Saga Herdeiros de Astúria Livro 2
48 Confissões
O salão de chá das rainhas estava mergulhado em uma atmosfera de cumplicidade feminina que faria qualquer homem, especialmente um Príncipe Herdeiro, tremer de pavor. Com as portas fechadas e os criados dispensados, o quarteto formado por Claire, Katrina, Aria e uma Catarina visivelmente acuada parecia um tribunal de pura curiosidade.
Katrina, com um brilho travesso nos olhos de quem conhecia bem o "sangue" que o filho herdara, deu o primeiro passo, inclinando-se para a frente enquanto servia mais chá.
— Ora, Catarina, não nos olhe com esse rosto de inocência — provocou Katrina, com um sorriso de canto. — Eu criei aquele rapaz. Ele sempre foi reservado, sério demais, quase um túmulo. Mas o brilho nos olhos dele hoje... ele parece ter descoberto que a vida é muito mais do que mapas e decretos. Conte-nos: o "Príncipe Amargurado" finalmente aprendeu a ser um homem de fogo?
Catarina sentiu o rosto queimar, um tom de vermelho que rivalizava com os vinhos mais fortes de Valória. Ela tentou esconder o sorriso atrás da xícara de porcelana, mas Aria, que estava ao seu lado, não facilitou.
— Ela não vai falar, Katrina — riu Aria, dando um leve empurrão no ombro da amiga. — Mas eu vi o estado da colcha dele quando Julian quase o matou. E vi aquela marca no seu pescoço que você tentou esconder com esse lenço de seda. Caelum sempre teve mãos firmes para a espada... ele é tão "estratégico" quanto dizem na intimidade?
— Aria! Por favor! — Catarina exclamou, soltando uma risada nervosa e envergonhada, cobrindo o rosto com as mãos. — Ele é um Príncipe! Deveriam ter mais respeito pela dignidade dele.
— Dignidade não aquece ninguém nas noites frias de Astúria, minha querida — interveio Claire, a rainha, com uma sabedoria maliciosa. — Nós só queremos saber se ele herdou o lado impetuoso do pai ou a calma do tio. Porque, pela correria que vimos no salão, ele parece ter uma... energia bastante inesgotável.
Catarina respirou fundo, tentando recuperar a compostura, mas o deboche carinhoso das mulheres a desarmava.
— Ele... ele não é nada do que parece lá fora — sussurrou Catarina, finalmente cedendo, o que fez as outras três se inclinarem ainda mais. — Caelum é intenso. Ele não faz nada pela metade. Quando ele decide que quer algo, ele... ele não pede permissão. Ele simplesmente toma o que é dele com uma urgência que me faz esquecer até meu próprio nome.
— Eu sabia! — exclamou Katrina, vitoriosa, batendo palmas levemente. — Richard era exatamente assim. O silêncio deles é só uma máscara para o caos que guardam por baixo das roupas.
— Ele é... perverso? — perguntou Aria, baixando a voz com um sorriso malicioso.
Catarina deu uma risada curta, lembrando-se de certas provocações de Caelum entre quatro paredes.
— Digamos que o Príncipe Herdeiro tem um senso de humor muito... físico quando estamos sozinhos. Ele gosta de testar meus limites tanto quanto gosta de testar minha paciência. Mas, se vocês contarem a ele que eu disse isso, ele vai me trancar no quarto por uma semana por "traição ao reino".
— Uma punição que, pelo visto, você não acharia nada ruim, não é? — rebateu Katrina, fazendo todas explodirem em gargalhadas.
Catarina apenas balançou a cabeça, rindo envergonhada e feliz. Ali, cercada pelas mulheres de sua nova família, ela percebeu que o segredo de Caelum estava seguro, mas a fama de sua "intensidade" agora fazia parte das lendas sussurradas nos corredores de Astúria.
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