Notas iniciais
Desculpa a demora gente! Meu computador estragou e perdi várias coisas, entre elas a fic nova que eu estava escrevendo :( Mas consegui recuperar esta, então vou sobreviver hehe Boa leitura!

“E nós vimos essa luz, eu juro, surgir piscando

Para me dizer que vai ficar tudo bem

Quando voamos pelas paredes, toda sirene é uma sinfonia

E cada lágrima é uma cachoeira

É uma cachoeira.”

Sara

No domingo á tarde, quando chegou a hora de voltarmos para a Universidade, os problemas e as lembranças do que eu teria que fazer voltaram a me preocupar. Eu queria ficar lá com Pedro pra sempre, em nossa pequena bolha de ignorância e felicidade. Desejava poder deixar o resto pra trás e fugir com ele.

Mas eu não podia fazer isso com minha mãe, não podia fazer isso com meus amigos.

– Está tudo bem? – Perguntou enquanto dirigia para a Universidade.

– Sim, eu só estava pensando...

Eu estivera mesmo devaneando desde que saímos da casa dele, pensando na melhor forma de fazer o que eu precisava. Eu tinha que achar uma forma de ser franca sobre tudo sem prejudicar nossa relação e sem dar muitas informações.

– Pensando em quê?

– Luke.

Ele ergueu a sobrancelha e fez cara de quem não estava entendendo nada.

– O que tem ele?

– As coisas não precisam ser assim.

– Assim como? Eu não estou entendendo nada do que você está falando.

– Você e Luke eram amigos, não?

– Sim, nós éramos amigos. Antes de ele me trair.

– E já te ocorreu que ele pode ter sido tão vítima quanto nós da Sociedade? Que assim como nós fomos obrigados a fazer coisas que não queríamos, pode ter acontecido o mesmo com ele?

– Por que acha isso? Nem todas as pessoas são vítimas, algumas são realmente más...

– Você o conhecia melhor do que eu, pode responder isso.

Ele ficou em silêncio refletindo sobre o que eu dissera. Depois de algum tempo voltou a falar.

– Eu o conheço desde que nasceu, brincávamos juntos quando éramos crianças e ele sempre foi um garoto bom, apesar do pai que tinha.

– O que tem o pai dele?

– É um carrasco. Sempre colocou a política e o dinheiro acima da família. Não era a toa que ele e o meu pai se davam tão bem.

– Luke disse que ele tratava Daniel como um filho...

– Ele tratava os outros assim, não ele, não me admira essa atitude.

– Ele nunca lhe falou sobre o Daniel?

– Não. Aparentemente ninguém sabia disso, eles mantiveram isso longe da mídia até hoje. E eu fiquei muito tempo sem falar com Luke, nós perdemos o contato quando ele terminou o Colegial.

– E o que você acha? Acha que ele pode ser uma vítima como nós ou acha que ele está nessa por que quer?

– É difícil saber, as pessoas mudam. Pode ser que ele não fosse assim na época que eu o conheci e tenha se tornado isso depois.

– Você já pensou em conversar com ele sobre isso? Saber o que aconteceu pra ele ter mudado?

Ele voltou a me encarar desconfiado.

– Por que está levantando esse assunto agora?

– Eu só estou tentando entender essa bagunça toda! Pense comigo, se Luke for uma vítima como nós, ele pode nos ajudar e...

– Não, não adianta! Não podemos contar com mais ninguém. E depois ele pode mentir e nos enganar. O pai dele é praticamente quem manda na Sociedade, é um dos seniores mais respeitado e temido. Ele jamais se voltaria contra o pai a nosso favor, por mais que ele o odeie.

– Eu só pensei que você podia tentar falar com ele e saber como ele entrou nessa, podíamos tentar convencê-lo...

– Esqueça isso, não vai dar certo, eu sei disso.

Eu respirei fundo e desisti, teria que arrumar outro argumento, esse havia falhado.

Naquela noite quando fomos jantar, as meninas ficaram loucas quando viram a minha aliança. Elas me encheram tanto que me obrigaram a tirar a aliança pra elas olharem de perto.

– Suas malucas! – falei enquanto minha aliança passava de mão em mão na mesa – Parece que nunca viram uma aliança!

– Viu querido, – Rosane começou a dizer enquanto olhava a minha aliança – eles estão juntos há oito meses e já firmaram compromisso. Nós estamos juntos há quase dois anos e você nunca me deu uma dessas! – Ela começou a balançar a aliança na frente do nariz de Emerson.

– A gente não precisa disso, ursinha! – Ele se defendeu – Isso é só um símbolo material de compromisso.

– Pode ser um símbolo material, mas é tão lindo, tão romântico... – discordou Mandy – Faz três anos que namoro o Jacson e ele também nunca me deu uma! – reclamou fazendo biquinho e fulminando o coitado do garoto com os olhos.

– Eu achei que você não ligava pra esse tipo de coisa — ele disse se defendendo e ficou vermelho como um pimentão. – Mas se você quiser, amanhã mesmo eu mando fazer uma pra nós!

– Ahhhhhhhhhhhh. Claro que quero! – Ela gritou, começou a quicar e depois foi cobrir o rosto do namorado de beijos.

– Bonita a aliança, Sara! – Ângela elogiou enquanto me devolvia o anel.

Ela e Bruno também estavam juntos há mais tempo que nós, mas parecia que ela não ligava muito pra esse lance de símbolo material de compromisso.

Quando subimos para o dormitório e eu abri a porta, havia uma carta no chão endereçada a mim.

Jana viu, mas não disse nada. Aproveitei enquanto ela entrava no banho e abri o envelope. O texto estava escrito a mão:

Sara

Dê-me a chance de lhe mostrar que não sou como você pensa. Encontre — me amanhã à noite às 21:00 hrs no endereço abaixo.

Com carinho

Luke

Abaixo tinha o nome e o endereço de um restaurante.

Tudo o que eu dissera a Pedro sobre a possibilidade de ele ser vítima da Sociedade era verdade. Eu podia estar enganada e como ele dissera, Luke poderia realmente ser mau. Eu queria ir nesse encontro e tentar descobrir até onde ele compactuava com tudo aquilo e se ele realmente não era como eu pensava que fosse.

Talvez eu não precisasse mentir, poderia abrir o jogo e convencê-lo a me dizer onde estavam Daniel e Leonardo. Ou talvez eu estragasse tudo...

Eu estava num dilema. Poderia ir nesse encontro e aproveitar a chance de me aproximar dele, mas eu não poderia contar ao Pedro porque ele tentaria me impedir.

Ou poderia não ir e pensar melhor no que eu ia fazer. Mas eu não tinha nenhum plano em mente, aquele jantar poderia ser minha única chance. Era num local público e ele não se atreveria a fazer nada comigo. Se eu não gostasse de algo, poderia simplesmente me levantar e ir embora.

Continuei pesando os prós e os contras até que Jana saiu do banheiro.

– Aconteceu alguma coisa? – ela perguntou e eu percebi que continuava encarando a carta em minhas mãos.

– Não! — Respondi enquanto escondia a carta no bolso das calças Jeans – É uma cobrança da biblioteca sobre um livro que eu esqueci de entregar.

Ela não disse nada e eu fui pegar o meu pijama pra dormir.

Decidiria o que ia fazer no outro dia.

Notas finais
Acham que a Sara deve ir nesse encontro? O que será que o Luke quer com ela?