Notas iniciais
Mais um dia, menos um dia. Hoje, acontecerá uma coisa que só quem tem MUITA paciencia e MUITO amor no coração consegue superar sem dar umas pelas de porradas em alguém!
Baixe a música "Espírito Santo" da Fernanda Brum, e assim que eu disser PLAY, solte a música.
Nos vemos lá em baixo. Boa leitura!

Abri os olhos ainda um pouco cansativa. Meus olhos estavam pesados. Minhas lágrimas de ontem a noite haviam secado, e eu percebi e relembrei de tudo que havia acontecido. Eduarda Maria estava com a perna em cima da minha, e do outro lado, ela estava com a cabeça apoiada no colo do meu irmão. Dormimos todos na mesma cama. Estávamos cansados de ontem, e hoje, pela Graça de Deus, minha voz não amanheceu rouca e nem nada. Amanheceu bonita, fina, boa de se ouvir. Deixei os dois dormindo e fui trabalhar. Hoje, uma aluna minha iria se apresentar. Era época de prova no meu trabalho, e ela teria que me apresentar cinco músicas de pianistas diferentes, e além disso, teria que cantar uma música em inglês, na prática em conjunto, com mais 10 pessoas. Ela iria fazer solo.

Assim que levantei finalmente, percebi que já passava das nove horas, e a aula era as dez. Desesperei-me, e então, corri para tomar um banho. Creio eu que meu irmão, ouvindo o barulho da água, levantou e correu para o banheiro. Eu pensando que ele me reconheceria, gritou logo pelo primeiro que lhe veio a mente: "Demétria! Demi, é você?"

Me decepcionei novamente. Ele nunca iria perceber, e minha paciencia estava se esgotando. Eu havia cansado de esperar ele ver alguma coisa, ou ao menos se esforçar para perceber o brilho nos meus olhos. Mas e daí?

Terminei de tomar banho. Coloquei uma camiseta tom pastel, muito neutra. Por cima, um suéter branco bem clarinho. Pus uma calça e um all-star branco. Não esqueci de voltar ao quarto, e beijar o rosto da minha Duda, e pegar o meu violão, que neste momento estava deitado no chão do meu quarto.

Desci as escadas correndo, e então, destranquei o carro. Joguei meu violão no porta-malas, junto com o meu teclado, e com o meu afinador. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo, já que o calor nesta manhã estava escaldante.

Liguei o rádio numa rádio evangélica. Fazia muito tempo que eu não ouvia uma música evangélica. Nos problemas da minha vida, eu as vezes esquecia que foi Deus que me colocou aqui hoje, que foi ele que tornou possível a minha vinda na Terra.

Eu já fui evangélica, mas devido a problemas, parei de ir a igreja, e esfriei. Não tinha mais aquela graça, aquela chama. Voltando dos meus devaneios, ligando o rádio, estava passando uma música que eu conhecia, e que me fez relembrar do meu passado de novo, e de mais algumas coisas que poderiam acontecer no meu futuro.

(PLAY)

_ E agora, mais um sound pra quem tá precisando! Com vocês, mais um song da Fernanda, Fe-fe-fe-fernaaanda Bru-uuum! — dizia o locutor da rádio enquanto ela cantava uma música que dizia mais ou menos assim:

"Espírito Santo, ore por mim, leve pra Deus tudo aquilo, que eu preciso..."

Assim que eu ouvi essas frases lindas, eu lembrei do meu irmão, da minha família, da minha pequenina, do meu namoro por internet com um menino adolescente que é pastor em sua igreja. Me lembrei de uma amiga minha que se matou por ter perdido a mãe. E tudo foi passando na minha mente tão rápido. As lembranças foram surgindo. E eu me lembro muito bem delas!

_ AI MÃE, LARGA DE MIM! QUE SACO! — Eu estava com muita raiva por minha mãe não ter deixado eu sair de casa com minha amiga Clarice.

_ Minha filha, eu só não deixei por que... — e minha mãe tentava se explicar pouco a pouco, e nunca conseguia. Eu subi as escadas e tranquei a porta de meu quarto. E no dia seguinte, ela morreu.

PORQUE EU DISSE AQUILO?

Minha mãe, sempre sábia e eu a desobedecendo. Eu queria poder voltar atrás, mas não consegui de jeito nenhum. Enfim, o tempo havia passado, e eu havia chegado ao meu destino.

A apresentação demorou duas horas. E agora, vem o coral para cantar uma música americana.

Father, Can you Hear me?

Eu apreciando eles cantando, entrando no ritmo, quando acabou, fiquei muito chateada por ter de ir embora.

Chegando em casa, fiquei muito cansada. Encontrei meu irmão e Duda comendo na cozinha. Fui tomar outro banho. Eu precisava descansar de novo.

Saí do banho, encontrei uma carta na mesa.

Irmã. Fui na casa da Demétria. A Duda ficou na casa da tia Alice e do Tio Rafael. Beijos. Peguei o carro! Att, Victor.

Assenti. Fui dormir.

*

Quando acordei, eu percebi que já passava das nove horas da noite. Eu antes, havia chegado em casa quatro horas da tarde. Eu havia dormido cinco horas. Meu Deus.

Desci as escadas, encontrei Duda chorando e vi Victor chorando no sofá.

_ O que ocorreu? — abracei os dois ao mesmo tempo, como em um abraço comunitário.

Levei os dois para o meu quarto.

_ Eu sou um idiota! — dizia Victor, gritando dentro do quarto. Ele havia deixado o carro bater.

_ Hey! Calminha! Bicicletas existem, rapaz! — e ele olhou para mim pensativo.

_ NÃO VAI BRIGAR COMIGO? — ele quase que se assustou.

_ Não. Vem, vamos dormir, você está cansado — ele olhou para mim de forma incrível. E eu sorri apenas, esperando que ele visse o meu sorriso.

Continua

Notas finais
Capítulo 3, postado! Sem spoilers hoje, meus amores. Espero que gostem.