Sagira

24 Capítulo 24 - Não se apaixonarás por uma vida


Notas iniciais
NON NON NON Eu não desisti! Se tiver algum errinho, por favor, me digam pra eu corrigir! Estou atualizando todas as minhas fics hoje hehehe. Espero que gostem! Beijos

Cronos me mantém fechada o resto do dia embora tenha dito que eu poderia sair do quarto.

A luz do sol não entra mais pelas barras de metal e eu estou sentada na cama, tendo desistido de chutar a porta e rosnar.

É em vão lutar e eu tenho plena consciência disso.

Mas ficar enjaulada não é meu hobby e meus instintos não são a favor disso.

A porta se abre e cada nervo do meu corpo se contrai.

— Não seja tímida — Cronos sorri.

Arrisco encará-lo.

Ele veste terno feito sob medida e seus olhos dourados observam cada movimento meu.

Reparo que logo atrás do titã há um carrinho igual aos de restaurante.

Sinto o cheiro de carne mal passada e meu estômago ronca, mas não me movo um centímetro.

Cronos alarga o sorriso e leva o carrinho até a mim.

Ele se senta ao meu lado e luto contra o instinto de atacá-lo, sabendo que isso seria insensato.

Além disso meu corpo está pesado.

É engraçado como as pessoas falam dele como se fosse uma criatura feia e de fato ele deveria (ou deve) ser.

Mas o semideus, que aos poucos morre enquanto hospeda o titã, é lindo.

— Você deve ter percebido que não me resta muito tempo neste corpo — ele cutuca o próprio peito — que pena.

Olho para frente.

Tento ignorar o fio fraco de vida do semideus, mas ele é chamativo demais para mim.

O tempo que passei com Tanatos me fez aprender sobre os detalhes da morte.

Encaro o desenho do papel de parede dourado.

São lanças negras e hipnóticas.

Pisco.

Não é hora de ficar apenas parada ouvindo Cronos e sentindo pena do meio-sangue hospedeiro.

Sei que nada que ele diga me ajudará a sair daqui, tampouco conseguirei persuadi-lo a algo ou salvar a vida do garoto.

Meus pensamentos se rebelam contra mim, indo até Tanatos e sinto um aperto no peito.

Se ele vier, nunca o perdoarei.

Percebo que Cronos me observa em silêncio, de pé ao meu lado e com as mãos nos bolsos.

Sinto seu poder opressor já não ter tanta influência sobre mim.

Ele faz de propósito, tentando ganhar minha simpatia.

— Gosto da sua resistência — ele toca meu rosto de leve — é mais sedutora do que quando gritam por socorro.

Não me retraio.

— Tanatos logo virá, mas lamento por ele já que você continua nos meus planos — ele sorri.

Afasto sua mão com um tapa, mas não lhe dirijo o olhar.

— Ele não virá — rosno.

Cronos fica diante de mim, com a expressão de alguém extremamente curioso.

— Você realmente acha que a maldição te persegue? — ele pergunta, divertido.

Franzo o cenho.

Sei que não devo ouvir uma palavra do que ele diz.

Não devo confiar.

Mas a curiosidade fala mais alto.

— Sagira — ele vira a cabeça de lado e sorri — a maldição que deveria te impedir de se apaixonar já foi quebrada a muito tempo…

Meu coração bate rápido.

Minha confiança desaba.

Durante tanto tempo apostei na maldição, dizendo a mim mesma que não podia me apaixonar, então estava tudo bem a proximidade entre Tanatos e eu.

Entre Hórus e eu.

Entre Eros e eu.

Agarro o lençol negro da cama e Cronos afaga minha cabeça.

— A maldição foi quebrada no momento em que conheceu Tanatos — ele diz, parecendo solidário — você jamais poderia se apaixonar uma vida, lembra? Acontece que seu querido deus é a própria morte.

Desvio o olhar.

— Vou te deixar sozinha por um momento — ele diz e aponta para o carrinho com o queixo — sirva-se a vontade, deixo avisado que ainda hoje voltarei.

Não levanto o olhar quando o titã sai do quarto.

Suas intenções são claras: me deixar confusa.

Mas sei que ele não mente.

Não no momento.

Não há necessidade: a verdade é o suficiente para me confundir agora.

Ainda mais quando estou presa com meus próprios pensamentos, longe de qualquer lugar que eu possa chamar de CASA.