Lana era basicamente o motivo principal de todos os problemas envolvendo vida e morte de Gabrielle Travien. Enquanto estava deitada na cama, Gabbe se sentia observada, em perigo constante. Era provável que outros seres como Lana a perseguissem também, mas algo não queria que sua vida fosse levada, algo misterioso a protegia sempre na hora H, era tão surreal e intenso... No fundo Gabbe tinha uma crença infalível, Johnny Collin era quem a protegia, só poderia ser ele, mas por quê? O que ela tinha que ele tanto queria proteger? A coleção de dúvidas transbordava.

– Boa noite Gabbe, durma com os anjos minha querida. – a mãe de Gabrielle beijava a testa dela toda noite. Apagando as luzes, ela fechou a porta devagar.

– Boa noite mãe. – murmurou Gabbe.

– Boa noite minha pequena. – Uma voz surgiu de dentro do escuro. – Se Lembra de mim? –

– LANA?- Gabbe quase gritou, mas algo abafou o som de sua boca desesperada.

– Shhh! Se tem uma coisa que eu detesto é gritaria... Calma! Só vim cumprir meu dever.

– SEU DEVER É ME MATAR! POR QUÊ?

–Pra quê você quer saber garotinha? Você já vai morrer de qualquer maneira...

Rapidamente Lana sacou uma adaga e apontou para a garganta de Gabrielle.

–Vou compensar a última vez, irei matar você com as minhas próprias mãos, bem rapidinho, sem fazer sujeira... – delicadamente Lana foi descendo a adaga até o pescoço de Gabbe, a lâmina gelada encostou-se a sua pele, fazendo o pescoço de Gabrielle se arrepiar.

–Por favor... Não... – Choramingava Gabbe, enquanto tentava fugir, porém sem sorte.

Então, a lâmina afiada foi perfurando a garganta frágil de Gabrielle Travien, o sangue jorrava enquanto Gabbe gemia e se debatia, a cama ficou encharcada daquele sangue inocente.

– Prontinho, acabei sujando tudo né? – E num piscar de olhos, Lana desapareceu.

...

Na manhã seguinte, Gabrielle foi encontrada morta por sua mãe; O sofrimento de sua família e de Nicky era inabalável diante da notícia fúnebre. Mas já era de se esperar que esse fato acontecesse mais cedo ou mais tarde.

...

–Joseph, por favor, eu te imploro! Você pode fazer isso!

–Me deixe em paz garoto! Eu não posso! Você sabe muito bem quais são as regras, isso está totalmente proibido.

–Mas você pode! Ninguém se importa com as regras Joseph! Desde que o mundo é mundo alguém sempre vai desobedecer às leis!

–Vou pensar no seu caso.

–Pense logo! Não posso continuar sem ela...

– Ela é um problema garoto, é melhor você pensar direito sobre isso.

...

Todos de preto, numa tarde de chuva, um caixão branco e rosas brancas... Lágrimas frias como aquela singela sepultura, em sua lápide um nome jovem, em sua cova uma garota sem sorte. Gabrielle não mais respiraria.

–Gabbe... Eu nunca imaginei que iria te perder assim... Cedo demais... – Nicky soluçava e chorava pela morte de Gabbe, em seu pescoço estava o colar que ambas usavam em símbolo da amizade das duas. Ela agarrava fortemente o pingente que tinha o nome de Gabrielle gravado.

...

Naquela manhã, uma semana depois da morte de Gabbe, o clima entre todos na classe já estava normal diante da aluna a menos na sala, Mas Nicky nunca mais seria a mesma sem a sua melhor amiga ao seu lado. Johnny estava estranho, não falava mais com ninguém e sempre estava com um olhar cabisbaixo e preocupado...

O que perturbava aquele cara? Será que ele gostava mesmo de Gabbe? Ou outra coisa estava deixando ele daquele jeito? Mesmo sem Gabrielle, as dúvidas não acabavam por aí.

– Nicky, posso falar com você um instante? — de repente Johnny falando com alguém? E justamente a pessoa que era mais próxima de Gabbe... Suspeito...

–Claro... Agora? – Nicky respondeu com uma voz rouca em baixo tom.

–Não precisa ser agora, eu quero encontrar com você na hora da saída, eu posso te acompanhar até sua casa e até lá conversamos, tudo bem pra você? – Johnny falava como se estivesse mexendo com uma bomba relógio, um passo errado e ele poderia estragar tudo, de algum jeito...

–Por mim tudo bem... Mas, sobre o que você quer conversar? – Nicky tentava ao máximo transparecer que estava tudo bem com ela, mas ainda estava óbvio que ela estava de luto por sua amiga.

– É sobre a Gabrielle... – Assim que aquelas palavras saíram da boca de Collin, o professor chamou atenção aos dois pela conversa no meio da aula.

– Sr. Collin e Srta. Baker, a conversa deve estar ótima, mas nada é melhor do que ficar em silêncio e copiar a atividade na lousa.

– Desculpe professor. – respondeu Johnny.

...

–Johnny, desculpe a demora tive que ir à biblioteca devolver um livro. – Nicky não estava emocionalmente preparada para falar sobre Gabbe, mas de alguma forma ela sentia que era preciso.

–Não tem problema... – Johnny parecia estar mais nervoso do que nunca.

Eles começaram a caminhar lentamente em silêncio, o clima ainda era um pouco pesado por causa de Gabrielle, mas alguém tinha que começar a falar.

–Bom... Você é a única pessoa que eu conheço que era próxima de Gabrielle, então, eu acho que você é a mais apropriada no momento pra saber a verdade...

– Verdade? Sobre o quê? – Nicky se espantou.

– Sobre a morte de Gabrielle.

Nicky parou de andar.

– O que tem ela? – Murmurou Nicky. – E como você sabe disso?

– Ela nunca comentou com você, sobre estar correndo perigo?

–Não.

– Tinha uma pessoa atrás dela, querendo matá-la. Eu consegui impedir duas vezes, mas na terceira eu não estava lá...

– Como assim? – Nicky estava muito confusa.

–Esse segredo não deve ser compartilhado com humanos, mas você é uma exceção, se você contar pra alguém, você pode acabar morta por um deles. — Johnny estava muito sério.

–Tudo bem... Eu não vou contar... – Nicky suava, estava realmente tensa diante daquele diálogo misterioso.

–Existem almas que são destinadas a se tornarem seres sobrenaturais após a morte. São essas almas que controlam o equilíbrio humano. Esses seres se chamam Murders.

–Murders?- Nicky estava curiosa, e esperançosa.

–Sim, alguns têm habilidades únicas, controlam diversas forças naturais, e trabalham para manter o equilíbrio.

– Me deixa adivinhar, você é um Murder. – Falou ironicamente.

–Sim... – Johnny estava um pouco tenso agora.

– E você pode controlar alguma força natural?- Nicky estava desconfiada daquela história toda.

– Posso controlar o fogo. – Rapidamente surgiram chamas nas mãos de Collin.

–Nossa! – Nicky não estava acreditando realmente que aquilo tudo era mesmo verdade, mas depois daquilo, passou a acreditar.

– Gabrielle está morta porque sua existência ameaçava o equilíbrio das almas. E tudo isso foi culpa minha...

– Como assim sua?

– Murders não podem se unir com os humanos. E eu reneguei a tudo e a todos apenas pelo fato de ter me apaixonado por ela. Ela acabou sendo um fardo e tudo se desequilibrou então mandaram matá-la para o equilíbrio voltar. Eu tentei proteger ela, me matriculei nesse colégio para não perdê-la de vista, mas eu fui descuidado...

–Calma... E não tem como reverter tudo isso?

– Eu encontrei um jeito. – Johnny deu um leve sorriso.

– Mesmo? Qual? – Nicky viu que sua esperança poderia ser verdadeira.

– Voltar no tempo.