Saint Seiya High School
20 XX: Lá vem a noiva
Finalmente a paz parecia reinar no Santuário. Após ser completamente humilhado por Saori e os outros, Shô deixou o local naquele mesmo dia, sem falar nada a ninguém. A jovem milionária apenas ficou sabendo de sua partida porque o rapaz usou o jatinho da Fundação GRAAD para retornar ao Japão:
—Ai, ai... Ele não vai aprender nunca – riu a deusa, após receber do piloto a noticia da partida do cavaleiro de aço.
Por cerca de dois meses ela aguentou, mas a curiosidade a fez ligar para Tatsumi e perguntar que fim levou o Cavaleiro da Armadura da Terra. O mordomo lhe informou que, desde que voltou ao Japão, a única coisa que fez foi ficar trancado dentro de seu laboratório. Com a curiosidade morta e enterrada, Saori enfim entregou-se de corpo e alma a Seiya. Os dois estavam mais felizes que nunca e até já falavam em casamento.
Quem também estava transbordando de felicidade era Sammyrah, afinal, Saga havia aceitado seu “pedido de casamento”, sua revogação do titulo de amazona e ascensão ao cargo de subcomandante geral das forças do Santuário. Com o anuncio do casamento, logos os preparativos começaram. Afrodite e Mu logo anunciaram que cuidariam do design e confecção do vestido, enquanto Aldebaran boicotou Máscara da Morte no preparo das iguarias da festa. Entretanto a alegria do brasileiro durou pouco, pois a mãe da noiva chegou ao Santuário com uma equipe enorme e tomou as rédeas dos preparativos da festa, deixando apenas os Cavaleiros de Áries e Peixes confeccionarem o vestido, a pedido da própria Sammyrah. Dessa forma, após 8 meses, tudo estava pronto para o dia tão esperado pela grã-duquesa. O Santuário estava em festa. Danielle foi escolhida para carregar as alianças, enquanto Mireiya abriria o caminho de pétalas para a noiva entrar.
Na Sala do Grande Mestre, Saga terminava de se arrumar, acompanhado de seus padrinhos: Shura, Aiolos e seu irmão, Kanon. Como sempre, estava nervoso.
Em outra sala, não muito distante, Sammyrah terminava de se maquiar e escolher as jóias, apoiadas por suas madrinhas Shina, Helena e a grávida Kammy, que se empolgou demais nas visitas na casa de escorpião, além da também grávida Saori. Diferente do noivo estava tranqüila, serena, até que a ex-mestra de Kammy tocou em um assunto digamos que delicado:
—Meninas... O Grande Mestre não é responsável por todas as celebrações do Santuário... Incluindo casamentos?
—Oui... Mas... Porque perguntou isso agora, Mestra? – interrogou Kammy.
De repente, Sammyrah deixou cair o colar de pérolas que possuía nas mãos, se sentou de forma desesperada na cadeira e indagou:
—Ai deuses... Se o Grande Mestre celebra todos os casamentos... Quem celebra o casamento dele?
—SAMMYRAH DIMITRIEVNA ROMANOV! Derrube seu marido, seus filhos, seu cérebro, mas não as jóias da família! Já não basta me fazer passar mal de calor? Não podia esperar a Primavera para casar? – A mãe da russa só faltou estrangular a própria filha, apanhando o colar de pérolas que caíra no chão. Só de observar a morena russa, se percebia os traços da ruiva, além de seu explosivo humor.
—Calma, Raissa! Não estou derrubando a coroa não... É um Bulgari de pérolas, por Yves Saint Laurent! E cadê as minhas jóias? Você só reclama... – A ruiva levou um “pedala” da mãe que já tinha fumado meia carteira de cigarros, e que lhe dava um colar enorme de esmeraldas, que fez a russa sorrir novamente. – Sim Kam, prossiga...
—O Subcomandante... – respondeu Kammy.
— Ai deuses... Kammy! Acorda! Eu sou a subcomandante... AH! DEUSES! DEUSES! DEUSES! Sabia que tudo estava perfeito demais pra ser verdade!
A ruiva já estava a ponto de se desmanchar em lágrimas quando Saori se lembrou de algo importante:
—Não chore Sammy... Já sei como resolver isso...
—Vai resolver como? Baixar o santo que não vai! Isso só pode ser praga daquele demônio que tem apelido carinhoso: sua avó... – A morena já estava fumando novamente, se estivessem em Moscou, fabricariam alguém para celebrar o casamento, mas ali não era Moscou. –Ah... ma cherie, não chore...
—Eu vou me mataaaar! – Era a terceira vez que Sammyrah repetia aquilo naquele dia, estava se desesperando.
A deusa saiu do recinto e dirigiu-se para a Sala aonde Saga se preparava. A essa altura, Aiolos também havia se recordado desse “detalhe” e, quando a deusa adentrou no local, o noivo estava desmaiado, sendo abanado por Kanon:
—E essa agora... O que ele tem? – perguntou a deusa.
—Lembrou que não tem ninguém para celebrar o casório... – declarou Aiolos
—Casamento Romanov sem barraco não é casamento! HAHA – Já ria da situação o pai da ruiva, de quem provavelmente ela tinha recebido o lado psicótico, pois ele já tinha tomado três doses puras de Uísque, e o casamento não tinha nem começado – Calma Genrinho, sua querida sogra me deixou apenas 4 horas sentado no altar !
—4 horas? – Perguntou Kanon, já com medo do que ia esperar da exagerada cunhada – Mas o problema foi o religioso para realizar o casamento?
—Que nada! Ela disse que não saía sem o maldito par de Loubotins, de salto 14,5 cm, porque o 15 cm machucavam os pés. Tive que esperar arrumarem aquele maldito sapato! E ela ainda reclamou porque eu tinha bebido meia garrafa de Uísque... Queria que eu fizesse o que? Jogasse Poker com a minha mãe?
Foi naquele momento que finalmente perceberam a entrada da Deusa, que logo fez sua presença ser notada, pelo barrigão que ostentava.
—PFT... Kanon, dá um belisco de leve na sola do pé do Saga pra ele acordar... Eu tenho a solução pra isso.
O geminiano obedeceu à deusa e, em um susto, Saga acordou:
—Athe-...
Saori apenas olhou para Saga, fazendo sinal com o olhar de que o pai de Sammy estava no local. Como ele, e nenhum outro Romanov, não sabia sua real identidade, ele logo se corrigiu:
—O que a senhorita faz aqui?
—Dispense essas formalidades! Em vim trazer uma solução pra seu problema...
—NÃO EXISTE SOLUÇÃO! EU TÔ FERRADO! ESTOU PERDIDO! PERDIDO!
—Alguém tapa a boca dele para ele me deixar falar?
Shura o fez sob as risadas escandalosas do irmão gêmeo de Sammy, Vladmir. Com a boca de Saga bem tapada ela enfim pode falar:
—O Grande Mestre nada mais é do que um mestre de cerimônias e porta voz de Athena. O Subcomandante retransmite as ordens que foram passadas pelo Grande Mestre para os cavaleiros. Se os dois estão ocupados cabe a deusa Athena resolver o “problema”...
—Sim, Então... QUEM VAI CASAR A MINHA FILHA EM PRANTOS? QUE, ALIÁS, JÁ ESTÁ ME FAZENDO TER UMA VONTADE IMENSA DE CANCELAR ESSE CASAMENTO... – Chegou à mãe da russa, que logo se encostou ao marido, que simplesmente revirou os olhos.
—Perdoe-me, Saori-san, mas... – manifestou-se Aiolos – Você falou, falou e eu não entendi NADA!
—TSC... Convocarei Athena para celebrar o casamento! — Disse Saori, com um sorriso amarelo, quase se esquecera dos pais da russa.
—MPPMMHHHUHMMMMHHNMXN... – resmungou Saga, com a boca ainda tapada por Shura – MPPHHHMMMMPPKHGMNNXXXHH
—Cala a boca, Saga! Pelos deuses, pronto, resolveu o problema! – Kanon pedia já com os nervos à flor da pele, o que fez Saga parar de resmungar, arrumando o paletó e passando a mão nos cabelos.
Saori deixou o recinto, após Shura destapar a boca de Saga, permitindo que ele se recompor. Alguns minutos depois, Satrina bateu a porta da sala. Aiolos abriu, saiu e ela informou tudo:
—Pode pedir ao Grande Mestre que desça. Athena já está pronta... Aguardando os noivos atrás do Altar...
—Satrina... Como ela fez para não ser reconhecida?
—Usou uma máscara dourada que achamos no Templo, além de um dos elmos dourados do Grande Mestre.
—E a barriga?
—Usamos uma túnica larga... Porém ela não sairá de trás do altar. Relaxe, senhor Aiolos... Os Russos terão que ser, digamos que ninjas, para descobrir que a Senhorita Kido e Sua Majestade são a mesma pessoa...
A serva saiu do local. Por meio de mensagem cósmica, o Sagitariano informou a Saga e aos outros o que a deusa havia decidido e, depois, adentrou novamente no aposento e informou, na frente do pai da noiva que a deusa Athena finalmente havia aceito celebrar o casamento:
—HEEEEE, MAS FINALMENTE HEIN!!! – exclamou o pai de Sammy, ainda com seu copo de Whisky na mão. – Irei para junto do meu bebê agora... Você, senhor Saga, trate de ir esperá-la no altar...
—S-Sim... Senhor...
Trêmulo, e com auxilio de Kanon, o noivo rumou para a parte baixa, aonde seria realizada a cerimônia. Ao mesmo tempo, Athena chegava ao pequeno altar e se posicionou estrategicamente atrás dele, escondendo a barriga. O local escolhido era o mesmo campo florido onde Orpheu passava as tardes com Euridice, justamente o campo que servia de “pátio” para a escola do Santuário. Seiya estava sentado em uma das cadeiras da frente, empunhando uma câmera fotográfica, ao seu lado havia um lugar vago, já que sua futura esposa celebraria o casamento.
—Bela ideia, Saori... — ele pensou— E agora eu vou passar a cerimônia todo sozinho...
Entraram alguns convidados, a mãe de Sammy entraria com Kanon, que já tinha sido aprovado como cunhado e preferido pela mãe da russa, que só faltou ter um troço quando a filha resolveu trocar as jóias novamente. Mas tudo transcorreria bem, se não fossem pelos irmãos da noiva que já estavam sentados na primeira fila, com os olhos marejados, querendo chorar. Entrou logo pelo corredor, sendo seguida pelos padrinhos e madrinhas e logo depois, vinha à noiva:
—Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahn... Minha diva vai casar, não posso aceitar!! Se não já não bastasse isso, não tem lugar aqui na frente para mim! — escandalizava o irmão mais novo da ruiva, Serguei. De repente, ele repara no local vazio ao lado de Seiya. — Hey, camarada pocotó... Tem alguém sentado aq-... Ah, desculpa... Tem a sua noiva, não é?
Vladmir, irmão gêmeo da ruiva, queria enfiar a cara no chão e morrer: seu irmão mais novo era uma bicha completa! Kamus apertou seu ombro e entendeu a dor do "companheiro" de fila. Teve vontade de tocar fogo nele naquele momento, mas não tinha como. Seiya mantendo o disfarce, respondeu calmamente a ele:
—Ah, não... Ela passou mal e foi para a minha cabana... – Sorriu simpático – Pode sentar aí, cara!
Seiya, em seu intimo, sentiu-se particularmente ofendido ao ter sido chamado de "camarada pocotó" pelo caçula Romanov, mas apenas respirou profundamente e acompanhou a entrada de Mireya, abrindo o caminho de pétalas de rosas para a entrada da noiva.
A noiva finalmente entrou, ao lado do pai, que graças á bebida conseguia controlar as lágrimas. Sammy caminhava pelo tapete vermelho lentamente, estava nervosa e não conseguia olhar para Saga. Olhava para os lados, vendo todos os convidados, surpresos e emocionados. Via lágrimas finas, escorrendo do rosto do irmão, Vladmir, de quem sabia que o ciúme era maior. Este ainda estava processando que seu bebê tinha crescido, e que ele não podia mais deixar que ela não crescesse, enquanto o mais novo chorava litros, fazendo a ruiva quase se acabar de rir, enquanto ele murmurava entre as lágrimas:
—Diva...
O vestido, confeccionado por Mu e Afrodite por semanas estava divino: foi todo confeccionado em renda e seda, sendo que o cavaleiro de Áries havia feito uma espécie de "peitoral" em prata cravejado com diamantes e esmeraldas. O bouquet era de camélias, as flores preferidas da mãe da noiva. Saga tremia a cada passo que ela dava. Finalmente, ela havia chego à beira do altar. Kanon cutucou Saga para que ele estendesse a mão para recebê-la. O Czar, logo tratou de se impor:
—Rapaz... Se você não cuidar do meu bebê direito... Eu te exponho nu na Praça Vermelha...
—E-eu p-prometo c-cuidar b-bem d-dela...
— Pai! Ele vai cuidar bem de mim... – A ruiva riu e estendeu a mão para o futuro marido, com um sorriso. Parecia um sonho tudo aquilo.
Saori ergueu as mãos, postada trás do altar. Graças ao pesado elmo e da máscara dourada, seria praticamente impossível a família da noiva descobrir sua verdadeira identidade. Fazendo sinal para que todos se sentassem, a deusa deu inicio a cerimônia.
Lágrimas rolavam por todos os lados, fossem dos irmãos da noiva, da melhor amiga Kammy, ou do metrossexual Afrodite. Após as bênçãos e os votos, Danielle entrou carregando as alianças: a cerimônia finalmente havia chegado ao clímax:
—Sammyrah Romanov, Subcomandante das forças do Santuário de Athena, eu, Saga de Gêmeos, Grande Mestre, entrego-te essa aliança em sinal do meu amor e respeito, prometendo-te minha lealdade e amor até que um de nós parta para os Campos Elíseos, descansando de nossas jornadas neste mundo.
—Sammy não morre! Vira Pó de Diamante, fofo – Serguei levantou, em crise gay
A noiva olhou para o irmão, resmungou umas palavras em russo, respirou e voltou à atenção para o noivo. Seiya, por sua vez, puxou Serguei pelo braço, fazendo-o se sentar e ficar calado.
—Saga de Gêmeos, Grande Mestre do Santuário, meu amor... Eu, Sammyrah Romanov, Subcomandante do Santuário, o amor da sua vida, vale salientar – Disse, entre risos – Entrego-te essa aliança como prova do meu amor e respeito, prometendo os a ti, até o fim da eternidade.
Assim que a ruiva coloca a aliança no anelar esquerdo do noivo, Dimitri deu dois pulos, começou a fazer uma dança russa e completou gritando:
—Awewa! FINALMENTE ARRUMEI UM SUCESSOR PARA O TRONO!
—Como é pai? Que história de sucessor é essa? Você tem dois filhos!
—Mas você é a minha primogênita! Além do que, a sua avó deixou as jóias da coroa para você... O trono seria seu assim que você casasse...
—Ótimo... Estava demorando a acontecer um barraco – murmurou Raissa, acendendo outro cigarro.
—O Vladmir nasceu 5 minutos depois, graande coisa! E as Jóias são outros 500, pai! Eu não posso ir embora daqui!
—Então você terá que escolher: morar nessas ruínas, comandando um exercito de caras de armadura, ou viver como uma verdadeira princesa em seu palácio de cristal.
—Ninguém vai escolher merda nenhuma! Quem tem a coroa é o Vladmir e pronto. Eu sou a mãe, quem escolhe quem ganha à coroa sou eu então pronto.
—Não se intrometa Raissa...
—VOCÊS NÃO VÃO ESTRAGAR MEU CASAMENTO! – se impôs Sammyrah, ficando no meio dos pais – Eu não preciso de jóias e palácio de cristal para ser uma princesa, papai... Pois eu tenho um homem que, a cada gesto que ele faz, por mais mínimo que seja ele... Faz-me com que eu me sinta uma verdadeira rainha...
Sammyrah beijou Saga e todos aplaudiram. Tentando criar um clima parecido com o da cidade natal da noiva, Kamus, Hyoga e Pierre elevaram seus cosmos e fizeram nevar no altar. Essa neve também serviu de camuflagem para que Saori deixasse o altar, livrando-se do papel de deusa para conseguir curtir a festa:
—Han... Com licença? – ela disse a Serguei. – Será que já posso ficar ao lado do meu marido?
—Ah claro que pode diva! Só tomei seu lugar por alguns instantes.
Serguei deixou o local e correu para abraçar a irmã, dando-lhe os cumprimentos e felicitações. Assim teve inicio a festa, com todos cantando e dançando de forma alegre, feliz e sem nenhum imprevisto, isto é, até a hora que Sammyrah decidiu jogar o bouquet:
—Solteirinhas do meu Santuário... – gritou Afrodite – chegou à hora mais esperada: A NOIVA VAI JOGAR O BOUQUET!
Um amontoado de moças se formou naquela hora: Saori, Kammy, Helena, Danielle, Mireya, Shina, Marin, Shunrei... Além de Afrodite e Serguei. Já era esperado que Kammy ou Saori pegassem o bouquet, já que eram as próximas a casar, entretanto...
—PEGUEI! – gritou Shunrei, após um salto espetacular. – Agora você não tem mais escapatória... Shiryu!
O chinês engoliu seco. Os amigos, cavaleiros de bronze, bateram a mão em seu ombro como forma de consolo. Seiya, ainda completou:
—É meu truta... Bem vindo ao clube.
Após isso, os noivos partiram para a Lua de Mel, que seria em Paris, viagem dada de presente a eles por Saori.
Retornaram ao Santuário um mês depois, quando Saori, precocemente, havia dado a luz a um casal de gêmeos e a tempo de celebrarem o casamento de Kammy e Milo, além de oficializarem o noivado de Shunrei e Shiryu. Pierre, Mireiya, Louise, Alexandre e Danielle continuavam firmes em seus estudos, dessa vez ministrados com calma. Tudo estava, aparentemente, em paz no Santuário. Tão em paz, que o tempo ia passando sem que ninguém sentisse....
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