Saint Seiya - Another Dimension
3 Capítulo 3 - A revelação de Thomaz
Notas iniciais
Casa do professor Tiago. Na sala da TV, os meninos acordam e se preparam pra ir pra academia:
— Tio, estamos indo pra academia! De lá, vou pra casa do Thomaz visitar os pais dele! – avisou o Marcelo.
— Ok. Te aguardo mais tarde–, respondeu o tio.
— Falou, professor Tiago. Obrigado pelo almoço. – Despediu Thomaz.
— Até mais, Thomaz. Imagina, disponha. Será sempre bem-vindo aqui em casa, viu? Mande um abraço pros seus pais por mim–, despediu Tiago.
— Obrigado pela consideração. Pode deixar que mando sim. Voltarei mais vezes, com certeza – agradeceu o jovem.
Tiago acenou com a cabeça. No que os meninos estavam pra sair, os três avistaram três luzes em direção a algum lugar distante. Marcelo questionou:
— Ué, estrelas cadentes a essa hora? E com estas três cores? Geralmente, as estrelas cadentes têm um tom branco e aparecem no céu noturno.
Thomaz respondeu:
— Será que não deve ser treinamento do pessoal da Aeronáutica? Às vezes, os jatos passaram tão rápido que nem percebemos. Deve ser por isso, Marcelo. E geralmente, quando se trata de algum evento, usam fumaças coloridas.
— É, tem razão. Deve ter sido imaginação minha– disse Marcelo.
Tiago encara aquelas luzes e mentaliza: “O que serão essas luzes? Algum inimigo à espreita? Eu nunca ouvi falar delas em nenhum momento. O que está pra acontecer?”
— Tio, estamos indo.... tio?, chamou Marcelo, olhando pro tio que estava distraído.
— Oi? Ah, desculpe. Eu fiquei surpreso com aquelas fumaças e nem prestei atenção. Bom treino, meninos. Te vejo mais tarde, Marcelo. – avisou Tiago.
— Tá. – acenou o Marcelo pro tio, quando ele e Thomaz se dirigiam ao portão.
Tiago se despede dos meninos e eles saem. Assim que avista o carro bem distante da casa, o professor se dirige para o escritório. Chegando no escritório, ele pensa: “Mas o que são aquelas luzes? Não são estrelas comuns, muito menos fumaças do pessoal da Aeronáutica. Até porque não há nenhuma festividade pra acontecer aqui na ilha. Quem lançou aquelas luzes e por que? Será algum inimigo? Aliado? Preciso descobrir isso o mais rápido possível”.
De repente, o professor sente duas vibrações e fica surpreso: “Mas como? Essa duas energias.... de onde elas vêm? Eu nunca senti algo parecido assim. Será que a tal Guerra Santa que o Thomaz mencionou no almoço é verdade? Quem poderia iniciar uma guerra? Até onde sei, todos aqueles que ansiavam pelo domínio da Terra estão selados.
E ela também não renasceu... se ela tivesse renascido, eu sentiria sua presença. Antes de mais nada, preciso saber o que elas três luzes significam. Azul, rosa e preto. Mas quem estaria por trás disso? Quem seria capaz de manipular as cores?”. Aproveitando a ausência dos meninos, Tiago chega em seu escritório e retira um livro da estante, que abre uma passagem secreta.
Tiago entra nesta passagem e desce as escadas, cogitando possíveis nomes que poderiam estar vinculados às três luzes que ele e os jovens estudantes avistaram: “Íris não teria o porquê de começar uma guerra agora. Sei que ela representa o arco-íris, mas só três cores aparecem diante de mim. Mas a cor preta não faz parte do arco-íris. A deusa Íris é pacífica e o seu arco-íris é nada mais que a sua passagem pela Terra. Mas que droga!! (Bate a mão numa parede.) Quem? Mas quem? Só me resta consultar ele”.
Assim que vai descendo as escadas, sente uma aura, que emana de um cavalo-marinho num aquário. O cavalo-marinho tem um tamanho médio e está de olhos fechados. Sentindo a presença de Tiago, ele abre seus olhos e pergunta:
— Você, que outrora esteve presente na última Guerra Santa... como ousa despertar-me do meu sono?, perguntou o cavalo-marinho.
— Hipocampo, sei que fomos inimigos há muito tempo, porém fomos aliados na última batalha, e fico feliz de ter você ao meu lado, como um consultor. Você deve ter sentido duas fortes vibrações há pouco tempo., comentou Tiago.
— Sim, eu senti, Tiago-, respondeu o cavalo-marinho.
— Sabe dizer de quem são, Hipocampo? Não fui capaz de identificar a quem pertencia, disse Tiago.
— Uma eu sei dizer de quem é. Eu só não esperava que fosse aparecer tão de repente. Faz eras que não sentia a sua presença. E a outra, não sei de quem é, e muito menos posso supor quem seja — baixando a cabeça.
— Bom, se uma capaz você foi capaz de reconhecer.... por favor, me diga a quem pertence aquela fonte de energia. Eu posso pensar em alguma coisa pra evitar que se alastre....
— Tiago, a nova Guerra Santa está para acontecer. E nem você nem eu podemos fazer alguma coisa.
Tiago fica chocado com a declaração de Hipocampo:
— Mas como? É impossível... como não há algo que possamos fazer?
— É um inimigo que você jamais confrontou. Nem sequer o poderoso Zeus foi páreo para ele. Ou melhor dizendo, para eles.
— O quê? Uma das energias corresponde a mais de uma pessoa?, perguntou Tiago, chocado. Mas quem seriam esses inimigos, Hipocampo?
—AS QUATRO ESTAÇÕES.
— O QUÊÊÊÊ? Você disse... as quatro estações? Mas como isso é possível....? Não me diga que...
— Isso mesmo. As quatro estações são criações do deus do tempo, CRONOS.
— Cronos? O deus do tempo? O primeiro pai dos deuses?
— Exatamente. O selo que prendia Cronos perdeu seu efeito, e ele se libertou. Com a sua libertação, o cosmo dos seus quatro filhos está se dirigindo para algum lugar para que eles possam reencarnar e lutar ao lado do pai, para dominar a Terra.
— Minha nossa!!! Então, era verdade o que o Thomaz disse na hora do almoço. Então... (Tiago lembra de algo e fica mais pasmo)
— O que foi, Tiago? O que está te deixando neste estado?, perguntou Hipocampo.
— Os meninos tiveram aula hoje de Mitologia com o professor Sergio, da História. E pelo que pude entender, num dos debates que o professor Sergio fez com a turma, ele menciona algo à Guerra Santa. Eu não dei muita importância pra isso, porque o Sergio é esse tipo de pessoa que sempre muda o tom de voz quando se trata de guerra, que é o seu campo de estudo.
— Então, só significa uma coisa..., comentou Hipocampo.
— Sérgio retirou o selo de Cronos em sua pesquisa na Grécia-, lembrou Tiago.
— Mas como um humano pode ser capaz de retirar um selo sagrado? Isso é impossível, indagou Hipocampo.
— Pois é...isso que me deixa mais intrigado ainda. Mas por que ele faria isso? E a troco de quê? Sérgio não é um cara de índole ruim, muito menos tem essência divina.
— Tiago, isso só significa uma coisa, disse Hipocampo, chamando-lhe a atenção.
— O que seria?
— Sérgio é a reencarnação de Cronos nesta era.
Tiago fica passado com o que o cavalo-marinho disse. “É impossível. Se for mesmo verdade o que ele disse... isso significa que aquela tempestade era...”
— Isso mesmo, Tiago – disse Hipocampo, lendo os pensamentos de Tiago –. A tal tempestade era uma manifestação temporária de Cronos.
— A situação é mais grave do que eu pensava, comentou Tiago.
— Como assim?, perguntou o cavalo-marinho.
— Há alguns minutos, eu, Marcelo e Thomaz, o amigo de Marcelo, vimos três luzes indo para alguma direção da ilha. Será que aquelas luzes são 3 das quatro estações?
— Que cores eram essas luzes?
— Azul, rosa e preto.
— Não. As quatro estações não teriam essas cores, até porque quando elas se manifestam, elas apresentam uma luz com tonalidade cinzenta.
— Então, o que eram aquelas luzes?
— Tiago, infelizmente eu não posso dizer nada, até porque eu nunca ouvi falar dessas luzes coloridas...
— Entendo, Hipocampo. Bom, de qualquer forma, agradeço por sua ajuda.
— Eu não vejo a hora de sair desse aquário e combater Cronos. Sei que você me mantém vivo, graças à energia do seu cosmo, mas não devo te ocupar mais, meu caro amigo. Logo, deveremos entrar em campo de batalha.
— Hipocampo, eu.... (De repente, um tremor de terra.) Mas o que foi esse tremor?
— Tiago, não perca tempo! Vá averiguar o que houve!! Deverei descansar para a batalha que nos aguarda!
— Certo. Meu amigo, muito obrigado. Agora devo me retirar e ver o que aconteceu.
— Até mais, meu amigo. (Hipocampo fecha os olhos e volta a dormir)
Tiago fica alerta e de repente, vem o seguinte pensamento: “Meu Deus, Marcelo e Thomaz!! Os meninos estavam indo em direção à academia. Devo me apressar. Tomara que não tenham caído em alguma fenda causada pelo tremor”. Tiago volta ao escritório, fecha a passagem secreta e corre para a garagem. Alguns livros caíram das estantes, e seu computador também caiu, mas não se comprometeu.
Quando Tiago está para sair da garagem, vê que o portão da casa desabou, como também o de seus vizinhos. Além do portão, alguns telhados se soltaram devido à ação do tremor. Primeiro, ele foi averiguar os vizinhos, e viu que ninguém saiu ferido. Despreocupado com os vizinhos, ele corre em direção à academia em que Marcelo e Thomaz malhavam.
Enquanto isso, os meninos chegaram a tempo na academia antes do tremor, e quando o abalo aconteceu, eles caíram em um buraco que se formou dentro do espaço de karatê da academia. Tiveram alguns arranhões no rosto, porém Marcelo torceu o braço na queda e Thomaz teve um corte na cabeça. Os colegas da academia também se machucaram, mas não tanto quanto os meninos.
Chegando na academia, Tiago se depara com a cena da academia e aos arredores:
Paredes rachadas, troféus no chão, e um enorme buraco no espaço de karatê. O pessoal da academia o reconhece:
— Professor Tiago., disse um dos rapazes.
— Vocês estão bem? E o Marcelo e o Thomaz?, perguntou preocupado.
— Sim, estamos bem, mas o Marcelo e o Thomaz não.... eles caíram no buraco que se abriu no tatame do karatê. Marcelo quebrou o braço e o Thomaz teve um corte na cabeça, não muito profundo, mas a ponto de sangrar demais.
Tiago fica chocado, mas uma das meninas, Natália, o acalma:
— Professor, acalme-se. Os meninos estão na sala de exames da academia, tomando os devidos cuidados, disse a moça.
— Eu agradeço a sua preocupação, Natália, mas preciso ver os meninos com os meus próprios olhos. E você está bem?
— Sim, estou. No que abriu o buraco, algumas almofadas caíram e amorteceram a minha queda. Apenas dei uma ralada nos braços.
— Que bom. Agora, se me der licença, vou ver os meninos.
E corre em direção à sala de exames, preocupado com os meninos. Ao chegar na sala, vê que muitos alunos tiveram ferimentos piores que os meninos, e estavam sob cuidados dos profissionais. Ao longe, ele escuta uma voz familiar:
— TIO TIAGO!!!! AQUIII!!!! – gritou a voz.
Era Marcelo. Tiago foi em direção ao sobrinho e depara com seu braço enfaixado. Num outro banco, estava Thomaz, com a cabeça enfaixada, manchada de sangue, devido à queda brusca. Tiago fica assustado, porém Marcelo o acalma:
— Tio, calma. A gente foi surpreendido com o tremor enquanto treinava, e o Thomaz está pior que eu... acabou perdendo muito sangue quando bateu a cabeça. Eu só quebrei o braço e tive uns arranhões leves no rosto, assim como o Thomaz.
— Thomaz está inconsciente. Precisamos levar ele pro hospital e rápido – disse Tiago, com cara assustada.
— Mas tio, o carro tá acabado. Como a gente vai pro hospital? Tanto as motos quanto os carros do pessoal da academia estão danificados. – comentou Marcelo.
Tiago abaixa a cabeça, e diz em tom cabisbaixo:
— Droga! Eu não teria que fazer isso, mas não tenho escolha! A situação é urgente!
Marcelo olha para seu tio com uma cara de quem não entendeu nada e pergunta:
— Tio Tiago, fazer o que? Sei que a situação do Thomaz é urgente demais, mas o que o senhor pretende fazer?, perguntou o sobrinho, sem entender as suas palavras.
Tiago se afasta dos meninos. Uma luz emana de seu corpo. A equipe da academia se apavora diante da luz de Tiago e se afasta. Marcelo fica assustado:
— Tio Tiago, mas o que é isso?? Que luz é essa?, pergunta, todo assustado.
Tiago, em tom cabisbaixo, profere as seguintes palavras: “Parada do Tempo!”. Tudo congela, exceto Marcelo e Thomaz, que está inconsciente. Assustado com o que seu tio fez, Marcelo pergunta, cada vez mais assustado:
— Tio? O que você fez? Quem é você? Por que está todo mundo congelado?, Marcelo tenta se levantar, porém acaba sentando, devido ao impacto da queda. Seu tio lhe diz:
— Marcelo, eu preciso que confie em mim...
— Tio Tiago, mas o que está acontecendo?
— NÃO DISCUTA, MOLEQUE!! APENAS FAÇA O QUE EU DIGO. VENHA ATÉ AQUI E TRAGA O THOMAZ COM VOCÊ!!! NÃO TEMOS TEMPO A PERDER!!! – exclamou Tiago.
— A...ah... tá.... mas não nos machuque, tio, por favor. Eu tô assustado. Thomaz, venha... (carrega o amigo com um braço no seu ombro).
— Marcelo, só peço que confie em mim. Depois de vocês se recuperarem, eu explicarei o que está acontecendo. Por favor, confie em mim!! – Tiago chora.
— Tá, tá bom, tio Tiago – disse Marcelo, receoso.
— Professor Tiago....- Thomaz chamou, com voz baixa....
— Thomaz, não faça nenhum movimento. Vamos pra casa agora! Assim que não estivermos mais na academia, a memória do pessoal da academia apagará o ocorrido, e eles voltarão a si, focando apenas em cuidar dos que se acidentaram com o tremor!!
Uma esfera engloba os três e eles desparecem. O pessoal da academia volta a si, cuidando dos feridos. Em um certo ponto da ilha, Cronos sente a energia desconhecida:
— Hum.... pude sentir uma forte energia emanando de um certo ponto da ilha.... mas de quem será essa fonte?, questiona Cronos.
— Senhor Cronos, pude sentir também a mesma fonte de energia. É algo que devemos nos preocupar?, perguntou Sérgio.
— De certo modo, sim. Estou surpreso que essa fonte de energia tenha sido capaz de parar o tempo por alguns segundos. Não é qualquer um que possa ter tanto poder...
— Senhor Cronos....- Sergio observa Cronos com ar de preocupação.
— Ficarmos supondo de quem seja essa fonte, só vai nos atrapalhar. Vamos, devemos embarcar para a Alemanha logo.
— Sim, senhor. Já consegui uma licença para viajar. Embarcamos amanhã de madrugada! – disse-lhe Sergio.
— Ótimo, disse Cronos. Assim, ganharemos tempo para reerguer Saturno–, ressaltou o Deus.
— Sim, senhor.
“Mas de quem é essa fonte de energia? E quem causou esse tremor?” –, Cronos reflete, de olhos fechados.... “Não vem ao caso saber quem é, devo me apressar para reerguer o meu templo. Percebi que o cosmo dos meus filhos reagiu e se dirige a algum lugar, para que eles possam reencarnar....mas esta outra vibração que veio em seguida da dos meus filhos? Quem será? Não posso perder mais tempo”.
De volta à casa do professor Tiago, os três surgem dentro da esfera:
— Chegamos em casa, finalmente!, disse Tiago.
De repente, Tiago sente um vulto indo atacar:
— Mas, mas o que é isso?, Tiago reage, atirando uma faca, porém para sua surpresa:
— Marcelo? Por que você me atacou?, Tiago olha surpreso com a reação do sobrinho.
— Tio Tiago, o que você fez? Ou melhor dizendo, quem é você? E o que você fez com meu tio?? O que estamos fazendo na casa do meu tio? Vamos, se identifique, demônio. Aaaah – Marcelo parte para atacar.
— Marcelo, pare! – Tiago o detém com uma mão.
— Eu não consigo me mover!! O que é isso?? – De repente, Marcelo olha para seu tio, e o vê derramando lágrimas....
— Tio Tiago....
Marcelo se acalma e Tiago o solta da paralisia...
— Marcelo, tem uma coisa que você deve saber, que na verdade, não era jamais pra você saber. (Tiago abaixa a cabeça)
— E o que é?? Me diga!!! Olha pra mim, tio Tiago!!!–, gritou Marcelo para seu tio, que estava de cabeça baixa.
— Antes de eu explicar, preciso curar seu braço, a cabeça do Thomaz e os seus ferimentos.
Tiago emana a mesma luz que ele liberou na academia. Ela envolve os meninos e os cura. Marcelo fica pasmo com a luz que o envolve. Os cortes leves desapareceram. O sangue da cabeça de Thomaz voltou e a ferida se fechou, embora ele estivesse ainda inconsciente. O braço de Marcelo voltou a mexer novamente.
— Mas tio, o que é isso? Meu braço está mexendo novamente -, Marcelo fica surpreso ao poder mexer novamente.
Thomaz se levanta, ainda com esforço:
— O que aconteceu? A minha cabeça estava doendo muito, eu sentia o sangue jorrar e de repente, tudo parou. Aah! (Olha espantado para Tiago, envolto por uma luz). Professor Tiago, que luz é essa?? O que está acontecendo? Eu morri?? – Thomaz fica divagando, sem entender nada.
A luz desaparece de Tiago e ele olha pros meninos, falando seriamente:
— Essa luz que curou as suas feridas...é o meu Cosmo.
Os meninos ficam chocados:
— Cosmo?, perguntaram os dois.
— Isso mesmo, respondeu Tiago.
— Peraí, o professor Sérgio comentou algo a respeito disso na aula...-, lembrou Marcelo.
No que ele lembra, Marcelo arregala os olhos. Tiago encara os meninos:
— Tio, não pode ser....
— Sim, Marcelo. É verdade. A tal Guerra Santa que o Sérgio havia mencionado na aula, está prestes a acontecer.
— Mas como isso é possível? – questionou Thomaz -. Isso é mito. Foi só um descobrimento do professor Sérgio em sua pesquisa na Grécia. Isso é uma narrativa... impossível que isso possa acontecer...
— Pois é, Thomaz – disse Tiago, em tom sério -, é verdade, é possível de acontecer, porém eu não esperava que isso fosse acontecer logo nessa era...
— Mas professor Tiago – interrompeu Thomaz –, do que está falando?
— Sérgio, sem ter conhecimento, retirou o selo que prendia a alma do deus do tempo, Cronos.
— O quê, tio? Você disse... Cronos? – perguntou Marcelo, estarrecido.
— Isso mesmo. Cronos ficou selado por eras, e durante a sua pesquisa, Sérgio acabou descobrindo onde estava a sua alma, e sem perceber, libertou o deus mais temível da mitologia clássica.
— Marcelo, o que o professor comentou.... – Thomaz olha para o amigo, surpreso....
— Então é isso. O professor Sergio disse na aula que ficou surpreso como algumas gravuras nas pedras encontradas nos escombros conseguiram resistir por tanto tempo. Tio, isso tem alguma explicação? – perguntou Marcelo.
— Tem sim, Marcelo. Agora que você mencionou o fato de Sergio encontrar algumas gravuras que resistiram por tanto tempo, significa que era o cosmo de Cronos agindo naquele momento. Significa que ele conseguiu captar a atenção de Sérgio e ele, com toda a sua inocência, achou o selo que prendia alma de Cronos e o libertou, sem perceber – explicou Tiago.
Thomaz ficou abalado com a explicação do professor.
— E tem mais, meninos – continuou Tiago -, Sérgio é a reencarnação de Cronos nesta era.
— O quêêêê? Professor Sérgio é.... Cronos? – ambos os meninos ficaram chocados – Mas como isso é possível?
— Como o selo perdeu seu efeito por conta da ação temporal, Sergio conseguiu remover o lacre, como uma simples fita. E Cronos aproveitou essa chance para se dormir no corpo de Sérgio, como se ele fosse um hospedeiro. – explicou.
— Eu... eu... eu... tô chocado, disse Marcelo.
— Não é pra menos, meu sobrinho. Aquela mudança climática repentina e a queda de energia na faculdade foi uma manifestação breve do cosmo de Cronos, ressaltou Tiago.
— Então não era um fenômeno climático, como a gente suspeitava?, perguntou Thomaz.
— Eu também pensava que fosse algo relacionado ao aquecimento global, mas tudo agora faz sentido. Porém, Cronos foi capaz de emanar seu cosmo por um instante, sem que ninguém percebesse. Até eu fui enganado pelo seu poder, disse Tiago.
— Mas tio, como você sabe disso?, perguntou Thomaz.
— É por que... eu sou a reencarnação de um deus também.
Os meninos se espantam e olham para Tiago, arrebatados pela declaração.
— Eu ocultei meu cosmo, para que ninguém percebesse a minha presença, agindo como um humano normal. Porém, Marcelo e Thomaz, vocês também estão ligados à essa Guerra; o destino de vocês já estava traçado, porém eu mesmo não queria que vocês carregassem esse fardo. Fiz de tudo para que nada atrapalhasse a vida de vocês, lamenta Tiago de cabeça baixa.
— Nós?? E como a gente pode ter participação nessa Guerra, professor? Quer dizer que...
— Sim, vocês são alguns dos Cavaleiros que renasceram para essa batalha. Eu mesmo me surpreendi com isso.
— Tio, mas como isso é possível? Como eu posso ser um guerreiro? Como o Thomaz também está ligado a isso?
— Vou contar uma história. Como vocês sabem, a cada 250 anos, tanto os deuses do bem e do mal reencarnam, para travar uma Guerra pelo zelo da Paz ou pelo domínio da Terra. Cada um desses deuses tem um exército que luta ao seu lado. Athena tem os seus Cavaleiros e as Amazonas, que são chamadas de mulheres-cavaleiros. Poseidon, seus Guerreiros Marinas. Hades, comanda os Espectros. Ártemis, as guerreiras Lunares. Entre outros deuses, está Cronos,com seus Guerreiros Temporais. Porém, eu não tinha conhecimento da presença de Cronos nas Guerras Santas, até um amigo me dizer que esteve em uma das Guerras contra ele.
— E quem seria seu amigo, tio? Eu o conheço?, pergunta Marcelo.
— Não, Marcelo – respondeu seu tio –, mas ele está aqui em casa e logo o apresentarei a você e ao Thomaz. Thomaz – Tiago olha seriamente para o jovem –, seus pais também são guerreiros, porém, a energia deles está muito fraca, impossibilitando-os de entrarem nesse campo de batalha.
— Meus pais? São guerreiros?? – questiona o jovem, surpreso.
— Sim. Seu pai foi o Cavaleiro de Bronze de Bússola, enquanto a sua mãe foi a Amazona de Bronze de Vela. Portanto, significa que você é o Cavaleiro de Prata de Popa. Resumidamente, você e seus pais representam, por meio de suas Armaduras, a constelação de Argo, o Navio.
— Eu, um cavaleiro de Bronze? Significa que vou lutar ao lado de Athena? Mas professor.... eu não sei se estou preparado pra isso....– diz ele, em tom de incerteza.
Tiago acena com a cabeça com sinal de sim.
— Thomaz, acredite em você. Não se subestime. Seus pais não queriam que você tivesse o mesmo destino deles, porém era inevitável. Eu tenho certeza que você será um grande guerreiro, assim como eles foram. Você não precisa participar desta Guerra, se não quiser. E isso não é demonstrar covardia perante essa situação. Não se sinta envergonhado, tudo que seus pais fizeram, foi pensando no melhor pra você. Eles desejam muito que você tenha uma vida tranquila.... mas cabe somente a você decidir o que fazer de agora em diante.
Thomaz chora e pensa: “Mamãe.... Papai.... eu prometo... irei honrar vocês....”, e abraça Tiago bem forte. Tiago coloca sua mão sobre a cabeça de Thomaz, e sorri.
— Professor.... eu vou lutar. Eu não vou hesitar – sorriu Thomaz.
— Fico feliz que tenha tomado uma decisão, Thomaz – disse uma voz distante.
— Pai? Mãe? O que estão fazendo aqui? – olhando surpreso para a presença de seus pais.
— Filho – disse sua mãe –, você não precisa batalhar. Isso não é vergonha para mim, nem para seu pai. Você pode ter uma vida tranquila aqui, sem precisar estar sujeito a isso. Mas eu vejo que você tem uma determinação, igual à do seu pai. Eu não posso evitar ou proibi-lo de fazer o que quer.... (ela chora)... meu menino, como eu queria que você não tivesse esse destino....
— Mãe – Thomaz chorando –, está tudo bem. É como o professor Tiago disse, é meu destino e seria inevitável fugir dele. Afinal, eu sou filho de vocês, não é? Uma hora ou outra, meu destino como Cavaleiro iria vir à tona....
— Filho, agora é seu pai quem fala. Temos muito orgulho do rapaz que você se tornou. Sua determinação em se empenhar naquilo que gosta é a sua marca. Nunca hesite diante das tribulações que a vida te empregar, viu? Seja forte como a popa do barco, que não se destrói com uma grande ventania.
— Pai.... – Thomaz chora...
— Como Tiago disse, a minha energia e a da sua mãe está fraca. E por isso, cientes da sua decisão, temos um presente para você.
O pai e a mãe de Thomaz dão as mãos para o seu filho e emanam um cosmo perante ele:
— Venham, sagradas armaduras de Vela e Bússola!! (As armaduras aparecem e Thomaz fica estupefato com a presença delas). Unam-se e transformem-se na lendária armadura de Argo, o barco sagrado! (Há uma junção das armaduras, cujo brilho quase cega o jovem Thomaz)....
De repente, a armadura de Prata de Argo surge perante o jovem:
— Reconheça o seu guerreiro, Argo. Thomaz!!
A armadura se desfaz e veste Thomaz, cobrindo todo seu corpo. Thomaz emana um forte cosmo azul e branco ao vestir a armadura.... Surge um novo cavaleiro: Thomaz, cavaleiro de Prata de Argo!
Thomaz olha para seus pais, todo contente e lhes diz:
— Mãe, pai!! Eu vou honrar vocês e me tornar um Cavaleiro tão forte assim como vocês foram!!
— Que bom, filho – disse o pai. Agora, nós podemos descansar eternamente....
— Hã, o que vocês estão dizendo??, Thomaz olha para seus pais, sem entender nada.
— Thomaz, sua mãe e eu não temos mais forças para continuar vivos, responde o pai.
— Não, não!! Isso é mentira!! – disse o jovem, agoniado.
— Thomaz, cedo ou tarde, você iria receber a Armadura de Prata de Argo. E como nosso último desejo, queríamos entrega-la a você, antes de partir.... – chora o pai, emocionado.
— Pai, mãe.... não... não pode ser!! Quer dizer que vocês esperaram esses anos todos para me dizer Adeus?? Isso não pode acontecer!! Não agora que eu preciso mais de vocês!!! Não, por favor... não me deixem.....
— Thomaz, isso iria acontecer uma hora ou outra – fala a mãe, sorrindo – . Por isso, a Armadura de Argo carrega os nossos cosmos, para que estejamos junto com você!!!
Os dois começam a desaparecer.
— Não!! Não!! Pai, Mãe!! Não me deixem!! Por favor, professor Tiago, faça uma coisa!! Não os deixe partir!! – Thomaz suplica, chorando.
Tiago chora e abaixa a cabeça, sem poder fazer nada. De repente, o pai chama por Tiago:
— Tiago, meu querido amigo e companheiro de batalhas! Por favor, proteja nosso menino!! Faça dele um grande guerreiro –, pede-lhe o pai, antes de desaparecer por completo.
Thomaz corre em direção aos pais, para evitar que eles desapareçam, mas quando ele toca a mão de sua mãe, os dois desaparecem definitivamente. Triste com a partida dos pais, Thomaz se põe a chorar incessantemente....
Tiago atenta seu olhar para o espírito dos pais de Thomaz e diz:
— Mário....Isabel....eu cuidarei de Thomaz como se fosse meu filho (derramando lágrimas). Eu irei honrar o desejo de vocês. Fico grato por terem me confiado seu filho, durante esse tempo. Agora, descansem em paz, meus queridos amigos e orem por nós nesta Guerra, protegendo-nos aí de cima.
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