Notas iniciais
Olá, pessoas. Antes de lerem, devem saber que existem gatilhos (depressão, ansiedade, síndrome do pânico), se estiver incomodado com isso, não recomendo a leitura. Espero que gostem da minha criação, e seria gratificante se vocês comentassem com toda a sinceridade, dizendo o que é preciso ser feito para eu melhorar. Aproveitem! c

Ele estava lhe dando prazer durante aquela madrugada. Depois de um dia cansativo, uma tarde de caos no centro da cidade, lá estava ela, sentindo a língua quente de Dick Grayson enquanto puxava seus fios escuros e segurando os gemidos para não chamar a atenção de dois colegas que faziam algazarra no corredor.

— Mais devagar, não vou conseguir segurar assim... — murmurou enquanto ele fazia pressão com a língua em sua intimidade, fazendo com que quase chegasse ao ápice. Quando percebeu que ela estava perto, parou e foi de encontro ao seu rosto.

Dick observou aqueles maravilhosos e raros olhos verdes, cheios de desejo, luxúria. Ela não queria que ele parasse.

Ele beijou sua boca, mordeu seus lábios e afastou-se, puxando as pernas e abrindo-as, e olhou pra ela antes de penetrá-la. A mulher mais perfeita que já vira, e tinha sorte em saber que ela o amava.
Os dois gemeram baixo quando sentiram prazer ao mesmo tempo. Kori arfou enquanto Dick começou com as estocadas, e o puxou de encontro a sua boca, dando um beijo quente tomado de desejo. Ele colocou mais força, ela gemeu alto, fechando a boca logo depois de lembrar dos colegas lá fora. Dick tirou a mão e sussurrou em seu ouvido:

— O Garfield e Victor não estão nem aí pra gente, não vão te escutar — disse ao estocá-la com mais força, conseguindo um grito dela — isso, quero ouvir a sua voz, ouvir você gemer...

Kori relaxou mais com as palavras do seu amado, então conseguiu soltar a sua voz, exagerando às vezes, mas sem preocupação. Soltou-se de Grayson, e fez com que ele ficasse por baixo. Observou o corpo musculoso do moreno, as cicatrizes, a pele arroxeada em alguns pontos pela batalha de horas atrás. Passou suas unhas em seu peitoral, descendo as mãos até o seu membro, o colocando na boca.

Ele gemeu rouco quando sentiu ela o chupar com vontade, e afastou longos cabelos do rosto para visualizar melhor a cena. Aquilo o deixava muito mais excitado. Quando ele sentiu que não aguentaria se manter, puxou o seu cabelo pra trás, e ela sentou-se em seu quadril, rebolando lentamente, o deixando louco.

— Kori... você é perfeita — sussurrou enquanto apertava os peitos que se movimentavam conforme ela mexia.

Ela fechou os olhos conforme os movimentos aumentavam, ele também estava perto. Puxou-a para perto do rosto e a ajudou nos movimentos, dando estocadas cada vez mais rápidas. Kori mordeu seu pescoço depois de gritar pelo orgasmo, enquanto Dick também chegava ao ápice ao ouvir a voz da sua mulher.

Eles ficaram assim, nessa posição enquanto se recuperavam. O moreno passa as mãos nas costas suadas da ruiva, que acolhida em seu peito, sentia as batidas rápidas do seu coração.

— Isso foi realmente muito bom — ela disse.

Ele afirmou com a cabeça. Estava exausto, mas feliz.

— Você precisava disso. Lutou muito hoje. Estava tensa de preocupação, precisava relaxar. Consegui?

— Conseguiu,— deu uma risada baixa enquanto entrelaçou a mão com do homem ao seu lado — eu tive motivos para me preocupar. Ela é minha amiga.

— É amiga de todos nós, Kori — disse compreensivo — todos nos preocupamos, mas só você tem esse sentimento forte e verdadeiro por todas as pessoas. Então a sua preocupação é maior que a nossa. Eu te admiro muito por isso. Temos orgulho de você. — beijou sua testa e afagou seus cabelos — Mas ela está bem agora, e como disse hoje mais cedo, pode cuidar de si mesma. Então não se importe muito se ela não lhe der atenção, depois de todos anos você sabe como é essa garota. Orgulhosa e teimosa. Inteligente também, mas muito orgulhosa mesmo.

Kori riu e deu um leve tapa em seu peito — Ravena pode ser assim, mas é uma ótima amiga. Não vou deixar que isso aconteça de novo.

— Não vamos deixar, senhorita Estelar.

— Isso senhor Robin — beijou a ponta do seu nariz e sorriu — Não vamos.

—

Acordou tarde. Seu corpo se recuperou completamente enquanto dormia, mas ainda estava cansada, e de mau humor. Depois da higiene matinal, checou se havia alguém na cozinha. Percebendo que a maioria ainda dormia, com exceção de Tara, que caminhava lá fora, resolver ir andando até o cômodo.

Enquanto caminhava, sentira a enorme energia vindo de Koriand'r, que acabara de acordar. Só de pensar que havia a possibilidade de não poder tomar café em silêncio, já a deixou com dor de cabeça. Fechou o roupão, cobrindo sua camisola escura, e preparou um café preto, e muito forte, como gostava. Comeu alguma fruta, e quando estava prestes da tomar o primeiro gole de seu café, Victor apareceu. Como não percebi que ele estava aqui?

— Bom dia, Rachel — disse animado, abrindo a geladeira para pegar os ingredientes de um futuro sanduíche — tá melhor?

— Estou bem — começou baixo — já fez seus reparos? — perguntou mesmo sabendo a resposta. Victor assentiu, abocanhando o sanduíche e indo para a sacada para observar Tara.

— Digamos que sim. Preciso que Dick me faça um favor para terminar umas coisas. Mas dá pro gasto.

Terminaram de comer em silêncio. A essa hora, todos os integrantes já haviam acordado. Levantou, e segurando o roupão, transportou-se para o seu quarto antes de Kori chegar na cozinha.

Andou até o espelho, e observou o seu rosto. Não tinha expressão alguma, por mais que seus sentimentos estivessem confusos desde o dia anterior. Removeu o roupão, encolheu suas pernas ao flutuar e preparou-se para meditar. Fechou os olhos, e abriu a mente...

— Filha, eu preciso de você...

Me liberte...

Você não vai me deixar novamente, nem que morra!

— Não... não deixarei que destrua o meu lar...

Não vou deixar!

Não vou deixar...

— Ravena, você consegue! Confiamos em você! Estamos aqui...

Não te abandonamos...

Você faz parte de nós.

— Ele quer matar você, para se libertar! Fuja!

Não! Não! Você deve lutar!

Você deve vencer...

— Não consigo...

Não sou forte... o suficiente...

— Você é forte! Não faça apenas por nós...
Faça por você!

Você é importante para nós!

É importante para mim...

Eu amo você.

Rachel, volte! Agora! Rachel!? Rachel!?

— Rachel!? — uma voz conhecida a assustou, fazendo com que saísse de seu transe e quase caísse no chão. Ainda com os olhos fechados, preparou-se para se defender do que estivesse no seu quarto.

Sua mãos estavam prestes a se encher de sua magia negra quando seus ombros foram segurados delicadamente. Abriu os olhos de supetão, dando de cara com um par de olhos verdes escuros.

— Você está bem?

Não respondeu. Garfield a olhava assustado, claramente preocupado com ela. Estava sem reação.

— Como entrou aqui? — perguntou aérea, enquanto sentia ele retirar as mãos dos seus ombros. O homem em sua frente colocou a mão na nuca, sorrindo envergonhado.

— Pois então, eu bati na porta várias vezes por uns cinco minutos, — desviou o olhar para o quarto escuro da jovem mulher em sua frente — você não respondeu, nem me mandou embora... Fiquei preocupado, me desculpe.

Ravena assentiu, aceitando as desculpas. Um silêncio desconfortável reinou no cômodo, até que Garfield achou melhor se retirar. Rachel não gostava que entrassem em seu quarto. A porta nunca ficara aberta. Ele nunca tinha entrado lá em todos esses anos.

Como deixei a porta aberta? Ela pensou. Estava tão perdida em pensamentos que deixou de fazer uma das coisas mais importantes... ninguém pode entrar no seu quarto.

Mas ela não se incomodou como acharia que se incomodaria. Graças à ele pôde sair de seu transe, que trouxe lembranças confusas de um dia atrás. Ela pôde controlar seus pensamentos, coisa que não fez muito bem e acabou trazendo caos a cidade. Pelo menos era isso que pensava.

— Eu... preciso que você saia, — disse num tom quase inaudível — por favor...

O homem verde a olhou meio triste, mas logo disfarçou com um sorriso torto:

— Tudo bem, err... peço desculpas de novo — disse indo em direção à porta — Não foi minha intenção invadir sua privacidade, sabe como é, eu fiquei preocupado.

— Você já disse isso — murmurou séria, acompanhando ele até a porta para fechá-la.

Mutano deu um passo lento para fora do quarto, mas foi interrompido por Rachel, que segurou sua mão. Olhou para ela, que estava com uma expressão diferente no rosto.

— Obrigada.

Soltou a mão dele e fechou a porta. O homem ficou confuso, mas saiu com um sorriso no rosto por ter conseguido uma frase, quer dizer, palavra verdadeira vindo dela. Sem ser xingado, é claro.

No fim da tarde, Terra e Estelar combinaram de treinar para passar o tempo. Terra jogava as rochas enormes enquanto Estelar as destruía. As duas sempre tinham energia de sobra, e como provavelmente não teriam nada pra fazer por um longo tempo, treinar seria um dos meios de distração.

Na sala de estar, os garotos conversavam sobre coisas irrelevantes, enquanto Rachel observava o fim do pôr-do-sol na sacada. Estava bem melhor do que de manhã, mas ainda estava confusa. Sentia que faltada alguma coisa nela. Claro que, como cresceu em um lugar não muito agradável em todas as suas vidas, ela não sabe muito o que poderia faltar ou não, já que lhe falta experiência, mas sempre achou que já tinha mais que o necessário. A cada dia aprimora mais os seus poderes, tem um lar, seus livros, e por mais que seja a mais quieta de todos ali, tinha amigos, e com isso poderia dizer que tem uma família.

— No que está pensando? — Dick chegou sorrindo, empurrando ela com o ombro. A jovem de cabelos escuros suspirou, tirando o capuz do seu casaco de inverno — eu queria saber por que você gosta tanto de toucas, sabe Rachel, você tem que usar roupas mais claras... já pensou nisso?

Ravena revirou os olhos, e o olhou com um meio sorriso.

— Vou responder sua pergunta quando parar de se vestir como um palhaço.

Grayson riu e abraçou os ombros dela. Ele sabia que ela não gostava, mas não importava. Ele estava feliz de tê-la com eles novamente.

— Sabe Raven, eu realmente estou orgulhoso de você. Para você pode não parecer, mas foi a mais forte de nós ontem. Você disse que não conseguiria vencer... nós te ajudamos, claro, mas saiba que mesmo pensando dessa forma, você seria capaz. Porque você é especial, cara... — disse olhando para o horizonte, enquanto as duas garotas atrapalhavam a vista com poeira e raios verdes — eu, como sou leigo com essas coisas não posso dizer o que passa na sua cabeça, mas não consigo me imaginar no seu lugar naquela situação... com seus pais. Espero que tenha orgulho de si mesma.

Rachel olhou para Dick um pouco envergonhada, vendo ele abrir os braços para um abraço. Ela timidamente aceitou, sentindo o aperto forte do amigo. Ficou emocionada, mas não deixou transparecer.

— Eu fiz o melhor que pude, Dick, — disse baixo — não estava muito confiante, mas conseguimos.

O moreno deu três tapinhas na cabeça de Rachel, que o olhou irritada, e depois saiu rindo.

Ela estava prestes a entrar, pois mesmo sem se importar, ali fora fazia frio, então sua atenção foi para Estelar que voava em sua direção junto com Terra. As duas pularam na sacada, e parecia que não tinham treinado por horas e sim por um minuto.

— Não sei se você viu, mas a Tara acertou uma rocha bem no meio da minha cara — a garota disse enquanto ria — Isso tudo porquê queria parar e vir falar contigo... você está bem minha amiga? — seus olhos que ainda estavam completamente verdes, sem pupilas, olhavam-na com preocupação.

Kori e Rachel são mulheres totalmente contrárias uma da outra, mas apesar de suas diferenças, têm um laço muito forte. Essa amizade foi criada graças à habilidade de Rachel, que com seus dons e sensibilidade pôde perceber que a ruiva era verdadeiramente leal e divertida por mais que fosse irritante e ingênua em alguns momentos.

Terra retirou-se dizendo que precisava de um banho porque estava com pedras por todas as partes do corpo, deixando-as sozinhas.

— Estou melhor. Digamos que noventa por cento recuperada — disse vendo a ruiva sorrir em resposta.

— Esplêndido! — Kori gritou, quase estourando os tímpanos da morena — amanhã você estará novinha em folha! Se você precisar de qualquer coisa, já sabe o que fazer, — deu um beijo em sua bochecha, que a irritou mais ainda, mas disfarçou — até depois minha linda.

E finalmente, estava sozinha de novo. Mas o sol já havia ido embora.

Ela ama a noite. Traz paz, calma. Jogou o casaco e as botas pro lado, e levitou até chegar em cima da torre. Ali ela sentia o ar gélido da noite mais fria pela mistura das estações, ouvia os pássaros noturnos cantarem, o trânsito no outro lado... não havia silêncio naquela noite, mas não se importava. Estava onde queria estar.

Ravena deitou-se para observar as estrelas, pois ali em cima elas eram vistas com mais facilidade, e ali ficou. Não se importaria de passar a noite no local, era confortável. O seu respirar era calmo. Mas por dentro, não sabia o que pensar.

Nas vozes que ouvira mais cedo, não conseguira recolher várias, mas a última é a que mais a deixou atordoada. Alguém ali a amava. Enquanto ela estava fora do corpo, em outra dimensão, alguém disse que a amava.

Estava curiosa, mas honestamente, ao mesmo tempo não queria saber quem era. Relacionamentos nunca dariam certo, por mais que nem soubesse que esse era o real significado da frase. Tinha problemas demais em sua longa vida, não queria que ninguém participasse disso. Que ninguém sofresse com o mal que habita dentro de si.

A vida dela está sendo para manter o controle de suas emoções. Amar alguém tão intensamente poderia ocasionar em uma tragédia, então seria melhor não arriscar.

Mas a curiosidade nunca iria terminar.

— Ei, Rachel? — ela quase pulou de susto, olhou para o lado e baixou a guarda novamente — posso deitar aí com você? — disse já se aproximando sem se importar com alguma resposta — Tá muito mais esquisita do que o normal, demorei pra te achar, então imaginei que estivesse aqui.

Ela fechou os olhos e suspirou, paciente. Só queria ficar um pouco sozinha e pegar um ar... mas sabia que eles estavam preocupados com ela, então não poderia ser rude com os que considera importantes.

— Eu sou esquisita? — perguntou, vendo Garfield deitar ao seu lado.

— Você sabe que é esquisitinha, não teima comigo — gargalhou, mas com o silêncio da garota se arrependeu — desculpa, eu só estava brincando...

Rachel suspirou, e tentou escolher as palavras certas para não magoá-lo.

— Não peça desculpas... eu sei. Posso sentir que está — olhou em seus olhos, que brilhavam na noite — existiram poucos momentos durante esses anos que você realmente precisava se desculpar, mas já faz muito tempo. Pode parar agora, não vou machucar você — disse desviando o olhar, séria.

Ele a observou enquanto estava com os olhos fechados, parecendo alimentar-se da luz da lua, uma mulher linda em sua pele alva, com apenas aquela regata escura e uma calça justa de abrigo durante aquela noite muito fria de outono, tão fria que estava quase tremendo.

Mas Rachel não ligava para o frio, ela não ligava pra nada.

— Você está com frio. Por que não volta? — perguntou para o homem ao seu lado. Ele meneou com a cabeça.

— Desiste Ravena, você não vai ficar sozinha. Está diferente, eu estou preocupado. Sei que gosta de ficar só e trancada no quarto, mas preciso ter certeza de que está bem, de que não vai tentar nada e... — foi interrompido pela garota.

— Tentar nada tipo o quê? — aumentou o tom de voz, incomodada — Voltar pra lá? Tentar matar Trigon? Ele está preso! Preso! E não vai voltar, eu não vou deixar, entendeu?

— É exatamente isso que você está fazendo. Conversou com quase todos hoje, mas essa não foi você, todos perceberam que está diferente, e eu estou aqui, com você porque quero te ajudar a superar isso — Garfield disse sério enquanto sentava e olhava diretamente pra ela — você não precisa fazer tudo sozinha, isolada de todos, isolada de mim. Por favor Rachel, deixa eu te ajudar.

Por favor...

Ela suspirou, pensando a respeito. A sua personalidade era essa, nunca foi diferente. Não gosta de fazer com que os outros participem de suas desgraças diárias, de sua "leve" depressão, que sofram com o seu ódio interior. Eles não merecem isso.

Mas ele estava certo.

Honestamente ela não queria fazer tudo sozinha, isso machucava. Mas machucaria ainda mais caso ela aceitasse a ajuda e essa pessoa acabasse saindo ferida também. As vozes ainda não saíam de sua cabeça.

Por favor...

Rachel...

Notas finais
E aí, gostaram?