Saga Entre Anjos e Demônios

7 Capitulo VI - Um raio de Sol em meio a escuridão.


Notas iniciais
Atenção este capitulo contem cenas assustadoras e é de extrema necessidade que deixem seus comentário no final da leitura. Segurem-se firme e aproveitem...

Capitulo VI — Um raio de Sol em meio a escuridão.

“Gostaria que você me segurasse quando eu viro as costas

(Bem) Quanto menos eu dou, mais eu recebo de volta

Suas mãos podem curar, suas mãos podem ferir

Eu não tenho uma escolha, mas eu ainda escolho você”

Poison e Wine – The Civil Wars.

–Santo Deus, você está com um cara horrível! –Disse Trevor antes de deslizar para o banco de trás do New Beatle branco de Zoe. Alessa sorriu de canto revirando os olhos, sentindo o cansaço pesar-lhe os ombros.

–Se Zoe ao menos deixasse cochilar por alguns segundos... –Ela olhou para o canto e viu a amiga sorrir totalmente desperta depois de falar sem parar sobre os planos da festa durante toda a noite.

–Não tenho culpa se temos em mãos um evento para organizar, alem do mais do que depender de nós esse será o maior e melhor evento que a Saint Edgar´s School já teve em todos os tempos.

Alessa e Trevor gargalharam enquanto Zoe manobrava o carro pela pequena estrada de saída do internato. Era uma tarde fria de quinta feira na Saint Edgar´s School. Zoe havia convencido o diretor Davis deixar que ela, Alessa e Trevor se retirassem por algumas horas a fim de adiantarem as compras com respeito à decoração da festa de hallowen.

Deste o incidente que queimou grande parte do quarto de Alessa, ela se virava como podia dormindo com Zoe, até que a reforma em seu quarto acabasse o que resultavam em horas a fio acordada ouvindo Zoe tagarelar, contando todos os anos que passara estudando ali.

Contou coisas tais como quando Annabelle não passava de uma garotinha humilhada por Helena e de como a garota subiu a cessão popular do colégio logo após Helena se tornar a esquisita.

Zoe não falava de Dominic e Alessa não perguntava, era como se fossem amigas, ela sentia isso a cada vez que não tocavam no nome dele, embora o assunto sempre acabava no belo par de olhos verdes com tatuagens estranhas.

E havia também Trevor, um bom amigo embora suas investidas em Alessa começassem a se tornarem cada vez mais frequentes, principalmente porque se encontravam ainda mais.

–Mesmo com as olheiras e tal você ainda está bonita! –Alessa sentiu as bochechas corarem, e o silêncio reinou por um tempo. Ela desviou sua atenção para a janela observando a paisagem ao mesmo tempo que escondia seu rosto do olhar apaixonado de Trevor.

...

Era a terceira loja de fantasias e artigos para festa que entravam, Alessa já sentia o cansaço em suas pernas e uma incômoda dor de cabeça atrapalhava seus pensamentos. Desta vez ela deixou com que Trevor e Zoe fossem sozinhos.

Ela deu um passo para trás e segurou a porta antes que o sininho da entrada soasse e Zoe acabasse se lembrando dela. Então saiu para a tarde fria o céu cinza e o vento gélido com suas arvores semi nuas.

Os carros passavam vagarosamente naquele transito inexistente de Stanford, a penumbra púrpura do crepúsculo ardia no céu, dando sinal que a neve se aproximava. Alessa sentou-se em um banco próximo a loja, apertou-se no casaco escondendo as mãos nos bolsos.

–Quer dizer que não sou o único a fugir do internato? – Alessa se virou para ver Dominic parado logo atrás dela.

O coração pareceu parar, a boca secou e por instinto ela prendeu a respiração, o que ele fazia ali? Dominic sorriu com o espanto da garota. Era exatamente essa reação que ele esperava dela, afinal o que mais poderia esperar?

Alessa bufou, desviando seu olhar daquele lindo sorriso. Bateu os dedos sobre a madeira de encosto do banco e pensou na melhor lição para aquele garoto imprevisível. Por fim decidiu-se, ensaiou a melhor cara de desprezo e levantou-se, dando-lhe as costas partiu.

–Hei! –Ele a deteu segurando seu braço com delicadeza. – Você não precisa ir...

–Eu sei que não preciso ,é só que... –Alessa abaixou os olhos para a mão forte de Dominic em seu braço, ele engoliu o nada e a soltou. –Eu quero ir!

Ela se virou, mordiscou o lábio inferior e cerrou os olhos, mas que droga era aquela que ela não conseguia dar um passo se quer? Respirou fundo e obrigou os pés a se moverem, um, dois, três passos.

–Vai mesmo se eu disser que estou aqui por você? –Disse ele fazendo com que a garota parasse de imediato em meio a calçado sentindo o coração martelar.

Veio por ela? Que espécie de brincadeira era aquela? Voltou-se a ele, fitando-o incrédula, ele tinha os olhos baixos, os lábios cerrados em uma fina linha e as sobrancelhas unidas.

–Por favor, pare com isso está bem! – Dominic a encarou surpreso. –Você não tem o direito de brincar dessa maneira, esse seu humor imprevisível está acabando comigo.

–Desculpe eu só.... acho que eu só estava tentando mantê-la afastada.

Alessa abriu um sorriso forçado, a irritação fazendo suas bochechas corar. Ela trincou os dentes e afundou as mãos nos bolsos de seu casaco. Olhando para o fraco transito.

–Desculpe se sou tão repugnante ao ponto de você não querer minha companhia! Saiba que eu também não quero a sua!

–Não é por isso... – Ele trincou os dentes negando a acreditar que estava dizendo tudo aquilo.

–Então por quê? –Ela empinou o nariz, mas era evidente em seu tom de voz que ele a pegara de surpresa.

Dominic suspirou e encarou os seus pés, franzindo a sobrancelhas e Alessa se contorceu em sua curiosidade, daria tudo para saber o que ele estava pensando, porque por mais que ela negasse, e ela negaria se alguém a perguntasse, ela se interessava, temia pelo que aquele belo garoto poderia pensar dela.

–Não quer dar uma volta... acho que lhe devo algumas explicações! –Alessa sentiu seu coração pulsar e seu corpo inteiro parecia uma avalanche de emoções, estremecendo capaz de acabar com tudo em sua volta.

Seus olhos vagaram entre o maravilhoso par de olhos verdes e as cabeças de Trevor e Zoe visíveis pela porta de vidro.

–Não posso, estou com Zoe e Trevor... – Ela mordiscou os lábios olhando novamente para alem das portas de vidro.

–Prometo não demorar... Eu realmente gostaria de passar um tempo com você... Sabe explicar... –Ele passou as mãos pelos fios negros e sorriu, Alessa sentiu borboletas baterem asas em seu estomago. –Qual é prometo me comportar.

Ela assentiu e deu alguns passos pondo-se ao lado dele.

–Se você dizer alguma coisa rude, ou se comportar como um imbecil eu largo você aqui e vou embora.

–Está com fome? Conheço um ótimo cachorro quente a moda americana... –Alessa sorriu franzindo o cenho.

–Talvez eu prefira algo quente.

Dominic assentiu e ambos continuaram andando um ao lado do outro com os olhos fixos nos pés, Alessa se apertava no casaco grosso enquanto o garoto parecia perfeitamente confortável na jaqueta de couro.

–Então seus pais não surtaram com o incidente?

–Minha mãe não, mas meu pai... bem ele acha que eu sou um problema ambulante.

–Não foi isso que me pareceu, eles pareciam bem preocupados com o que houve, afinal você se livrou por pouco.

Alessa sorriu, ele estava mesmo interessado na vida pessoal dela? Estava mesmo observando a maneira como os pais a tratavam?

–Foi apenas um incidente, meu pai não estaria nem um pouco preocupado se eu deveria ou não ter me livrado do quarto em chamas.

–È isso que você acredita? –Ele se virou para olhá-la. –Que foi um acidente?

–Acho que é isso que todos parecem acreditar...

–Ouvi boatos de que você viu alguém estranho andando pelo gramado externo naquela noite!

–Ele estava perto das janelas, estava descalço e sem camisa, apesar do frio parecia perfeitamente confortável daquele jeito, e também tinha algo a mais, a maneira como ele se movia tão... tão...

–Tão?! – Incentivou ele, encarando-a com interesse.

–Deixa para lá, ninguém se importa porque você se importaria. –Dominic deteve-se para olhá-la. –Por favor, apenas... apenas deixe para lá. Além do mais eu aceitei vir com você porque me deve satisfações e não para você investigar o incidente... Espere você está querendo fazer com que eu me esqueça da sua promessa de se comportar!

Dominic sorriu e apontou para uma pequena praça onde havia um carrinho com chocolates fumegando.

–Acho que você me pegou. Que tal chocolates por hora? Prometo que me explico em detalhes depois.

Alessa aguardou sentada em um banco de madeira, esperou Dominic apanhar os chocolates e se surpreendeu ao vê-lo pagar por eles, afinal ele tinha toda aquela pinta de garoto malvado.

–Então porque você me quis longe? –Disse apanhando o copo gigantesco de chocolate e observar enquanto Dominic se sentava no banco de madeira.

–Eu prometi não é?! –Ela assentiu sorrindo e ele franziu as sobrancelhas. –Bem talvez eu não a quisesse longe, talvez eu só não queria te colocar em mais problemas...

–Acha que se eu me aproximar de você estarei me metendo em problemas? Desculpe, mas não vejo você assim, você até paga por seus chocolates? – Ela levantou o copo e tomou um gole.

Ele gargalhou, mas rapidamente seu sorriso desapareceu dando lugar a lábios comprimidos e olhos baixos. Alessa ouviu o suspiro pesado de Dominic, se compadeceu da maneira como ele olhou para ela.

–Você não me conhece, nem um pouco... As pessoas nem se quer gostam de mim, elas... elas simplesmente reconhecem o risco e se afastam. Sempre foi assim... –Ele abriu um sorriso amargurado enquanto encarava o chocolate intocado.

Alessa escorregou no banco para mais perto e segurou-lhe a mão, vendo-o olhá-la espantado, sentindo-o tremer. O que significava aquilo?

–Eu nunca tive medo de você, não consigo enxergá-lo assim, aliás eu não consigo enxergá-lo de maneira alguma, afinal você não me deu oportunidade de conhecê-lo de maneira nenhuma... – Alessa deu um gole em seu chocolate. –Talvez por isso que as pessoas se afastam, talvez elas se cansem de tentar enxergá-lo como você realmente é, portanto não estou satisfeita com sua explicação!

Ela arqueou uma sobrancelha e sorriu, Dominic a olhou encantado, ela era linda, seu sorriso brilhava juntamente com seus olhos e sua pele cintilava branca feito porcelana.

–Minha vez de fazer uma pergunta... O que te fez ir para Saint Edgar´s School?

–Um castigo, eu me envolvi em um acidente no verão passado, havia uma garota no meu carro e ela... ela ficou em coma! Meus pais acharam que os muros altos da prisão do Edgar´s School fossem o bastante para me deixarem longe de problemas.

–E você detesta aquele lugar. Dá pra ver em seus olhos.

–Meu pai diz que tenho sorte por não terem me enviado para um reformatório e minha mãe acha que devo ser grata por ter aulas de arte... –Ela sorriu brincando com o dedo sobre a borda do copo. –Minha vez, você sempre morou em Stanford?

–Na verdade não, digamos que sou de muitos lugares...

–E por que escolheu este lugar? Por que escolheu o Saint Edgar´s School?

–Hei só tem direito a uma pergunta, tecnicamente é minha vez de perguntar.

–Nada disso, “tecnicamente”... –Disse ela sinalizando aspas com os dedos no ar. – Você não me deu uma resposta satisfatória da minha primeira pergunta.

–Ok. Bem Stanford é uma cidade pequena, e o Edgar´s School me pareceu tranquilo o bastante para ser chamado de meu... Eu venho de um lugar distante, um lugar que acho que nunca mais voltarei a ver, digamos que não sou bem vindo lá.

–Que dramático... –Ela forçou um sorriso tentando animá-lo, mas aquilo não funcionou, Dominic continuava de olhos fixos nos pés. –Desculpe... Eu sinto muito. E seus pais são de lá também.

–Toda a minha família... –Murmurou ele.

–E eles não se preocupam de você estar tão longe? Sabe, talvez eles tenham saudades.

–Eles não me querem por perto alem do mais não estou sozinho, onde quer que eu vá existe outros como eu.

–Outros como você? –Ela franziu as sobrancelhas e sorriu.

–Minha vez de perguntar... Você não tem mesmo nenhum medo de mim não é?

–Claro que não... –Ela gargalhou. –Por que eu teria? Seu mau humor não é motivo valido.

Aquelas palavras remexeram algo dentro dele, nenhum ser humano havia dito que não tinha medo dele. Era uma sensação boa, Dominic se sentia quase que puro, quase que limpo novamente, sentia-se um anjo e não um demônio.

–Alessa?! –A garota se virou e percebeu um garoto logo atrás dela.

–Oi... –Ela sorriu, Dominic acompanhou seu olhar até avistar a figura que caminhava em sua direção. –Não esperava te encontrar tão cedo... Desculpe pelo fim de semana, aconteceu um imprevisto!

Alessa observou Dominic ficar tenso, ele encarava o garoto logo a sua frente, os punhos cerrados, os olhos raivosos. Sammuel também não parecia nem um pouco à vontade, ambos se encaravam e Alessa temeu que saíssem aos tapas ali mesmo.

–Dominic esse é Sammuel... Nos conhecemos na loja do Sammuel... Vocês já se conhecem?

–Digamos que Dominic é um velho irmão... Desertado! –Sammuel encerrou sua frase to baixo que Alessa apenas viu seus lábios se moverem, mas não foi capaz de discernir aquela palavra.

–Bem Alessa, acho que devo ir. –Dominic cerrou os olhos voltando-se para ela.

–Não... –Murmurou, com aquele aperto no coração, ela não queria que aquele momento que estavam tendo nunca mais acabasse. –Não precisa ir agora!

–Desculpe eu tenho outras coisas para fazer, foi bom conversar com você... –Ele sorriu para ela tocando levemente as pontas de seus dedos na mão de Alessa, ela estremeceu.

–Eu atrapalhei seu encontro? –Sammuel sorriu curvando-se para perto dela.

–Não, claro que não! –Ela seguiu Dominic com os olhos até ele desaparecer por entre as ruas frias de Stanford. – Só estávamos colocando alguns assuntos em dia, resolvendo algumas coisas

Alessa tornou a se sentar no banco estava em uma espécie de nostalgia, não acreditava que tivera uma segunda conversa decente com Dominic e ele se mostrara um garoto simpático e incrível.

–Eu realmente não queria atrapalhar sua noite, é que eu fiquei espantado quando te vi com Dominic.

–È ele estuda no mesmo internato que eu... –Murmurou ela ainda olhando por cima dos ombros. –E vocês, se conhecem tem muito tempo?

–Sim, nos conhecemos a muitos anos atrás, éramos bons amigos, praticamente irmãos. Mas não é uma boa hora conversar sobre isso. –Alessa sorriu forçosamente, estava se roendo para saber mais. –Achei que não te encontraria mais...

–Eu tive um contra tempo no internato e não consegui sair no fim de semana, sinto muito mesmo Sammuel.

–Não tem problema, estamos aqui, que tal aproveitar? –Ele sorriu os dentes brancos cintilando para ela, ele era mesmo lindo.

–Claro! Então como anda a loja?

–Tudo bem, acho que vou ficar por aqui um bom tempo.

–Mesmo?! Legal...

–Vou ficar principalmente por ter conhecido uma garota tão incrível!

–Mas nós mal nos conhecemos! –Ela gargalhou. Sammuel se aproximou escorregando pelo banco e tomando uma das mãos de Alessa entre a suas sorriu.

–Sinto como se devesse ficar perto de você, como se fosse destinado para você... Eu te conheço, pode apostar! –A garota sentiu o coração palpitar, ele era lindo e super carismático, não chegava nem aos pés de Dominic. — E a pedra ainda está com ela?

Alessa sorriu afundando as mãos no colarinho do casaco e retirando o cordão.

–Ela é linda Sammuel, não me canso de ficar olhando... As vezes ela brilha tanto, mas as vezes permanece fechada e escura. –Seu sorriso murchou e de repente seus olhos se tornaram pesados, a pedra era como ela, reluzente e feliz em alguns momentos e em outros, totalmente obscura e fechada.

–Achei que você gostaria dela por esse motivo... –Sammuel envolveu seus dedos nos de Alessa fazendo que a garota o olhasse de imediato. –Ela é tão especial quando você. – Ele abriu um meio sorriso fazendo o coração da garota derreter. –Essa pedra é tão imprevisível quanto você parece ser. Naquele dia, na minha loja eu achei você uma garota frágil e meiga, quando coloquei a pedra em suas mãos ela reluziu delicadamente assim como você, mas hoje eu vejo uma Alessa forte e sombria, assim como a pedra está escura.

–Quer dizer que ela reluz de acordo com meu humor? –Sammuel assentiu e Alessa olhou para a pedra intrigada. –È incrível...

–Alessa! Nós te procuramos por toda parte! –Zoe e Trevor atravessavam a rua em direção a garota. Era sua deixa, ela se levantou e Sammuel fez o mesmo.

–Eu encontrei algumas pessoas e não resisti...

–Não tem problema... –Zoe abriu um gigantesco sorriso para Sammuel.

–Este é um amigo, estes são Zoe e Trevor, eles também estudam comigo.

–È um prazer conhecê-los. –Sammuel sorriu para Zoe e Alessa pode vê-la se derretendo enquanto segurava a mão do garoto em um comprimento.

–Não acha que está na nossa hora não? –Trevor cruzou os braços decididos a ignorar a presença de Sammuel.

–Temos que ir... Foi bom revê-lo... –Alessa olhou para Sammuel. O garoto segurou-lhe a mão e a puxou para um abraço.

–Tenho certeza que nos veremos. –Alessa sorriu envergonhada e seguiu Trevor e Zoe de volta.

–Compramos um monte de coisas... Zoe teve um surto de imaginação e conseguiu encontrar fantasias horripilantes.

–Caramba que cara lindo! Você o conhece tem muito tempo?

–A duas semanas... Ele me deu este cordão, um presente muito especial. –Alessa sorriu alisando a pedra.

–Por favor, vocês duas não vão começar a falar sobre isso agora não é?

–Quieto Trevor... Alessa ele parece super interessado de você. Viu como ele te olhou?

–Acho que não Zoe... ao menos espero! –Alessa decidiu-se por ir no banco de trás e manteve-se calada em seu estado de nostalgia por todo o trajeto.

...

–Não sei se vamos conseguir terminar tudo a tempo. A culpa é toda sua Trevor, por que não agilizou com todas essas caixas? –Vociferou Zoe.

–A culpa não é minha Zoe, você que espantou todos que quiseram nos ajudar... Você é insuportável, não sei como consegui ficar aqui todo esse tempo.

Zoe encarou Trevor com os olhos esbugalhados, como ele poderia ser tão ingrato? Ela apenas estava tentando deixar tudo perfeito. Alessa sorriu revirando os olhos, eram duas crianças que não se desgrudavam e viviam a brigar. Ela arrastou uma caixa para o canto perto ao banco do jardim e andou em direção aos dois que brigavam.

–Hei somos uma equipe não é?! –Ela se posicionou ao meio enlaçando-os com os braços em torno do pescoço. –Não podemos brigar, se trabalharmos juntos vamos conseguir terminar a tempo.

–Você ouviu as coisas horríveis que ele disse? –Zoe fazia um beicinho.

–Não ligue para ele está bem?! Tenho certeza que ele não fez por mal.

Zoe pôs –se a trabalhar, Alessa apanhou outra caixa e começou a fincar os enormes espantalhos na terra fofa logo em baixo do carvalho próximo a sua antiga janela. Os alunos andavam pelo gramado ou observavam pela janela, mas nenhum deles se ousavam a se aproximarem para ajudar.

–Parece que a idéia de vocês foi muito boa... –Alessa se virou para ver Dominic parado sobre o gramado com as mãos no bolso do jeans.

–A idéia foi toda da Zoe... –Ela não pode evitar sorrir. –Talvez não vamos conseguir terminar tudo antes do pôr do Sol.

–Poderia nos ajudar Dominic? –Zoe abriu um sorriso quando viu a felicidade estampada no rosto de Alessa e quando viu que Dominic também sorria para a garota. –Se quiser pode ajudar Alessa a arrumar os espantalhos.

–Qual é Zoe?! –Berrou Trevor irritado. –Não estamos mendigando ajuda.

–Não tem problema nenhum... Eu ajudo!

Dominic andou em direção a garota ajudando-a a segurar o enorme espantalho, olhando-a tão fixamente que ela não pode deixar de ficar vermelha.

–Esses são bem reais. –Alessa amarrava o boneco na estaca enquanto Dominic o segurava firmimente. –Zoe tem uma imaginação em tanto não?

–È... quem diria não é, parece tão ingênua. –Alessa devolveu-lhe o sorriso, o Sol brilhava sobre suas cabeças e ela parecia tão viva agora, talvez estivesse se acostumando com o lugar, ou talvez ela esteja tendo sentimentos estranhos com o garoto. –Desculpe por ter falado mal de seus amigos aquele dia.

–Realmente aquilo foi muito rude... –Ela havia terminado com a amarração, estava parada de frente a ele. Um vento sobrou jogando os cabelos dela sobre seu rosto e trazendo a Dominic seu perfume agradável. –Mas nada em você me surpreende agora.

–Você está enganada, eu ainda posso te surpreender em muito. –Ele abaixou os olhos, seus lábios formando uma linha rígida. Então deu meia volta e se encaminhou para a próxima estaca.

–Qual é... eu disse alguma coisa errada? –Ela teve que correr para alcançá-lo.

–Não, claro que não! –Ele a olhou de maneira carinhosa, isso provocou algo dentro dela, nunca vira Dominic olhá-la daquela maneira. –Escute Alessa, sou eu quem faço as coisas erradas por aqui, e não você.

–Tem certeza disso, porque ultimamente eu acho que estou conseguindo me envolver em problemas, um atrás do outro e...

Dominic, segurou-lhe a mão, fazendo-a se calar de imediato. Ele sorriu, abaixando os olhos para as mãos dela acariciando, Alessa sentia como se suas mãos estivessem em chamas, seu coração batia descompassado ele estava parecendo o garoto de seus sonhos.

–Esqueça isso está bem... –Ele a soltou, com delicadeza, mas Alessa pode notar o esforço que ele fez. -Como foi seu encontro com Sammuel?

–Não conversamos muito, Zoe e Trevor me encontraram e viemos embora... –Alessa observou Dominic voltar ao trabalho, ele estava com os cabelos presos na nuca e seus olhos verdes brilhavam, incrivelmente lindo. –Ele me falou sobre como se conheceram.

–Mesmo?! O que ele disse? –Ele franziu o cenho enquanto apoiava o pesado boneco na estaca para que Alessa o amarrasse.

–Nada demais, apenas que você e ele eram amigos, praticamente irmãos... –Dominic abriu um meio sorriso, tão amargo que Alessa quis saber o motivo verdadeiro por trás dessa antiga amizade. –Posso te perguntar uma coisa?

–Claro... –Ele estreitou os olhos observado-a tenso.

–Por que você não é mais bem vindo em casa? –Ela se debruçou sobre o boneco encarando-o.

–Digamos que minha família se dividiu e eu escolhi apoiar o pior lado! Mas isso aconteceu há muito tempo atrás.

–Mas vocês podem se entender algum dia não é?! Afinal são uma família...

–As coisas não são tão simples assim. –Ele lhe deu as costas respirando profundamente.

–Você e o Sammuel pareciam se odiar ontem, pareciam capazes de se matarem ali mesmo.

–Sammuel é muito emotivo, muito dramático. –Dominic se abaixou fazendo esforço para fincar outra estaca na terra.

–Espero que um dia vocês se deem bem. Espero que sua família possa se entender novamente... Espero que confie em mim, que possa me contar quem você realmente é.

Ela abriu um meigo sorriso para ele e voltou ao seu trabalho. Dominic ainda a observava, ele desejava isso, desejava poder confiar nela, poder contar quem ele realmente era e esse sentimento estava a cada dia mais forte, era algo que ele não era capaz de entender, não era capaz de decifrar, ele a queria, mais que tudo, queria que ela gostasse dele, mas sabia que no momento que contasse a ela o que ele realmente era Alessa nunca mais se aproximaria, e ele temia perdê-la.

...

–Olha que idiotice você fez!

–Pare com isso Trevor, não seja ciumento, não vê o quanto eles estão se dando bem. Eu nunca vi Dominic Weiss sorrindo! –Zoe andou em direção ao carvalho onde Dominic e Alessa montavam a fogueira falsa.

–Hei Zoe, acho que já estamos terminando tudo aqui... –Murmurou Alessa ainda sorrindo por algo que Dominic dissera.

–Obrigado Weiss por sua ajuda. –Dominic assentiu. –Seria muito abuso pedir ainda outra coisa? Não quer ajudar na cerimônia de sacrifício?

–Zoe?! –Repreendeu Trevor.

–Não vejo problema nenhum... O que temos que montar? –Dominic sorriu para a garota, Zoe pensou que isso nunca acontecera e que Alessa era uma garota de sorte, pois estava escrito na testa de Dominic Weiss que ele estava perdidamente apaixonado por ela.

...

Dominic se olhou no espelho. Asas negras subiam por suas costas, pequenas penas haviam caído no piso de seu quarto. Ele observava sua imagem com os olhos semicerrados e a testa franzida, aquilo era patético.

Com uma das mãos agarrou as finas e transparentes cordas que se prendiam nos seus ombros e as arrancou, as asas falsas caíram no chão. Não podia fazer aquilo, não podia fingir ser que ele na verdade era. Por que aceitou em tão? Talvez tenha dito sim no momento que Zoe dissera que o anjo apanhava Valerie no colo durante o falso sacrifício.

A idéia de ter Alessa em seus braços era agradável, ele ainda se lembrava da maneira que o frágil corpo dela se aderira aos seus braços fortes com perfeição. Ele queria aquilo de novo descobrira que era difícil se manter afastado dela.

Tornou a colocar as asas nos ombros, dessa vez não se olhou no espelho, já sabia como sua imagem ficava com um par de asas negras. Alguém bateu em sua porta, estava na hora. Dominic murmurou um: já vou e saiu pela porta. O corredor estava movimentado, jovens fantasmas, bruxas horrendas e mortos vivos circulavam pelos corredores de Saint Edgar´s School.

Dominic se apressou para o jardim próximo ao carvalho, o céu estava nublado e o Sol já era bem ameno agora. Os espantalhos até pareciam reais, tal como nos filmes que humanos gostavam tanto de assistir que ele havia visto algumas vezes.

Ao longe, perto a mesa de bebidas havia uma garota branca de cabelos negros soltos até a cintura, que estava ainda mais delineada e fina pelo vestido épico. Dominic andou em sua direção, ela estava esplendida.

Ele sempre achara que a época medieval era a mais bela, as mulheres tinham um ar misterioso que encantara e naquele caso Alessa estava ainda mais encantadora. Dominc se posicionou entre as duas pilastras meio que escondido dos jovens que agora se calavam para que Alessa desse inicio.

Duas garotas vestidas de longos e esvoaçantes mantos negros apanharam uma Alessa pelas mãos, eram as trevas guiando Valerie até seu temível destino. Uma segunda figura apareceu, Trevor possuía um par de asas iguais aos de Dominic só que tão brancos e límpidos, ele e as duas garotas que se passavam por sombras das trevas fingiam uma luta em torno de garota de negro.

Era a deixa de Dominc, ele saiu de trás das pilastras ficando entre elas, falsas chamas dançavam separando-o de Alessa que nesse momento o encarava com os olhos indecifráveis. Ela andou em sua direção agindo quase que automaticamente, ele estendeu a mão em sua direção porem ela recuou, eles não seguiam o script de Zoe agora.

Os olhos negros de Alessa vagavam entre os dedos estendidos em sua direção e o par de olhos verdes que pareciam dourados com as chamas de mentira brilhando logo em baixo, aquelas asas negras parecia tão verdadeiras, tudo aquilo parecia tão verdadeiro. Ela olhou sobre os ombros, as garotas de mantos negros seguravam Trevor pelos ombros, enquanto ele olhava zangado para a Alessa.

Ela voltou sua atenção para Dominic a sua frente, seu corpo todo ficando dourado pelas chamas, aquilo tudo parecia tão real e ela sentia um enjoou revirar-lhe o estomago, olhou em sua volta enquanto muitos, em total silencio, transferiam olhares de Alessa a Dominic aguardando o desenrolar da cena.

Então ele sorriu, um vago e pequeno sorriso, daqueles que somente um canto dos lábios se levantavam era a sua maneira de dizer que estava tudo bem, a garota se moveu novamente.

Um passo, dois, seus olhos presos nos dele, sua mão também estendida e ele continuava a sorrir, somente para ela. Alessa podia notar o silencio que agora se estendia, mas era incapaz de ver algo que não fosse Dominic. Suas mãos por fim se encontraram e gentilmente ele a puxou para mais perto das chamas enquanto sua pele se torna escaldante, ela podia jurar que estava pegando fogo.

Ele tocou-lhe a face, seus dedos se prendendo gentilmente no maxilar dela, afagando sua pele branca deixando um rastro de fogo onde quer que a tocasse. Ela lhe afagou o rosto, não havia entre eles agora nenhum medo ou vergonha, algo mútuo acontecia ali. Dominic se aproximou deixando seus lábios a milímetros de distancia dos dela.

–Por favor, não tenha medo de mim. –Ele sussurrou.

–Eu não tenho. –Ela respondeu acariciando-o.

Então ele se abaixou, enroscando seus lábios nos dela. Beijando-a, algo dentro de Alessa se agitou e ela soube naquele momento que o amava, amava seu jeito sarcástico, rude e intolerante, porque eram iguais, porque com ele, Alessa não tinha que fingir nada e ele parecia conhecê-la tão bem como ninguém jamais fora capaz de conhecê-la.

Como se ela houvesse se encontrado naquele beijo, ele era o que ela procurava a anos, ele era o seu porto seguro, sentia-se bem com ele, gostava da sua companhia, mesmo quando era apenas para brigarem.

Alessa sentiu seu mundo desabar enquanto os lábios dele se moviam sobre os seus, um gosto doce e quente invadia sua boca, tirava seu fôlego e fazia todo o seu corpo amolecer, eles ficaram ali se beijando por uma fração de minutos, ela sentiu os braços dele em torno dela e no momento seguinte ele a levantava em seus braços, se nunca deixar de beijá-la.

Ele se virou de costas e um burburinho os trouxe de volta a realidade, os lábios se separaram para que os olhos se mantivessem fixos, o burburinho crescia atrás deles.

–O que é você? –murmurou ele unindo as sobrancelhas, seus olhos verdes deram lugar ao negro seu rosto parecia pálido a penumbra e Alessa sentiu certo tremor ao vê-lo.

Seus pés tornaram a tocar o chão, embora ainda estivesse meio zonza alguém, provavelmente Zoe, puxou as palmas e a musica tornou a tocar estridente, Dominc recuou para a sombra da pilastra ainda olhando para Alessa, com aquela expressão de dor ou medo.

Por fim ele se virou e sumiu entre os outros jovens, a garota sentiu que lagrimas brotavam em seus olhos e ela permitiu que algumas rolassem sobre seus rosto. Devia sair dali, ainda podia sentir que olhos estavam nela.

Virou-se para o outro lado camuflando-se na segunda pilastra enquanto cheia de raiva secava as poucas lagrimas que permitira cair. Ela tinha ódio, por si, por Dominic por Zoe e Trevor que fizeram ela participar daquela loucura, e raiva por ainda estar presa por aquelas paredes.

Marchou em seguida para seu quarto, ignorando no caminho os cochichos, os gritos de Zoe e a carranca de Trevor. Bateu a porta e apanhou o celular ligando para Gavin.

–Vem me buscar agora... –Berrou ela.

...

Dominic entrou em seu quarto furioso, o que estava acontecendo? Arrancou as asas negras falsas e deixou que as suas próprias asas viessem a tona, doía-lhe cada penugem, como se estivessem em brasas. Caiu ajoelhado, os olhos trincados e punhos cerrados de tanta dor.

Seu peito parecia prestes a ser esmagado e faltava-lhe ar nos pulmões. O que estava acontecendo? Lembrou-se então do beijo, dos lábios macios de Alessa e de como não sentira dor alguma quando estava com ela.

Um zumbido alto permeou em seus ouvidos deixando-o surdo por completo e uma tontura fez seu quarto girar. Dominc deitou no chão reprimindo um grito. Os punhos socavam o piso, somente parou quando ouviu o clack da rachadura.

Então tudo ficou em silencio, um silencio absoluto, não havia dor somente um topor e Dominic pode ouvi-la, o vestido negro raspava no chão enquanto ela corria pelos corredores. Ele pode imaginar seus cabelos voando com a agilidade com que ela se movia, ela seguiu para frente do internato, cruzando o jardim logo abaixo de sua janela e havia o barulho de um carro estacionado com os motores ligados.

Então Dom teve um pré sentimento, daqueles ruins o suficiente para que ele escondesse suas asas e se levantasse ignorando a tontura e corresse em direção a garota.

–Alessa... –Berrou quando a viu correndo sorrateiramente para o muro alto de pedras. Ela parou ao vê-lo, surpresa. –Você não pode sair, não é seguro.

–Seguro? –Ela fechou os olhos e cruzou os braços junto ao corpo. Quando abriu, seus olhos estavam confusos. –Como sabe que vou sair?

–Por favor, me escute... –Ele se aproximou ficando a milímetros de distância dela, ignorou a tontura. –Não saia, confie em mim, não estará segura lá fora.

–Por Deus Dominic Weiss, me esquece, desaparece da minha frente. –Ela cerrou os punhos seu rosto ficando vermelho de ódio. –Eu estou cansada de você... o que quer? Você me desdenha desde o dia que cheguei nesse lugar, depois me beija e de repente volta a ser o monstro de sempre...

–Alessa, não temos tempo para discutir isso, não agora. –Ele sentiu uma tontura atingir-lhe, teve que cerrar os olhos para não cair ali mesmo. –Por favor, apenas me escute.

–Cale-se! –Alessa virou-se e abaixou a cabeça arrancando fora o casaquinho do vestido. Em seguida se virou, colocando a mecha de seu cabelo atrás da orelha e chegou bem perto de Dominic encarando-o. –Se quiser que eu fique terá que decidir o que quer... Diga que me quer e eu ficarei.

Dominic abaixou os olhos para os lábios próximos ao dele, aqueles lábios rosados do qual ele ainda sentia o gosto quente. Ele não podia querê-la, havia muito envolvido, não era certo, não era normal. Ele trincou o maxilar respirando fundo.

–Eu não quero você!

Ela sentiu toda sua força indo embora de si, seus olhos de encheram de lagrimas ele estava sendo um imbecil novamente. Sorriu fazendo uma reverencia e deu as costas pulando sobre o muro com muita facilidade.

Dominic respirou fundo e deixou-se cair sentado no banco de pedra respirando fundo para que a tontura lhe abandonasse. Então sentiu aquelas presenças, bem no momento que ouvia o cantar de pneus no asfalto.

...

–Imbecil, idiota, arrogante... –Ela berrou virando uma garrafa de uísque na boca.

–Não vai mesmo me contar o que está acontecendo? –Gavin sorriu para ela.

–Dominic Weiss, é isso que está acontecendo. Ele é o garoto mais arrogante e ridículo que já conheci em toda minha vida... È por isso que vou me casar com você.

Ela gargalhou alto virando mais a garrafa de uísque.

–Pode apostar que não... Tenho novidades, minha banda foi aceita para tocar no festival da cidade, vai ser um máximo Less.

–Olha só é dia de comemorarmos então... Quer saber, não vou mais pensar em Dominic Weiss, vou te levar para bebermos.

–Guarde essa estória pra quando estiver sóbria, pode apostar que vou querer saber de todos os detalhes. –Gavin sorriu tomando a garrafa das mãos da garota e tornando-a.

A noite estava escura na estrada, os faróis de Gavin não estavam tão bons, mais os jovens não estavam preocupados, Alessa deu as coordenadas do bar que ela conhecia, estava se sentindo livre, seria como nos velhos tempos, sairiam para beber, ficariam fora a noite toda, ela não estava nem um pouco preocupada com o que aconteceria quando tivesse que voltar para o internato.

–Eu queria subir no teto do carro... –Ela gargalhou evidentemente bêbada. –Voar para cima e desaparecer em um céu com nuvens de tequila.

Gavin gargalhou, abrindo mais uma garrafa, dessa vez uma de vodka, bebeu longos goles e a entregou para Alessa. As luzes da cidade já podiam ser vistas mais adiante, algumas curvas e logo estariam em Stanford.

Less abriu a janela do passageiro, o vento gélido da noite entrou com tudo dentro do carro, chicoteando os cabelos negros da garota. Ela olhou sobre os ombros e sorriu para o amigo. Equilibrou-se na porta colocando a cabeça para fora, não se importou com o vento que cortava suas bochechas.

Fechou os olhos porque se sentia tonta com as arvores que passavam por ela como borrões negros. Sentiu um arrepio na nuca.

–Less o que é aquilo? –Perguntou Gavin.

Alessa olhou para a estrada em sua frente, mas a viu vazia, foi então que ouviu o som passar sobre sua cabeça, som como dois cabos de aço enferrujados rangendo um sobre o outro, algo que também podia ser facilmente confundido com o grito agudo de uma criança.

Em seguida veio baque, um som estridente como se os quatro pneus do carro estivessem sido estourados simultaneamente e então a queda. O carro freou de uma única vez e voou para o ar, Alessa tentou se segurar em qualquer lugar, mas acabou sendo arremessada para fora como uma boneca de pano e viu quando o carro rodopiou três vezes no ar, ouviu o som de vidro se espatifando e metal rangindo.

Então o carro caiu em um baque, virando apenas lata amassada e logo o fogo começou a se espalhar pela lataria. Alessa quis se levantar mais não teve forças o suficiente.

Ouviu quando Gavin conseguiu abrir a porta do carro, e cambaleou para fora. Estava ensopado de sangue e segurava um enorme caco de vidro atravessado em suas costelas.

–Less, Less... –Ele a viu caída à cerca de uns cinco metros de onde o carro havia capotado. Gavin começou se arrastar gritando descontrolado. –Que coisa era aquela Less, veio tão rápido. Você viu? Socorro.

Alessa não havia visto antes, mas agora se dava conta do que Gavin estava dizendo, a “coisa” estava logo atrás dele. Lobo gigante, ainda maior do que o próprio garoto, estava em cima da lataria do carro, sem se importar com as chamas que pareciam não se incomodar com a criatura, uivando, não um uivo comum de lobo, era o mesmo som que ela havia ouvido um pouco antes de capotarem.

Era como um grito agudo de uma criança tão alto que ela reuniu suas forças para tapar os ouvidos. Gavin olhou para trás e caiu de costas, havia se esquecido do sangue e do caco de vidro em suas costelas. Berrava desnorteado enquanto o lobo gigante de pêlos negros e olhos surpreendentes vermelhos sangue, se aproximava sorrateiramente.

–Less... Less! –Berrava o garoto amedrontado.

Alessa se pôs de pé berrando o nome do amigo. Que besta era aquela? Nunca ouvira falar de criaturas assim. Não conseguiu ir muito longe e acabou caindo novamente.

–Socorro... Socorro! –Ela gritava embora soubesse que seria inútil. –Gavin...

O lobo se pôs sobre o garoto e olhou para Alessa que tentava novamente se levantar. Era como olhos humanos, com sobrancelhas negras arqueadas, era a criatura mais esquisita que já se vira, o focinho era longo de mais e pontudo de mais para um lobo comum, sua coluna se arqueava curvada, dava para contar os ossos e ele era tão magro, suas patas tão longas com garras tão afiadas. Ele se abaixou mostrando as presas, e por fim rasgou a garganta de Gavin, arrancando fora sua cabeça e jogando-a na garota.

–Gavin não! –Ela berrou enquanto desesperadamente chorava com a cabeça do amigo nas mãos. –Socorro, socorro.

O lobo veio em sua direção, vagarosamente, Alessa tentou se levantar o mais depressa possível, mas seu corpo todo doía. Olhou em volta enquanto chorava desesperadamente e de repente se lembrou do caco de vidro no corpo do amigo, mas teria que passar primeiro pelo lobo.

Apoiou-se sobre os joelhos respirando fundo e encarando a criatura que havia parado, como se estivesse se divertindo com a garota. Alessa correu, desviando-se no ultimo segundo que o lobo havia investido com uma boca tão aberta e negra para ela. Jogou-se sobre o corpo de Gavin tentando ser o mais forte possível apanhando o pedaço de vidro e se levantou encarando o lobo que soltava seu grito agudo.

O lobo veio em uma velocidade que Alessa julgou ser impossível e saltou sobre a garota, batendo as patas em seu peito e atirando-a no chão. Ela sentiu seus pulmões fracassarem e perdeu por completo o ar. O lobo encostou em suas bochechas o focinho molhado pelo sangue de Gavin e rosnou, todos os dentes pontudos e negros a mostra.

A garota em um ato desesperado apertou o caco de vidro nas mãos ignorando a dor, sentindo seu próprio sangue escorre e enfiou na garganta do lobo. O mesmo caiu de costas se contorcendo, Alessa tentava se levantar, mais seu corpo todo doía, ela não tinha ar, era como se enormes barras de ferro estivessem pressionando seu peito. Olhou e viu a criatura se contorcer como em um filme de terror, podia ouvir seus ossos se quebrando um a um.

Ela não conseguia mais se mover, as lagrimas rolavam sobre seu rosto e ela estava a beira da histeria, com o coração palpitando enquanto ela olhava em volta desesperada por ar. Ela manteve os olhos grudados na criatura, e então o lobo parou de se sacudir, Alessa olhava-o atentamente com o coração quase saindo pela boca, então uma espessa neblina cobriu o corpo do lobo.

Ela sabia que não havia acabado, não pareceu que o lobo tivesse se ferido quando ela o apunhalou, era grande demais para se machucar assim. Então a neblina se dissipou e Alessa quis gritar ainda mais. Sentiu uma tontura dominar-lhe quando aquela criatura veio até ela. Como uma sombra negra.

Ela era branca, sua pele quase translúcida, mostrando marcas roxas como vasos sanguíneos estourados ou como uma pele apodrecendo, seus olhos eram enormes e cinzas, sua boca arroxeada estava aberta um enorme buraco com dentes afiados e pontudos onde se escorria um liquido preto e pastoso, ela fazia aquele grito agudo enquanto vinha sobre Alessa.

A criatura se abaixou agarrando a garota com suas unhas roxas e pontudas, tão pontudas que as sentiu perfurando sua garganta. Ela gritou, de medo, de dor, de horror. Estava desesperada, se debatia, batia na criatura fantasmagórica em cima de si. Mas nada parecia adiantar, aquilo era forte demais e ela estava ficando sem ar.

Sentia suas forças esvaindo. Sentiu seu coração desacelerando, seus olhos começavam a se fechar enquanto aquela criatura a levantava, ela já não sentia seus pés tocarem o chão. Então sentiu a criatura sendo arrancada de si. Alessa se apoiou sobre os cotovelos tossindo, caçando desesperadamente o ar quando seu corpo foi jogado no chão.

Então ouviu um baque alto como som de um trovão. Se lembrou da criatura e se virou para ver o que estava acontecendo. A criatura soltava o grito agudo olhando para o garoto que voava em sua direção.

Era Dominic, ele a segurava pelo seus mantos, e com uma força sobrenatural a arremessou para longe de Alessa. A criatura voou até se chocar em uma árvore fazendo um barulho estrondoso, a garota viu quando o enorme tronco rachou e caiu na floresta.

A criatura se levantou gritando novamente e então mostrou suas enormes asas negras e pontudas e ela voou na direção de Dominic. O garoto também deixou que suas asas viessem à tona, e Alessa sentiu seu mundo girar ao vê-las.

E ambos correram em uma velocidade absurda e alçaram voou chocando-se no ar. Era como o som de um trovão. E a luta se dava no ar, eles giravam enquanto se batiam, enquanto isso Alessa lutava para tentar se manter o mais calma possível.

Então Dominic foi golpeado e seu corpo caiu, no momento em que se chocou com o cão o asfalto se abriu em uma cratera, Alessa teve que se proteger colocando os braços sobre seu rosto, enquanto pedras e terra voava por toda a direção, acertando-a e fazendo-a gritar de dor.

A criatura voou novamente sobre a menina, as mãos estendidas na tentativa de agarrá-la, mas antes que pudesse tocá-la, Dominic agarrou pelo pescoço levando-a novamente para o ar e então arremessou sobre uma arvore que também tombou e acabou por cair no asfalto em frente a Alessa.

Antes que a criatura pudesse se levantar o garoto de asas caiu sobre ela, fechando o punho e acertando-a varias vezes com socos barulhentos e fortes, tão fortes que a árvore rachou e se partiu ao meio, o asfalto cedeu em rachaduras enormes.

A criatura gritava e falava em um idioma desconhecido por Alessa, com uma voz aguda e gutural que pareciam facas cortando o ar. Alessa viu os ouvidos de Dominic sangrarem, e notou que seus próprios ouvidos sangravam também.

Então o garoto cambaleou e caiu foi a deixa para que a criatura começasse a se arrastar em direção a garota. Seu rosto não existia mais, apenas um buraco de carne podre e amassada, mesmo assim aquelas frases guturais e agudas continuavam a serpentear.

Dominic teve que reunir toda sua força para se levantar, suas asas arrastando no chão enquanto ele cambaleava para a criatura.

Alessa sentia uma forte tontura e pavor, aquele grito estava ferindo seus ouvidos, sangue escorria pelo se pescoço e começava a ensopar as alças de seu vestido. Ela cerrou os olhos com força, o som ficava cada vez mais alto enquanto a criatura se aproximava.

–Morra! –Gritou Dominic.

Alessa abriu os olhos a tempo de vê-lo agarrar a cabeça da criatura girando-a, pode se ouvir algo estralar e então acabou arrancando a cabeça, e jogando-a no fogo, juntamente com o corpo.

A criatura ainda chiava e se contorcia enquanto as chamas lambiam seu corpo. Dominic esperou até que a criatura parasse de se contorcer e então virou-se na direção de Alessa.

A garota sentiu seu coração disparar, ele estava com os pés descalços no chão, mas parecia não se importar em esconder suas asas, ele andou até a direção da garota que olhava-o assustada, ajoelhou-se ao lado dela tocando-lhe o sangramento no ouvido.

–Está ferida... –Murmurou olhando-a.

–Não toque em mim! –Ela conseguiu berrar fazendo esforço para tentar se mover.

–Por favor Alessa! –Ele tocou-lhe o rosto. –Ainda sim sou eu, por favor não tenha medo de mim.

Ela sentiu uma vertigem atingi-la, estava gravemente ferida. Tornou a olhá-lo, realmente era o mesmo Dominic que a beijara horas atrás, seu coração parou de palpitar e ela conseguiu controlar sua respiração, lembrou-se de suas conversas, da maneira como ele tocara nela, como havia lhe beijado. Sabia que ele não lhe faria mal.

–Eu não tenho medo de você!

Dominic abraçou-lhe pegando-a com gentileza. Alessa apoiou sua cabeça no ombro do garoto, apertando seus braços em torno do pescoço dele.

–Segure-se firme e confie em mim!

Então as asas negras apareceram sobre os olhos de Alessa fazendo-a se assustar e no momento seguinte ela via toda aquela cena horrenda sendo deixada para trás enquanto eles voavam, cada vez mais alto.

Notas finais
Aiiiii ele salvou ela que lindoooooooooooooooooooo.... o que acharam? Deu para levar alguns sustinhos?