Sad Beautiful Tragic (One Shot)
1 Capítulo Único
Notas iniciais

O relógio marcava cinco e três da manhã quando Hermione resolveu sentar-se na cama, ela não podia acordar a família que a acolhia com seus soluços amargurados, ela sentia-se indigna de receber o amor de Rony e morar na casa de sua família estando com o coração totalmente entregue a outro. Aquele outro que todos achavam que ela odiava. Aquele outro que fazia seu coração disparar com apenas uma palavra ou um gesto ou simplesmente por respirar o mesmo ar que ela, mas aquele outro a havia deixado sozinha no momento que ela mais precisou. Essa era apenas mais uma noite de todas as noites de insônia da Sabe-Tudo, e assim como as outras noites ela assistiu o sol nascer. Mas aquele não seria um dia como outro qualquer, ela sabia disso. Ele queria vê-la e ela iria ao encontro dele sem hesitar um segundo.
A menina levantou, tomou um banho e vestiu uma calça jeans, blusa e moletom vermelhos e soltou os cabelos. Desceu as escadas e com o maior cuidado saiu sem acordar ninguém.
Ela foi até a Estação, ela não sabia o porquê, mas ele queria encontrar-se com ela ali. O coração de Hermione parecia estourar para fora do peito ao avistar o loiro vestido preto que a encarava.
Draco controlava a vontade de correr até Hermione e abraça-la, beija-la e dizer a ela o quanto ele a ama e sente por tê-la abandonado.
–O que você quer de mim Malfoy? –Cruzou os braços na altura do peito apertando o envelope que trazia contra o próprio corpo.
–Queria te ver e saber se é verdade o que andam falando por ai. –O loiro manteve-se imóvel e sério.
–Você poderia ser mais explícito Malfoy. –Arqueou a sobrancelha numa tentativa desesperada de disfarçar seu extremo nervosismo. –O que andam falando por ai? –Engoliu a própria saliva com dificuldade.
–Que você e o Weasley... –Parou de falar, não conseguia.
Hermione calou-se, assim confirmando o que passava pela cabeça de Draco nesse momento.
–Achei que você me amasse. –Draco disse num tom de voz rouco e frio.
–E amo, você sabe disso. –Hermione apertou ainda mais os braços contra o peito. –Mas você não me amou, nunca me amou. –Os olhos lacrimejaram.
–Amei. –Abafou o grito. –Amo. –Confessou desesperado. –Acho que sempre vou amar. –Mordeu o lábio inferior com força.
–Por que me abandonou se me ama tanto? –Continuava firme e seu tom de voz era amargurado.
–Eu tive medo, eu sou um covarde e tive medo. –Pela primeira vez Draco deu um passo á frente.
–Eu também tive medo e nem por isso eu iria te abandonar. –Recuou um passo afastando-se do loiro.
–Você ia me deixar pra queimar. –Disse alterando um pouco o tom de voz.
–Eu estava magoada Draco, eu iria voltar. –Assegurou quase se entregando ao choro. –Por que você quis me ver? –Disse entre dentes.
–Pra te desejar felicidades e que eu desejo muito que você consiga me esquecer. –Uma lágrima escapou.
–Eu não acredito que você tá me pedindo isso. –Reclamou.
–Eu a amo e não quero que você vá contra os seus princípios e contra seus amigos pra ficar com um ex-Comensal covarde como eu. –Quase gritou, mas se conteve.
–Mas eu amo você. –Deu ênfase á última palavra e isso doeu demais no coração do loiro.
Ele não conseguia resistir, ele nunca conseguia resistir á aqueles olhos acastanhados. Tocou o rosto da menina e sentiu novamente aquela pele tão macia quanto um pêssego.
–O que você pensa que está fazendo? –Hermione quase não tinha voz.
Draco pegou na mão da sua pequena bruxa e levou-a á um lugar mais escondido, ninguém podia vê-los juntos, não por ele, mas por ela. O loiro aproximou-se do rosto da castanha e assim que a respiração de Draco juntou-se com a dela sentiram seus corpos estremecerem, as bocas roçavam uma na outra, o loiro depositou um beijo no queixo de Hermione e logo colou os lábios nos dela. Ah como Hermione amava o jeito possessivo como Draco a beijava, ela amava os dedos pálidos correndo dentro dos cabelos dela puxando-os e a trazendo ainda mais para si, os corações batiam num só ritmo frenético, sempre era assim quando se beijavam escondidos em qualquer canto, difícil mesmo era fingir que se odiavam, até quando brigavam era muito difícil de magoar um ao outro. Afastaram-se abastecendo os pulmões com a maior quantidade de ar possível.
–Adeus. –A única palavra que saíra tão rapidamente da boca do loiro quanto as batidas das asas do beija flor em um segundo.
–Adeus. –Respondeu permitindo que as lágrimas inundassem seu rosto de boneca, deixando as macas pretas do rímel que escorria.
Draco passou por ela e o coração parecia estar tão quebrado quanto um vidro estilhaçado no chão.
–Espera. –Hermione impediu-o de sair. –Pega isso e guarda. –Entregou um envelope branco e ele colocou no bolso. –Te amo. –Declarou-se mais uma vez.
–Você sabe que eu também te amo e sabe que o que estou fazendo é para o seu bem. –Então saiu.
Hermione o assistiu ir embora novamente, afastar-se mais uma vez por medo. Mais uma dolorosa vez que fugira.
“Longas anotações manuscritas, dentro de seu bolso”
Draco afastou-se da estação o mais rápido que suas pernas o permitiram, aparatou dali antes que seu coração o fizesse voltar e ficar com Hermione, impedi-la de amar outro.
Entrou para o escritório e tirou o envelope do bolso, tinha o perfume dela. Abriu e tirou dali um papel manuscrito com letras redondas e perfeitas. As letras dela.
Malfoy, não sabia como começar essa carta e então decidi começa-la com o seu sobrenome, pois, se você estiver lendo essa carta é pelo motivo de que nós já não existe.
Quero dizer que lhe perdoo pelo abandono e não o odeio, jamais o odiaria porque o amor que sinto por ti é grande o suficiente para não permitir que outro sentimento cresça.
Não quero que você me diga para esquecê-lo porque você sabe que é impossível.
Sabe o momento que mais me doeu em todo esse tempo? Foi quando chamaram seu nome e você afastou-se de nós, segurei-me para não me jogar na sua frente e te implorar pra ficar. Te vi afastar-se e fugir, mas não impedi. Nunca impeço. Se está carta está sendo lida por você é porque mais uma vez fugiste-se de mim e de si mesmo. Fugiste de nós.
Doninha nervosinha quero também que saiba que sempre o amarei, mesmo que case com outro e durma com ele todas as noites da minha vida, meu coração sempre será seu. Como sempre foi.
Sinto pelo nosso amor ter sido trágico. Sinto muito por tudo e me dói escrever essa carta.
Eu amo você, sempre amarei.
Da sua e somente sua eternamente... H.G
Draco enterrou o rosto na palma das mãos sentindo as lágrimas molharem e os soluços podiam ser ouvidos de longe mesmo que ele tentasse os controlar. Ela sempre seria a sua Hermione, ela sempre o amaria, assim como ele sempre seria seu Draco e ele sempre a amaria. As palavras manuscritas naquele papel doíam, mas não fariam o tempo voltar atrás. Era tarde demais.
"Palavras, como elas significam pouco quando é tarde demais”
Hermione andava de volta para casa, se é que ela podia chamar de casa. Apertava contra o peito um relicário de ouro com um formato redondo contendo neste o objeto mais preciosa da bruxa, a foto do amor de sua vida, Draco Malfoy. Do que adiantou ela sempre andar nos trilhos, fazer tudo certo e sempre ser uma boa garota se agora perdera tudo o que mais amou em toda a sua vida?!
"Eu estava certa nos trilhos, seu rosto em um colar
Boas garotas, esperançosas elas serão e muito terão que esperar"
Dias passaram depois do encontro dos dois, mas a dor daquele momento só parecia aumentar cada vez mais. A cada beijo de Rony parecia que a dor estava aumentando mais e mais.
Hermione deitou-se mais uma vez, e como todas as noites procurou sono e pela primeira vez em muito tempo conseguiu dormir, o que não adiantou muito porque naquela noite ela sonhara com Draco. Sonhara que ele viria busca-la, que eles teriam uma longa conversa esclarecedora e mais tarde o beijava numa linda cerimônia de casamento. Sonhava que ele era seu por toda a vida, assim como planejaram por tantas vezes escondidos na Torre de Astronomia.
"Em sonhos, te encontro em uma conversa longa"
Acordou assustada, suava como se estivesse no meio do deserto e tremia como se acabasse de encontrar Você-Sabe-Quem. Olhou para o lado da cama e estava sozinha, ninguém para abraça-la e assegurar que tudo ficaria bem.
"Nós dois acordamos em camas solitárias, em cidades diferentes"
Um ano depois e eles nunca mais se encontraram, não que Hermione o visse, mas ele a via sempre a via. Draco sempre esteve de longe por onde Hermione andava, as vezes á noite ele aparecia no quarto dela e acariciava seu rosto e tocava seu lábios nos dela rapidamente antes que ela desperta-se.
Hermione já não pensava tanto em Draco, não que ela já não o amasse mais, apenas tinha aprendido á controlar seus pensamentos quando o assunto era Draco Malfoy.
"E o tempo está passando e apagando você suavemente"
Ela odiava quando Rony e Harry liam algo á respeito de Draco e muitas vezes mesmo que depois se arrependessem sentiam prazer em ver a decadência que a grande e majestosa Família Malfoy encontrava-se.
–Ria um pouco Hermione. –Rony incentivou-a. — É de Draco que estava falando, você o odeia também. –Pegou em sua mão.
–Não vou rir da desgraça alheia. –Levantou-se se retirando furiosamente do local deixando os amigos sem saber o que acontecia com ela.
"E você tem seus demônios e, querido, todos eles se parecem comigo"
Alguns anos depois e lá estava Hermione em pé de frente á um grande espelho que refletia sua imagem num longo vestido que contrariava os que sua mãe sonhava para ela, o vestido tinha um tom quase branco e marcava a cintura da bruxa que se sentia incomodada com isso, o sapato tinha um pequeno salto, o cabelo preso em um coque deixava o longo pescoço branco a mostra, usava pequenos e delicados brincos.
–Vamos Mione. –Gina entrou no quarto tão entusiasmada quanto qualquer outra pessoa. –Pega o buque. –Hermione estremeceu ao pegar o buque de rosas brancas, quase tão brancas quanto a que Draco a dera no dia em que deram seu primeiro beijo, era aniversário dela e ela ainda tinha a flor seca dentro de um de seus enormes livros.
Todos os amigos estavam n’A Toca naquele dia, a tenda estava estendida e muitas pessoas olhavam para a noiva que estava deslumbrante, Harry a levava até Rony que sorria abobalhado. Ao ser entregue ao futuro esposo olhou para trás e lá no fundo muito bem escondido viu alguém que ela conhecia como ninguém. Draco estava lá e seus olhos estavam inchados e vermelhos devido aos dias que havia chorado. Aquele olhar suplicava para que ela dissesse “Não”.
"Distância, tempo, separações, brigas"
–Agora sua vez, Hermione Jean Granger aceita Ronald Bílius Weasley como seu legítimo esposo? –O velho fez a pergunta e o silêncio pairou no ar.
"Silêncio, o trem saiu do trilho"
E o olhar de Hermione saiu de Draco e olhou ao redor e encarou aquelas pessoas sorridentes e fixou o olhar nos olhos esperançosos do Weasley que tanto a amava, voltou os olhos a Draco que estava quase desabando, olhou para Harry e Gina, para os pais do noivo e para seu noivo e teve medo. Olhou para Draco novamente e sentiu vontade de correr até ele e dizer-lhe que ainda o amava mesmo depois de tanto tempo.
"Beije-me, tente consertar isso, você pode só tentar ouvir?"
Mas não podia. Seria horrível de sua parte se abandonasse Ronald ali no altar, o ridicularizaria, ele a odiaria, assim como Harry, Luna, Neville, todos os Weasley e todos os seus amigos. E se Draco a abandonasse novamente? E se ela ficasse sozinha no mundo? Teve medo.
–Aceito. –Dessa vez a escolha de fugir foi de Hermione, dessa vez quem teve medo foi ela.
Então o esposo á beijou e ela quebrou por dentro, e Draco morreu internamente, seu coração parecia não bater mais. Fugiu dali tão rápido do que quando entrou.
"Saia, desista, pela vida que nós dois não podemos recuperar"
Muitos anos depois...
Hermione havia sentido a filha estranha naquele dia, parecia nervosa e ansiosa. Anoiteceu e todos estavam reunidos n’A Toca quando a ruivinha entrou de supetão na sala trazendo consigo um loiro alto, de porte atlético e olhos azuis acinzentados como os de... Como dos de Draco.
–Mamãe, papai, tia Gina, tio Harry, família inteira, esse é Scorpius Malfoy meu namorado. –A ruiva sorriu nervosamente e Hermione tremeu ao ouvir o sobrenome do genro.
–Mal... Mafoy? –Hermione gaguejou e sentiu os olhos arderem.
–Sim senhora Weasley. –O loiro respondeu educadamente. –Sei que já se conhecem, mas... Esses são Draco e Astoria Malfoy meus pais. –E o pesadelo de Hermione tornou-se realidade.
Draco entrou ao lado da esposa e olhou para Hermione e aquele olhar era o mesmo do dia em que ela se casou. Hermione controlou-se, levantou-se e cumprimentou Astoria.
–Prazer senhora Malfoy. –Amargura era o que tinha em sua voz.
–Me chame de Astoria. –A mulher sorriu largamente, ao menos Draco havia se casado com uma boa mulher.
–Malfoy. –Estendeu a mão e Draco hesitou um pouco em pegar, mas tocou.
Quando as mãos se tocaram era a mesma sensação de anos atrás. Os olhos se encontraram e os corações aceleraram.
Todos conversaram naquela noite, mas Draco e Hermione quase não tocaram na comida ou deram uma simples palavra.
–Posso ir ao banheiro? –Draco dirigiu-se ao ruivo sogro de seu tão amado filho.
–Claro, Hermione você pode ensinar o caminho estou jogando com Harry e o filhotinho Malfoy. –O ruivo virou-se para o genro.
Hermione saiu na frente e Draco foi atrás silenciosamente.
–É aqui. –Ela ia sair quando ele a puxou pelo braço.
–Também foi um choque pra mim quando ele levou Rose na Mansão. –Soltou-a e apertou algo no bolso.
–O que tem no bolso? –Perguntou curiosa.
–Algo que nunca saio sem. –Puxou um envelope amarelado que Hermione logo reconheceu.
–Você ainda a tem? –Os olhos lacrimejaram.
–Só quero saber, eu só preciso saber. –Começou a falar. –Se você ainda sente o que tem escrito nessa carta? –Os olhos pousaram nos olhos de Hermione.
–Sinto, eu sempre sentirei até o dia em que morrer. –Confessou. –Vou descer. –Virou-se.
–Eu também ainda sinto o mesmo. –Confessou com a voz cortada.
–Nós tivemos um lindo amor, mágico devo dizer. –Virou-se segurando as lágrimas.
–Lindo e trágico. –O loiro concluiu e guardou a carta novamente.
Hermione secou as lágrimas e mesmo com o coração apertado desceu as escadas e voltou á sala. Ela teria que se acostumar em vê-lo, logo teria o casamento e sempre teriam que se ver.
Nos anos seguintes jamais se tocaram, ou quase se falaram. Tinham que preservar as famílias. Até as suas mortes jamais disseram para alguém sobre os dois. Ninguém jamais saberia sobre Draco e Hermione um belo, mágico e tristemente trágico caso de amor.
"Nós tivemos um lindo e mágico amor
Mas que triste, lindo e trágico caso de amor."
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