– E o que seria? — perguntou papai — Não vejo nada aqui que seja seu.

Os guardas levam o prisioneiro para perto de meu pai e o jogam a seus pés, olho para as vestes do prisioneiro e percebo que é da mesma cor dos soldados do rei, como não percebi isso antes? Poderia ter recusado torturar o pobre coitado.

– Esse homem a seus pés foi enviado como mensageiro era para ele ter voltado para meu reino há uma semana e ao invés dele voltar, um dos seus mensageiros me entregam sua armadura. O que diabos se passa pela sua cabeça, sabe que ir a guerra contra Lynkwood será a destruição de Desmond — o rei fala com tanto ódio que arrepio, seu filho apenas observa, esperando o momento em que poderá ajudar seu pai.

Papai ri

– Você veio então para buscar o seu mensageiro e proclamar guerra?

– Sim — disse o rei o príncipe

– Sinto dizer que já é tarde para seu mensageiro ele já está morto — fala papai para o rei — Aliás, meus cumprimentos — me disse

– Eu não o matei — murmuro

Agora todos na sala estão olhando para mim e para o sangue em mim, todos estão surpresos que eu tenha feito isso, posso ver pelos olhos arregalados e a boca em formato de "O". Todos estão em silêncio enquanto papai ri alto, cutuco seu braço para que pare, mas isso só faz rir mais ainda. Pego uma faca que guardei em minhas vestes junto com um pedaço de madeira e continuo a esculpir um leão, papai finalmente para de rir.

– Onde nós paramos? Ah sim, vocês querem que eu entregue meu prisioneiro caso contrário haverá guerra... — papai chama um dos guardas e sussurra algo em seu ouvido, o guarda pegou o prisioneiro e o levou a um dos guardas do rei Travis — Bom, eu o entreguei, então?

– Você nos entregou um moribundo, o que farei com esse homem? — gritou

E assim começou uma discussão que preferi ignorar e continuar a esculpir, mas para minha infelicidade eu terminei, deixei a escultura cair no chão e guardei a faca. Observei o príncipe que participava da discussão, seu pai parecia orgulhoso de ver seu filho se impondo, caso fosse eu e papai, ele teria me esbofeteado.

Odeio ser o fantoche de papai. Ele se levanta e pega a faca que esconde em seu manto, vejo que está mirando no príncipe. Corro até o príncipe, tiro a espada que estava em seu cinto e golpeio a faca que estava vindo em sua direção. Todos estão confusos, principalmente eu.

Papai pisca.

– Vamos pai, aceite a guerra. Eu não vou lutar do seu lado se é isso que você está pensando. Recuso-me.

– Como você ousa me desrespeitar?

Sorrio

– Cansei dos seus jogos, cansei de ser seu fantoche. Você me criou para ser independente e uma assassina, que pai faz uma coisa dessas? Quando você me pediu para invadir Desmond, no fundo eu sabia que deveria parar, mas com uma tola preferi fazer o que você queria então logo depois você me manda para fora de casa para estudar, graças a você meu corpo é cheio de cicatrizes — a fúria me domina e estou levantando a espada contra meu pai — Tenho uma cicatriz em minhas costas porque tentei fugir de Donovan e nunca mais ter que fazer algo para você

O rei coloca sua mão em meu ombro, abaixo a espada

– Criança, não se deixe levar pela raiva, ele é seu pai. Tudo o que ele fez foi para o seu bem.

Mordo minha língua para não falar besteiras

– Bem... Você ainda mora comigo e até que se case, fará tudo que eu mandar. Aliás, isso me deu uma ideia. Rei Maxwell o que você acha de um acordo?

Re Maxwell parece pensar, puxa o príncipe para um pequeno debate entre eles. Fico olhando a espada em minhas mãos, ela era magnífica, provavelmente feita pelo povo de Vito, é muito difícil conseguir qualquer tipo de armas deles. Assim que o rei e o príncipe voltam devolvo a espada, me afasto deles.

– Que tipo de acordo está falando? — perguntou o príncipe

Papai continua a sorrir

– Um acordo que será de grande ajuda, algo que irá nos beneficiar e não haverá um massacre — fala com cinismo

– Sendo assim, acho que podemos chegar a um acordo — o rei fala pensativo

O príncipe olhou desconfiado para seu pai. Papai tinha um sorrio diabólico no rosto e ficava olhando para mim e para o príncipe. Apenas continuei desinteressada, peguei a faca que tinha guardado e cutuquei minha unha.

– Eu já estava pensando sobre isso a algum tempo — falou — queria fortificar meu reino me unindo a outro com potencial militar. Bem, nós dois temos filhos com idade suficiente para casar, ofereço a mão de minha filha Ana para o príncipe Thomas.

– O quê? — grito ao mesmo que o príncipe

Meu irmão grita enquanto ri. "Bastardo" penso.

– Pai, me diz que você não está pensando em aceitar

Seu pai parece debater mentalmente sobre isso. Não acredito que meu pai está me mandando embora na primeira oportunidade, pensei que ele ao menos não me faria casar com ninguém, pois tinha medo de perder sua melhor arma, pelo visto ele não se importa mais comigo e sim com aquela criança. Juro que aquela criança veio do inferno.

– Thomas, creio que esta seja a melhor proposta para ambos, não teremos soldados sequestrados ou qualquer outro problema que poderíamos vir a ter — ele se dirige ao meu pai agora — Aceito sua oferta

Olho para meu pai com o meu melhor olhar de ódio, penso como seria tê-lo pendurado pelo pescoço em uma árvore qualquer, afasto essa imagem de minha cabeça mais cedo do que gostaria.

– Bom, com isso ela já não é mais problema meu. Ana pode pegar suas coisas, você parte ao amanhecer com eles — ele se vira para mamãe — mande preparar quartos para todos e um banquete, hoje iremos comemorar o noivado de Ana e Thomas — com um aceno de mão ele sai da sala.

A sala toda está quieta, viro-me para o rei e o reverencio, sem esperar sua permissão saio e vou em direção ao meu quarto tirar o sangue seco de meu corpo.