Safe & Sound II: A Sociedade Secreta
17 Ajuda
Notas iniciais
“Nós estamos todos sem tempo,
isto é como nós achamos que tudo se desenrola
O sacrifício de esconder uma mentira
O sacrifício nunca é instruído...”
Sara
Na manhã de quarta-feira, a notícia já estava na TV e em todos os jornais do país. Leonardo havia fugido de uma prisão de segurança máxima e agora a polícia tinha mais um criminoso para procurar. A população estava em pânico, não confiava mais na segurança dos presídios e começava a questionar se não havia corrupção na polícia.
As pessoas acreditavam que Daniel estava envolvido, pois todo mundo sabia que ele havia feito o sequestro para tentar libertá-lo.
– Não se tem mais segurança em lugar algum! – Comentou uma garota na hora do almoço e ela e outras pessoas lançaram um olhar de desconfiança para a nossa mesa.
Nós sabíamos o que todos estavam pensando: se Leonardo e Daniel conseguiram fugir de uma prisão de segurança máxima, a segurança da Universidade não seria problema para eles.
– Otários! Queria ver o que fariam se soubessem da corja que se esconde entre eles. – Resmungou Emerson em protesto aos olhares de pânico que as pessoas nos davam ao sairmos do refeitório.
– Não vou me admirar se as pessoas começarem a fazer abaixo-assinados pra nos expulsar daqui. – Comentou Mandy.
– Eles acham que nós somos o perigo! – Disse Rosane bufando alto.
Mas realmente não havia nada que pudéssemos fazer sobre isso.
À tarde, eu fui para a redação da revista e ao sentar em minha mesa me deparei com um envelope preto.
Eu ainda não havia descoberto como eles conseguiam entrar nos lugares sem serem pegos pra fazer esse tipo de coisa. Passagens secretas?
S.S.
Tumba da Skull & Bones às 20:00.
L.M.
O que será que ele queria agora?
Trabalhei a tarde toda na revista e saí às sete e meia para a tumba. Eu não sabia o que Luke queria comigo, será que me faria mais ameaças e pediria para fazer outro serviço sujo para a sociedade?
Mas as minhas suspeitas se mostraram infundadas e eu não sabia se o que estava na minha frente era melhor ou pior do que eu havia pensado.
Luke estava diante da lareira da biblioteca e tinha à sua frente um balde de gelo com uma garrafa de champagne dentro. E estávamos sozinhos.
– O que você quer? – perguntei, ignorando a champagne.
Ele foi até o balde e pegou a bebida.
– Comemorar. – respondeu enquanto desarrolhava a tampa da garrafa.
Ele só podia estar tirando uma com a minha cara. A minha vida estava uma M e ele queria comemorar? Por que não chamou a vaca da Tania?
– Não tenho nada pra comemorar, Luke. Acho que cometeu um engano ao me chamar aqui. Não sou a melhor companhia para uma comemoração, seja lá do que você tenha em mente.
A rolha saltou e a espuma escorreu enquanto ele servia duas taças.
– Vamos comemorar o fato de que Leonardo está nesse momento em um jatinho para a Suíça e a Irmandade está muito satisfeita com você e o seu pai. – respondeu ignorando meu último comentário, ele deu um sorriso e me ofereceu uma taça.
Eu ignorei o gesto e cruzei os braços sobre o peito.
– Obrigada Luke, mas ao contrário de você eu não tenho nada pra comemorar e se me chamou aqui pra isso – disse apontando para a taça com a cabeça – eu vou indo.
– Como não tem nada para comemorar? Leonardo está livre e você está a salvo de Daniel, ele nunca vai tocar em você, Sara.
– Pra você pode parecer simples Luke, comemorar sua vitória final e ignorar a dor que causou nas pessoas para ter o que você queria. Você é um hipócrita nojento!
Parece que consegui desmanchar o sorriso dele.
– Você sabe quem é o culpado por tudo isso. Deve ter ouvido isso do próprio Steven.
– Não importa, ele me ama e está completamente arrependido do que fez!
Luke não se deu por vencido ele começou a andar pela sala enquanto falava.
– Agora pode ser que ele te ame, mas na época ele pareceu não dar muito valor para as ameaças de seqüestrar, torturar e matar você. Se tivesse dado, o seqüestro jamais teria acontecido e você não estaria nesta situação. Sabe disso Sara, não consegue esquecer, por isso não o perdoou ainda, não sabe como isso vai terminar. – Fez uma pausa e então continuou. — Como o ser humano é interessante, não? Por mais que você ame alguém, não consegue evitar magoá-lo, feri-lo, destruí-lo... E Steven fez isso: magoou, feriu e quase destruiu aquilo que ele mais amava: você!
Quando ele terminou de falar já estava parado na minha frente me olhando tão de perto que eu podia sentir o cheiro almiscarado da sua colônia..
Eu dei um passo pra trás e mudei de assunto rapidamente.
– Por que me trouxe aqui, Luke? Por que não convidou a Tania? Parecia que vocês estavam se entendendo muito bem aquela noite no clube.
– Aquilo? Não significou nada. É difícil uma mulher me agradar, sou muito exigente com elas, por isso te trouxe aqui, a sua companhia me agrada muito.
– Sinto decepcioná-lo Luke, mas a sua companhia tem o efeito contrário sobre mim. Ela me desagrada desde a primeira vez que o vi. Nunca me deu uma boa impressão e vejo que não me enganei.
– Se enganou sim. Você me conhece muito pouco, Sara. Sabe como eu sou aqui dentro, mas não sabe como eu sou fora daqui. Você poderia sair pra jantar comigo, assim eu te mostro o que você não sabe sobre mim.
Ele deu mais um passo em minha direção e quando eu fui dar outro pra trás, bati na parede.
Ele não podia estar falando sério!
– Eu tenho namorado Luke, e eu amo o Pedro! – Praticamente cuspi na cara dele e o empurrei.
– Cuidado! A gente sempre destrói aquilo que mais ama. – Ouvi-o dizer antes de sair da biblioteca.
Ele não me conhecia. Eu jamais magoaria ou feriria Pedro, ele não sabia do que estava falando.
Cheguei ao prédio e me encaminhei para o refeitório. Cheguei lá ofegando por causa da pressa, mas fiquei feliz ao perceber que o pessoal ainda estava jantando.
– Credo, Sara! Parece que você correu a maratona! – Disse Emerson.
– É que eu acabei ficando presa lá na revista e me atrasei. – Menti.
Eu não ia contar para Pedro que o Luke estava me paquerando, não ia permitir que eles brigassem por minha causa, nem daria ao Luke a oportunidade de fazer algo contra ele.
No outro dia, eu estava na biblioteca procurando livros sobre um escritor para uma pesquisa e estava frustrada ao constatar que não havia muita coisa sobre ele na nossa língua.
– Vá falar com a professora Edna, peça para ela lhe dar outro autor ou emprestar algum material para você. – Sugeriu Jana.
Eu tive que me dar por vencida e procurá-la. Eu estava evitando ficar sozinha com ela desde aquele dia em que ela me enchera de perguntas, mas agora eu não via outra opção e não podia me dar ao luxo de perder mais uma nota.
Eu a encontrei na sala dos professores, ela parecia já estar de saída.
– Professora Edna!
– Sara!
– Eu não encontrei muita coisa sobre aquele autor que a senhora me deu e estava pensando se poderia me emprestar algum material sobre ele ou me dar outro autor.
– Eu tenho alguma coisa sobre ele lá em casa. Eu já estava indo embora, pode me acompanhar se quiser, eu moro a duas quadras do campus. – Sugeriu sorrindo.
Eu não gostei da idéia.
– A senhora não pode me trazer amanhã?
– Isso não seria problema se eu não tivesse várias coisas pra trazer amanhã. Não creio que vá conseguir trazer tudo sozinha. Algum problema em você me acompanhar?
Sim, eu tenho medo de você me encurralar e me fazer falar coisas que não devo.
– Não, tudo bem. Eu acompanho a senhora! – Respondi tentando dar um sorriso sincero.
– Ótimo, podemos ir então?
– Claro.
Nós fomos conversando sobre as aulas e realmente a casa dela não era muito longe dali.
– Entre. – ela convidou quando chegamos à porta.
Era uma casa simples e modesta, mas estava decorada com bom gosto.
– Fique à vontade, vou buscar os livros. – Avisou e saiu me deixando sozinha na sala de estar.
Não demorou muito e ela voltou acompanhada de um homem. Eu me levantei do sofá.
– Sara, esse é Carlos, meu marido.
– Como vai, Sara? – ele perguntou e estendeu a mão para me cumprimentar.
– Bem, obrigada. – Respondi e continuei assim que soltei sua mão – Professora, eu estou com um pouco de pressa...
– Eu sei, não vamos demorar, sente-se, por favor!
Eu não estava entendendo porque ela havia chamado o tal Carlos para a conversa, mas eu não estava com um pressentimento bom sobre aquilo. Continuei parada de pé.
– O que está acontecendo? – Perguntei temendo o pior.
– Nós sabemos o que o seu pai fez! – Ela respondeu.
Levou um segundo enquanto eu fiquei parada, avaliando e tentando descobrir o significado daquelas palavras. Eu não sabia o que ela queria dizer com aquilo, não sabia quem eles eram ou o quanto sabiam, mas de uma coisa eu estava certa: Eles sabiam de alguma coisa.
Só que eu não ia me arriscar a descobrir o que era. Eu já havia perdido muito confiando em e me abrindo para estranhos.
– Eu não sei do que a senhora está falando e eu realmente preciso ir. – Falei e me dirigi até a porta que obviamente estava trancada. – Abra a porta, por favor!
– Não sem antes você sentar e nos ouvir. – Ela respondeu – Sente-se Sara, por favor.
– Eu não quero ouvir nada, se você não abrir a porta agora eu vou chamar a polícia.
– Faça isso e todos nós morreremos. – Ela avisou. – E você perderá a única chance de sua vida de prender Daniel.
Eu continuava de pé diante da porta ainda lutando com as opções e o meu medo de ficar ali. E se isso fosse um teste? E se fosse mais uma prova da sociedade para testar minha fidelidade com o juramento? Se fosse isso e eu abrisse minha boca, certamente eu estaria morta.
Mas tinha outra parte e era esta que me impedia de gritar ou chamar a polícia. Eu queria desesperadamente que alguém me ajudasse, que Daniel fosse preso e queria livrar a mim e a meus amigos daquela prisão. Eu não podia negar que aquilo tudo havia acontecido por culpa de Steven e ele era o meu pai, o que me tornava indiretamente responsável por tudo aquilo.
Carlos e Edna pareceram perceber a minha luta interna e aguardaram pacientemente que eu tomasse a minha decisão. Eu respirei fundo.
– Ok. Eu vou ouvir.
Tomara que eu não me arrependa disso.
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