Sacrificios

4 A Decisão de Naruto


Notas iniciais
Aqui está um novo capítulo, espero que gostem e por favor deixem um comentário! A vossa opinião é muito importante!

Sacríficios

Capítulo 3 – A Decisão de Naruto

Um silêncio morto seguiu-se enquanto todos os presentes na sala de reuniões prendiam a respiração, com atenção na resposta de Naruto.

“Não vamos apressar nada.” Respondeu finalmente, e friamente, Naruto.

“Apressar? Isto aconteceu porque não fomos rápidos o suficiente a julgar. Não deixe que o seu passado cubra as suas decisões neste momento.”

“Eu acho que sou capaz de lidar com isso, muito obrigado.” Disse Naruto com um pequeno semicerrar dos seus olhos, o seu tom de voz decididamente mais frio do que antes.

Inconscientemente, Konohamaru logo se apercebeu de que tinha as suas mãos fechadas em punhos, com os braços pousados sobre os braços da cadeira. Sentia-se pronto a atacar desde onde estava, apenas à espera de outra provocação.

“Eu acho que Sarutobi-san tem razão. Seria melhor para o bem da aldeia se o rapaz fosse embora.”

Já chega.

“Ei, é o MEU aluno de quem vocês estão a falar!” gritou ele enquanto se levantava, virando-se para ficar de caras com quem tinha falado.

Tinha sido o seu antigo sensei, Ebisu. Para dizer a verdade ele nunca tinha gostado muito do homem, mas agora naquele instante, gostava ainda menos dele.

“O seu estudante, deixe-me relembra-lo, cujo pai assassinou o seu avô, o Lorde Terceiro.”

“Eu sei perfeitamente o que o Orochimaru fez mas não vou culpar o Mitsuki por isso!” disparou de seguida o jounin, sem querer acreditar no que tinha ouvido. Será que alguém ali achava mesmo que ele iria culpar uma criança pelo que aconteceu?

As pessoas na sala assistiam atentamente à troca de palavras, os seus olhos movendo-se de um lado para o outro como se fosse uma partida de ténis. “Achava que lhe tinha ensinado melhor do que disso.” Disse, finalmente, Ebisu enquanto ajeitava os óculos.

“Não, você só quis ensinar-me o seu ponto de vista! Desculpem-me se não quero que uma história semelhante à do Lorde Sétimo se repita!”

“Konohamaru,” Naruto exclamou baixo “Já chega. Não vou trazer assuntos pessoais para aqui. E gostaria que todos agíssemos com a mesma sensibilidade.” Disse ele enquanto olhava para Kichiro.

“Então não o faça. Isto não se trata de uma questão pessoal, é uma preocupação para a aldeia inteira. Se isso impedir quaisquer outras ameaças, então os Hyuga também exigem que a criança seja exilada.”

O jounin virou-se bruscamente para onde se sentava o clã Hyuga, arregalando os olhos. Ali estava ela, Hanabi, de pé, com determinação e sem olhar para ele.

“Tu…tu não acabaste mesmo de dizer isso.”

Hanabi ergueu a cabeça, e ele viu uma pequena ponta de tristeza a passar pela sua expressão antes de ser rapidamente substituída por uma de determinação “Essa é a resolução dos Hyuga.” Repetiu ela mais uma vez.

“Quem sabe qual foi a razão para ele ter sido enviado para cá?” alguém do clã Nara interrompeu “Todos nós sabemos que tipo de pessoa o Orochimaru é…”

“Sim, isso seria o pai,” disse Shikamaru na fila da frente, franzindo um pouco as sobrancelhas “O nome do rapaz é Mitsuki.”

“Não sabemos que tipo de treino ele foi submetido com aquele traidor.” Um membro dos Inuzuka colocou a questão com pura naturalidade “Pelo que sabemos, ele pode muito bem ter sido treinado para ser um assassino”

“O quê?” Kiba zombou, fazendo com que o membro do seu clã, olhasse para ele “Como e quando é que chegamos a essa dedução? Ele é apenas um miúdo!”

“Kiba, só porque tu e o Akamaru desenvolveram uma ligação com o rapaz, não significa que ele seja boa pessoa.” Disse a irmã de Kiba, com cuidado.

“Achas mesmo que sim, Hana? Sabes bem, melhor do que eu como funciona o vínculo entre os nossos cães e as outras pessoas.”

“Bem…isso não significa que as pessoas não possam ser enganadoras. E a velhice pode afetar o Akamaru…”

Ela parou a meio da frase quando Kiba se pôs bem à sua frente.

“Se ele fosse má pessoa, raios, até mesmo um assassino, achas que ele tomaria conta de um cachorro bebé? Ou melhor ainda deixá-lo sozinho? Raio, se ele fosse alguma coisa parecida com o pai, ele tê-lo-ia morto para acabar com o sofrimento! Dá-me uma boa razão para não confiar nele.” Kiba afastou-se da irmã e voltou a sentar-se à sua frente “Tenho a honra de reivindicar as ideias do meu clã como ridículas.”

Os Inuzuka ficaram sem palavras.

“Eu acho que precisamos de pensar sobre isto fora do círculo” disse alguém ao lado dele, e Konohamaru virou-se para ver a sua prima mais nova, Mirai. Ela tinha os braços cruzados e tinha uma expressão firme no rosto “Quer gostem ou não, o rapaz faz parte de Konoha, e não podemos apenas manda-lo lá para fora, sozinha só porque sim.”

“Por quê? O que é que poderia acontecer? Ele é apenas uma criança, afinal de contas.” Essa veio de Udon, o seu antigo colega de equipa e tinha-o dito de maneira tão casual, como se nada fosse, que Konohamaru teve uma súbita vontade de lhe bater.

“É exatamente esse, o nosso ponto de vista.” Kurenai juntou-se ao lado da filha. Aparentemente nem todos os que pertenciam ao seu clã eram idiotas “Alguns de nós estão dispostos a tratar este caso como se estivéssemos a julgar um adulto cuja traição foi provada. Eu não vejo qualquer prova, logo, não vejo necessidade de tanta pressa.”

“É exatamente aí que o nosso sistema tem falhas” Ibiki, o chefe do esquadrão de interrogação, entrou em cena “Esse tipo de premonição sobre se devemos tomar medidas na sequência de uma possível ameaça. Mesmo com tantos exemplos no passado, e ainda assim não aprendemos a lição.”

“Wow espere lá um segundo, acabou de ouvir o que disse?” exclamou Sakura, metendo as mãos para cima “Como é que isso é justo? Culpar alguém antes de ele mesmo fazer alguma coisa?”

“E qual é o mal de haver precaução? Precisamos apenas de culpá-los depois de coisas deste género terem acontecido?” disse um dos ANBU com voz decididamente calma, sem emoção.

“E não é que não possamos fazer a ligação aqui.” Esta veio de Anko, a antiga estudante de Orochimaru “Não estamos a falar de uma pessoa qualquer. Provavelmente o rapaz não é nada mais do que uma experiência cujas intenções são desconhecidas. Konoha não pode assumir tais riscos.”

“Porque é que vocês não param de falar do rapaz como se ele fosse um objeto?” interrompeu Shino “Ele também foi um dos meus alunos e eu garanto que não houve quaisquer comportamentos estranhos da parte dele. Pelo contrário, ele é perfeitamente normal para a idade que tem.”

“E como é que sabemos se não é apenas uma encenação?”

“Já chega.”

Todos os que estavam a discutir pararam para olhar para Naruto, e a sala ficou de repente muito silenciosa

“Todas as vossas opiniões serão tomadas em consideração. No entanto…”

“Exijo uma votação” disse Kichiro de imediato, e, apesar de Naruto não dizer nada, ficou bem claro que ele não gostou disso

“Votação sobre o quê?” perguntou Kakashi com calma “Uma votação não é necessária.”

“Konoha não irá exilar ninguém.” Tsunade colocou o assunto com simplicidade, cruzando os braços.

“Esta não uma decisão de ânimo leve que só o escritório do Hokage possa tomar, não com tantas opiniões contraditórias. Nós também exigimos uma votação.” Disse Hanabi.

Um coro voltou a erguer-se pela sala enquanto várias pessoas concordavam com os chefes dos clãs. Naruto suspirou e, de seguida, ergueu a voz de novo.

“Faremos uma pausa. Vocês podem discutir o assunto. A votação terá inicio em quinze minutos.”

….

Provavelmente não deveria fazer isto, mas Konohamaru foi procurar Hanabi, assim que saíram da sala de reuniões. A Hyuga virou-se para ele, com os olhos arregalados quando ele lhe agarrou o braço.

“Hanabi, pára com isto.”

Ele viu a rapariga de cabelo escuro recuperar a sua compostura após o momento inicial de surpresa “Parar o quê?” perguntou ela de maneira formal.

“O que tens estado a dizer…não pode ser realmente o que pensas! Eu sei como és, vamos, Hanabi, sabes bem no fundo do teu coração que isto não está certo.”

“Konohamaru,” disse ela, sobrancelhas franzidas com uma expressão séria a atravessar-lhe o rosto “Por favor, lembra-te que esta é uma reunião formal, não há lugar para essas coisas.”

“Raios! Olha-me nos olhos e diz-me que isso é realmente o que pensas!”

“Já chega! Eu fiz questão de não envolver os meus sentimentos pessoais com os assuntos da aldeia.”

Essa foi a última gota, e Konohamaru revestiu o seu tom de voz num cubo de gelo quando falou novamente “Lamento, Lady Hanabi. Acho que nunca percebi que não tinha coração.”

Ele viu um olhar magoado atravessar os olhos da jovem antes de ficarem duros como o aço “Bem, alguns de nós tem de pensar com os seus cérebros e não com o coração…”

O jounin não ficou ali depois disso.

Parecia que não eram os únicos a ter uma discussão de cabeça quente.

“Porque é que nós temos sempre de seguir os Sarutobi?” Ino perguntava ao cabeça dos Yamanka “Como podemos cegamente continuar a apoiá-los mesmo quando a situação é errada?”

“Sabem, ela tem razão…” um dos membros dos Yamanaka meditou pensativo

“A nossa aliança nunca deve ser hesitante” disse o pai de Chouji “Eles sempre nos ajudaram a manter uma frente forte contra os nossos inimigos.”

“Então estamos a manter um livre arbítrio fraco?” perguntou Chouji sarcasticamente, recebendo de seguida um olhar de desagrado.

Parecia que havia demasiada oposição, demasiado ódio, tanto que parecia saltar para fora do próprio salão. Sem ser capaz de aguentar mais, Konohamaru apressou-se a sair do edifício.

Não conseguia acreditar nisto. Desde quando é que as pessoas de Konoha se esqueceram que todos eles eram seres humanos?

No meio da sua frustração, ele pontapeou algumas pedras.

‘Não será a última vez que vão ouvir de mim’ pensou ele com raiva, cerrando os dentes ‘Não vai ficar por aqui’

“Konohamaru-san?”

Ele virou-se para a porta de entrada e viu Shizune lá.

“A votação está prestes a começar” disse ela “O Lorde Sétimo quer que todos os presentes que vão participar se dirijam para a sala de reuniões.”

….

Naruto olhou para aqueles que um por um enchiam a sala, formando a sua resposta na sua cabeça enquanto olhava. Havia tantas pessoas, chegando talvez até uns cem. Atreveu-se a ter a esperança de que nem todos tinham endurecido o coração.

Quando finalmente o último entrou, a porta fechou-se, Naruto pigarreou pra chamar a atenção.

“Vamos fazer da seguinte forma,” começou ele “Todos aqueles que estão a favor de…” ele hesitou antes de dizer a palavra “exilar a criança…,” continuou, enfatizando a última palavra “Por favor assumam o vosso lugar no lado esquerdo da sala.”

Ele esperou com a respiração quase suspensa enquanto as pessoas começavam a encher o lado esquerdo da sala.

Mais de metade…

Naruto sentiu o seu coração afundar quando olhou para o número consideravelmente baixo de pessoas que ficaram. Estava aliviado que pelo menos nenhum dos seus amigos tinha concordado com aquele ponto de vista, apesar de lhe doer ver todo o clã Hyuga, liderado pela sua cunhada, Hanabi, no lado esquerdo da sala.

Ele suspirou “No caso de que alguns de vocês desejem permanecer neutros, aqueles que são contra, por favor, vão para o lado direito da sala.”

Havia apenas algumas pessoas no centro da sala.

Naruto respirou fundo, sentindo todos aqueles olhares sobre ele.

“Antes de anunciar a minha decisão, gostaria de lembrar-vos a todos de uma coisa.” Começou ele, e pelo canto do olho notou alguma agitação desconfortável “Passámos todos por muitas dificuldades. Muitas que custaram muitas vidas. Durante os anos em que vos servi como Hokage, sempre foi minha prioridade evitar que diferenças se transformassem em marginalização, os erros a transformarem-se em rancor…se eu for exilar uma criança pelos erros do seu pai, iria contra tudo aquilo em que acredito que me faz um bom e justo líder.”

“Um líder deve estar pronto para agir e defender o seu povo. Realmente tornou-se muito mole ao longo destes anos de paz.”

Um golpe sobre a mesa cortou o discurso de Kichiro e Naruto olhou para cima com os olhos cheios de raiva

“Isto,” começou ele com os dentes cerrados, finalmente, com a paciência esgotada “não tem nada a ver com ficar mole com a paz. Eu não vou julgar ou punir uma criança por algo que está fora do seu controlo!”

“Se não tomarmos medidas imediatas, haverá mais arrependimentos! O Lorde Terceiro nunca…”

Aquele foi um golpe baixo, um que fez Naruto vacilar, e Kichiro realmente parou antes de dizer algo pior. Konohamaru zombou.

“Bah! Se acha que o meu avô alguma vez iria punir uma criança por algo tão estúpido, então nunca o conheceu de todo.”

“É a minha decisão final.” Colocou Naruto, lentamente, mas com firmeza “O Mitsuki fica. A reunião está encerrada.”

Houve um tumulto de protestos, cuja maior parte Naruto fingiu não ouvir – até que a voz do líder dos Sarutobi lhe chegou aos ouvidos novamente.

“Verá que esta não foi a decisão certa a ser tomada. Este assunto está longe de terminar.”

Algo no seu tom de voz fez o loiro ficar frio “Kichiro-san,” ele chamou entre o barulho “Não se esqueça do decreto – ninguém tem permissão para fazer mal à criança sob quaisquer circunstâncias.”

O ancião estava prestes a sair da sala. Quando o ouviu, ele virou-se para fitar o mais novo diretamente nos olhos “Não se esqueça você disto – o decreto já foi quebrado. – E não foi por nós.”

Continua…

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.