Saint Seiya High School
16 XVI: Tarde de Sol
O clima romântico não estava apenas em Moscou: estava presente também em Atenas, onde os casais Shô e Saori, Seiya e Shina e Milo e Kammy estavam, espalhados pelo Santuário, ou melhor... Nem tão espalhados assim.
Naquela tarde ensolarada, Saori recebeu um convite de Shina para tomar um suco, comer uns biscoitos e conversar. Já que seu namorado disse que ia fazer compras em Atenas, decidiu aceitar o convite, afinal, eram poucas as garotas com quem podia prosear naquele local e já estava cansada de ser tratada como deusa: queria, pelo menos por alguns instantes, ser tratada como uma garota comum de 17 anos. Devido ao fato, trajou-se de um vestido curto e florido, calçou sandálias de couro baixas, prendeu os cabelos em forma de rabo de cavalo e desceu, rumo a casa das Amazonas. Shina por sua vez estava usando uma túnica curta preta, sandálias gregas e a máscara no rosto, como sempre. Havia preparado suco de morango, chá, biscoitos com gotas de chocolate e um bolo de fubá. Para receber a jovem, colocou uma pequena mesa redonda de madeira, coberta com uma toalhinha de rendas do lado de fora da casa, onde tinha uma bela vista das colinas do Santuário, e duas cadeiras tipo de praia, do mesmo material da mesa, que ela e Marin usavam para tomar sol nos dias de folga. Logo, avistou a jovem de cabelos lilases se aproximando, prestou reverencia e a saudou:
-Athena... É um prazer...
-Shina, quero que saiba que vim aqui hoje como uma garota normal, então... Peço que me chame de Saori.
-Como quiser... Senhorita Saori... – a jovem respondeu, ainda em forma de reverencia.
-Dispense as formalidades... E levante-se, por favor.
-Sim. Eu preparei algumas coisas simples... Espero que goste. – a amazona falou, mostrando a mesa.
-Tá brincando?! Eu adoro suco de morango e bolo de fubá... Me faz lembrar a infância... – A jovem deusa respondeu com os olhos brilhando, como se realmente fosse uma criança.
-Então, se sente e sirva-se! Fique a vontade.
Shina retirou a máscara e sentou-se na cadeira da esquerda. Por horas as duas conversaram dos mais diversos assuntos como se fossem amigas há séculos. Nem pareciam aquelas mesmas mulheres que, há quatro anos atrás, lutavam com unhas e dentes pelo amor de Seiya de Pégasus. Porém, esse clima pacifista permaneceu até Shina fazer uma determinada pergunta:
-E você e o Shô, como estão?
Saori arqueou a sobrancelha direita e respondeu:
-Muito bem, obrigada... Ele é extremamente prestativo e vive me cobrindo de presente...
Como que lançando um desafio, a jovem deusa retribuiu a pergunta:
-E você e o Seiya?
-Ah... Tudo as mil maravilhas. Sabe, ele cresceu muito. Não é mais aquele moleque desbocado de 14 anos... Ele me dá bastante atenção, é carinhoso e até um pouco romântico.
-Seiya romântico? Ah, ela está querendo me irritar – pensou Saori, com um sorriso extremamente falso no rosto – Ah... Que bom! Eu fico feliz por vocês dois.
O clima pesou dessa pergunta. Saori já se preparava para se despedir da amazona, quando ouviu uma voz conhecida lhe chamar:
-SAORI-CHAAAAAAAAAAAAAAAAAN! Finalmente te achei.
Era Shô, que vinha correndo cheio de sacolas de lojas de grife nas mãos. Por uma ironia do destino, ao mesmo tempo e do outro lado, Seiya vinha chegando, exclamando o nome de Shina.
Os dois pararam juntos, ao mesmo tempo, em frente suas namoradas. Shô deu um beijo apaixonado em Saori, enquanto Seiya apenas levantou a ponta da máscara de Shina e lhe deu um selinho leve. Os dois se encararam com ódio, assim como as duas moças. Era uma verdadeira guerra de olhares:
-Saori-chan, eu fui a Atenas comprar uma calça para mim, mas não resisti quando passei em frente a uma loja de jóias... – ele falou, tirando uma caixa preta de veludo de dentro de uma sacola, abrindo-a e exibindo um lindo colar de diamantes – Eu vi você nesse colar...
-Aii!! Que lindo meu amor. Toda mulher deveria ganhar diamantes de seu homem para ficar feliz – ela falou isso, olhando diretamente para Shina.
-Calma, minha vida... Ainda te comprei vestidos novos, sapatos, óculos de sol e mais jóias. Mostrarei-te com mais calma depois...
-Você não devia ter gastado tanto comigo, amor.
-Como não? Você vale tudo isso, e até mais... – o Cavaleiro de Aço disse, olhando para o Pégasus.
Seiya percebeu que se tratava de um desafio. Ele não possuía todo aquele dinheiro, mas sabia muito bem como colocar Shô em seu lugar:
-Minha querida... – ele falou a Shina – Eu não possuo um CARTÃO CORPORATIVO DA FUNDAÇÃO GRAAD para ir até Atenas e te cobrir de jóias, óculos, vestidos e sapatos de grife, mas te adoro e te conheço o suficiente para ir até o campo e fazer um buquê com suas flores preferidas.
Seiya estendeu o pequeno ramalhete para a amazona que o abraçou ternamente. Saori ficou séria. O que o Pégasus disse tinha seu fundo de verdade: Shô só poderia ter comprado aquilo tudo com o cartão de crédito da Fundação GRAAD. Teoricamente, aquele dinheiro era dela:
-Vamos para o templo, Saori-chan?
-Vai na frente... Eu vou caminhar um pouco...
-Não quer que eu vá junto?
-Não... Eu quero ficar um pouco sozinha...
-Como quiser... – ele disse, saindo do local.
-Tchau, cavaleiro de segunda divisão... Na próxima vez, vê se usa teu salário pra dar um presente pra namorada... – ironizou Seiya, virando-se para Shina depois – Eu vou voltar para a minha cabana. Prometi ajudar o Louise com a limpeza.
-Certo, querido... Até mais.
Seiya também partiu. Saori agradeceu a Shina pelo lanche e saiu, caminhando pelos campos do Santuário até chegar ao riacho. Tirou as sandálias, sentou a beira dele e mergulhou apenas os pés. Ficou ali, pensando um bom tempo em tudo que tinha acontecido entre ela e Seiya: as batalhas, as festas, o primeiro beijo... Lembrando de tudo, as lágrimas rolaram naturalmente.
Próximo dali, Milo e Kammy trocavam beijos, quando a amazona escutou um choro de mulher:
-Ah não! Não me fala que outro cavaleiro saidinho abusou de uma aspirante... – a loira se enfurecia.
-Calma, meu amor... Você não...
A loira abriu os arbusto e constatou quem era:
-Mon amour... Não vai adivinhar quem é que está chorando na beira do riacho...
-Quem é?
-Athena...
-Mas... O que será que...
-Querido... Vai pra sua Casa que depois irei para lá... Isso me cheira a problemas femininos...
-Você vai conversar com Athena? Pirou, menina?
-Cherie... Deusa ou não, ela ainda é uma garota de 17 anos. Tudo que ela deseja agora é um ombro amigo. – a loira deu um selinho no namorado e colocou a máscara – agora vá.
-Tudo bem...
Milo partiu. Tendo certeza de que ele não estava por perto para escutar a conversa, Kammy se aproximou de onde estava a jovem deusa:
-Athe-... Senhorita Saori... Está tudo bem?
Saori virou-se para Kammy com os olhos vermelhos de tanto chorar. A loira compreendeu o que se passava e nada disse, apenas sentou-se de frente para ela e estendeu-lhe os braços. A namorada de Shô a abraçou sem delongas e se pôs a chorar:
-Chore, chore o quanto quiser... Você pode ser uma deusa, mas não deixa de ser mulher... – confortou-lhe a amazona – como imaginei: ela só precisava de um ombro pra chorar...
Passado algum tempo, Saori já estava mais calma e pode enfim conversar com a namorada de Milo. Sentiu que poderia confiar naquela jovem amazona, já que ela era apenas dois anos mais nova que ela e, provavelmente, sabia como era sofrer por um primeiro amor:
-E foi isso... Um dia, do nada ele chegou e falou que não dava mais...
-Me diga: Se você o ama, por que não luta pelo amor dele? Por que tenta esquecê-lo com o Shô?
-O Shô era tão bondoso comigo... Eu não queria fazer isso com ele... Estou confusa Kammy, o que eu devo fazer?
-O que vou te falar é super clichê, Saori... Mas a única coisa a ser feita é seguir seu coração. Não sou ninguém para falar isso, mas... Ficando com o Shô apenas para esquecer o Seiya você o faz sofrer, sofre e... Acredito que o Seiya também está sofrendo...
-Não... Eu acho que não... Parece que ele realmente gosta da Shina...
-Saori... Você é milionária... Provavelmente, na visão do Seiya, nenhum presente que ele lhe desse estaria a sua altura. A Shina é uma amazona... Ela vive no Santuário desde os cinco anos... Flores, cartinhas e, até, meras palavras de amor a agradam...
-Você também é assim?
-Uhum... Eu vivo aqui desde meus quatro anos... Guardo cada florzinha que o Milo me dá... Seja as mais belas ou até aquelas que crescem no meio do mato...
-Que lindo isso...
-Saori... Quem sabe se, você não se demonstrasse uma mulher sensível, que gosta de flores e cartas de amor você não poderia reconquistar o Seiya?
-Será que daria certo?
-Provavelmente...
-Ah... Então farei isso! Obrigada Kammy!!! – Saori falou, abraçando novamente a amazona.
-Que isso! Sempre que precisar conversar, eu estou aqui!
Kammy ajudou a garota a se levantar, elas se despediram e deixaram o local. Pelo resto do dia, Saori ficou pensativa em seu aposento, no templo, tentando decidir o que fazer.
Do outro lado do Santuário, especificamente, na região da cabana dos aspirantes, um outro alguém também estava pensativo. Esse alguém era Seiya:
-Eu não lembrava o quanto ela fica linda de cabelos presos...
Seiya deu um suspiro, colocou os fones de seu Walkman nos ouvidos e deu o play. O K7 que estava dentro dele era da Grace Jones:
C\'est lui pour moi (É ele por mim)
Moi pour lui (Eu por ele)
dans la vie (Por toda a vida)
Il me l\'a dit, l\'a juré pour la vie (Ele disse pra mim, me jurou pra vida toda)
Et dès que je l\'apercois (Assim que eu o vejo)
Alors je sens en moi, mon coeur qui bat (Então sinto em mim, meu coração batendo).
Seiya enrolava a língua para conseguir cantar a música La vie en rose, mas não era preciso saber francês para entender sobre o que Grace Jones cantava. Após um novo suspiro, uma lagrima escorreu dos olhos do rapaz:
-Saori-chan... Não sei quanto tempo mais irei fugir dos meus verdadeiros sentimentos...
Com os olhos marejados e ao som da música, Seiya adormece com a imagem da deusa em sua mente.
No Templo de Athena, Saori não conseguia se concentrar em nada, apenas ficava lembrando de Seiya. Decidiu, então, ligar a TV na MTV e ver alguns clipes, pensando que, essa seria a única forma de prestar atenção em alguma outra coisa. De fato, deu certo nos quatro primeiros clipes que viu, porém o quinto mexeu de certa forma com ela: Grace Jones, La vie en rose:
Des yeux qui font baisser les miens (Dois olhos que fazem abaixar os meus)
Un rire qui se perd sur sa bouche (Um riso que se perde em minha boca)
Voilà le portrait sans retouche (Ai está o retrato sem retoque)
De l\'homme auquel j\'appartiens (Do homem que pertenço)
Quand il me prend dans ses bras (Quando ele me prende em seus braços)
Il me parle tout bas (E me fala baixinho)
je vois la vie en rose (Eu vejo a vida cor de rosa)
Cada palavra, cada verso era um arrepio em Saori, que cantava sem medo que alguém escutasse, usando uma escova de cabelo como microfone. O clipe fora ignorado. Ela estava com os olhos fechados, como se visse um filme em sua própria mente. Um filme com os bons momentos que passara com Seiya. Ela estava mergulhada em pensamentos quando Shô, sem prévio aviso, entrou no quarto. Percebendo que ela estava distraída, ele a abraçou por trás e sussurrou:
-Saori-chan... Eu vim para...
-Shiu...
Ela virou o corpo e o beijou, como nunca havia beijado antes. O Cavaleiro de Aço fora pego de surpresa. Esse, sem duvida, foi o beijo mais gostoso que ela havia lhe dado desde que eles começaram a namorar. Gostando da situação, deixou-se levar por ela. Saori o empurrava com o corpo, em direção a cama e, ainda com os olhos fechados, livrou-se da camiseta que ele usava. Shô não acreditava no que, provavelmente, iria acontecer, enquanto usava as mãos para descer as alças do vestido da garota.
Já deitados na cama, ainda se beijando, o Cavaleiro da Armadura do Céu decidiu tomar as rédeas da situação, virando o corpo e ficando por cima da jovem. Beijou-lhe lentamente o pescoço, fazendo com que a jovem desse um leve gemido. Para a infelicidade do rapaz, ela abriu os olhos e percebeu o que estava prestes a fazer:
-PÁRA, SHÔ!!! – ela gritou, assustada.
-Mas, por quê?
-Foi... Impulso!! Estava hipnotizada pela música... Ai, que vergonha...
-Você não precisa se envergonhar, Saori-chan... – ele falou, tocando-lhe o ombro levemente. Ela se afastou.
-Desculpa... Você pode... Deixar-me sozinha?
-Mas...
-DEIXE-ME SOZINHA!
-Está bem...
Ele pegou a camiseta no chão, a vestiu e saiu do aposento da moça. Ela trancou a porta e se jogou na cama, chorando novamente:
-Deuses! Foi por pouco! Mais um pouco e eu magoava o Shô, o Seiya e me magoava também! – pensou ela, em meio a lágrimas.
Algum tempo depois, Saori desligou a TV, abraçou seu ursinho de pelúcia e, antes de dormir, murmurou:
-Perdão, Seiya... Perdão...
Notas finais
Há... Saori mostrando que deixou a doce garotinha para trás -QQQ
Como dica, recomendo que, no trecho em que citei a música "La vie en rose" da Grace Jones, vocês escutem-na... Dá muito mais clima XD
Sem reviews, nada de próximo capítulo!!!!
Dulces Besos de Chocolate
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