direção ao Santuario. Enquanto seguia sua mini jornada até o Santuario, a bela jovem era abordada por um humilde e aparentemente simpatico velho, que seria um simples vendedor de flores da região, que estaria ali iniciando sua diaria venda de flores, com uma pequena barraca já montada por ali, portando flores das mais diversas formas, fragancias e cores, e logo diria com um simpatico sorriso em meio a seu grande bigode branco:
—Bom dia minha jovem, está uma linda manhã, não acha!?
A jovem ainda com um sorriso estampado em seu rosto, voltava seu olhar para o rosto enrugado do velho, que possuia duas grandes e grossas sobrancelhas brancas, proximas uma da outra, prestes a se encontrarem, enquanto a jovem tentava focar nos olhos do senhor; coisa simples, mas que não se era possivel, pois os olhos do velho estariam fechados o tempo todo. Então focando o olhar apenas na região frontal do rosto dele, Ame o respondia:
—Bom dia. Realmente é uma manhã bem linda!
Diria a jovem, ainda mantendo o mesmo sorriso em seu rosto, combinando com seus belos olhos verdes azulados. Logo, o velho observava a moça (mesmo de olhos fechados), reparando na grande urna que a mesma carregava nas costas, vindo imediatamente a sua mente, uma imagem familiar, de que aquele tipo de urna que a jovem carregava em suas costas era comum para o velho. E logo ele se lembrava aonde havia visto aquele tipo de urna antes, mesmo com a memoria um pouco desgastada pela avançada idade, e então mesmo surpreso, o tal velho com um sorriso em meio seu grande bigode, pegava um belo narciso que estaria em um pequeno vaso, sobre sua barraca de flores, o dando de presente para a jovem.
—Tome minha jovem, é por conta da casa.
Diria o velho, presentando a jovem ruiva. Com sua sabedoria, o velho já supunha o objetivo da jovem. Ame ao receber a flor, logo a pegava delicadamente em suas mãos, e então sorria para o velho, em forma de agradecimente.
—Uau... É linda! Muito obrigada senhor.
Diria a jovem, que logo com a haste da flor entre seus polegares e indicadores da mão esquerda, levava sua mão até sua cabeça, fixando a flor entre sua orelha e seus cabelos vermelhos. Logo, ainda alegre, a jovem ruiva diria:
—É muita gentileza sua...
—Ah, o que é isso, é apenas um presentinho para dar-lhe sorte no novo caminho que seguirá em diante... E alias, me chamo Roshi. E voce bela jovem, como se chama?
A ruiva ouvia as palavras que saiam da boca do velho, e atentendo ao questionamento dele, a jovem revelava quem era realmente era, surpreendendo as espectativas de algumas pessoas, que não pensariam que ela seria capaz de ser tal coisa, menos o velho, que havia percebido tal coisa, que logo se confirmava pelas palavras da jovem, que se tratava de uma nova amazona de ouro, que seguia em direção a uma das casas que estariam vazias.
—Sou Ame de Gemeos!