Notas iniciais
Olá! Como foi o Halloween de vocês? O meu foi ótimo! Trouxe mais um capítulo pra vocês, boa leitura!

“Não havia nada a vista a não ser lembranças abandonadas

Não havia onde se esconder as cinzas caíam como neve

E a terra cedeu ao redor de onde estávamos parados

E sua voz era tudo o que eu ouvia

Que eu tive o que merecia.”

Emerson narrando

Cara, aquela vaca da Tania estava pedindo para virar churrasquinho.

Ela não estava no alojamento dela, a encontramos no hospital da Universidade e a prendemos em um dos quartos vazios.

– Melhor começar a falar, Tania! – Pediu Jacson pela décima vez, educado demais para meu gosto. Eu estava perdendo a paciência.

– Já disse que eu não sei do que estão falando! Não sei de fotos e muito menos que a Sara estava saindo com o Luke. É bem feito para o Pedro que me trocou por aquela songa-monga...

– Limpe essa sua boca imunda antes de falar da Sara, vadia! – A Rose xingou e era melhor Tania ficar quieta porque eu não ia segurar a Rose se quisesse dar uma coça nela.

– Se você se importa mesmo com o Pedro é melhor contar tudo, você sabe do que aquela gente é capaz, eles vão matá-lo Tania e a culpa vai ser sua. Quer viver com isso pelo resto da sua vida? – Bruno perguntou.

– Eu não sei onde ele está!

Pra mim já chega! Já tinha visto que não adiantava pedir com educação e eu ia fazê-la falar nem que eu tivesse que partir para a ignorância.

Eu peguei um alicate cirúrgico que estava ali perto e o enfiei no polegar direito da mão dela que me olhou assustada.

– Ou você fala ou vai ter quatro dedos na mão, o que certamente não vai fazer diferença já que vacas não precisam de polegar – opositor!

– Você não... não teria coragem! – Ela disse tentando parecer corajosa, mas estava branca de medo.

– Quer apostar? Acredite, você tem mais a perder do que a ganhar. – Falei fazendo mais pressão no alicate e ela começou a gritar.

– NÃO, NÃO, NÃO, TÁ BOM EU FALO, MAS TIRA ESSA COISA DE PERTO DE MIM!

– Você tem cinco minutos e eu não vou te dar outra chance! – falei tirando o alicate.

– Ok. Foi o pai do Luke quem pediu para arranjar as fotos e enviá-las para o Pedro. Era parte do plano!

– Que plano? Fala de uma vez! – Mandei.

– Ele queria provocar uma briga entre a Sara e o Pedro para que depois ele pudesse dar um sumiço nela sem levantar suspeitas. Assim, as pessoas pensariam que ela fugiu ou foi se suicidar em algum lugar. Ele me prometeu que não machucaria o Pedro, eles devem tê-lo escondido em algum lugar, mas ele deve estar bem.

– E você acreditou no que ele disse? – Jacson perguntou surpreso, mas eu não me admirei que ela tivesse caído nessa conversa, afinal vacas não pensam né?

– Ele me prometeu isso! Eu juro que jamais teria concordado se soubesse que ele faria algum mal ao Pedro.

Nesse momento um celular começou a tocar e eu reconheci pelo toque que era o da Rose.

– É o Pedro? – Perguntei esperançoso.

– Não, é a Mandy... Alô...

Ela ficou parada enquanto ouvia o que ela contava e não parecia nada bom.

– Oh meu Deus! Como foi que vocês a deixaram escapar debaixo do nariz de vocês?... Ok, já estamos indo.

Ela desligou o telefone ainda sem acreditar no que quer que havia ouvido.

– O que foi, Rose? – perguntei.

– Sara! Daniel ligou do celular do Pedro e parece que está com ele. Elas não sabem direito porque ela se escondeu no banheiro para conversar com ele e quando conseguiram entrar lá, havia sumido. Eles acham que ela foi atrás deles!

– Ouviu isso, Tania? O Daniel está com eles e se depender dele... – Comecei a falar, mas não consegui pensar em como isso poderia acabar.

– Mas Sara não disse que Luke tinha ido atrás do Daniel? – Jacson perguntou confuso.

– Qual é, acreditou mesmo que ele faria isso? – Perguntei. – O covarde deve ter dado no pé, isso sim. Ou deve estar lá se divertindo com o Daniel. – Era muito óbvio pra mim que Luke havia enrolado a Sara.

– Não, ele não está com o Daniel! – Tania disse de repente.

– Desembucha! – mandei.

– Eu fui procurar o pai dele hoje cedo, mas ele não estava e eu ouvi alguns seguranças falando que ele estava trancado em casa porque havia discutido com o pai.

– Quer dizer que Luke está em casa? – Perguntei devagar, vai que a vaca ficou louca de vez.

– Àquela hora estava, agora eu já não sei...

– O Luke sabe onde o Daniel está? – Eric perguntou à Tania.

– Acredito que sim, parece que foi o pai dele quem o escondeu.

– Certo! – falei – Então vamos até o Luke.

– Vocês não vão conseguir falar com ele, há seguranças por toda a casa e...

– Quantos? – Perguntei.

– Acho que uns cinco ou seis...

– Tá falando sério? Enfrentamos o triplo disso da outra vez e eles estavam armados até os dentes. Meia dúzia de pinguins não nos mete medo. – Falei.

– Por favor, me avisem se encontrarem o Pedro, não queria que nada de ruim acontecesse com ele! – Tania implorou.

– Então você só se importa com ele, né? – Rose perguntou furiosa. — A Sara pode morrer, mas ele não. Você me dá nojo!

– Vamos Rose, precisamos correr. – Falei puxando – a para fora.

Nós voltamos o mais rápido que podíamos até o alojamento.

– Finalmente! – Disse Mandy quando entramos. – O que descobriram?

Nós contamos o que Tania havia dito.

– Então é esse o plano agora? – Ângela perguntou – Nós vamos atrás do Luke?

– Nós não vamos a lugar nenhum! – Falei – Jacson, Bruno, Eric e eu vamos atrás dele, os outros vão ficar aqui.

É claro que eles começaram a reclamar.

– Não dá pra ir todo mundo! – Jacson argumentava – É muita gente e não tem lugar no carro, não dá pra sair em comitiva porque vai chamar muita atenção.

Depois de muita reclamação eles acabaram aceitando.

– Ok – Falei – Nós vamos no meu jipe e vamos levar tudo o que for preciso.

– Vocês têm um plano? – Alex perguntou preocupado. Decidimos deixá-lo cuidando das meninas porque seria exigir demais dos nervos da Jess que ele fosse junto.

– Assim que descobrirmos onde o Daniel está vamos direto atrás dele. – Respondi.

– Mas como vocês vão entrar no lugar onde ele está? Ele não deve estar sozinho. — Insistiu.

– Isso a gente pensa no caminho, não temos tempo para ficar parados planejando nada. – Falei enquanto ia até um baú enorme que Pedro havia trazido para a faculdade, em caso de “emergência”.

Ele tinha um cadeado com uma senha que só ele, Jacson e eu sabíamos.

– O que tem afinal nesse baú que o Pedro nunca abria? – Alex perguntou.

Sem responder eu levantei a tampa e comecei a tirar todo o conteúdo que havia ali.

– Caramba! Como vocês conseguiram entrar com isso tudo aqui dentro? – Perguntou embasbacado ao ver o arsenal que estava guardado.

Pedro havia sido bem criativo ao escolher o modelo das armas. Eram pequenas, do tipo discreto e que não faz barulho quando dispara, mas daquelas que fazem um baita estrago.

– Nós temos nossos contatos – Respondi enquanto pegava uma das armas e entregava pra ele. – Sabe usar?

– Sei.

– Não se preocupe Alex, — falou Mandy — se você não souber a Rose sabe.

– Eu também sei! – Jessica disse e depois acrescentou quando viu que nós não estávamos levando aquilo a sério – Depois do que aconteceu com Miguel eu quis aprender...

É claro que entendíamos porque ela sentia necessidade de fazer aquilo, certamente se culpava por não ter podido fazer nada para defender o Miguel.

– Ok, então você também fica com uma. – Falei enquanto entregava uma pra ela e dava outra para Rose.

Coloquei as outras e a munição numa bolsa.

– Acho que agora estamos prontos! – Falei depois de arrumar tudo. – Como eu disse, vocês ficam aqui e não saiam até nós voltarmos. Se não chegarmos até a noite, vocês vão até a tal agente que a Sara falou e contem tudo o que aconteceu.

– Porque não contar tudo a ela agora e deixar que ela resolva? – Alex perguntou.

– Porque eu não confio na polícia e eles vão mandar que fiquemos aqui parados e quietos, o que eu não vou fazer de jeito nenhum. – Respondi como se fosse óbvio.

– Vão matar o Daniel não é?

– O primeiro que tiver chance, Jess. – Prometi.

– Não hesitem como eu fiz. Se ele ficar vivo vai achar um jeito de se safar da prisão de novo. – Rose disse, até hoje ela se arrependia de não tê-lo matado aquela vez. Mas eu não iria perder essa chance de jeito nenhum.

Nós nos despedimos e eu prometi a ela que voltaria. Mas isso foi só para acalmá-la porque eu não sabia o que iríamos encontrar quando chegássemos onde Daniel está. Eu estava pior do que cego em tiroteio.

Notas finais
O que acham que vai acontecer agora? Não esqueçam de comentar. Bjs