Saint Seiya - Another Dimension
1 Capítulo 1 - Um início
Brasil. Florianópolis, SC.
“Sinto como se tudo tivesse acontecido ontem. Um flashback de memórias... boas e ruins. Será que vai acontecer tudo de novo? Ou será que foi só daquela vez? Ou foi só um sonho....”
Uma voz:
— Marcelo.... Marcelo... MARCELOOO!!!! – grito -. Acorda, moleque!!
— Aaahh... (cai da cama)!!
— Vai perder a hora de novo de ir pra faculdade!! Quantas vezes vou ter que usar o megafone pra te acordar? Mais pra frente, vou comprar um microfone e caixa de som pra ver se você acorda de vez!!
— Ah, desculpa, tio Tiago!! Mas não tinha necessidade de usar o megafone, né? Podia ter me acordado me empurrando ou batendo no meu ombro....
— Olha, moleque.... (chamas saem dos seus olhos)
Me dá três tipos de medo quando meu tio fica daquele jeito.
— Agora, trate de acordar, tomar banho, se arrumar. O café tá na mesa. (Bate a porta com tudo).
— Tá, tio! Já vou.
Este é Marcelo e aquele rapaz que o acordou foi o seu tio, Tiago. Bom, vou me ater a alguns detalhes: Marcelo é estudante universitário do curso de História, e o tio Tiago é quem cuida dele, desde que seus pais faleceram. Tiago tem tem sido como um pai para Marcelo, uma vez que ficou com a guarda do jovem assim que estava na adolescência... Devem imaginar o tanto de trabalho que deu pra ele, né?
Mas por incrível que pareça, não deu trabalho algum. Pelo menos é o que ele me conta... Ele sempre teve esse jeito engraçado de querer acordar seu sobrinho... e sei também que ele preza muito os compromissos e quer lhe passar essa imagem. Sei que ainda sou jovem, mas com o tempo eu pego o senso de responsabilidade dele. Enfim, Tiago é professor universitário do curso de Letras Bacharelado em Inglês. Teve seu doutorado em Literatura Inglesa numa universidade pública e desde que ele me conta, sempre teve esse desejo de voltar a Santa Catarina, pelo fato de ele gostar mesmo deste Estado.
Acho que nem eu quero sair daqui. O clima daqui é tão gostoso, sem falar nas pessoas bonitas que moram aqui.... e claro, na educação que o catarinense tem com o turista. Marcelo está com 20 anos e mora com meu tio faz uns 5 anos. Além de tio, ele é padrinho de Marcelo. Ele é um cara fantástico, e admiro muito o trabalho que ele desenvolve. Deve ser por isso que ele tem tantos orientandos de TCC e especialização. Embora eu não seja da área dele, eu vejo os seus trabalhos e me interesso.
Mas voltemos ao nosso protagonista e ao desencadear dessa história.
— Minha nossa, tio!! O café estava muito bom! Bom, agora tenho que ir correndo!
— Também acho, Marcelo. (risos). Com o tempo você se adapta e chega a ser pontual com seus compromissos.
— Tio, foi uma ironia sua?
— Não. Digamos que é um toque que eu tô te dando. Fica esperto!
— Beleza, tio. Vou indo, nessa. Até mais, tarde.
— Boa aula.
(Alguns minutos depois)....
— Ah, Marcelo. Muita coisa te aguarda, meu sobrinho. E não vai ser fácil lidar com isso. Desde que fiquei com sua guarda, fico pensando em seus pais e no que eles me disseram antes de morrer...... Será mesmo verdade? Tomara que não..... Bom, preciso ir ao mercado fazer algumas compras. Aproveitar que hoje não tenho aula e as orientações estão bem encaminhadas. O moleque anda cheio de energia e me dando gasto pra caramba....
Na portaria da faculdade, chega o Marcelo cumprimentando o guarda da portaria:
— Bom dia, seu guarda.
— Bom dia, Marcelo. Atrasado de novo, hein? Aposto que seu tio deve ter puxado a orelha!
— Hihihi. É, um pouco....
— Agora espera aí que vou abrir a cancela. Pode ir.
— Obrigado.
— Boa aula.
— Ah, meu pai! Será que consigo uma vaga boa pra estacionar o carro? Toda vez que eu venho pra faculdade, eu paro lá perto do pessoal da Engenharia.... enquanto o meu bloco é bem aqui perto.... (alguns segundos)....Aeee!! Achei uma vaga!!
— Nada mal, Marcelo. Conseguiu chegar a tempo, bem antes de começar a aula!! Hehehehe
— Essa voz.... Thomaz, tudo bem? Achei que eu estaria atrasado.
— Não, o professor ainda não chegou. Teve sorte dessa vez.
— É... que sorte a minha!
Thomaz é um dos grandes amigos de Marcelo. Na verdade, são amigos desde o Ensino Médio. Fizeram cursinho juntos também. Marcelo foi pra História, e ele foi pras Letras, só que ele não é aluno de Tiago. Ele fez algumas disciplinas com o tio, e gostou da metodologia dele, mas a sua habilitação é no Italiano. Ele teve destaque como prêmios de iniciação científica, alguns poemas que ele escreveu e publicou em livro. O cara é inteligente pra caramba. É de se admirar. E assim como Marcelo, estão no terceiro ano da faculdade, prestes a se formar. Os dois jovens têm perspectivas de seguir a carreira acadêmica. Bom, eu sou suspeito pra falar, por conta do tio que Marcelo tem. Agora o Thomaz tem perfil de pesquisador. Não consigo ver ele numa sala de aula de escola. Ele tem muita competência.
— A propósito, Thomaz. Quais são as suas matérias de hoje?
— Que bom que perguntou. Eu vou fazer a sua disciplina de Mitologia.
— Sério? O professor Sergio é demais. Vai gostar das aulas dele.
— Que bom. Ouvi falarem bem dele. Só que ainda prefiro as aulas do seu tio.
— Puxa saco...
— Nada. Seu tio é foda, desculpa falar. Ainda lembro das aulas dele.
— E que disciplina você fez com meu tio? Foi alguma da Literatura Inglesa?
— Não, eu nem chego perto do seu tio com a Literatura Inglesa. Hehehe. A disciplina que fiz com ele foi uma concentrada, chamada de Teorias do Texto.
— Ah, que legal! Ué, mas essa disciplina é da especialização, e não da graduação. Eu sei disso, porque eu ajudei ele a montar os planos e tal. E como você fez?
— Olhaa!! Quer dizer que tinha dedo seu nos planos do professor Tiago? (risos).
— Nada... eu só ajudei ele a montar os planos das aulas. O funcional mesmo é com ele.
— Bom, o seu tio mandou e-mail pros coordenadores dos cursos de Letras, dizendo que estava ofertando vaga para aluno especial na disciplina dele. Umas 10 vagas, senão me engano.
— Entendi. E através do e-mail dele e do edital de aluno especial, você entrou.
— Exatamente. Fiz todos os procedimentos certinho, pois sei o quanto o seu tio tem cuidado com as burocracias da faculdade. Faltou algum documento, ele não aceita.
— É. Meu tio é bem criterioso nesse ponto. Mas e aí, você fez a disciplina e daí? Vai poder aproveitar no seu histórico da graduação, mesmo ela sendo uma disciplina da especialização?
— Então, seu tio disse que ia ver isso com o departamento. Até agora a gente não teve resposta se poderia aproveitar a disciplina dele no histórico. Se der pra aproveitar, beleza. Se não, fica como conhecimento adquirido.
— Ah, e você acha que meu tio não vai deixar vocês sem aproveitar no histórico? Claro que ele vai mexer os pauzinhos e dar um jeito.
— É, seu tio não é fácil. (Risos).
— Bom, chegamos à sala da aula de Mitologia. Espero que curta, Thomaz.
— Ah sim, valeu. Vai entrando, que eu vou rápidão no banheiro e já volto, beleza?
— Beleza. Até daqui a pouco.
Enquanto isso, na rua.... Tiago vai andando nas calçadas, pensando:
— O mercado não tá longe. Acho que vou parar aqui na banca comprar umas revistas e depois sigo pra lá.
— Olá, Tiago!
— Oi, dona Ana.
— O que vai comprar hoje? Alguma revista pro Marcelo? Ou é algo pras suas aulas?
— A senhora me conhece bem, mesmo. Então, eu vou levar essas duas revistas aqui de Mitologia. Uma é pro Marcelo e outra é pras minhas aulas. E umas palavras-cruzadas.
— Pegou o hábito da sua mãe, né?
— É.... posso dizer que alguma coisa eu herdei da minha mãe.
— Não é pra menos. Sua mãe foi professora, seu pai foi professor, e agora você é professor. É o destino, querido. Já estava escrito.
— De novo com essa história de destino (risos). Pode ser, Dona Ana, mas sei lá... tem horas que ando tão descontente com a Educação, que prefiro parar.... mas aí eu vejo o quanto posso contribuir com os alunos e penso que não é a minha hora.
— Imagino, mas não larga de dar aula não. A Educação anda precária mesmo, tanto na Educação Básica, como na superior. Sei que existem grandes níveis de diferença entre a sala da escola e a da universidade....
— Engano seu, Dona Ana. A fragilidade é igual em todos os lugares.
— Entendo... bom, aqui estão suas revistas e as palavras cruzadas. Deu R$ 11,00. E destino, você não tem como fugir dele. (Deu ela um sorriso)
— É... pode ser. Bom ,aqui está, Dona Ana. Obrigado e tenha um bom dia.
— Manda um abraço pro Marcelo, tá bom?
— Sim, senhora, mando sim. Bom, agora à compra do mês. Hehehehe.
A dona Ana mentaliza: “O destino que te aguarda não é só a sala de aula, meu querido. Tem muito mais coisas que estão escritas nas estrelas e que você não pode compreender. Mas o tempo se encarregará disso.”
Chegando no mercado, a mulher do caixa cumprimenta:
— Professor Tiago, que bom vê-lo aqui. Faz tempo que não vejo o senhor aqui.
— Oi, tudo bem? Ah, que isso, me chame de você.
— Mas cadê o seu carro?
— Deixei com o meu sobrinho hoje. Ele vai ter muitas atividades durante o dia, e deixei o carro com ele.
— Entendi. Vai precisar que a gente leva a mercadoria pra casa do senhor?
— Não, não será preciso. Muito obrigado. Como fiz pouca compra hoje, dá pra levar tranquilo a pé.
— Tudo bem, então. O total da sua compra deu R$42,00.
— Certo. Débito, por favor.
— Tá. Aqui está o seu comprovante, professor. Bom dia.
— Bom dia, e bom trabalho pra você.
— Obrigada.
No caminho de volta pra casa, Tiago mentaliza: “Ainda bem que o Marcelo vai comer na faculdade. Então significa que tenho o dia todo pra mim. Preciso colocar algumas leituras em dia, como também verificar os e-mails dos orientandos. Mas é claro que vou dormir um pouco, porque ninguém é de ferro”.
De repente, o céu fica nublado com alguns sons de trovão e Tiago encara o céu:
— Estranho. Até agora pouco, estava um baita sol e não estava prevendo chuva pra hoje.... Clima doido.... melhor ir correndo, antes que eu me molhe.
Enquanto isso, na faculdade:
— Turma, a nossa aula de Mitologia de hoje será sobre Cavaleiros.
A turma fica curiosa: “Por que esse tema? Cavaleiros? Onde existem cavaleiros na Mitologia? Essa aula é de mitologia grega... aonde teriam cavaleiros na mitologia clássica? Será que foi algum documento que o professor Sergio encontrou?”
— Pela cara de vocês, imagino que vocês devem estar cogitando inúmeras perguntas. Vamos lá, turma, não tenham vergonha. Pode perguntar, mesmo que a pergunta soe boba para vocês.
Uma aluna levanta a mão e o professor a chama:
— Sim, Lúcia?
— Professor, onde existem cavaleiros na mitologia clássica? Pelas suas aulas, eu nunca vi o senhor fazer menção a eles.
— Boa observação, Lúcia. Realmente, eu nunca havia feito menção a cavaleiros na mitologia clássica. A gente encontraria tópicos sobre os cavaleiros nas literaturas medievais. Mas vou explicar o porquê disso.
— Professor, me desculpa intrometer. Me chamo Thomaz e me inscrevi na sua disciplina como aluno ouvinte, até porque a temática da mitologia me interessa muito. Sou estudante de Letras Italiano e vejo que o poeta Dante Alighieri traz alguns personagens da mitologia clássica e da narrativa bíblica na sua Divina Comédia.
— Thomaz, agradeço estar cursando a minha disciplina e seja bem-vindo. Exatamente, Dante usa personagens conhecidos da mitologia grega e da narrativa bíblica para compor a sua obra magistral, a Divina Comédia. Mas não é só ele que usufrui da mitologia. Muitos poetas e artistas da época clássica, como também das eras posteriores farão menção à mitologia em suas composições.
— Entendi. Seria o que se chamaria de intertexto?
— Exatamente. O intertexto é nada mais do que o vestígio de um texto anterior presente na obra atual. Como você mesmo constatou, Dante usa figuras mitológicas e algumas de suas narrativas para a elaboração da sua Divina Comédia. Seria uma forma de revisitar o passado, com alguma intenção.
— Entendi. Bom, mas desculpa interromper o senhor. Mas como surgiram estes cavaleiros na mitologia clássica? Até onde sabemos, os grandes heróis da mitologia são pessoas comuns, pertencente à alguma classe social baixa ou com alguma condição social, ou até mesmo ser um semi-deus.
— Isso mesmo. Vou contar como encontrei estes cavaleiros na mitologia. Eu estava fazendo pesquisa de campo na Grécia a respeito da arte bélica, estudando armas, armaduras, armamentos, vestimentas, etc.
— Olha, que legal, Sergio – disse Marcelo.
— E o interessante é que neste estudo de campo, eu estava perto do Pártenon, e como vocês sabem, é o templo da grande civilização de Atenas, que carrega o nome da própria deusa Athena. Vi alguns destroços talhados no mármore e em algumas outras pedras, e o interessante é que eles contavam narrativas de guerreiros que combateram ao lado de Athena.
— Mas a gente tem conhecimento de algumas guerras. Tróia e Esparta, por exemplo. Era natural que houvessem guerreiros do exército nessas cidades.
— Sim, e embora a gente conheça o termo “soldado” que era comum àquela época, eu encontrei em alguns destroços algo referente à um nível maior da hierarquia militar.
— Existiam guerreiros acima dos soldados, como a gente conhece? General, Marechal, Sargento, Tenente? – perguntou Marcelo.
— Isso mesmo, Marcelo. Haviam guerreiros de classe maior do que estamos acostumados com as Forças Armadas. Eles eram chamados de Cavaleiros – e vocês podem pensar no sentido medieval que esta palavra tem. – conclui o professor Sergio.
— Nossa, que interessante!! – exclamou a Lúcia. Então, o que eram esses cavaleiros, professor?
A turma fica com os olhos esbugalhados de tanto fascínio pela descoberta do professor Sergio. Até eu, o narrador, ficaria fascinado com isso.... nunca que eu me daria conta disso. Voltemos ao professor:
— Bom, de acordo com o material que vou apresentar a vocês nos slides....
O professor separa o projetor para ligar a seu notebook, porém o som de trovão faz cair a energia. Ele diz:
— Que estranho. Eu vi no celular que hoje não teria previsão de chuva aqui na cidade. Do jeito que o aquecimento global anda, não duvido que não tenhamos mais controle da esfera climática.... Pessoal, sem a energia, não poderei mostrar os slides com o material que eu colhi na Grécia....
— Aaah!! – disse a turma, num tom triste.
— Mas professor, se o senhor colheu esse material... eles não estão na sua sala? – perguntou um aluno.
— Infelizmente não, Tadeu. No momento que estive desenvolvendo a pesquisa na Grécia, eu iria trazer estes artefatos pra cá, mas aí me barraram, pois eu não tinha autorização para trazer os materiais.
— Puxa, que pena. – disse Tadeu.
— Pois é. Porém, em conversa com um diretor da faculdade que aceitou a pesquisa, eu pude então registrar estes materiais em fotos ou escanea-los com uma tecnologia impressionante que eles têm lá no departamento. Então, eu optei por registrar em foto e escanear o material lá, até mesmo para não comprometer o material talhado nas pedras.
— Puxa vida.... essa aula tá mais interessante do que eu pensava, Marcelo – cochichou Thomaz.
— Pois é.... não vejo a hora de contar essa pro meu tio quando chegar em casa. – respondeu Marcelo.
Aí o professor Sergio chamou a atenção da turma:
— Embora sejam pedras, o material talhado naqueles destroços foi feito de alguma forma que pudesse superar a ação do tempo. E infelizmente, eu não pude deduzir como esse material superou a ação do tempo.
— Olha professor, a gente sabe que o senhor teve pouco tempo pra desenvolver essa pesquisa. Acho que o modo como essas rubricas nas pedras resistiu por tanto tempo, não é viável para nós da História. Quero dizer, em termos, caso alguém vá atuar nesse viés, né, turma? – disse Marcelo, meio constrangido.
— Afinal, essa informação que o senhor trouxe para nós é muito rica. – disse o Tadeu.
— É. Saber que existiam cavaleiros na época Clássica, é interessante e instigante de pesquisar. – completou Thomaz.
— É, acho que vocês têm razão. Bom, vamos deixar pra próxima aula os slides sobre os cavaleiros, disse o professor. Mas acho que tem algo interessante que posso compartilhar com vocês ao “ler” aquelas pedras.
Conta, professor!! Até eu, um mero narrador quero saber disso tudo!! Não me deixa com vontade de sair daqui do plano externo pra ir aí pro plano interno!!! CONTA LOGOOOO!!! Eu quero saber mais desses cavaleiros!!! Ah, desculpe. Me empolguei demais!!! Mas vamos voltar ao cenário:
— Puxa, o que é que tem de interessante? –, perguntou Marcelo.
Nossa, cara, que pergunta mais tosca!! Se liga no que o professor vai falar, em vez de ficar babando aí.... se bem que até eu ficaria nesse estado, instigado pela fala do professor.... Mas, simbora!
— Bom, segundo os escritos nas pedras, reza a lenda que a cada 250 anos, Athena vem à Terra para protege-la de inimigos malignos, e como seus alicerces para proteger a Terra do domínio do Mal, estão estes cavaleiros.
— Nossa. Que legal. Parece até um prólogo de uma peça. – falou o William, outro colega da turma.
— É William, digamos que estes 250 anos são um prólogo de uma peça teatral. Os cavaleiros representação inúmeras constelações que conhecemos da Astronomia, além dos 12 signos do Zodíaco. Os cavaleiros possuem três patentes: Ouro, Prata e Bronze. Pelo que eu pude entender, as 12 constelações zodiacais que conhecemos pertencem à patente de Ouro, enquanto as outras demais constelações se dividem em Prata e Bronze.
— Professor Sergio, tem até um pouco de alquimia aí, não acha? Ouro, Prata e Bronze, são metais. E se não me engano, a alquimia está relacionada com a transformação destes metais. – lembrou Thomaz.
— Isso, Thomaz. Seria um trabalho interessante de pesquisa. Vou anotar isso pras minhas futuras pesquisas de IC – comentou Professor Sergio.
— Turma, eu adoraria continuar a contar a história, mas o nosso horário já deu. Na próxima aula, eu conto esta história dos cavaleiros e o prólogo dos 250 anos. Melhor dizendo, de uma Guerra Santa entre Athena e as forças do mal.
Som de trovão forte e ventania.
— Mas que coisa, logo hoje que eu ia correr no campo da faculdade, começa esse vendaval – resmungou Thomaz.
— Turma, nos vemos na próxima aula. Até semana que vem – despediu o professor.
— Até, professor Sergio. – respondeu a turma.
Marcelo olha para Thomaz e pergunta:
— Thomaz, você não quer ir almoçar lá em casa hoje, depois das aulas?
— Olha, se não for incomodo pra você e pro seu tio, por mim, de boa. – respondeu Thomaz.
— Cara, você é da família. Capaz que meu tio vai dizer não pra você almoçar lá em casa. Eu tô convidando. Vamos fazer assim. Vou ligar pro tio Tiago e aí te falo no whats ou te ligo, ok?, disse Marcelo.
— Tá, beleza. Fico no aguardo. Até mais tarde, então. Agora tenho aula na Letras. Curti muito a aula de hoje. Certeza que vou querer fazer IC com o Sergio. Bom, temos intervalo agora. Bora tomar um café? Eu pago hoje. –, convidou Thomaz.
— Bora então. Vamos tomar lá no seu bloco. Gosto do café que o pessoal daquela cantina faz. – respondeu Marcelo.
— Fechou. Mas Marcelo, cá entre nós.
— Fala, Thomaz. Alguma coisa de errado?
— Então, eu reparei algo no professor Sergio, mas pode ser imaginação minha.
— O que foi?
— Quando ele falou “Guerra Santa”, me deu um frio na barriga. É como se ele soubesse de algo.
— Ah não, relaxa. O Professor Sergio é assim mesmo. Como ele estuda a ciência militar, sempre que ele fala de guerras, ele fala com aquele tom. Não fica com nóia disso não.
— É, imaginei. Bom, bora pro café.
E assim, os meninos foram pro bloco da Letras. Enquanto isso, na casa do professor Tiago:
— Ah droga, peguei um pouco de chuva.... espero não ficar resfriado. Do jeito que a minha imunidade tá uma beleza.... não custa nada vir uma gripe. Vou torcer pra não dar em nada. Bom, já que está chovendo e provavelmente vai esfriar, o jeito é fazer um chá e depois preparar o almoço
Celular toca.
— Ué, quem será que tá ligando pra mim nessa hora? Marcelo, já sabia....Fala, Marcelo.
— Oi tio, tá chovendo muito aí em casa?
— Olha, tá um pé d’água aqui perto. Toma cuidado quando for pegar a estrada de volta pra cá. Mas diga, aconteceu alguma coisa pra você tá me ligando?
— Não, nada preocupante, tio. Sabe o Thomaz, aquele meu colega de cursinho, lembra dele?
— Sim, lembro. Ele fez até uma disciplina comigo. O que tem ele? Aconteceu alguma coisa?
— Não, não. Tá tudo bem com ele. É que eu convidei ele pra almoçar aí em casa com a gente, porque caiu a energia aqui na faculdade, e possivelmente o RU não vai funcionar. Teria algum problema ele vir almoçar?
— Caiu a energia na faculdade? Putz, a coisa tá pior do que eu pensava. Achei que fosse só uma chuva.... mas voltando ao Thomaz, ele pode vir almoçar aqui sim. Tem problema, não.
— Ah então beleza, tio Tiago. Vou falar com ele depois, assim que eu sair da aula.
— Mas você não disse que caiu a energia na faculdade?
— Pois é, mas pelo visto, não foi em toda a faculdade, foram em alguns prédios. Mas logo tô voltando aí.
— Tá bom. Aguardo vocês então.
— Tchau, tio.
— Tchau. (desliga o telefone).
Tiago encara o céu e mentaliza: “Mas como esse tempo muda de uma hora pra outra? Tá muito estranho... Deve ser alguma frente fria ou massa de ar que chegou aqui e causou esse trovão e essa chuva. Não deve ser nada preocupante. Só espero que os meninos cheguem bem aqui em casa, pois a estrada deve estar muito lisa com essa chuva”.
Enquanto isso, na sala do professor Sergio na faculdade de História....
— Mas que coisa... esse clima não era esperado e muito menos é época de chuva aqui em SC. É, deve ser como pensei, o aquecimento global está mudando tudo, que nem sequer adianta mais confiarmos mais na meteorologia. Pena que não pude entrar nos detalhes da pesquisa com os alunos.
Uma voz distante:
— Foi até bom você não adentrar em detalhes em especial da sua pesquisa, professor.
— Mas quem está aí?, virou o professor, procurando de onde vinha a voz.
— Professor, você fez um grande mal em trazer à tona uma história que deveria ser esquecida nos escombros da Grécia. – disse a voz, em tom colérico.
— Ma.. ma... mas, quem está aí? E como sabe da minha pesquisa? E quem é você? Apareça! “Não é possível, somente a diretoria de pesquisa da faculdade sabe, e que eu saiba, não conheço ninguém que tenha essa voz.” -, mentalizou, suando frio.
— Quem sou eu? Ora, professor... está diante da morte.... e ainda quer que eu me identifico pra você? -, disse a voz em tom irônico, mas seria triste que você fosse ao Tártaro sem saber quem o matou, só pra guardar na sua memória....
— Espera... mas o que eu fiz de errado? Eu apenas coletei os dados que estavam retratados naqueles escombros...
— Exatamente — disse em tom bravo -, você não deveria nunca chegar àqueles escombros. Mas pensando bem, até que você fez um favor pra mim.
— Favor? Como assim?
— Ora, professor, vai dizer que você ainda não leu todos os textos do mármore? Hahahahaha. Como você é patético....
— Eu não tive tempo de ler todos, porque eu ainda estava preparando as aulas. Só li o que achei que fosse essencial para trabalhar com os alunos. E depois, eu iria mais a fundo com os outros registros que tenho.-, respondeu, suando frio.
— Ah, é? E o que foi que você trouxe aos alunos?
— Apenas o prólogo da Guerra Santa de Athena -, respondeu Sergio, tremendo.
— O quê?! Você falou do prólogo? Como ousa? – exclamou a voz, em tom mais zangado.
— Me perdoe, por favor. Eu não quis violar nada. Apenas estava cumprindo meu papel de pesquisador. Se tinha algo de sacro naqueles registros nos escombros, eu não sabia. Eu não fiz por mal!!! – clamou o professor.
— O que mais que você falou pros alunos, além do Prólogo?, questionou a voz.
— Eu só comentei que eu fiquei surpreso pelo fato dos registros nas pedras não terem se perdido com a ação do tempo. Eu nem ousei comentar como isso foi feito, porque nem eu sei qual a técnica usada pelos gregos para poder manter tão solidamente aquelas narrativas., respondeu o professor, com a voz trêmula.
— Vejo que não está mentindo, comentou a voz. A sua alma é transparente, não vejo vestígios de maldade nela. – disse a voz, com tom mais calmo. Algo mais?
— Comentei a respeito da patente dos Cavaleiros de Athena.
— Ótimo. Não falou nada demais, pelo que vejo.
— Por favor, me perdoe. Eu não fiz por mal! – pedia o professor.
— Pois muito bem. Irei poupar a sua vida, com uma condição.
— Sim, eu faço qualquer coisa! Mas por favor, não me mate e não mate meus alunos também!!, pedia o professor, chorando.
— Muito bem. Se assim for, eu irei me apresentar a você. Porém, você nunca deve mencionar o meu nome a ninguém, nem a seus alunos. Eu estou sendo vigiado, mesmo estando preso naqueles registros.... Ainda sinto aquela energia.....
— Pois muito bem, você irá viajar para Alemanha – orientou a voz.
— Alemanha? Mas eu não falo alemão fluente, respondeu o professor.
— Cale-se!!! Ainda não disse o que você fará na Alemanha.
— Perdoe-me, senhor!, ajoelhando-se.
— Agora levante-se, Professor Sergio.
O professor levanta e se depara com uma distorção de espaço-tempo e a voz aparece perante ele primeiramente como um fogo-fátuo.
— Mas o que é isso? Estou no Universo?, questionou o professor, assustado.
— Exatamente! Eu criei uma distorção, para que ninguém pudesse sentir a minha presença. Aqui é o local adequado para podermos conversar– respondeu a voz.
— Mas...., interrompia Sergio.
— Silêncio..., gritou a voz.
— Agora você quer saber quem sou, não é? Pois bem, contemple a imagem que aparece diante de ti.
De repente, o fogo-fátuo começa a desenhar traços humanos....e o professor, estarrecido com aquela transformação, só podia ficar de boca aberta, sem poder pronunciar uma única frase....
— Essa tempestade inesperada, fui eu quem a causei. Quando senti que você começava a falar da sua pesquisa, senti que era a hora de agir, para que não deixasse vestígios... porém, algo entrou no meu caminho e me impediu de tirar a sua vida no decorrer da sua aula...
Sergio engole a seco a declaração da voz.
— Contudo, a presença se esvaiu e foi o momento necessário para que eu pudesse agir, sem que minha presença fosse notada. Agora, você irá saber quem sou.
As chamas já estavam dando traços vivos de uma figura humana, quando de repente a voz se apresenta:
– Eu sou.... CRONOS, o deus do tempo!
O professor arregala os olhos..... Cronos apareceu em sua forma jovem, com cabelos loiros escuros, com seus olhos negros como as trevas, enquanto o resto de seu rosto estava tampado pelo elmo, como uma sombra. Em uma mão estava segurando uma foice de ponta cinza e cetro preto. A sua armadura brilhava nos tons gradientes de cinza e preto... e uma presença imponente....
— Cronos, o pai dos deuses?, questionou Sergio, surpreso com a presença do deus.
— Isso mesmo. Agora que você me libertou dos escombros da Grécia...
— Eu te libertei?, questionava o professor, surpreso...
— Sim. À medida que você proferia suas palavras da sua pesquisa, eu senti uma força vindo de você.
— Hã? Uma energia... vindo de mim?, ficou surpreso o professor.
— Ahahahaha. Pelo visto, você não percebeu. Você tem aquilo que chamamos de cosmo, a energia do Universo que habita o corpo do ser humano.
— Cosmo?
— Exatamente. Todo o planeta, assim como o seu corpo, é feito de átomos, e dentro destes átomos emana uma energia poderosa chamada cosmo, carregar de explodir e realizar milagres perante as tribulações do ser humano. Seu cosmo é transparente é puro, porém eu vejo que tem um certo indício de poder dentro dele, mas você o oculta....
— Hã? – surpreso – Mas como isso é possível, Cronos? Como você consegue enxergar isso em mim?
— Eu sou um deus, esqueceu? Eu posso ver dentro da sua alma o que te aflige e o que você deseja...- responde, Cronos, com um sorriso malicioso.
— Aah, eu estou chocado. Nunca imaginei que seria capaz de transparecer tanto.... – suspira o Sergio.
— Você pode enganar os seus próximos, mas não um deus. E é por isso que você é meu escolhido para ser o meu hospedeiro, Sergio.
— Hospedeiro? Como assim?.... Não... não pode ser.... os escritos nos escombros.... – lembra Sergio.
— Isso, vejo que agora você lembrou um dos pontos.... para que um deus possa reencarnar, precisa de um corpo, cuja alma corresponda aos desejos do deus. Por isso, como você deseja poder, será meu hospedeiro, até que eu possa despertar completamente.
— Não, não pode ser. Deve haver algum engano....
— Não há engano algum, Sergio. Eu irei me fundir a você agora, e dormirei até que a nova Guerra Santa venha a explodir... enquanto isso, você viverá normalmente a sua rotina.... e me servirá....
A imagem de Cronos desaparece e se manifesta no corpo de Sérgio, que grita de dor....
— Não adianta resistir. Você me servirá. Agora você irá para Alemanha, obedecerá as minhas ordens. E se eu pressentir que você está agindo contra minha vontade, eu acabarei com você, sem clemência. Fui claro? – Questionou Cronos.
— Sim, Mestre Cronos....
— Hahahahahahahaha – risada sarcástica de Cronos. — Agora, vamos preparar os festivos.... hahahahahahaha
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