Saga Starion - Os Quatro Elementos
5 Chapter IV
Assim que entrei no quarto, Ana já me atacou com a pergunta:
— Onde você estava? A excursão já vai sair.
— Eu tive que resolver um problema e acabei me distraindo.
Ana ia falar mais alguma coisa, mas marcela interrompeu dizendo:
— O importante é que você está bem e está aqui agora. Então como Ana mesmo disse, estamos atrasadas! Vamos logo.
Pegamos nossas mochilas e saímos do quarto. Dei uma ultima olhada no quarto antes de fechar a porta, por alguma razão eu achava que não chegaria a ver esse quarto de novo. Tivemos que esperar algumas meninas antes de descer. Quando estavam todas na fila seguimos a Sra. Swift até o ônibus. Ana saiu da fila no meio do caminho, ela ia com o grêmio. Continuamos até chegarmos ao grande ônibus amarelo. Sentamos na penúltima fileira, eu na janela e Marcela no corredor, assim que nos organizamos ela pôs sua atenção em um livro.
Fiquei lá, olhando pra fonte central do pátio, como estamos no inverno ela estava branca, coberta de neve, mas a água continuava a cair, como se estivesse em um dia quente de verão. Eu estava lá hipnotizada pela água caindo (Sim, eu sou doida a esse ponto), quando Marcela me cutucou e disse:
— Olha só aquilo.
Ela apontava pra duas fileiras a frente, onde a Carmen Lamar e as suas seguidoras falando alguma coisa para a Priscila Sparcke. Um tempo depois ela saiu rebolando com as seguidoras a sua cola, deixando uma Priscila aos choros para trás.
— Ela é terrível, quem faria isso com a Priscila? Ela é um doce.
Assenti. Marcela tinha razão, Priscila era a menina mais meiga e dócil de todo dormitório, ela sempre ajudava na biblioteca, o que te dava uma razão para sempre nos ajudar nas atividades. Continuei olhando em direção de Priscila, que se encontrava cercada de pessoas, que tentavam acalmar ela.
— Você devia ir lá._ disse por fim._ Você é ótima em acalmar as pessoas.
— Você acha?_ Ela perguntou._.
— Tenho certeza.
— Então tá, eu vou lá._ ela deixou um livro no lugar dela e foi._.
Eu resolvi ouvir música, deixei tocar aleatoriamente, começou a tocar Taylor Swift, continuei olhando pela janela, cantarolando a letra da musica. Um tempo depois, percebi um momento de pessoas na porta de ônibus pelo canto do olho. Quando olhei vi que eram os meninos que faltavam para completar o ônibus. Entre eles estava Daniel, quando ele me viu, sorriu e mandou um beijinho. Revirei os olhos e voltei atenção para o lado de fora. As portas do ônibus se fecharam e a Sra. Swift começou a falar:
— Atenção alunos, todos sentados._ varias meninas voltaram para seus lugares, se afastando de Priscila, que parecia bem melhor._ Nossa excursão já vai começar e eu gostaria de passar algumas instruções básicas...
Ela começou a falar várias regras, eu não prestei atenção a quase nenhuma. Quando ela parou de falar, o ônibus começou a andar. Olhei em volta, várias pessoas começaram as conversar. Tirei um dos fones e olhei para Marcela e perguntei:
— E aí? O que a senhorita perfeitinha fez com a Priscila?
— Ela ameaçou a Priscila por ela ter falado com seu namorado._ Ela falou com desdém, sem tirar a atenção do seu livro._.
— Ata..._ Ia colocando o fone de novo, mas parei e me dei conta do que ela falou._ Espera... Namorado? Eu não tenho namorado.
Um sorriso brotou na boca dela, como se ela já esperava aquela relação de mim.
— Ah Katharina, você sabe do que eu estou falando._ Olhei pra ela sem entender, mas na minha mente eu já tinha ideia do que séria._ Tem um moreno alto, bonito, te seguindo por ai te salvando das suas encrencas. Como um príncipe encantado.
— Ah, lá vem você de novo._ coloquei o fone de novo, mas ele não abafava muito a voz de Marcela._ Eu não sou nenhuma princesa para ser salva pelo príncipe, Marcela. Se toca.
— Vocês formão um casal tão lindo. Aposto que está escrito nas entrelinhas do seu livro da vida, que vocês dois vão ficar juntos._ ela suspirou, me ignorando por completo por sinal._ A escola toda está comentando.
— A escola não tem o que fazer não?_ resmunguei._ Eles podiam cuidar da vida deles.
— Ah, você sabe que é verdade.
— Só na sua mente mesmo. Ele é insuportável, é impossível conviver com ele.
— Então tá, se você diz._ ela disse voltando a atenção para seu livro, mas ainda com um sorriso no rosto.
Passamos muito tempo no ônibus, aproximadamente 4 horas ou mais, chegamos à Nova York, estávamos em plena segunda feira, uma chuva forte cobria a cidade, o trânsito estava parado e as lojas estavam fechando.
— O que será que está acontecendo? _ perguntei pra Marcela, mas ela não fazia ideia._.
Continuei olhando para o lado, naquela época não era certo um temporal daquele, geralmente Nova York era coberta de neve no inverno. Em parada brusca ocorreu, ouve uma pequena explosão e começou a sair fumaça do motor do ônibus. O motorista desceu do ônibus, reclamando, mexeu em algumas peças e voltou frustrado para dentro. Ele disse alguma coisa para a Sra. Swift. Ela assentiu, desceu do ônibus e sumiu de vista. No mesmo instante uma série de murmúrios começaram, as pessoas começaram a andar pelo ônibus. Eu estava com uma péssima impressão que algo ia dar errado, e a minha cabeça não parava de doer. Marcela também não parecia bem, ela balançava as penas enquanto lia, eu a conhecia o suficiente para perceber que ela também estava nervosa. Não se passaram dez minutos e a Sra. Swift voltou com a diretora Caterine, que disse:
— Alunos, ocorreram alguns problemas no ônibus e como o hotel fica aqui perto, vamos cortar caminho passando pelo parque, pedimos que peguem suas coisas e sigam a Sra. Swift até lá._ Ouve uma série de reclamação, a maioria vinha de Carmen e suas seguidoras._.
— Você quer dizer que nós vamos ter que sair nessa chuva? Vai acabar com a minha chapinha._ disse Carmen para a diretora._.
— Ou vai, ou fica no ônibus só senhorita Lamar._Ela respondeu a Carmen, que bufou e cruzou os braços._ Ok, os que irão para o hotel, peguem os guarda chuva lá fora com o Sr. Chuck, não temos guarda chuvas suficientes, por isso formem duplas.
Ao acabar de falar ela saiu, todos pegamos as nossas coisas. Carmen foi a primeira a sair, junto com as seguidoras dela. Pouco a pouco as fileiras foram saindo, quando chegou à minha fileira, eu e Marcela saímos, coloquei o casaco e sai. A chuva estava forte do lado de fora, os pingos fortes enfraqueciam ao baterem nas árvores do Central Park. Eu estava indo pela trilha junto com os outros alunos, desviando das poças. Até que ouvimos um grito. Todos que estavam na frente viraram em direção do grito. Que vinha de quem? Se você disse da Carmem, parabéns você é um ótimo detetive.
— Caiu um pingo no meu rosto._ Ela disse com aquela voz fresca dela._.
As pessoas resmungaram e continuaram a andar. Quando eu virei para continuar andando, escorreguei na lama e... Não, eu não cai. Eu estava pronta para sentir o impacto com o chão, mas não senti, pra falar a verdade eu não tava sentindo nem a chuva mais. Abri os olhos e dei de cara com Daniel me olhando.
— Te peguei Fada do campo._ Ele disse, com um sorriso no rosto.
Ele me levantou, me afastei imediatamente dele.
— Obrigada. E... Não me chame de Fada do campo.
Comecei a sair de perto dele seguindo o meu caminho, mas não consegui. Ele segurou o meu pulso e me puxou para perto dele.
— Você não vai se livrar de mim tão fácil. Além do mais, Ana me mandou aqui, ela me mandou ir com você de guarda chuva porque ela sabia que você estava sem.
— Obrigada._ Falei seca, livrando meu pulso da mão dele._ Mas avisa pra ela que eu sei me virar sozinha._ E me afastei rápido. É impressão minha ou a chuva estava mais forte?_.
— Katharina!_ Gritou ele correndo para alcançar._ Você pode me ouvir?_ ele disse tocando meu ombro me fazendo parar._ Cara quando você quer, você consegue andar rápido.
— Dá pra adiantar? Eu quero chegar ao hotel.
— OK. Bom, dá para você ir até lá comigo? Por favor! Se acontecer alguma coisa com você Ana vai me matar, e eu acho que quero continuar vivo.
Olhei para a chuva, ela estava ficando mais forte a cada minuto. Olhei para Daniel, "Talvez dividir o guarda chuva com ele não seja má ideia." pensei, "Não caia no charme dele!" dizia minha consciência, "Eu não quero tomar chuva!".
— Tá bom, eu vou com você. Uma gracinha e você terá um olho roxo.
— Prometo não fazer nada._ ele disse levantando as mãos em um movimento de rendição._.
Bufei. Mas fui com ele. O caminho até o hotel era bonito, passamos por lugares que durante a noite seriem lindos e perfeitos para um casal. Passar ali dividindo o guarda chuva com Daniel só me deixou com mais raiva. Chegando ao hotel, ele saiu à procura de Miguel e eu fui até Marcela na recepção.
— Ah, oi Katharina._disse ela sorrindo._ se divertindo muito com seu príncipe?
— Teria sido mais divertido se eu tivesse dado um soco nele,_ Digo me encostando no balcão._ Já pegou a chave do quarto?
— Ainda não. A moça está conferindo as pessoas que irão ficar lá.
— Então não vamos ficar só a gente?
— Não..._ nesse instante uma secretária veio e disse._.
— Aqui está._ ela deu uma chave pra Marcela e outra para mim._ o quarto de vocês é no sexto andar, o quarto é o vigésimo terceiro._.
Assentimos e seguimos em direção ao elevador.
— Sabe Kath, eu tenho que falar com você sobre aquela cena sua com o Daniel no parque.
— Aquilo foi um acidente._ eu disse apertando o botão do vigésimo sexto andar._ Eu sem querer escorreguei na lama, e ele me segurou. Uma besteira.
— Ãhã, sei. Mas é sério, você precisava ter visto a cara da Carmem. Ela estava vermelha igual um pimentão de tão brava.
Soltei um riso fraco. No instante depois ouvimos um plin e chegamos ao nosso andar. Procuramos o nosso quarto. Quando achamos, entramos. Era igual ao quarto do dormitório, a única diferença era que ele tinha mais camas. Encontramos nossas malas em cima da cama, a de Ana também estava ali, está que chegou minutos depois. Ficamos conversando descontraidamente, até que a porta se abriu e por ela passaram Carmen e suas seguidoras. Elas encararam a gente, nós as encaramos e ficamos assim por um tempo.
— Mas só pode ser carma mesmo, quanto mais eu rezo mais assombrações me aparecem.
— Eu não vou ficar aqui.
Ela começou a arrumar suas coisas e conversar com as suas seguidoras.
Revirei os olhos e fui sentar no sofá da salinha. Fiquei lá sentada de cara emburrada. Ana e Marcela continuavam a conversar, de repente ouvimos um toc toc na porta. Entre, ouvi Ana dizer. A Cabeça de Miguel entrou por uma greta da porta.
— Boa tarde senhoritas._ Ele disse todo formal, fazendo eu soltar uma gargalhada._.
— Adianta Miguel, deixa de enrolação.
— Okay então._ ele disse coçando a nuca._ Eu vim aqui chamar vocês para jantar. A diretora está convocando todo mundo.
Depois disso, ouve uma série de reclamações de todas as meninas, menos de mim. Eu fui ate a mala, peguei minhas coisas para o banho, um conjunto de roupas e fui para o banheiro. Tomei um banho no meu tempo. Saí de lá já vestida, com uma legue preta, um vestido de manga comprida cinza, e uma sapatilha simples. Quando eu saio, as meninas estavam tirando no palitinho quem ia ao banheiro primeiro. Olhei em volta. Miguel já tinha ido. Segui em direção das meninas. Cheguei bem perto delas e disse:
— Aqui existem três banheiros._ e me afastei, sentando no sofá de novo._.
Carmen bufou e se afastou indo em direção ao banheiro perto da cama dela, uma de suas seguidoras foi no segundo e Marcela foi no que eu fui. Um tempão depois descemos para o jantar. Uma funcionária nos guiou até uma enorme sala de jantar, com uma grande mesa, onde vários já se encontravam sentados. Sentamos, nos locais onde estavam nossos nomes marcados, sentamos juntas. Ficamos conversando sobre assuntos banais, até a porta principal, está que estava fechada se abriu. E por ela se passou a diretora Caterine e um monte de garçons.
— Vejo que já chegaram todos._ Ela passou as mãos no meu cabelo._ Katharina.
— Olá diretora._ sorri._.
Ela se sentou na ponta da mesa e disse:
— Então? O que estão esperando garçons? Sirvam as crianças.
Nesse instante depois eles chegaram cada um com uma bandeja, servindo vários pratos. Colocaram cada um a sua bandeja sobre a mesa, e começamos a nos servir. Em meio ao prato principal, comecei a sentir um cheiro ruim, mas muito familiar. Olhei em volta, todos continuavam a comer normalmente. O cheiro começou a se aproximar... Mais... Mais... Mais... Então, CRACK. Todas as janelas se quebraram, e por elas entraram vários homens sapos gigantes. Foi aí que a confusão começou: Todos começaram a correr e gritar, os sapos atacavam a tudo e a todos. Uns vieram me atacar, comecei atacar eles com a minha cadeira, mas de repente começaram a me puxar. Era Daniel.
— Me solta, logo agora que eu estava conseguindo bater neles._ disse tentando me soltar._.
— Não, aquilo lá é real._ ele disse finalmente parando de correr._.
— Ah, agora você acredita? Quer saber não importa. Me solta!
— Não! Não vou assinar a sua sentença de morte.
— Então você vai ficar aqui? Vai deixar várias pessoas lá, com aqueles monstros? Vamos Daniel, eu não quero ficar aqui sem fazer nada. Decida, você é um homem ou um rato?_ ele me soltou._.
— Vamos._ disse ele._.
Partimos em direção ao salão de jantar. Chegando lá, vimos o caos que os sapos estavam fazendo. Não havia quase ninguém. Ao chegar à porta, Ana veio até a gente gritando:
— O QUE VOCÊS ESTÃO FAZENDO AQUI?
— Viemos ajudar.
— Vocês não vão conseguir ajudar, saíam daqui.
— Ana, não adianta me mandar sair eu vou ajudar.
— Saia daqui Katharina. A proteção da princesa é mais importante. Leve ela pra longe Daniel. Se escondam lá em cima.
Ele começou a me puxar, mas eu mantive firme. Um sapo rugiu de longe.
— Eu não queria fazer isso._ Ana murmurou. Para depois puxar o palito que prendia os cabelos._.
Ela balançou o palito, que magicamente se transformou em um cajado de prata, de um metro e meio. Com um desenho estranho na ponta. Fiquei tão pasma, que deixei Daniel me puxar. A última coisa que eu vi do salão foi Ana batendo o cajado no chão. Para depois eu entrar, puxada, no elevador.
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