O dia estava cinzento, como sempre estava desde a chegada das trevas. A deusa sorria enquanto observava, por meio de seu caldeirão a jovem que dormia. Estava tão concentrada que nem percebeu a chegada do deus mais velho.

— Eu achei que tínhamos concordado em não interferir._ disse ele se aproximando._ Você, acima de todos, deveria obedecer irmã.

— Mas eu obedeço, meu caro._ disse ela sorrindo._ Mas não consigo parar de observar, ela é tão linda. Gostaria que ela soubesse tudo que está acontecendo.

— Você sabe que é para a própria segurança deles._ o deus disse._ Eles devem saber o mínimo possível do próprio passado.

— Não adianta se iludir irmão._ disse a deusa._ Ela está começando da se lembrar, mesmo que seja apenas nos sonhos.

— Você não tem nada haver com isso, tem? _ perguntou ele com os olhos brilhando, a mínima possibilidade de erro da Rainha já lhe dava altas expectativas._.

— Não, não tenho irmão. E mesmo querendo que ela lembrasse, eu zelo pela segurança dela e tento retardar suas memórias.

— Uma escolha sábia, minha rainha.

— Eu sei irmão. Eu sei._ A jovem rainha disse séria, para depois se afastar do caldeirão e sorrir novamente._ Então, porque veio ao meu encontro?

— Ah, minha rainha, eu vim aqui para leva-la ao jantar._ O deus estendeu o braço para a jovem rainha._ Este que já vai ser servido. Esperam apenas pela majestade.

— Ora,_ ela disse aceitando o braço._ então vamos, não queremos fazer ninguém ficar esperando.

E então eles saíram para o jantar, deixando a jovem do caldeirão fora de seus pensamentos. O que a jovem rainha não sabia era que a jovem que ela tanto admirava, estava preste a acordar e teria um dia fora do comum.