Sagira

21 Capítulo 21 - O tempo não para


Notas iniciais
VOLTEI! Obrigada àqueles que continuaram lendo, pedindo por mais e me dando força pra voltar aqui. Não sei com que frequencia vou postar, mas garanto que vou e esforçar. E dessa vez, pra valer!

Naturalmente, Eros continua me visitando.

Como agora.

Engulo em seco e tento desvencilhar minha mão da sua.

Perséfone e Tanatos estão contrastando um com o outro.

A deusa está radiante de felicidade, enquanto o alado exala morte e maldições enquanto olha para nossas mãos entrelaçadas.

Sinto uma agulhada na minha cabeça.

Solto minha mão da de Eros.

A agulhada fica mais forte e acabo caindo da cadeira.

Zumbido.

A sala gira.

Ouço vozes me chamando, mas está tudo turvo.

— Sagira! — a voz grave e rouca de Tanatos me traz de volta.

Arregalo os olhos e sou levantada por ele com cuidado.

Tanatos ignora o chamado de Eros e Perséfone e me leva para o meu quarto.

— Eu estou bem, eu posso andar — reclamo.

Ele me deposita sobre a cama e me olha de cima, com os olhos dourados mascarando a preocupação que sei que sente devido ao nosso elo.

Hades entra no quarto.

Ele está tranquilo demais para um pai que acabou de ver a filha cair no chão feito fruta podre.

— Tenho uma missão pra você — ele diz.

— Sim, senhor? — Tanatos responde.

— Não você — meu pai franze o cenho — para Sagira.

Pisco, confusa.

Não achei que me deixariam sair tão cedo.

— Passe um tempo no mundo humano — ele diz, autoritário — eu enviarei alguém para buscá-la e saberá o que fazer na hora certa.

Espero pelo momento em que ele me dirá mais.

Mas o momento não vem.

— É só isso? — pergunto, cética.

Hades sai do quarto sem me responder.

É estranho.

Sua aura habitual não está presente.

Ele é agora o Hades misterioso que eu não conheço, rei do submundo.

Não só meu pai.

Suspirei e me levantei.

— Suponho que tenhamos de ir agora — digo, olhando para Tanatos.

Ele me fita com seus olhos dourados por alguns segundos e sai também.

Qual o problema com esses homens?

Pego uma mala pequena e abro meu closet.

Me deparo com a kopesh de cristal e punho de ferro estígio.

Franzo o cenho.

Eu não a trouxe comigo, então como parou aqui?

Resolvo não contar isso a papai.

Coloco a kopesh na mala e algumas roupas por cima, escondendo a arma estrategicamente.

Tanatos chega no exato momento em que a termino de fechar e dou um sorriso nada discreto.

É bem óbvio que estou escondendo algo, além disso ele pode ler minhas emoções.

— Vamos — ele diz e sai.

Eu o sigo.

Vamos até a sala de estar.

Eros e Perséfone estão sentados, discutindo seriamente sobre algo.

Me despeço de ambos com um aceno de cabeça e me surpreendo quando Tanatos agarra minha cintura com força.

Seus olhos prateados olham para cima e um buraco negro surge no teto.

Só tenho tempo de me agarrar em seu pescoço e segurar a mala de rodinhas com força.

Somos sugados pelo buraco.

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Vomito todo o nada que meu estômago ingeriu no café da manhã.

Me levanto e encaro Tanatos, irritada.

Ele não se importa.

Apenas passa a mão na minha preciosa Harley Davidson Street 750 e sobe nela.

— Ei! Ela é minha — fuzilo Tanatos com o olhar.

— Sobe na porra da moto, Sagira — ele diz, com voz cansada.

Suspiro e obedeço.

Ele dá partida, ouvindo o ronco do motor.

Acelera e corremos.

Reconheço a cidade em que estamos, mesmo que esteja passando em borrões.

Manhattan.

O prédio verde familiar faz com que eu me sinta mais relaxada.

Tanatos entra no prédio e estaciona no subsolo.

Ele pega minha mão e eu já sei o que fazer.

Viajo.

Encaro o número 2209 e aperto a campainha.

Chloe abre a porta sem demorar, como sempre.

Seus gatos se esfregam em suas pernas e a boca da semideusa se abre num “o”.

Sou agarrada num abraço.

— Não pensei que voltaria tão cedo! — ela comenta — entrem!

Tanatos passa na frente.

Ele está sendo um idiota e tanto.

Não estou gostando disso.

— Será que você poderia ter o mínimo de sensibilidade? — pergunto, cruzando os braços e encarando o alado.

Ele se vira para mim com o cenho franzido.

— Desculpe? — se faz de desentendido.

— Chloe é sua filha — rosno — da primeira vez que a vê você faz um interrogatório sobre mim e agora sequer vai cumprimentá-la?

Ele suaviza o olhar.

Encara Chloe, que está abraçada a um gato preto.

— Olá, Chloe — diz o alado — já faz um tempo.

Ela lhe cumprimenta de volta com um aceno de cabeça.

— Ótimo — eu digo e fecho a porta do apartamento — que linda reunião familiar.

— Aposto que você gostou da sua — Tanatos diz, sarcástico.

— Ah, eu gostei sim — confesso — aproveitei cada momento com meu irmão.

— Eu imagino que com Hórus também — ele sorri.

Sinto uma facada em meu estômago.

— O que você está insinuando? — pergunto, já sabendo.

— Nada — ele dá de ombros — você é noiva, uma moça comprometida.

— Vá pro inferno — caminho até ele e paro em sua frente.

Eu preciso olhar pra cima para olhá-lo nos olhos e isso me irrita.

Ele sabe disso.

Tanatos cruza os braços.

— Eu durmo no inferno — ele sorri.

Soco seu rosto perfeito.

— Você é idiota? — pergunto, indignada — eu não desejo estar brigada com você como estamos desde que voltei, então por que não me diz o motivo de toda esse drama?

Ele franze o cenho e suspira.

— Esqueça — diz — não há drama.

Assinto.

Ele não vai admitir.

Sinto ele se esquivando de nosso elo psíquico para que eu não descubra qual é o problema.

— Okay — respondo.

Me sento ao lado de Chloe.

Ela assiste a tudo pacientemente, sem interromper ou fazer perguntas.

Ou pelo menos foi o que pensei.

— Você está noiva? — ela pergunta sorrindo e belisca minha coxa à mostra devido ao short que uso.

— É um noivado arranjado — reviro os olhos — e ele é um idiota.

— Quem? — pergunta, curiosa.

Tanatos faz o favor de responder.

— Eros — ele diz com sarcasmo na voz — o deus do amor.

— É por isso que está zangado? — pergunto, achando engraçado — porque estou noiva?

— Por que eu estaria zangado com o seu noivado? — ele debocha.

Mas vejo a olhada furtiva que ele dá para o meu anel.

Estendo a mão em sua direção e Tanatos desvia, como se o ane fosse algum animal perigoso.

— É só um anel, Tanatos — digo, suspirando — eu vou dar um jeito de acabar com essa ideia maluca de Perséfone.

— Faça o que bem entender — ele desdenha e se tranca no quarto de Chloe.

Suspiro de novo.

— Tá de brincadeira com a minha cara, Sagira? — Chloe franze o cenho.

— O quê? — pergunto — ele começou.

— É sério que não entende a situação? — ela se levanta — nenhum de vocês dois perceberam o motivo dessa briga infantil?

Arqueio a sobrancelha.

— Não sou eu quem vai dizer — ela ri — se resolvam sozinhos.

Chloe vai em direção à cozinha com as mãos erguidas em bandeira branca.

— Mas e aí? Como Eros é? — pergunta, curiosa.

Dou de ombros.

— Bonito, mas um idiota — respondo somente.

Chloe revira os olhos e me joga um pacote de morangos.

Eu amo morangos.

Ela se lembra.

Sorrio e abro o pacote.

— Loiro, com asas coloridas, mas não tão grandes quanto as de Tanatos… — eu digo e penso em mais algo.

— Por que está comparando Eros à Tanatos? — Chloe pergunta, rindo.

— Porque ambos tem asas — digo, jogando o talo de um morango na semideusa.

— Aham — ela diz — algo mais sobre o misterioso cupido?

— Ele é sádico — digo e me sento na cadeira da mesa — usa uma linguagem antiquada e isso me dá nos nervos, pensa que é irresistível.

— Ele não é? — Chloe franze o cenho.

— Não pra mim — confesso — mas vejo muitas garotas se jogando aos pés dele.

Chloe gargalha.

— Ah, Sagira… — ela suspira — eu senti sua falta.

— Confesso que me lembrei de você poucas vezes, mas também senti — digo.

Ela assente.

— Sempre gostei da sua sinceridade — diz Chloe e rouba um morango de mim.

Chloe pega algumas panelas e coloca macarrão para cozinhar.

Sua especialidade.

— E então? — ela pergunta — o que traz os dois briguentos aqui?

— Não pergunte se não quer a resposta, Chloe — a voz de Tanatos me faz pular.

Continuo comendo meus morangos.

Nem eu sei o motivo de estar aqui e ainda que soubesse, Tanatos tem razão.

É melhor Chloe saber o mínimo possível.

— Tudo bem se não estiverem dispostos a falar — Chloe diz — mas eu tenho algo que vocês vão querer saber.

Franzo o cenho.

Tanatos junta as asas e se senta ao meu lado, tendo o cuidado de manter distância.

Isso me magoa um pouco.

— Eu sei que posso dormir e ter sonhos como qualquer mortal — a semideusa começa — mas também sei que posso ter visões por ser filha de um deus.

Assinto.

— Eu estou tendo uma visão — ela diz — e não me diga que pode ser só um sonho porque céus, eu me machuco no sonho e acordo sangrando.

Tanatos e eu nos entreolhamos e esperamos ela terminar de falar.

— Um homem de olhos dourados olha pra mim, ele quer você, Sagira — Chloe engole em seco — e não são os olhos de Tanatos.

— Como exatamente esse homem se parece? — o alado pergunta.

— Eu não sei, é sempre escuro — ela pisca, pensando — ele é bronzeado, tem uma tatuagem no pescoço e sempre que eu vou correr…

— O tempo para — Tanatos completa.

Ele fecha os olhos e respira fundo por alguns segundos.

— Não pode ser Cronos — eu dou uma risada tranquila — ele está longe de conseguir se reerguer.

Tanatos me encara, pensativo.

— Qual é a sua especialidade, Sagira? — ele pergunta.

Franzo o cenho, confusa.

— Caçar — respondo — a especialidade de um lobo é caçar.

O alado soca a mesa e Chloe pula, assustada.

— Ele precisa de você — Tanatos passa a mão no rosto, suando frio — ele precisa da sua habilidade de caça pra procurar seus pedaços espalhados.

— E por que ele acha que eu ajudaria? — pergunto, dando de ombros.

— Cronos sabe ser bem convincente quando quer — Chloe sussurra.

— O que disse? — Tanatos se vira bruscamente para a semideusa.

Ela chora.

— Ah meu deus, Sagira — ela coloca a mão no rosto — o que eu fiz?

— Do que está falando, Chloe? — pergunto, indo até ela.

— Ele me disse que podia te ajudar, eu não sabia quem ele era — ela se desespera — ele disse que se eu te encontrasse e contasse o sonho… que só com isso eu poderia ser imortal, pra ficar com você.

— E você acreditou numa oferta duvidosa dessa — Tanatos sibila e puxa Chloe pelo braço.

— Tanatos, ela é sua filha! — digo e o empurro.

— Ele disse mais algo sobre o que pretendia fazer? — o alado pergunta, me ignorando.

Chloe balança a cabeça, em negação.

— Eu não sei — ela chora — mas ainda tenho as visões quando durmo, eu posso conseguir algo.

Tanatos a solta.

— É bom que consiga — ele grunhe — antes que termine como a sua mãe.

Chloe se agacha no chão da cozinha e chora compulsivamente.

Abraço a garota, mesmo que eu não entenda o que Tanatos quis dizer com aquilo.

— Não é sua culpa — eu digo, com firmeza na voz.

A semideusa me olha com o rosto molhado.

— Eu não sei o que ele ganha com eu lhe contando a visão, Sagira — ela diz, amargurada — mas lhe garanto que se fazia parte do plano de Cronos, a culpa de tudo que der errado daqui pra frente é minha sim.

Notas finais
Que ator vocês podem dizer que parece Tanatos? E Sagira?