Saga Sillentya: Espelho do Destino
12 XI - Confrontando o Coração
Notas iniciais
Embora, minhas reviews ainda não tenha retornado... Hmmmm, olha que eu fico brava e fico boas semanas sem voltar aqui... Sim, eu tiro férias de Sillentya... e falo sério!
E para aqueles que estão odiando a rancorosa e inconsequente Agatha, uma pequena surpresa no final!
Boa leitura!
Capítulo X – Confrontando o Coração
“Então corra, corra, corra...
E me odeie se te faz sentir bem
Eu não consigo mais ouvir seus gritos
Você mentiu para mim
Mas eu aprendi agora
E eu não vou pagar por isso, querido,
Reivindicando minhas responsabilidades,
Eu não ligo se você colocar a porta abaixo
Eu encontrei o meu caminho...
E você nunca mais poderá me ferir de novo”.
(Evanescence – The Last Song I’m Wasting on You)
- Tem certeza de que não levará muitos dias? – pergunto pela centésima vez, observando enquanto Christian enfia uma última leva de roupa dentro de sua pequena mala.
Ele fechou o zíper de sua bagagem, sustentou seus olhos azuis e cintilantes para mim, um sorriso presunçoso nos lábios.
- Tenho sim. – respondeu-me, penetrando-me com seus profundos orbes, observando cada atitude estranha minha, a forma como eu mordia o lábio inferior, fitava o carpete, enterrava meus dedos no algodão de minha blusa.
Durante todo o dia eu agira estranhamente. Com o coração apertado, sentindo-me sufocar lentamente. Embora eu não conseguisse ao certo explicar o que de fato estava acontecendo comigo, sabia que alguma coisa estava errada, muito errada ali.
Ainda que não conseguisse explicar, muito menos encontrar um motivo para todo aquele meu alarde, simplesmente não podia evitar.
- Você tem agido assim o dia inteiro. – observou ele, estreitando os olhos e virando-se completamente para mim.
Suspirei, desviando o olhar, como não conseguia nem explicar nem encontrar uma razão, preferi o silêncio. Ainda assim, aquela sensação me consumia. A sensação de que estávamos nos despedindo, como se algo ruim fosse nos separar.
Christian veio até mim, visivelmente preocupado, segurou-me pelos ombros, buscando meus olhos, tentando me convencer de que todo aquele meu alarde era desnecessário.
Mas eu não disse a ele que quando sentia essa estranha e sufocante sensação, era porque algo mudaria, algo muito, muito grande estava vindo.
- Não há motivo para esse seu comportamento, Agatha – começou ele novamente, pela centésima vez tentando aliviar toda aquela minha tensão. – Tudo ficará bem. – garantiu-me ele.
Inspirei, decidida também a deixar aquela sensação sufocante de lado. Talvez fossem apenas meus nervos, tudo daria certo, tudo tinha que dar certo.
Descruzei os braços, envolvendo Christian com eles. Ele recebeu-me carinhosamente, enterrando seu rosto em meus cabelos, deslizando sua mão da base de minhas costas até minha nuca.
- Você está sendo boba por se preocupar com algo tão desnecessário. – recriminou-me ele, abafando o riso em meus cabelos, depois se afastou a fim de me olhar nos olhos, as mãos ainda repousavam ternas em meus ombros.
Sorri para ele também, ou pelo menos tentei, ele não se convenceu muito, mas não disse mais nada.
Christian apanhou sua bagagem, caminhou até a porta, abrindo-a. Eu o segui, descendo os lances de escada, onde todos já se reuniam no espaçoso salão para se despedir de Lucius.
Damien relutava em largar o pai, teimando com Stella com um biquinho irresistível nos lábios. Então eu não era a única que sentia algo errado ali.
- Vamos, Damien, seu pai precisa partir, em poucos dias ele estará de volta. – Stella murmurou, estendendo seus braços na direção da figura pequenina que agarrava obstinadamente o pai.
- Não! – ele exclamou, cerrando os olhos, retorcendo os lábios em um biquinho e sacudindo a cabeça – Não vou deixar o papai partir! Ele não pode me deixar! Tem que me levar com ele! – berrou ele, agarrando-se ainda mais ao pai.
Lucius confortou o filho, sorrindo um pouco e afagando seus cabelos.
- Está tudo bem, Damien, não há motivo para temer... Logo estarei de volta! – ele garantiu, esperançoso por terminar a birra do filho.
Damien amoleceu no mesmo instante, os olhos cintilando, os lábios comprimidos.
- Mas papai, eu tive um sonho com a mamãe! Ela me disse que logo, logo o senhor encontraria com ela, então não me deixe para trás, me leve com você, eu quero ver a mamãe e o irmãozinho...
Entreabri os lábios, tentando entender o que Damien estava dizendo. Um sonho? Com a mãe que falecera? Seria possível?
Mas havia um “porém”, Damien ainda não sabia que a mãe tinha falecido. Para ele, Helena estava em uma longa viagem.
Lucius repousou a palma de sua mão no alto da cabeça do filho, estava óbvio que o comentário do filho também mexera com ele.
- Damien, meu filho, não há motivo para temer, não posso levá-lo comigo nessa viagem, você sabe disso. Stella tomará conta de você, então seja um bom menino, tudo bem?
Ele baixou os olhos, visivelmente decepcionado, duas piscinas iluminadas pelo mais brilhante e intenso sol.
- Mas, papai...
Lucius aumentou seu sorriso e o puxou para um demorado abraço de pai e filho, beijou seus cabelos e finalmente se levantou.
Stella logo apanhou Damien nos braços, que estava ainda mais manhoso. Aproximamo-nos do pequeno círculo, Daisuke e Ramon cumprimentaram Christian e desejaram uma boa viagem, até mesmo Madelina parecia mais amistosa e sociável naquela noite. Até mesmo sorriu para mim quando me viu!
Giuseppe despediu-se com um aceno, e Stella com Damien nos braços, desejou uma viagem tranqüila para ambos.
Senti a ausência de apenas uma pessoa, uma pessoa cuja presença eu não sentira o dia todo. Mesmo que tenha evitado um encontro como esse, transitei pela mansão, sempre seguindo Christian ou contando histórias engraçadas de minha vida a Damien, que ficou fascinado pelo Halloween ser comemorado na América e sobre as crianças irem fantasiadas de porta em porta pedindo doces.
Mas mesmo assim, não vi Aidan o dia todo.
O que eu estava pensando? Por que estava me importando?
Enterrei os dedos em minha pele, desejando que a dor despertasse-me para a realidade. E tornei à minha fria e dura verdade quando ouvi a voz de Lucius.
- Muito bem, acho que é isso. – ele tombou sua face para Ramon e Daisuke – Vocês dois, cuidem de tudo durante a minha ausência. Stella cuide de Damien por mim – pediu gentilmente, nos olhos uma estranha melancolia, como se as palavras do filho ainda surtissem efeito sobre si. – Agatha, seja forte – pediu-me ele, direcionando seus olhos azul turquesa para mim e eu assenti, engolindo em seco – Não se preocupe, você estará em boas mãos – garantiu-me. – Não há motivo para alarde.
Ele lançou seus olhos até a figura silenciosa e serena de Giuseppe, não houve palavras, mas não era necessário. Bastou um breve assentimento com a cabeça e uma leve estreitada nos olhos para que Giuseppe entendesse o recado: nós todos devíamos nos manter vigilantes.
Uma mensagem silenciosa, porém óbvia, de que mesmo escondidos, nós corríamos perigo.
- Bom, então é isso, cuidem-se todos! – pediu, abrindo um singelo sorriso.
Damien acenou para o pai do colo de Stella, que o acalmou, dizendo que logo ele estaria de volta.
De repente, senti alguém se postar atrás de mim, não exatamente perto, mas seu olhar em minhas costas era tão intenso, tão caloroso, que eu podia jurar que sentia até mesmo o calor e o cheiro almiscarado da pele dele.
Então, afinal ele havia deixado seu esconderijo.
Não me virei para olhá-lo. Não queria encarar aqueles olhos castanhos e intensos. Principalmente, porque no fundo, sabia que eles ainda conseguiam mexer comigo, amolecer o gelo em meu coração.
Baixei o olhar, e fui surpreendida quando uma mão quente envolveu-me pelos ombros, puxando-me para um último abraço. Christian.
Senti o pânico invadir minhas entranhas. Ele realmente estava me abraçando? E na frente de Aidan?
O medo congelava meus músculos, deixava-me dura feito pedra enquanto ele me aninhava em seu peito, sorrindo e sussurrando em meu ouvido:
- Sentirei sua falta...
Retribui seu abraço, mesmo tensa e pálida como um fantasma. Eu podia sentir a fúria de Aidan ao nos observar.
- Quando retornar, talvez seja a hora certa para recomeçarmos...
Estaquei depois de ouvir suas palavras. Depois que ele retornasse? Christian e... eu?
Era o que eu desejava, não era?
Christian afastou-se de mim, ainda sorrindo e então se virou, deixando-me completamente pasmada, sem nem ao menos respirar corretamente, e retirou-se com Lucius pela pesada porta de madeira.
Depois que ela se fechou, aquela sensação esmagadora somente agravou. Sentia como se nunca mais fosse ver o sorriso dele, olhar naqueles olhos profundos como o oceano, ouvir sua voz suave, mas sempre com um toque de sarcasmo e ironia ao fundo. Sua risada baixa.
E aquela sensação de vazio e saudade, deixou-me tão abatida.
Cruzei os braços e subi as escadas novamente, congelando quando senti os olhos de Aidan em minhas costas. Não sabia ao certo para onde estava indo, mas não queria ficar sozinha com ele de jeito nenhum, então decidi procurar por Giuseppe, gostaria de tirar algumas dúvidas com ele.
Assim que abri a porta, encontrei-o lendo um livro tranqüilamente, as chamas alaranjadas refletiam nas lentes de seus óculos. Ele me viu, fechou seu livro e abriu um singelo sorriso.
- Agatha! Veio para avançar um pouco mais em seus estudos? – questionou-me ele, e eu meneei a cabeça, sorrindo também, o motivo de procurá-lo era outro.
Ele gesticulou para a cadeira diante de si e eu sentei, observando enquanto ele ajeitava-se, cruzando as mãos sobre o colo.
- Então, em que posso lhe ser útil?
Respirei fundo e decidi abrir o jogo de uma vez. Parecia algo tolo, um assunto banal, mas aquela dúvida estava me corroendo desde que Damien comentara despreocupadamente sobre ter sonhos com a mãe.
- Bom, eu queria saber se é possível para uma... alma se comunicar com um ser vivo... Isso é possível?
Giuseppe desviou os olhos dos meus, coçou sua barba rala, refletindo e então finalmente me respondeu:
- Bem, para a nossa raça, Agatha, as limitações que se aplicam aos seres humanos não são muito válidas. Veja bem, tanto um Mediador quanto um Elemental podem sentir o fluxo constante de energia que compõem uma alma. Você sabe que uma alma é uma forma canalizada e consciente de energia, não sabe? – assenti com a cabeça, deixando que ele prosseguisse – Ele pode ler sentimentos, mudanças de humor, através desse fluxo constante, e mesmo quando a alma abandona o seu recipiente carnal, esse fluxo de energia mantém-se intacto.
- Então, eles podem se comunicar com... pessoas? – indaguei, inclinando-me em sua direção.
Giuseppe soltou uma curta risada, retirando os óculos e limpando suas lentes com uma flanela que ele retirara do bolso.
- Isso tem a ver com o comentário de Damien agora a pouco, não tem?
Assenti, enrubescendo de leve, ele devia me achar uma garota muito curiosa agora.
- Sim, Agatha, isso é possível. Mas há exceções, por exemplo, uma alma precisa ficar para trás, precisa abrir mão de seguir para o plano espiritual para poder se comunicar com seus entes queridos. Uma vez que é impossível, até mesmo para o mais poderoso Mediador, cruzar a fronteira do plano espiritual, ainda vivo. Somente as almas em sua mais pura essência podem cruzá-la.
“Além do mais, uma alma que decidi abrir mão de seu descanso eterno precisa lidar com as conseqüências de tal decisão. Por exemplo, ela sofrerá um tormento inimaginável, sentirá a dor que a sua morte causou em seus entes, e só haverá uma maneira de se comunicar livremente com eles...”
- E qual é? – perguntei, estreitando os olhos, imaginando a resposta para aquela pergunta.
Giuseppe sorriu novamente, seus olhos negros faiscaram para mim.
- Através dos sonhos deles.
- Sonhos? – arfei, não era bem o que eu imaginava.
- Sim, sim. É quando dormimos que nos tornamos mais receptíveis e sensíveis às energias que nos rodeiam e estão constantemente agindo sobre nossos corpos. O bloqueio que criamos dissolve-se naturalmente quando adentramos a dimensão dos sonhos, e é por isso que é a hora perfeita para recebermos recados e avisos do outro lado.
Compreendi o que ele estava dizendo. Meus sonhos já me alertaram sobre tantas coisas antes, pena que eu jamais dei crédito a eles.
Tornei meus olhos para Giuseppe, que ainda sorria gentilmente.
- Então, é verdade de Damien? Ele realmente está recebendo visitas de sua mãe?
- Veja bem, Agatha, quando Damien perdeu a mãe, ele era muito novo, é natural que Helena tenha sentido essa necessidade de ficar para trás e ver o filho crescer, acalentá-lo, suprir esse vazio de alguma forma. Mas o preço que se paga por se tomar essa decisão é muito alto.
- Mas... uma alma pode seguir para o outro lado a qualquer momento, não pode?
Giuseppe hesitou um pouco, os olhos crispando-se lentamente, os lábios comprimindo-se.
- Bem, quanto mais tempo a alma ficar no plano físico, mais difícil será fazer a travessia.
- Entendo. – assenti, já disposta a deixá-lo tornar a ler seu livro e não amofiná-lo mais.
Levantei-me da cadeira, rumando em direção à porta, quando sua voz interrompeu-me na metade do percurso.
- Agatha, eu não quero me meter na sua vida, mas, por favor, tome cuidado com suas atitudes, cada ação gera uma conseqüência, não se esqueça disso.
Engoli em seco e assenti, murmurando um “obrigada” e depois me retirando da pequena sala, disposta a me enclausurar em meu quarto e de lá não sair, até que pelo menos, Christian retorne.
No meio do caminho, porém, Madelina surpreendeu-me, chamou-me, fazendo-me virar para trás, surpresa e desconfiada. Seu sorriso amigável mais cedo, ainda não fora completamente absorvido por meu cérebro, e agora ela queria conversar comigo.
- Agatha, eu... – ela começou, pausou, buscou fôlego e tentou novamente – Agatha, queria lhe pedir desculpas por meu comportamento rude. Sei que não te tratei bem desde o principio, e bem, queria que você aceitasse as minhas mais sinceras desculpas, eu agi mal... E sinto muito.
Permaneci ali, plantada, no meio do corredor, com uma Madelina sorrindo amigavelmente para mim, tentando em vão processar suas palavras, dissecá-las, ver se havia algo por trás disso, e a razão iluminou meus pensamentos incoerentes.
Desde o principio, ela estivera interessada em Aidan, devia ter percebido isso antes, o modo como ela o olhava, o modo como me tratava... Tudo se encaixava agora. Madelina estava apaixonada por Aidan. E agora que eu havia terminado tudo com ele, ela podia muito bem se aproximar de mim e ser minha “amiga”.
Comprimi os lábios e assenti, sem saber o que dizer, sem saber se havia algo a ser dito para ela. Ela sorriu novamente, puxou-me para um estranho e desajeitado abraço e afastou-se, ainda sorrindo, desaparecendo no corredor alguns segundos depois.
Ainda meio entorpecida, levei minha mão à maçaneta e abri a porta de meu quarto, adentrando ao silêncio, ao vazio, duas coisas que definitivamente faziam parte da minha vida agora.
Sentei-me na pequena banqueta da penteadeira, observando meu reflexo, tentando entender em que tipo de pessoa havia me transformado.
Embora nada tivesse mudado em meu exterior, dentro de mim, havia algo diferente. Havia algo... estranho em mim. Algo que eu não reconhecia, desconhecido. Um brilho sombrio em meu olhar, um monstro que havia sido enclausurado por tantos anos, e agora, encontrava-se liberto.
Uma fera indomável e desprovida de qualquer misericórdia ou compaixão. E essa fera assustava-me...
Tive meus pensamentos interrompidos por três leves batidas, em seguida, Stella abria um pouco a porta, timidamente, os olhos eram cintilantes, embora a expressão fosse cautelosa.
- Posso entrar? – perguntou, as mãos hesitando na maçaneta.
Assenti com um sorriso, e logo depois, ela fechava a porta atrás de si.
- Agatha, queria conversar com você.
Virei para ela, dando as costas para meu reflexo no espelho. Sabia que mais cedo ou mais tarde alguém acabaria me recriminando, mas tenho que confessar: esperava que outra pessoa viesse fazer isso.
- Pode dizer. – eu a incentivei, gesticulando para que ela se sentasse no colchão, de frente para mim.
Ela buscou fôlego, cerrando os olhos lentamente e inspirando pelos lábios entreabertos. As ondas douradas de seu cabelo cintilavam sob a iluminação de meu quarto, assim como refletiam em seus olhos.
- Agatha, quero que me responda uma pergunta, mas seja sincera comigo, por favor. Você promete que será?
Assenti, cruzando as mãos sobre o colo, já sentindo o sermão a caminho.
- Você ama o Christian? – perguntou, sem mais delongas, sem hesitação, sendo objetiva e direta.
Ergui as sobrancelhas, demorando a formular uma resposta coerente, uma na qual minhas palavras não fossem ser jogadas contra mim mesma mais tarde.
- Por que está me perguntando isso? – indaguei, sentindo o coração acelerar em meu peito.
Stella mais uma vez foi objetiva, sem rodeio algum.
- Porque você o está iludindo, está alimentando falsas esperanças nele.
- Não vejo como você se encaixa nisso. – retruquei, cruzando os braços sobre o peito, odiava ser contrariada, principalmente por ela, Stella mal me conhecia, como podia fazer julgamentos a respeito do que faço ou deixo de fazer?
- Eu me encaixo na parte que deseja te ver feliz. – ela rebateu, sem perder a calma, a serenidade, mesmo diante de meu humor irritadiço.
Franzi o cenho, mordendo o lábio inferior. Tentando ignorar o que as palavras dela causavam em mim, remorso, amargura, tristeza, vazio...
- Agatha, eu só desejo o seu bem. Você sabe disso, mas, por favor, sejamos francas uma com a outra, você não ama Christian. Não nego que haja uma conexão muito forte entre vocês dois, não sou tola para não afirmar que vocês dois se relacionam muito bem, mas isso não é amor, pelo menos, não para você...
Fuzilei-a com o olhar, tentando evitar que aquela sensação despertasse em mim. Por que ela estava fazendo isso comigo? Não sabia que eu e Aidan não podíamos mais pertencer um ao outro? Podia ser fácil para ela, Stella não estava vivenciando o que eu estava nesse momento.
- Já terminou? – perguntei, rispidamente, desistindo de ser educada.
- Não – ela rebateu, mas sem perder a compostura. – Quero que pare de se iludir, Agatha, quero que me diga a verdade e apenas a verdade, quero que olhe nos meus olhos e diga que não sente mais nada por Aidan.
Congelei depois de ouvir suas palavras. Ela não podia estar falando sério, podia? Por que ela estava fazendo isso comigo? Ressuscitando fantasmas de meu passado que eu mal consegui enterrar, reabrindo feridas que eu mal conseguira fechar, despertando em mim toda aquela dor, mais uma vez...
- Por que está me dizendo isso? – perguntei, quase sem fôlego, diante daquela dor insuportável que eu não queria e nem podia sentir – Por que está fazendo isso comigo?
- Porque quero que seja feliz, e sei que agora, você não está, sei que está sofrendo pela separação... Agatha, por favor, você sabe que existe outro caminho! Existe outra maneira. Não há necessidade de tudo terminar dessa forma, o amor de vocês é tão bonito! Não deixe que ele morra dessa forma. – ela suplicou-me, os olhos brilhantes e gentis, enquanto eu petrificava, sem saber ao certo o que fazer.
- Pare de dizer isso... – sussurrei, tapando os ouvidos, disposta a não ouvi-la mais, não deixar que as palavras dela surtissem aquele efeito devastador sobre mim. Tudo o que eu queria naquele momento era me isolar em meu casulo de solidão, somente para não sentir na pele aquela dor lancinante, como se eu estivesse aos pedaços e despencando...
Mas Stella bateu naquela tecla mais uma vez, levantando-se da cama, observando o modo como eu me abraçava, como eu trincava os dentes e pendia a cabeça para baixo.
- Não importa o quanto você tente negar esses sentimentos, Agatha. Eles continuarão aí, vivos, dentro de você. Aidan precisa de você tanto quanto você precisa dele, pense nisso, mas... não demore muito para perceber o erro que cometeu, mais cedo ou mais tarde, você poderá acabará perdendo o grande amor de sua vida e a sua única chance de ser feliz.
Ela fez uma pequena pausa, cerrando os olhos e entrelaçando seus dedos.
- Só para que você saiba, seu pai passou por uma situação parecida muito antes de você nascer. Ele precisou decidir entre o perdão e a vingança...
Levantei os olhos embaçados para ela, imaginando que tipo de história havia por trás de seu comentário.
- Do que você está falando?
- Seu pai, Agatha, há muitos anos, teve que escolher entre o perdão e a vingança... Ele estava disposto a vingar a morte de sua mãe, tomando a vida do homem que a arrastou até Lorde Ducian. Mas seu pai tinha um coração nobre, e o poupou...
“Ellian, esse é o nome dele, e a decisão de seu pai no fim o comoveu a tal ponto, que hoje ele é um dos informantes de Lucius. Só espero que sua decisão seja tão sábia quanto à de seu pai, Agatha”.
Meu olhar tornou-se vago, vazio, enquanto aquele sentimento de fascinação, de encantamento e deslumbramento dominava-me...
- Meu pai tomou essa decisão... – sussurrei para mim mesma, imaginando o quão puro e nobre devia ser seu coração, o quão generoso, bondoso e gentil ele era.
Stella suspirou, também se perdendo no mesmo devaneio que eu, a figura de meu pai. Talvez algo nós possuíssemos em comum, nós duas o amávamos, embora jamais tivéssemos, de fato, a chance de demonstrar esse amor.
- Tome cuidado, Agatha, você está trilhando uma estrada perigosa, e se chegar ao final dela, pode acabar descobrindo que perdeu o que tinha de mais precioso.
Engoli em seco, entendendo suas palavras, mas recusando-me a aceitá-las. Aquele monstro dentro de mim ainda coordenava meus pensamentos, meus atos, e impedia-me de encontrar a luz novamente.
Eu estava mergulhada em trevas. Submersa em um lago negro e gelado. Eu havia escolhido esse caminho para mim mesma. E não havia volta, não havia forma de retroceder, havia?
Uma vez nesse caminho, teria de trilhá-lo até minha morte.
- Isso era tudo o que eu tinha para te dizer, Agatha... – murmurou Stella, virando e caminhando em direção à porta. Sua mão hesitou na maçaneta, ela tombou sua face de anjo para mim uma última vez – Espero que saiba o que está fazendo...
E retirou-se, deixando-me sozinha com meu tormento.
O que eles queriam que eu fizesse? Que decisão esperavam que eu tomasse?
Talvez a resposta fosse uma só...
E talvez fosse tão óbvia, tão clara e límpida como a água...
Que eu perdoasse... Que eu esquecesse o passado. Que eu cumprisse minha palavra, que me mantivesse ao lado dele não importasse o que acontecesse.
Que eu honrasse meu juramento de amor e fidelidade...
Mas, era tão difícil. Minhas feridas eram tão profundas e dolorosas. Meu tormento era tão insuportável e minhas lágrimas rasgavam a pele de meu rosto, traiçoeiras, envenenadas, indesejadas.
Mas não me permiti chorar, passei as costas das mãos em meu rosto, limpando cada uma delas, repudiando cada uma delas.
Não sei ao certo quando decidi deitar-me um pouco, sentia-me tonta, fraca, incapaz até mesmo de suster o peso de meu corpo, como se meus ossos tivessem perdido consistência até se tornarem coisas molengas e gelatinosas.
Apertei a face contra o travesseiro, desejando que aquele mal-estar passasse o mais depressa possível. Que aquela tormenta que me assolava passasse. Mas ela nunca cessava, e o turbilhão dentro de mim mostrava-se um monstro muito maior do que eu podia conter.
Meu coração palpitava em meu peito, dolorido, como se me rasgasse de dentro para fora. E eu tremia, involuntariamente. Todo o meu desespero crescia como uma onda devastadora. E a fera monstruosa avançava para me consumir.
Eu não queria ceder. Eu não queria perder essa batalha. Mas meu desejo não era forte o suficiente. E eu perdia espaço para toda aquela dor.
As paredes ainda giravam ao meu redor, meu coração esmagava-se cada vez mais contra meu seio, e meus pulmões comprimiam-se, buscando pelo ar que eu não conseguia respirar.
Levei uma das mãos até minha garganta que queimava como se eu tivesse engolido chamas.A dor assolava-me por dentro, um grande maremoto que me varria devastadoramente.
Novamente eu me despedaçava. Sozinha na escuridão e no silêncio...
- Shhhhhh... Tudo bem, acalme-se...
Esbugalhei os olhos ao sentir aqueles lábios macios e quentes roçarem em minha orelha, e aquela voz aveludada sussurrar delicadamente...
Recompus-me no mesmo instante, sentando-me, sobressaltada, no colchão, e tentei afastar-me do calor que meu corpo tanto almejava, mas que o monstro dentro de mim tanto repudiava. Sem sucesso.
Limpei os últimos resquícios traidores das lágrimas em minha face e o encarei, tão perto de mim... Os olhos tão intensos, os lábios comprimidos, esperando por uma resposta minha.
- O que está fazendo aqui? – perguntei, e arrependi-me no mesmo instante, sendo golpeada por minha própria dor, açoitada por meu orgulho e minha teimosa.
Aidan ajeitou-se, de modo que pudesse me dar um pouco mais de liberdade e espaço. Mas eu não me movi, permaneci petrificada, enquanto o corpo dele cercava-me com seu calor, com seu cheiro. Algo dentro de mim gritava, era a hora perfeita, não haveria outra oportunidade como essa.
E ela berrava em meus pensamentos, rogava para que eu me jogasse nos braços dele, que eu buscasse por seus lábios, que me enroscasse em seu corpo e nunca mais ousasse me afastar dele.
Mas eu não o fazia, apenas o encarava, lívida, mortificada, entorpecida, desconectada.
- Por que está... aqui? – tornei a perguntar, recebendo apenas seu silêncio como resposta.
Ele cercou-me com seus braços, apoiando seu peso nas mãos de cada lado do meu corpo, os olhos eram intensos, sérios, calorosos, abrasadores, inconfundíveis...
- Sei que te fiz sofrer... – sussurrou ele, finalmente, deixando-me ainda mais perplexa, mais confusa. Novamente a encruzilhada abria-se para mim, dois caminhos, duas estradas, duas escolhas, e a decisão cabia somente a mim.
Aidan tocou meu rosto com a ponta de seus dedos, deslizando-os suavemente até minha clavícula.
- Jamais poderei compensar todo o mal que fiz a você, Agatha. Você me deu tantas coisas, e eu retribuí apenas te fazendo sofrer e chorar. – continuou ele, àquela altura, sua mão já deslizava por meu braço, deixando uma trilha ardente onde quer que passasse, como se seus dedos contivessem as labaredas intensas de um fogaréu.
Aidan tombou sua face até a minha e eu prendi a respiração, incapaz de dizer, de fazer, até mesmo de pensar em fazer algo que o detivesse.
- Acredito que palavras não possam compensar todo o mal que lhe causei, mas ainda assim, espero que algum dia você seja capaz de me perdoar.
Sua respiração quente e suave atingiu meu rosto em cheio e eu cerrei os olhos, arfando, os pensamentos incoerentes e catastróficos.
- Por que você faz isso comigo?
Abri os olhos a tempo de ver o fogo dominar seu olhar. Aidan roçou seu nariz ao meu, unindo nossas testas, seus lábios estavam a centímetros dos meus. E quando ele os entreabriu, seu hálito quente e vigoroso encheu minhas narinas, como uma mariposa ao sol ele me atraía, prendia-me em sua armadilha, e fazia de mim sua prisioneira, sua eterna e fiel devota.
Nossos olhares encontraram-se, prendendo-se um no outro. Minhas mãos, que até aquele momento, estavam entorpecidas e dormentes, subiram lentamente por seus braços fortes, estacando em seus ombros largos, prendendo sua camisa entre meus dedos.
Aidan deixou que sua mão enroscasse em minha cintura, trazendo-me para si, meu coração sofreu um forte e violento solavanco. A escolha era minha, inteiramente minha.
- Porque... – ele começou, perfurando-me com seu olhar – eu te amo...
As lágrimas acumularam-se em meus olhos mais uma vez. O monstro dentro de mim ainda tentou impedir-me de cometer aquela sandice, remoeu minha dor, esfregou minhas feridas, mas eu ignorei tudo e todos.
Stella estava certa. Ele era o grande amor de minha vida, ele era a minha única chance de ser feliz. Aidan era meu mundo, a metade que me completava. E sem ele... Não me restaria nada.
Eu poderia me iludir, eu poderia alimentar falsas esperanças. Mas jamais amaria Christian, não como eu amo Aidan. Meu amor por ele era tão intenso, tão poderoso, tão forte, que eu poderia passar por cima de tudo naquele momento, poderia me reconciliar com ele, poderia me entregar de corpo e alma a ele.
Poderia dar a minha vida por ele naquele momento. Dizer que seria sempre sua, que tudo estava perdoado, tudo esquecido. Que eu manteria minha palavra, cumpriria minha promessa, honraria meu juramento, e o amaria pelo resto de meus dias.
Aidan ainda me encarava, os olhos assumiam uma melancolia e tristeza imensa, inimaginável.
Nós dois havíamos nos ferido tanto, machucado-nos tão profundamente, que essas feridas ainda sangravam. E a verdade veio como um estalo em minha mente, sempre seríamos um do outro, sempre pertenceríamos um ao outro, na felicidade e na tristeza, na luz e nas trevas, na vida e na morte...
Inclinei minha face na direção da dele, esquecendo-me de tudo o que houve assim que toquei seus lábios com os meus. Porque, de repente, nada havia acontecido, nenhuma ferida havia sido aberta em mim, e meu coração jamais havia sangrado.
Gemi em seus lábios quando ele tornou a me empurrar de volta para os travesseiros, seu corpo pesava sobre o meu, mas eu não tentava impedir, não tentava evitar, e apenas me entregava a ele, como jamais me entreguei.
Não demorou muito e as lágrimas já despencavam de meus olhos, o gosto salgado delas mesclava-se ao gosto dos lábios dele nos meus, voluptuosos, exigentes, desesperados e famintos.
Minhas mãos entrelaçaram-se, raivosas, nos fios de seu cabelo negro como a meia-noite e não satisfeita por aquela sensação passar, aquele fogo diminuir, mordisquei seu lábio inferior, disputando de igual para igual o espaço com ele.
Aidan retribuiu meus gestos desesperados pressionando-me ainda mais contra seu corpo, quase como se nós pudéssemos nos fundir um ao outro. Não esbocei surpresa quando suas mãos tocaram diretamente em minha pele, erguendo a bainha de minha blusa, deslizando por meu abdome.
A razão era suprimida por aquela sensação ardente, toda a minha mente estava oca, e apenas a sensação das mãos dele tocando em meu corpo, ou seus lábios exigentes nos meus, já eram suficientes para me drenar qualquer pensamento racional.
Eu ainda hesitava naquela estrada, decidindo qual caminho tomar. Dividida entre meu amor e meu ódio, minha paixão e meu ressentimento.
Seja qual for a minha decisão, eu estava pronta para arcar com as conseqüências que esta me traria. Eu estava preparada e consciente. Perfeitamente lúcida para saber que depois, não haveria mais volta.
Minhas mãos deixaram o pescoço dele, e eu tomei uma atitude atrevida, uma a qual jamais tomaria em sã consciência. Meus dedos brigaram com os botões da camisa dele, lutando desesperadamente para abri-los de uma vez só.
E quando enfim obtive sucesso, invadi, desinibida e destemida, deslizando meus dedos sob as linhas que compunham cada músculo perfeitamente esculpido de seu peito, seu abdome, seus ombros. Suspirando com sua rigidez, sua perfeição.
Aidan evocou do fundo de sua garganta um urro selvagem, reagindo aos meus toques, e tornando suas carícias mais e mais intensas. Era loucura, era sandice, mas pouco me importava.
Deixei que minhas mãos migrassem até suas costas e não hesitei em cravar minhas unhas na pele macia e quente dele. Raiva, paixão e desejo, o misto desses três sentimentos retumbava dentro de mim, correndo por minhas veias a toda velocidade.
Nossos corações batiam em um ritmo só, desesperados, destemidos, apaixonados.
E quando enfim o fogo apaziguou, aquela avalanche ainda me assolava, causando um verdadeiro alvoroço em meu coração.
Interrompemos nosso beijo faminto, o ar nos faltava, o delírio terminara, e a realidade espreitava. Aidan encarou-me por longos e intermináveis segundos, segundos que a meu ver, pareciam ter sido séculos.
Suas mãos paralisaram, duras, em minha cintura. Recusando-se a deixar minha pele, embora o adeus fosse iminente, de uma forma ou de outra.
- Nunca haverá outra mulher em minha vida como você... – ele sussurrou, sem demover seus olhos dos meus, e tornou a roçar os lábios em minha face, enxugando minhas lágrimas.
E quando percebeu que eu não sabia o que responder, o que dizer, o que fazer, ele tornou a me beijar lenta e delicadamente, sem a fome e o desespero de outrora, apenas seus sentimentos mais puros e verdadeiros por mim.
- Não te machucarei mais, Agatha, eu prometo. É por isso que vim até aqui me despedir.
Meu coração acalmou seus batimentos, a reação oposta que eu esperava. Mesmo assim, a dor e a solidão eram veneno em minha corrente sanguínea, embebedando-me cruelmente.
- Você vai...
- Eu vou embora. – interrompeu-me ele, a dor era visível em seu rosto, tangível.
- Por que? – perguntei, mecanicamente, agindo feito um robô.
Aidan afagou meu rosto e meus cabelos espalhados pelo travesseiro. Um sorriso doloroso surgiu em seus lábios.
- Porque não tinha o direito de esconder isso de você. Sei que errei, e devo aceitar as conseqüências de meus erros. Se pudesse voltar no tempo, teria sido franco com você desde o começo. Mas meu medo de perdê-la foi tão grande, que só a magoei ainda mais.
- Para onde você vai? – perguntei, ainda lutando para assimilar os fatos e registrar suas palavras.
- Não voltarei para Nápoles, se é o que quer saber, mas não se preocupe, não tornarei a Sillentya também.
- Você... não tem que partir... – lutei para unir as palavras em uma só frase, talvez fosse doloroso demais para eu aceitar.
- Cheguei à conclusão de que é o melhor para nós dois. Devo ao menos isso a você, uma segunda chance de refazer sua vida sem a minha presença, uma segunda chance para ser feliz.
Permaneci boquiaberta, pasmada, petrificada, uma perfeita estátua de mármore, sem expressão, sem vida, silenciosa.
- Prometa-me que se cuidará, acredito que meu irmão possa protegê-la melhor do que eu. A saudade será como a morte para mim, mas terei o consolo de saber que você está feliz e bem. Não interferirei mais em suas decisões, Agatha. Eu lhe juro.
Ele levantou-se, abotoando a camisa, enquanto eu me sentava, ainda mortificada demais para perceber que aquilo era um adeus definitivo.
Aidan aproximou sua face da minha para depositar um casto e carinhoso beijo em minha testa.
- Jamais esquecerei tudo o que você significou para mim, Agatha, eu prometo. – jurou-me ele, solenemente, enquanto eu ainda relutava em aceitar sua decisão.
A estrada dividiu-se, que decisão eu devia tomar?
Olhei para ele, que já se despedia, os olhos tristonhos e vazios, assim como os meus.
- Adeus...
E depois, eu já estava sozinha novamente. Sem nada no qual pudesse me apoiar. Sem nada que pudesse fazer valer a pena viver cada dia, um após o outro.
E eu caí em desespero, escondendo a face nas mãos e lidando com uma nova e insuportável dor: a de ter perdido aquele a quem mais amava. Para sempre.
E desolada por essa constatação, mergulhei no mais profundo e negro abismo. Onde as dúvidas corroíam-me como vermes rastejantes.
Permaneci ali, submersa em meus próprios pensamentos, em minha própria loucura. Até que a realidade despertara-me, e eu me vi desesperada, deixando meu quarto em um rompante, cruzando o corredor, descendo as escadas aos pulos, e saindo para a noite fresca e estrelada.
Minhas pernas guiaram-me até o grande portão de grades de ferro, olhei em derredor, meus olhos buscavam, aflitos, por Aidan. Mas era tarde, ele já havia partido e me deixado para trás, pela segunda vez.
Só que desta vez, eu fui a responsável por nosso rompimento. Eu causei a nossa separação.
Chegar a isso, foi como alcançar o fundo do poço. Já não me restava mais nada. Então, desesperançada, e sem nada a que pudesse me agarrar, caí, sentando-me sobre minhas pernas, o rosto enterrado nas mãos, as lágrimas despencando de meus olhos, e o coração e a alma aos retalhos.
Nossa história de amor, terminara ali...
Notas finais
E o que acharam do sonho do Damien? Breve, veremos essa situação sendo vivenciada por outra pessoa por aqui...
Christian e Lucius viajaram e agora ficarão sumidos por alguns capítulos!
Agatha percebeu seu erro tarde demais e perdeu o grande amor da sua vida... Será que a história dos dois terminou mesmo?
Próximo capítulo, a grande reviravolta que eu prometi! Teremos uma mega luta e eu já anuncio os participantes: um Elemental muito poderoso e dois Mediadores insuportáveis, sim, uma duplinha dinâmica que vai infernizar a Agatha entra para a história, portanto, próximo capítulo, é um dos melhores dessa fase!
Será que agora as minhas reviews retornam ou eu vou ter que entrar em greve de postagens de novo?????
Até!
Beijinhos!!!!
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