Saint Seiya - Another Dimension
4 Capítulo 4 - Uma missão
Comovido com todo o ocorrido a seu amigo, Marcelo se põe a chorar e corre em direção ao seu amigo, para confortá-lo da partida dos pais.
— Thomaz, seja forte, meu amigo. Essa era a vontade do tio e da tia. Eu vou estar sempre a seu lado, para o que for acontecer. Essa é uma promessa que mantenho com você desde que éramos crianças, lembra? (Lágrimas escorrem de seus olhos).
Thomaz enxuga as suas lágrimas e olha para o amigo, e com um dos dedos, ele enxuga as lágrimas de Marcelo, e lhe diz:
— Eu sei que você sempre cumpriu essa promessa, Marcelo. Não é à toa que você é um dos meus melhores amigos (Abraça o amigo bem forte). Quero dizer, não um dos melhores, mas O melhor amigo. E também, a gente tem uma história junto, não é? Não teria porque ser diferente agora.
Marcelo volta a chorar de emoção com as palavras do amigo e retribui o abraço forte. Marcelo levanta a cabeça e olha para o amigo, que sorri:
— Sim sim. Mas ver seus pais desaparecerem na minha frente, foi triste demais, até porque eu os considerava como meus pais também. Embora eu tenha muitas lembranças dos meus pais, os seus pais, eu diria que preencheram uma lacuna na minha vida. (E olha para o tio, que chora). Tio Tiago, você deve entender, não é?
— Claro que eu entendo. Afinal Marcelo, você e Thomaz cresceram juntos. Era natural que Mário e Isabel se preocupassem com você também. Eu apenas fiz o que tinha que fazer. Fiquei com a sua guarda após a partida dos seus pais -, lembra Tiago.
— Mas não significa que você não tenha importância na minha vida, tio. Você me criou, não foi? Sempre serei grato a isso, e sou grato por ter você como meu tio e padrinho. Muito do que sou, eu devo a você.
— Fico contente em ouvir isso, Marcelo. Você não sabe a alegria que transborda em mim agora por ouvir isso. (Tiago estende os braços). Venham aqui, meninos!
Os dois se aproximam e encostam a cabeça no peito de Tiago. Eles sentem um calor muito forte que acalma os jovens. “Que cosmo protetor,” pensa Marcelo. Com os dois jovens sob sua tutela, Tiago olha para o céu e faz uma promessa:
— Assim como Marcelo me foi confiado pelos seus pais, eu zelarei por Thomaz, a quem me foi entregue pelos meus queridos amigos de guerra. E como mentor desses meninos, é meu papel guia-los ao caminho da justiça e lutar pela paz na Terra. (Os semblantes dos pais de Thomaz aparecem no céu, sorrindo, como se tivessem ouvido as palavras de Tiago).
Thomaz se levanta e olha para Tiago, sorrindo:
— Professor Tiago, eu prometo seguir todos os seus ensinamentos para ser um grande cavaleiro e honrar a memória dos meus pais.
Tiago acena com a cabeça e lhe responde:
— Thomaz, a sua jornada acaba de começar. Ser um cavaleiro de Athena não basta apenas trajar armadura para seu próprio benefício. Além da armadura, que lhe serve como proteção, você precisa dominar a sua energia interior, o cosmo. E é com essa energia, é que você será capaz de superar os obstáculos que virão daqui pra frente.
— Entendo, responde o jovem, mas e quanto ao Marcelo? Ele é um cavaleiro também? Ou Marina? Berserker? Espectro?
Marcelo olha com cara de reprovação pro amigo.
— Aai, desculpa, Marcelo (Rosto todo sem graça). Eu não quis ofender, amigo. É que somente eu fui reconhecido como cavaleiro até agora, e o professor Tiago não comentou nada a seu respeito....
— Eu sei disso. Tanto é que eu estou esperando meu tio falar alguma coisa. Posso garantir de antemão que não sou um Espectro, até porque não pretendo fazer mal a alguém (olha com cara de reprovação pro Thomaz, que fica sem jeito).
— Ahahahha! – ri Tiago. Exatamente, Thomaz. O Marcelo não é um Espectro, posso garantir de antemão. Ele não tem ideais malignos dentro dele.
— É... (Thomaz olha todo sem jeito para Tiago). Pensando bem, como ele é seu sobrinho, de fato não teria como ele ser um guerreiro do mal. Afinal, o senhor o criou e o educou, professor?
— QUEM VOCÊ TÁ CHAMANDO DE SENHOR, MOLEQUE?? (grita Tiago, esbaforido, com cara de reprovação para Thomaz). Só porque sou 12 anos mais velho que vocês, não significa que eu seja tão velho assim!! Fique isso bem claro, entendeu?
— Tá, tá, tá... mil perdões, professor Tiago -, pede o menino, todo sem jeito.
— Bom, mas vamos ao que interessa. (E encara Marcelo). Marcelo, agora é a sua vez! Levanta!
Marcelo levanta, com tom de seriedade e um pouco de medo, pela voz do tio.
— Marcelo, você é um garoto esplêndido e tem uma cosmo-energia fantástica. Embora seus pais não fossem cavaleiros, o destino fez com que você acabasse se tornando um guerreiro. Talvez pelo seu laço de sangue comigo, mas como o destino é inexplicável, vamos considerar essa hipótese, por enquanto.
Marcelo fica surpreso com a fala do tio, e pergunta:
— Bom, e que tipo de guerreiro eu sou, tio?
— Marcelo, estou surpreso com o que pude perceber, ao analisar seu cosmo.
— E o que é, tio?, pergunta o jovem.
— Marcelo, você não é um cavaleiro, mas um Anjo.
— Tio, eu sei que sou um anjo, porque não dou trabalho pra você (ri o jovem).
Tiago bate na sua cabeça e o garoto grita de dor. Tiago chama sua atenção:
— Preste atenção, moleque. Isso não é brincadeira. Trabalho você me deu algumas vezes, não vou mentir, mas essa não é a questão. Quando eu disse que você é um Anjo, quer dizer que você é um guerreiro de Ártemis.
— Hã? Anjo? Guerreiro de Ártemis? – disse o jovem, surpreso.
— Exatamente. Até onde eu sei, existem 5 guerreiros anjos de Ártemis, mas somente 3 eu pude identificar: Odisseu, Ícaro e Teseu. E você Marcelo, vai herdar a Celestial de Odisseu.
— Puxa, que fantástico. Um guerreiro anjo!! Nossa, eu tô...
— Mas tem um porém.... (Marcelo segura o ânimo). Para que você possa realmente trajar a Celestial de Odisseu, é necessário um treinamento árduo para que ela te reconheça como digno de trajá-la.
— Tava bom demais pra ser verdade. Mas vamos lá, por onde começo o treinamento?
— Seu treinamento não é comigo, assim como o treinamento do Thomaz não será comigo.
— O quê? –, questionam os dois rapazes, encarando o professor.
— Cada um de vocês irá para um lugar exato para treinar. Thomaz, embora você tenha herdado a armadura de Argos, não significa que você ainda é reconhecido por ela. (Tiago emana um cosmo, e a armadura deixa o corpo de Thomaz e volta a sua forma normal).
— A armadura... deixou o meu corpo, mas por quê? Eu não entendo. Não foi a vontade dos meus pais que fez herdá-la, uma vez que ela carrega a força deles, professor?, questiona o rapaz.
— Sim, existe a vontade dos seus pais dentro da armadura, porém, é necessário que você, como cavaleiro recém despertado, passe por provas, para que a armadura não tenha dúvidas sobre o seu usuário. E se você falhar nas provas, a armadura descansará até aparecer outro guerreiro digno dela.
— O quê? – Thomaz fica espantado –. A armadura pode me rejeitar, mesmo ela carregando a força dos meus pais? Isso é impossível, professor. Eu exijo que ela me reconheça... – exclama o garoto.
— Thomaz, eu entendo a sua aflição e não tiro a sua razão. Porém, mesmo que a armadura tenha a força dos seus pais, isso significa que é a vontade dos seus pais que emana nela. A armadura tem vontade própria.
— Mas... isso é possível, tio?, questiona Marcelo.
— Sim, é possível, Marcelo. Embora os pais do Thomaz tenham sido cavaleiros pertencentes às constelações próximas a Argos, o barco, eles também passaram por treinamentos para adquirirem as suas armaduras.
— Entendi, tio. É como se fosse um requisito, como um campeonato. Quanto maior for o treinamento, mais recomendado você é para participar de um campeonato, certo?, comparou Marcelo.
— Exatamente. Thomaz, se você quer herdar a vontade da armadura de Argos, você terá que se submeter a treinamentos severos para que ela o reconheça como um cavaleiro. Eu não posso fazer nada, mesmo que eu tenha sido companheiro de seus pais.
Thomaz fica receoso e olha para a armadura e depois para Tiago.
— Entendo, professor. Então, se for da vontade da armadura, eu me submeto aos treinamentos para herdar a vontade dela, mesmo que seja um desejo dos meus pais. – disse com firmeza.
Tiago acena com a cabeça e diz:
— Muito bem. Mas antes disso, preciso te perguntar uma coisa, Thomaz, diz Tiago.
— Sim, pode perguntar.
— Thomaz, sei o quanto você era ligado a seus pais e o quanto você os amava até este dia.
— Não, professor. Eu continuo amando meus pais, mesmo que eles tenham partido diante dos meus olhos.
— Desculpe, não foi intenção minha de questionar seus sentimentos. Mas a pergunta que quero lhe fazer é: você quer vir morar com Marcelo e comigo? Afinal, a casa de vocês ficou enorme para uma pessoa só. Eu não gostaria de vê-lo se sentindo solitário, mesmo que a casa tenha memórias para você.
— Professor, eu preciso pensar com calma. Hoje foi um dia surpreendente pra mim e ainda não consegui assimilar tudo o que aconteceu. É tudo novidade pra mim, e certamente, estou confuso com muitas coisas.
— Entendo. Eu ficaria do mesmo jeito. Tenha o tempo que quiser para poder assimilar os fatos. Não vou insistir para que venha, até porque essa decisão cabe somente a você. Eu só recebi dos seus pais o dever de treiná-lo para ser um cavaleiro. Quero que leve isso em consideração também.
— Obrigado, professor!! Eu vou pra casa pensar com calma e lhe darei a resposta em alguns dias, mas posso adiantar que pretendo passar por qualquer treinamento para herdar a vontade da armadura de Argos. Enquanto isso, eu gostaria de ficar sozinho em casa (E sai da casa de Tiago).
— Mas Thomaz...., interfere Marcelo.
— Deixe-o ir, Marcelo! Ele precisa de um tempo para ele mesmo colocar a cabeça no lugar. Eu sei que ele está confuso com tudo que aconteceu, e ainda não aceitou a repentina partida de seus pais. É melhor deixarmos que ele tome a decisão que for cabível. Não vou insistir e muito menos farei objeção ao que ele me disser (E fica de costas).
— Tio....
— Marcelo, compreenda os sentimentos de seu amigo. Com você foi diferente... eu acabei tomando a responsabilidade de cuidar de você, após a morte de seus pais. Thomaz tem alguns parentes aqui por perto da ilha, mas pelo que sei, eles não mantêm contato. Tudo é novo pra ele, assim como pra você. E hoje foi uma troca... você o consolou com a perda dos pais... e ele fez o mesmo com você quando seus pais se foram, lembra?
— É... como posso esquecer do único amigo que esteve ao meu lado, após a partida deles? E vir ficar com você foi a melhor coisa que podia ter me acontecido, tio. Sou muito grato a você, por tudo. É melhor mesmo que o Thomaz tenha um tempo para poder digerir tudo isso. Mas eu me preocupo com ele, tio....
— Sim, eu compreendo. Mas seja lá qual for a decisão dele, estaremos de acordo. Enquanto isso, a armadura de Argos irá para o seu devido lugar, esperando por ele. (Tiago emana seu cosmo, a armadura vai para dentro de uma caixa e desaparece diante dos dois).
— Para onde ela foi, tio?, pergunta Marcelo.
— Ela foi mandada para o local de treinamento do Thomaz. Já que ele decidiu treinar para herdar a vontade da armadura, é natural que ela o aguarde no local onde ele será mandado. Quando ele decidir que quer treinar, eu direi para onde ele deve ir.
— Entendo. Mas, e quanto a mim? Se não é você quem vai me treinar, quem vai me treinar? E pra onde eu vou?, pergunta o jovem, lembrando da conversa inicial.
— Como você é um guerreiro de Ártemis, ou Diana, como ela é chamada na mitologia Romana, você irá para Roma, na Itália. Seu mentor será uma mulher, a quem tenho muito respeito.
— Uma mulher? Uma Amazona, então. (Tiago acena, confirmando). E quem é essa Amazona, tio?
— Seu nome é Hécate, Amazona de Prata de Cervo.
— Que legal! Mas por que cervo?, pergunta curioso
— Cervo é um dos animais que é representado junto à Ártemis em algumas narrativas e estátuas.
— Interessante. Eu não sabia que animais podiam estar ligados a deuses.
— Digamos que os animais são também representações dos deuses. Quando eles não querem que os humanos sintam a sua presença, eles se transformavam em animais.
— Que legal... agora vejo que Mitologia é um campo que pretendo estudar mais a fundo. Não vejo a hora de ir treinar. E como é a Hécate, tio? Ela é bonita? Segundo dizem as narrativas, as amazonas eram mulheres bonitas. Creio que ela não deva ser diferente (risos).
— Infelizmente, eu nunca cheguei a ver seu rosto.
— Não? Por que?
— As Amazonas são guerreiras que lutam em combate e em pé de igualdade com os homens. E mesmo que elas tenham grande aptidão para o combate, elas devem abrir mão de sua feminilidade, usando uma máscara que cobre o seu rosto. É uma condição para ser uma mulher-cavaleiro, imposta desde os tempos mitológicos.
— Mas não existem Amazonas que vivem sem a máscara? Não há alguma exceção? Alguma guerreira em particular? Isso soa como certa ditadura pra mim. Eu, mesmo sendo homem, sei que as mulheres sofreram muito até terem o seu devido espaço. Mas privar o seu rosto, para que possam ter o direito ao combate? Deve ser triste para elas, não acha?
— Eu concordo plenamente com você, Marcelo, mas infelizmente, essa regra da máscara quem impôs foi a própria Athena, ao montar seu exército de Cavaleiros. Se você reparar em algumas estátuas de Athena, verá que ela sempre está com um elmo na cabeça, o que a faz parecer um homem.
— Mas tio, se as Amazonas são mulheres, elas vão apresentar características femininas, como, por exemplo, os seios.
— Sim sim, Marcelo, porém mesmo ela tendo esse atributo feminino, ela vai agir estrategicamente como um homem em combate. Não que as mulheres não sejam grandes estrategistas de combate, longe de mim esse pensamento. Athena e Ártemis são exemplos próprios disso. Athena é a deusa da guerra e das estratégias bélicas, enquanto Ártemis é a deusa da caça, que também sabe criar estratagemas para capturar a sua presa. Mas a máscara é uma condição imposta pelas duas deusas para aquelas que querem ser suas guerreiras.... mas eu espero que esse legado tenha o seu fim.
— Mas, suponhamos que uma Amazona opte por não usar a máscara. O que pode acontecer?
— Se uma Amazona é vista sem a máscara por um homem, ela tem duas opções: ou mata esse homem por ter visto seu rosto, ou ela irá amar esse homem, abandonando o legado de guerreira.
— Mas isso é inconcebível, tio....
— Pois é, eu também não concordo com isso, mas se são regras divinas, não podemos contestar isso. Mas eu espero que essa regra da máscara cesse algum dia. As máscaras permitem uma boa visualização do espaço que a guerreira está, como a também priva de inalar venenos poderosos. Assim como a armadura, a máscara da Amazona é uma proteção também.
— Entendo. Mas fala da minha mentora...
— Só posso garantir que você preste bastante atenção ao que ela te disser. Por ser uma amazona, ela sabe como atuar em combate. Hécate certamente dará todo o suporte possível para você atuar nas batalhas, e, vou avisando, ela é bem mais exigente do que eu!
— O quêêêêê? Existe alguém mais exigente do que você?? Caraca... que destino cruel o meu – Marcelo abaixa a cabeça, desapontado, e Tiago ri da expressão do sobrinho.
— Você é malvado, tio – resmunga o garoto.
— Eu? Reclama com o destino, moleque!! Não fui eu quem tracei seu destino de guerreiro de Ártemis. Mas vai por mim, você irá aprender muito Hécate, por bem ou por mal –, avisa o tio.
— Tá. Mas agora... me responda uma coisa, tio.
— O que é?
— Você disse que é um deus. Fiquei curioso em saber qual divindade você representa.
— Eu achei que isso ia passar despercebido, mas vejo que você prestou bastante atenção, quando teleportei nós três da academia.
— Aprendi com você.
— Ironia, Marcelo? (Encara o tio).
— Nada, tio, imagina. Não me olha com essa cara!! Não falei nada demais, falei?, responde o jovem, com cara meio assustada...
— Não, você aprendeu direito comigo. Sinal de que deixou de ser um estabanado quando veio morar comigo.
— Ora, seu....– bufava o Marcelo.
— Seu o quê? Pode falar, Marcelo. Sou todos ouvidos.
— Nada, não, tio... mas vamos parar com essa história.... qual deus você representa?
— Muito bem. Mantenha seus olhos bem abertos, pois você verá o semblante do deus que carrego comigo.
Tiago começa a emanar um cosmo brilhante. De repente, a casa fica tomada por uma aura branca e azul, oscilando entre os diversos tons de azul, como se fosse o mar. Marcelo fica apavorado com aquela energia sinistra emanando do seu tio, e pouco a pouco ela toma uma forma humana atrás do seu tio. Marcelo diz:
— Hã?? Tio... essa energia.... ela está muito mais forte do que as outras vezes.... Aah!! (Marcelo fica com os olhos arregalados com a forma que a aura tomou atrás do tio) você representa.... o deus dos mares... POSEIDON?!

A aura desaparece.
— Isso mesmo. Eu sou a reencarnação de Poseidon nesta era, Marcelo.
— (Marcelo recobra a consciência, após tamanho fascínio pela imponência de Poseidon) Mas tio, se Poseidon é inimigo de Atena e filho de Cronos, como que....?
Tiago responde:
— Marcelo, desde tempos mitológicos Athena e Poseidon têm travado inúmeras batalhas, porém como as circunstâncias agora são outras, Poseidon decidiu ser um aliado nesta Guerra. As diferenças foram deixadas de lado, e Cronos, por ser seu pai, é um inimigo a se temer e ter cautela.
— Mas Poseidon, Zeus e Hades conseguiram acabar com a ambição do pai, lembra o jovem.
— Sim, porém Zeus e Hades ainda não reencarnaram... isto é um problema, porque não sabemos se Cronos está com suas almas. Os três irmãos precisam estar unidos para esta guerra, pois mesmo Zeus, na hora da batalha com o pai, teve que se recuperar, pois não foi uma batalha fácil.
— Entendo, mas e agora, o que vamos fazer?, pergunta Marcelo.
— O jeito é esperarmos que os dois irmãos reencarnem nesta era e lutem contra o próprio pai. Infelizmente, eu não fui capaz de sentir a presença deles aqui... eu só espero que suas almas não tenham sido seladas por Cronos.
Em uma galáxia distante, Zeta chama por Cristal, desesperada:
— CRISTAL!! CRISTAL!!! Cadê você?, grita a jovem.
Cristal aparece:
— Diga, Zeta, o que aconteceu? É algo referente às pedras das 7 bestas?
— Não, é muito pior! As pedras logo irão se manifestar perante seus futuros guerreiros, porém não são elas que me preocupam. As pedras vermelha e branca caíram no Japão. As pedras azul, rosa e preto caíram na América do Sul, enquanto a verde foi pra China e a amarela foi pra África.
— Bom, se não são as pedras, o que é te preocupa tanto?
— Eu senti uma aura forte, porém não era agressiva, como a de Cronos. Será que devemos nos preocupar?, pergunta a moça.
— Eu também senti essa aura. É de Poseidon, o deus dos mares, filho de Cronos.
— Ai minha nossa!! E agora, Cristal?? Se Poseidon é filho de Cronos, certamente ele vai auxiliar o pai pelo domínio da Galáxia, né?, pergunta de novo.
— Pode ser que Poseidon seja um deus também a ser temido, mas como você disse que a aura dele não era agressiva, certamente podemos ter a possibilidade de um aliado nessa Guerra, comenta Cristal.
— Eu tenho minhas desconfianças perante ele, Cristal. Nós sabemos que desde eras, ele tem causado problemas para a humanidade...
— Sim, concordo com você, porém, eu não acho que Poseidon reencarnou agora para ser aliado do pai. Teremos que esperar o momento em que ele despertar completamente. Por enquanto, ele está adormecido no corpo de um jovem professor -, comenta Cristal.
— Sim, além da aura dele, pude sentir mais duas energias fortes próximas a ele, e não são energias maléficas. Uma pertence a um guerreiro anjo de Ártemis, e a outra é de um cavaleiro de Athena, porém nenhuma das duas deusas se manifestou até agora, repara Zeta.
— É... eu achei estranho elas não aparecerem após seus guerreiros começarem a se manifestar. Me questiono se suas almas estão seladas, ou se elas estão se guardando para aparecer na hora exata da guerra contra Cronos... – enfatiza Cristal.
— Tem essa possibilidade, né? O jeito é a gente esperar que elas despertem, assim como os guerreiros das 7 bestas. Acredito que logo em breve, as bestas irão se manifestar, para nossa calmaria.
— Sim, só espero que elas não demorem muito para despertar. Como nós sabemos, elas podem exercer um papel significativo nesta Guerra – lembra Cristal –.
— Sim, vamos torcer para que elas despertem logo. (Zeta olha em uma tela, e observa brilhos correspondentes às cores das sete bestas e fica surpresa, assim como Cristal).
— Então, as bestas já deram sinal de sua possível manifestação. Agora, é esperar que um possível guerreiro ou guerreira seja escolhido e testado, comenta Cristal, olhando para a Terra através de uma tela.
— Por favor, sete bestas, ajudem a zelar pela paz na Terra, diz Zeta, juntando suas mãos em sinal de oração.
De volta à ilha de SC, Cronos sente a presença e fica pasmo:
— O quê? Um cavaleiro de Athena e um guerreiro de Ártemis despertaram? E mais ainda, Poseidon, meu filho, o deus dos mares? Como é possível que Poseidon tenha manifestado seu poder? Será que o selo de Athena perdeu o efeito? Não... não pode ser... Não faz muito tempo que ele travou uma batalha com ela no Templo do Mar, comenta Cronos, reticente.
— Senhor Cronos, aconteceu alguma coisa?, pergunta Sergio.
— Sim Sergio. Alguns guerreiros começaram a se manifestar, para impedir os meus anseios, responde Cronos. Devemos partir o mais rápido possível para Alemanha
— Senhor Cronos, agora pouco o senhor menciona Poseidon, seu filho e deus dos mares. Ele é uma ameaça para o senhor, que detém tamanho poder?, questiona Sergio.
— Sim. E pelo visto, não demorará muito para que meus outros filhos renasçam. E se eu estiver certo, Hades estará ao meu lado, para dar um fim em seu irmão. Ele não teria porque renascer e me confrontar..., comenta o deus.
— Compreendo. Mas ainda tem Zeus e outros Olimpianos, lembra Sergio.
— Vamos. Perdemos tempo demais aqui! Não posso esperar mais tempo, irei usar meu cosmo para nos teleportarmos para Alemanha, mesmo que isso indique a minha presença para os demais.
Os dois desaparecem. Tiago sente a presença de Cronos se esvaindo e se preocupa. Ele encara o céu e repara uma luz diferente das estrelas e pensa: “Cronos sentiu a minha presença, como também dos meninos e começou a agir. Devo procurar os demais cavaleiros e guerreiros para essa batalha o mais rápido possível. Meus Marinas também não despertaram... aonde será que estão suas almas? E aquelas três luzes... ainda não sei nada sobre seu paradeiro... e isso me incomoda. Tenho que agilizar os meninos para o seu treinamento”.
De repente, Tiago escuta uma batida na porta da sala e se dirige até ela. A batida está cada vez mais forte. Tiago puxa a maçaneta, abre a porta lentamente e se depara com Thomaz. O garoto fala com professor:
— Professor, aquela presença que senti agora pouco.... era de Cronos?, pergunta o jovem
— Sim, Thomaz, era ele. Assim que ele percebeu nossos cosmos, ele começou a agir. Mas o que você está fazendo aqui?, pergunta o professor.
— Eu me decidi, professor, responde o jovem com firmeza. Irei morar aqui com você e o Marcelo. Sei que meus pais partiram há pouco tempo, e eu não posso ficar parado em casa, sem fazer nada.
Tiago questiona o jovem:
— Então, você decidiu aceitar a minha proposta?, lembra o professor.
— Sim. E por favor, como meu mentor, me indique o caminho a ser seguido para essa batalha. (O garoto chora). Por meus pais, que também lutaram nas outras batalhas junto com você. Eu aceito a sua proposta, professor.
— Thomaz...fico feliz em ouvir, e tenho certeza que seus pais também ficariam contentes em ouvir isso de você. Vamos, entre, por favor. Marcelo dormiu agora pouco. Vamos esperar ele acordar, pois tenho muito mais o que conversar com vocês, avisa o professor.
O jovem acena com a cabeça e entra na casa. Enquanto isso, na Grécia, em um dos montes mais altos, cercado por uma barreira de luz, vemos uma construção cercada de 12 casas, todas construídas no estilo arquitetônico grego. Este lugar é chamado de Santuário, onde vivem os 12 cavaleiros mais fortes das constelações zodiacais, que correspondem ao nosso horóscopo ocidental. No final da última casa, a casa de Peixes, existe um templo, o chamado “Salão do Grande Mestre”, guardado pelo representante de Athena na Terra, enquanto ela ainda não reencarna.
E por fim, atrás do Salão, vemos um templo com uma estátua de Athena dentro dele. É o templo da deusa, que sempre está orando pela paz na Terra e atenta às novas ameaças que circundam o nosso planeta, porém... Athena ainda não reencarnou nesta era. A mão direita da sua estátua carrega uma mulher, com asas angelicais: é a deusa Nike, a deusa que sempre consagra a vitória à Athena nas batalhas. Na sua mão esquerda está o seu escudo, com o reflexo da górgona Medusa cravado nele. Próximo ao escudo, existe uma serpente, que é um símbolo sagrado do Santuário e também da própria deusa.
Porém, a serpente no templo de Athena traz muitos mistérios... segundo aqueles que conseguiram adentrar o Santuário, supõe-se que a serpente represente duas coisas: um possível filho de Athena, ou uma mensageira do cavaleiro de Serpentário que desapareceu nas últimas guerras. A serpente pode significar um bom ou mal presságio, dependendo das circunstâncias. Voltemos à sala do Mestre, onde vemos um homem sentado em um trono, com uma veste cobrindo seu corpo e uma máscara prata, tampando seu rosto. Seus cabelos são compridos e pretos, como a noite. Ninguém nunca viu seu rosto e ninguém sabe a sua identidade.
As portas se abrem e vemos uma sombra indo em direção ao Mestre. Ele reconhece o paradeiro da sombra e saúda aquele que chega em seu templo:
— Mas que bela surpresa! Eu não esperava vê-la assim de imediato, Amazona de Ouro da constelação de Áries, Raki. – diz o Mestre em tom sereno.
— Mestre, eu vim porque preciso de uma audiência com Vossa Excelência, diz a jovem.
— Sim. Acho que até sei do que se trata. – respondeu o Mestre.
— Nos últimos dias, eu e os demais cavaleiros temos sentido a presença de dois cosmos fortes e dois cosmos razoáveis. Peço a sua permissão para investigar estes cosmos, pois eles podem se tornar uma ameaça para o Santuário..., comenta a jovem.
— Raki, não se preocupe. – diz o Mestre.
— Não? Mas Vossa Excelência....
— Raki, estes cosmos que sentimos aqui no Santuário são de Poseidon e de Cronos.
— Aah! – espantada – Poseidon? Cronos? Mas como Poseidon pode ter revivido?
—Infelizmente, isso é algo que eu não sei responder (Na verdade, eu sei, mas não posso revelar o porquê, mentaliza o mestre). Agora o selo que prendia a alma de Cronos perdeu seu efeito e ele se libertou. Devemos nos preparar!! Cronos começou a agir! Muito em breve, ele reerguerá Saturno, o seu templo!
— Minha nossa!! Então, a situação é mais grave do que eu pensava! – comenta a jovem –. Mestre, por favor, me dê permissão para investigar Poseidon e Cronos, pede a jovem.
— Autorizo você investigar Poseidon, primeiramente. E peço que leve um Cavaleiro junto com você. Escolha quem quiser. Cronos ainda está fraco, e não pode manifestar muito o seu poder, pois poderia desgastá-lo.
— Mas essa é a chance exata para podermos acabar com ele, Excelência – responde a jovem.
— Embora seu cosmo esteja fraco, Cronos é muito cauteloso. Nem sequer vocês, os Cavaleiros de Ouro, que são da mais alta patente de Athena, são páreo para ele. E mesmo que vocês juntem forças com os cavaleiros de prata e bronze, não seriam capazes de fazer um simples arranhão nele.
— Entendo.
— Raki, vá investigar Poseidon! Sua alma está em Florianópolis, em Santa Catarina, no Brasil! Não será difícil de perceber o seu cosmo. E certamente, Poseidon deve estar tramando alguma coisa. Não podemos permitir que ele junte forças com Cronos.
— Sim, senhor. Partirei imediatamente. Já sei quem irei chamar para ir comigo nessa missão. Com sua licença! – E sai.
“Poseidon não é um inimigo, por agora. Mas é bom que fiquemos à espreita para saber o que ele está planejando. Certamente, ele deve ter sentido o cosmo de Cronos e está preparando alguma coisa. Mas uma coisa me incomoda.... por que o deus do mar foi reencarnar justo nele? Meu amado Tiago... por favor, não se permita ser controlado por Poseidon”.
Uma voz feminina sonda o Mestre:
— Não se preocupe, grande Mestre. Tenho certeza que Tiago, quero dizer, Poseidon, estará conosco nesta batalha. Não há motivo para preocupação. – disse a voz.
— Então você foi capaz de ouvir meus pensamentos, não é? – comenta o Mestre –. Sabe os meus sentimentos por Tiago, e sabe o quanto me incomoda ele ser portador de Poseidon....
— Sim, é compreensível. Mas deve haver algum motivo para Poseidon estar hospedado nele. Eu acredito que Poseidon não se tornará um inimigo e muito menos Tiago seria capaz de levantar a mão contra você, disse a voz...
– Espero que esteja certa. Mas enquanto eu não souber o que está acontecendo, eu não vou me acalmar. Antes de mais nada, eu sou o Mestre do Santuário, e é meu dever estar à frente dos deuses....
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