Jim Surren

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O Furacão de Biscoitos

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Acordei mais cedo que de costume e vesti meu fato de treino. Umas leggins rosa-escuro, uma camisola de manga curta branca e um blusão azul-marinho com uma estrela branca. Calço minhas sapatilhas e ato meu cabelo.

Corro por um tempo ouvindo as músicas de meu mp3. As pessoas de Forks acordavam cedo. Havia muita gente nas ruas. Voltei para casa e ouvi Bri no quarto. Tomei banho e vesti umas calças velhas e uma camisola preta. Fui até Bri que arrumava suas coisas.

–Já vais?- Pergunto e minha irmã me olha e sorri.

– Vou. Preciso apanhar o voo. Ficais bem?- Pergunta pegando na mala.

–Fica tranquila.

–Impossível, é de vocês que estamos falando.

Ri-o e a ajudo com as malas. As colocamos no táxi e ela beija meu rosto antes de ir. Aceno para ela e fico a ver o táxi ir para longe levando minha irmã de volta a onde ela pertencia.

Voltei para dentro, fiz o pequeno-almoço de Josh, e fiquei o resto do dia assistindo TV. E assim foi meu querido domingo!

–Bom-dia.- Desejo a Jamie que me esperava encostado ao carro no estacionamento da escola.

–Bom-dia, Deb. Como foi o casamento?

–Exaustivo!

Ele ri e entramos na escola. O resto do dia foi normal. Jamie falava comigo. Stuart e Erin discutiam. Monick ficava calada olhando para o nada aborrecida.

Voltei para minha aula que teria com Monick, mas ela sempre se mantinha longe. Passei por ela quando saímos, e acabei tomando no seu braço fazendo um caderno cair.

–Desculpa!- Digo pegando no mesmo, mas o que lá leio faz meus olhos se arregalarem.

–Dá-me isso!

Ela o tira de mim e o guarda na mochila com força. Antes de ela sair pego seu braço. Ela me olha irritada mas vejo medo neles também.

–Gostas do Jamie?

–Cala-te!- Repreende-me olhando em volta.

–Porque não lhe dizes.

Ela deixa de olhar em volta e me olha cínica.

–Estás a gozar, certo? Ele não gosta de mim! Porque lhe diria que gosto dele? Para depois me humilhar?

–Jamie não é assim e tu sabes!

–Não, ele não é.- Suspira concordando.- Mas nada seria o mesmo. Eu gosto de ser amiga dele. Não quero perder isso.

–Talvez ele goste de ti, já pensaste?

–Não gosta.- Diz com um sorriso triste.- Ele gosta de uma garota do 2 ano.

Mordo meu lábio sabendo que era verdade. Jamie fica a olhando imensas vezes na hora do almoço.

–Talvez…

–Esquece, Deb!- Ela me interrompe calmamente.- Não vale a pena. Eu sei disso á anos, e já o aceitei.

Ela se virou e saiu da minha visão. Suspirei e sai da sala também. Andei até ao estacionamento e vi Jamie encostado ao carro com Erin e Stuart. Não havia sinal de Monick.

–Ei.

–A Monick?- Erin me pergunta.

–Ela teve de ir para casa mais cedo.- Minto e ela assente dando de ombros.

–Bora?- Jamie me pergunta e assinto.

Ando para o outro lado do carro e abro a porta.

–Ei.

Vejo Jamie franzir a testa para a pessoa atrás de mim, assim como Erin que estava também chocada, e Stuart. Viro-me para trás e assusto-me um pouco com a proximidade. Levanto os olhos do peito do garoto para seus olhos negros.

–Ei?

–Algum problema?- Oiço Jamie perguntar atrás de mim.

–Beth pediu-me para vir.- O garoto me explica e franzo minha testa confusa.- Beth? A irmã de Tony.

–Ah!- Assinto chegando lá.

–Ela quer que tu e teu irmão jantem lá hoje. Eu posso mostrar-vos o caminho.

–Deb?- Jamie pergunta e o olho sorrindo.

–Relaxa, Jamie. Eu vou ter de ir. Mas obrigado na mesma.

Ele assente ainda olhando o garoto á minha frente. Viro-me para o mesmo que me olhava sorrindo agora. Um sorriso divertido e jovial demais para o rosto duro dele. O que o tornava bastante fofo!

–Ainda vou ter de buscar Josh.

Ele assente e me despeço de meus amigos antes de ir. Senti os olhos deles nas minhas costas e revirei os olhos. Olhei o garoto ao meu lado que olhava em frente descontraído com as mãos nos bolsos. Desta vez ele vestia uma t-shirt, mas continuava a ser roupa a menos para mim.

–Como te chamas?- Pergunto e ele me olha.

–Jim.

–Eu sou a Deb mas… tu já deves saber isso.- Digo com a testa franzida me perguntando se ele sabia ou não. Quer dizer, Anthony podia ter contado. Falado de mim, talvez. Ou então Elizabeth falou meu nome.

–Eu sei quem és.- Diz sorrindo abertamente.- Deborah Larky. Enteada de Tony. Ouvi falar muito de ti.

A maneira divertida com que ele falou me deixou intrigada.

–O que queres dizer com isso?

Ele sorri e dá de ombros me olhando.

–Digamos que teu nome está na boca do povo.

–Que povo? Porque meu nome? Que raio estás a falar, garoto!

Ele ri para minha confusão e irritação e eu bufo cruzando os braços.

–Desculpa, não era para te ofender. Tony fala bastante de ti e teus irmãos. Não tens noção de quantas vezes ele se queixou para nós por seus futuros enteados não gostarem dele.

–Eu gosto de Anthony.- Digo colocando minhas mãos nos bolsos do casaco e olhando em frente.- Ele é um bom cara.

–Ele é.- Jim concorda comigo baloiçando a cabeça para trás tirando os cabelos castanhos dos olhos.

O silêncio se instaurou entre nós, mas foi um silêncio bom. Jim estava bem descontraído e o invejei por isso. Ele parecia não ter medo do mundo. Olhava tudo com calma e com um sorriso nos lábios. As pessoas o olhavam por onde passávamos. Ele era bem popular por aqui.

Talvez por ele ser um maluco e andar apenas de t-shirt com um frio destes.

–Deb!

Sorri para meu irmão que correu até nós com um sorriso enorme nos lábios. O boné que lhe dei estava na sua cabeça e havia um outro nas suas mãos. Era o boné dele. O boné que meu pai lhe dera. Meu sorriso logo se foi abaixo quando reparei nos magoados de seu rosto.

–Ei, Joshy. O que aconteceu?

–Olha! Consegui! – Diz eufórico levantando o boné que tinha na mão.- Royce tentou tirar-me o boné que me destes, mas não conseguiu. Eu bati-lhe tanto, Deb. Devias ter visto! Ele ficou com tanto medo que me devolveu o outro.

–Mas recebeste de uns belos de uns machucados.- Jim diz ao meu lado.

–Mas venci!

Meu irmão era um garoto orgulhoso de seus feitos. Estava feliz por isso. Ninguém nos dava nada nesta vida. Precisávamos lutar pelas coisas.

–Assim é que é, campeão.- Bati minha mão na dele rindo.

–Posso ficar com o teu na mesma?- Pergunta e assinto dando de ombros.

–Claro.

Custava. Eu não podia dizer que não, mas custava largar o boné, mas era meu irmão. Não é como se nunca mais fosse ver o boné. Joshua precisava dele e eu sabia que ele lutaria por ele. Então, tudo bem. Ele estava em boas mãos.

–Boa!

Começamos a andar de novo com Josh relatando a sua luta incrível com o “garoto gigante sem miolos” como meu irmão rotulou seu adversário carinhosamente. Eu e Jim apenas conseguíamos rir de meu irmão. Ele era um garoto feliz e bem maluquinho, e talvez, mas só talvez, eu tivesse um pouco culpa nisso.

–Ainda bem que viestes!- Elizabeth diz mal entramos pela porta da frente.

Sua casa era bem simples, como todas as típicas casas de Forks. Lily estava a brincar perto da lareira com um cão cor de areia. Ela nos olhou e sorriu para Jim.

–Jim!

–Oi, pequena.

Jim andou até ela e lhe pegou no colo a fazendo rir e o abraçar com força. Lily era uma menina pequena de 7 anos. Ela tinha a altura de minha prima Lisandra e conseguia ser tão fofa quanto qualquer bebezinho. Ela era bem-parecida com seu pai. Os cabelos castanhos-claros e olhos verdes. A única coisa que mostrava que ela era de La Push, era a pele bronzeada.

–Sentem-se, meninos. Vou buscar um lanchinho.- Elizabeth nos diz antes de voltar á cozinha.

Sento-me no sofá em frente á lareira e Josh senta-se ao meu lado. O cachorro levanta-se e anda até ele cheirando-lhe as mãos. Meu irmão sorri e acaricia seu focinho.

–Já conheces teus novos primos?- Oiço Jim perguntar e o olho.

Lily abana a cabeça negando enquanto nos olha com um sorriso envergonhado.

–Então vamos lá.- Jim senta-se no chão á minha frente com Lily no meio das pernas.- Deb, Josh, esta é a Lily. Lily, estes são teus novos primos, Deb e Josh.

–Ei.- Digo sorrindo acariciando sua bochecha a fazendo corar.

–Ei.- Diz de volta mexendo-se um pouco no colo de Jim.

Ela era tão fofa.

–Como se chama?- Josh pergunta acariciando o cachorro.

–Sponge Bob.- Lily pergunta e Josh ri erguendo as sobrancelhas.

–Sponge Bob? Sério?

–Sim, é como os bonecos!- Lily explica.- Eu gosto dos bonecos e gosto do Sponge Bob. Então ficou Sponge Bob!

–Normalmente é só Bob.- Elizabeth diz aparecendo com uma bandeja.

–Eu gosto de Sponge Bob. É diferente. – Digo acariciando a cabeça do cachorro que me olha com a língua de fora.- Belo nome.

–Obrigado.- Lily me agradece envergonhada e sorri-o.

–Comam, crianças. Menos tu, Lily. Já comeste.

A menina assente e volta para perto dos brinquedos. Sponge Bob a acompanha e deita-se de novo aos pés dela. Parecia seu guarda-costas pessoal. Peguei meu copo com sumo e deixei as bolachas para os rapazes. Minha fome era nula.

Eles limparam até a última migalha!

–Folgados.- Digo os vendo deitarem-se para trás no sofá com um ar satisfeito.

–Estão deliciosos, Elizabeth.- Meu irmão fala alto para a mesma o ouvir da cozinha.

–Obrigado, Joshua!

–Eu ainda comia mais.- Jim comenta e o olho incrédula.

–Tu comeste mais que Josh. E ainda tens fome?

–Ficou um buraquinho aqui ainda.- Diz apontando para a barriga fazendo beicinho e ri-o ainda chocada.

–Jimy come muito. Mamãe fala que ele parece um furacão destruindo todos os doces que aparecem pelo caminho.- Lily fala andando até nós.

–Ele vai é levar tua mãe a falência se ficar por aqui muito tempo.- Digo e pego nela sentando-a no meu colo a fazendo me sorrir.

–Beth me ama.- Jim fala gabando-se.- Ela não se importa de cozinhar para mim o dia todo.

–Menos, né, Jim?- Elizabeth diz aparecendo com uma taça de biscoitos.- Aqui.

–Te amo, Bethy!

Jim fala animado sentando-se de novo. Ele parecia ter acabado de acordar. Ele estava no quinto biscoito e ainda nem tinham passado dois minutos. Eu apenas olhava para ele com Lily no meu colo. Josh via a TV sentado no chão com Sponge Bob.

–Não vais ficar doente, não?- Pergunto e Jim me olha piscando-me o olho.

– Relaxa, baby. Meu organismo é forte. E eu sou um rapaz grande, preciso de muita comida para encher meu grande estomago.

–Quem é que tem um grande estomago?

Olho para trás e vejo o pai de Lily aparecer. A menina grita e corre até ele que ri pegando-lhe ao colo e beijando seu rosto. Por momentos me lembrei de meu pai. Eu costumava fazer o mesmo com ele.

–Jim. Ele é um furacão!- Lily explica ao meu me fazendo rir com os restantes.

–Um grande furacão.- Heiter olha para nós e acene.- Boa tarde, pessoal.

Aceno com um pequeno sorriso e Jim sorri largamente com os biscoitos na boca. Ri-o e bato em seu ombro o repreendendo. Depois de todos os biscoitos comidos, Jim vai, dizendo que tinha marcado com a malta, que eu considerei ser os garotos de tronco nu.

Depois do jantar, eu e Josh voltámos para casa. A noite estava fria, nada forda do normal em Forks. Antes de entrar em casa e fechar a porta, senti-me observa e minha nuca coçou. Abanei a cabeça esquecendo disso e fechei a porta a trancando logo de seguida.