Notas iniciais
Boa leitura para todo mundo!

Foi num fim de tarde qualquer que tudo começou... E foi num fim de tarde qualquer que tudo recomeçou... Para sorte alguns e para o azar de outros...

Havia uma coisa incomodando a jovem humana que estava abrindo seus olhos tão vagarosamente. Uma sensação esquisita de estar perdida, uma sensação de breu mental e um branco totalmente desconfortável. Tristes e caídos eram os olhos de Rin que procurava não se movimentar como se estivesse sobre efeito e "paralisação total". Os olhos sem brilho, os braços caído na grama e uma leve sensação de desconhecido. Era, sem dúvidas, uma coisa muito estranha. Bem, de tudo aquilo, podia-se tirar uma coisa: Rin havia perdido a memória – para variar –, ao cair de um morro.

Porém,

Aquilo não era tudo, ela realmente não conseguia mexer uma das pernas e um dos braços! E ainda tinha o fato que não lembrava seu nome, nem o que era ou quem era. Caótico e lamentável era seu estado atual.

Rin ergueu-se com muita dificuldade – e dor – ficando sentada e apoiou-se sobre a mão esquerda – a que não estava quebrada –, para poder ver melhor a situação do seu corpo tão devidamente debilitado. A perna continha resquícios de sangue, assim como na testa, perto dos lábios e nos braços. A morena olhou por todos os cantos do lugar intensamente verde denominado floresta e deduziu que havia caído do barranco que estava alguns quilômetros de si. Pelo visto, havia rolado até a parte da grama e talvez devido a isso justificasse os ferimentos pelo seu corpo, claro que a queda ajudava a piorar seu estado, mas...

Havia algumas coisas que não se encaixavam. – sua memória – Ela não se lembrava de absolutamente de nada, nem o momento da queda ou quanto tempo ficou inconsciente. Era um verdadeiro enigma tudo aquilo!

Sem nenhuma noção de tudo ao seu redor, a jovem dama foi se arrastando até uma árvore próxima e pôs a se levantar – com dificuldade. Quando conseguiu ficar de pé apoiando todo seu peso sobre o pé esquerdo encostou seu ombro no tronco da árvore e respirou fundo. Olhou para dentro do bosque e analisou o local, não fazia a mínima idéia do que estava fazendo lá. Mesmo muito ferida, Rin buscou com o olhar algumas plantas, parte de seu inconsciente mandava-lhe ver algumas ervas para cicatrizar seus próprios ferimentos.

E como uma salvação divina, a donzela em seu estado tão delicado, encontrou algumas poucas plantas. Conseguiu com muita dificuldade fazer alguns antídotos. Ela não sabia como e nem por que sabia fazer aquilo, por um momento passou por sua cabeça ser uma sacerdotisa, já que sabia lidar com plantas medicinais. Mas, só foi uma leve impressão, logo passou.

Após colocar o remédio em suas feridas mais profundas sentou-se sobre o pé de magnólia que tinha por ali. Olhou o céu azul que pouco se percebia entre as copas das árvores e não demorou muito para cair no sono, pois dor não sentia mais, somente uma sensação de alívio e uma pequena convicção de que algo aconteceria em breve, como uma premonição.

Um sorriso leve e singelo apareceu nos lábios finos de Rin.

-x-

O vento batia do leste para o oeste, trazendo alguns cheiros desagradáveis no ar. Sangue humano, sangue yokai, alguns cheiros de árvores queimadas e outros cheiros indecifráveis. Naquela área o céu estava aberto, diferente das Terras do Leste em que o céu estava nublado com direito a raios e trovões fortes, um clima bem melancólico para uma batalha rápida. Começou rápido e terminou rápido! – pensava assim o lorde das Terras do Oeste em seus devaneios mais profundos.

Naquele momento, Sesshoumaru, teve que se render a uma derrota humilhante! Deixou-se persuadir por seu inimigo deixando-o atacar em seu ponto fraco... – fraco... – pensou consigo o Lorde das Terras do Oeste. Afinal, desde quando uma mísera humana havia se tornado um ponto fraco? – Absurdo! – repreende-se. Era totalmente lógico! Pelo menos na situação que estava. Como pudera? Ele sabia, estava totalmente consciente de que Yuri estava disfarçado de Rin. Mas, algo o impediu de atacar como se estivesse envenenado, não conseguia, ele estava vulnerável e nada pôde fazer naquela hora perante uma situação tão desconfortável. E sua mente lhe acusava. Sim! O acusava com uma única pergunta: E se for ela mesma? – Te fizeram de marionete! – acusou-se mentalmente. – Era como se atacar o "Yuri" fosse mesmo atacar a Rin verdadeira e nunca se permitira tirar a vida daquela que um dia dera a vida com as próprias mãos. Era totalmente contraditório! – Não! – e essa era a única palavra que vinha em sua cabeça naquele momento.

Ele não podia atacar, não mesmo! E o melhor, tinha motivos para isso! Ele podia ser forte, podia ser absoluto e ser frio como era, podia ter seus erros e suas virtudes e acima de tudo odiar humanos, mas uma coisa ele não era: injusto – pelo menos quando se trata de algum ser que mereça sua justiça e seu meio-irmão não se encaixava nesse padrão. Era um yokai sangue frio como muitos pensavam e pensam até hoje, mas foi quando ele estava ferido que a única humana não temeu em se aproximar dele, mesmo sendo tão arrisco. E isso ele mantinha vivo em sua mente e mesmo que ele quisesse esquecer ele não podia; ele não conseguia. Sesshoumaru admirava isso em Rin. Pela sua coragem e sua bondade – nenhum pouco – enjoativa, seu cheirinho agradável e singelo, seu jeito meigo e curioso, essa era a Rin. A Rin que atraiu a atenção e a curiosidade de Sesshoumaru.

Depois de muitos minutos refletindo sobre isso, Sesshoumaru finalmente abriu os olhos. O jovem Lorde não conseguiu calcular quanto tempo passou desde que desmaiou. – Tenseiga me salvou novamente... – afirmou para si mesmo. No entanto, quando tentou se levantar não conseguiu, estava muito ferido e por estar assim seu ferimento não cicatrizou totalmente, somente estancou o sangue e qualquer movimento – até o simples movimento de se levantar – poderia abrir o ferimento e fazer grandes estragos, então resolveu ficar repousando. Se ficasse quieto seus ferimentos cicatrizariam mais rápidos e poderia voltar para as Terras do Oeste bem rápido.

Sesshoumaru estava muito abatido mesmo, estava fraco por demais. Suas pernas tremiam pela fraqueza e sua visão estava embaçava e só tinha uma explicação: Cansaço. Durante anos e anos lutou, buscou ser mais forte e superar seu pai. Por um longo tempo procurou motivos para esquecer e apagar alguns pecados que todos os seres vivos tinham. Talvez libertando alguns sentimentos do seu coração pudesse ser um Rei e assim encontrar a perfeição tão obcecada que procurava. Porém, a maturidade chegou somente agora com seus quatrocentos e poucos anos, não era um yokai velho, nem tanto assim "adulto", mas já tinha alguma sabedoria e embora fugisse disso com todas suas forças a velha e sábia sabedoria do mundo insistia em se meter em sua vida. Uma delas é que o tempo acaba com tudo. Beleza, graça e ternura, tudo tem um tempo limite. E o pior de tudo era quando pensava nisso e a primeira pessoa que vinha em sua mente era justamente Rin.

Mesmo que não admitisse, Sesshoumaru queria ver todo mundo morrer, menos a Rin. Ele não estava preparado psicologicamente para algo que mexia com sua estrutura emocional que julgava não existir. – e então devido ao cansaço da vida Sesshoumaru fechou os olhos para adormecer novamente. – De alguns tempos para cá, Sesshoumaru relutava contra o afeto que sentia por Rin e estava ficando cada vez mais difícil controlar algumas coisas...

E se apegar a alguém era uma coisa que não cabia nos padrões de Sesshoumaru.

Felizmente, algum tempo depois esse padrão mudou...

Dois dias se passaram, tanto Rin quanto Sesshoumaru se recuperavam de seus ferimentos à seus modos. Mesmo com pouco tempo, a perna e o braço de Rin já haviam voltado ao normal, realmente a erva era milagrosa. No final do segundo dia Rin começou a andar, devagar e calmamente, sua situação não estava tão boa assim. E sem senso de direção ela migrou para o coração da floresta.

As fibras, os tecidos, ossos e alguns órgãos de Sesshoumaru iam se cicatrizando muito lentamente, mais lentamente do que o normal e isto não passou despercebido pelo Senhor Feudal. – Maldição! – praguejou-se. Ficar parado e deitado não fazia o tipo de Sesshoumaru, ele precisava sair dali o mais rápido possível! No entanto, ao tentar se levantar um ferimento se abriu e lá começou a sair muito sangue. – Maldito seja Lorde Yuri! – novamente amaldiçoou. – Ao tentar abrir os olhos e erguer a cabeça Sesshoumaru viu tudo ao seu redor girar e pela quinta vez só naquele dia caiu sobre os joelhos. Como era teimoso! Mesmo dando-lhe um conselho de ficar quieto teimava em se locomover, incrível como a paciência do Lorde se esgotava com a lentidão da natureza. E novamente, o jovem daiyokai desmaiou pela falta de oxigênio em seu cérebro.

Pelo que tudo indicava, ele estava envenenado.

Do outro lado da floresta não muito longe, Rin caminhava à passos de tartaruga. Recuperar os movimentos foi um milagre, mas abusar da sorte não era aconselhável. Mesmo perdida e um pouco irritada por não se lembrar de quem era; a dama manteve sua fé em que a qualquer momento um relampejo de seu passado pudesse vir à tona. Mesmo fechando os olhos com força e forçando sua mente para que alguma lembrança voltasse para o consciente nada vinha. Nada além de um branco total.

– Pelo menos o meu nome! – disse para si apelando para seu cérebro.

Inutilmente ela tentava e enquanto tentava se recordar de algo a mesma andava em direção a algum lugar que poderia ser sua luz no fim da trilha. Era tudo que Rin precisava... Naquele momento.

-x-

Com sua espada encravada no chão de barro úmido um yokai sorria satisfeito. Em seu campo de batalha uma grande mancha de sangue. Em seus lábios o sorriso da vitória...

– O que acha Soounga? – perguntou Yuri ao vento, sabia onde quer que esteja o espírito maligno da espada, ele certamente ouvira. – Uma grande mancha de sangue. Primeira fase do plano concluída.

A curta luta entre os feudos resultou em muitas mortes, de ambos os lados. Muita das almas que ali ficaram foram direcionadas direto para o inferno servindo de alimento para a espada da dominação. Em pouco tempo Soounga teria forças suficiente para abrir novamente o portal. E esse momento estava próximo.

– O dia está chegando! – falou a espada do frasco de vidro do aposento de Yuri no reino Leste.

Yuri tirou a espada do solo úmido que estava sendo atingido pela fina chuva naquele momento e resolveu voltar para seu castelo consciente de ter feito um ótimo trabalho. – Idiotas! – falou Yuri – Caindo numa armadilha tão clichê! O vilão vai raptar a mocinha e o cavaleiro vem salvar sua princesa caindo diretamente nas minhas garras – sorriu maleficamente.

Um plano totalmente comum com um diferencial que poderia causar grandes estragos. O único diferencial naquele plano era que a grande parte dele daria certo... Mas, Yuri não contava com uma coisa: Traição. Três traições que lhe custariam a glória. A lua, o sangue e o eclipse destruiriam sua vida.

Um pequeno detalhe faria todo o diferencial.

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Jaken estava nervoso. Na verdade, estava totalmente descontrolado. O sapo yokai verde andava de um lado para o outro na sala dos generais, alguns haviam retornado da batalha outros não, poucos soldados de Sesshoumaru haviam sido mortos, alguns coronéis estavam em um estado muito crítico, fora que havia uma nota oficial do Imperador comunicando sua ia até o Feudo Oeste. Pelo andar da carruagem, nada sabia o Imperador Imagawa sobre a batalha entre o Leste e o Oeste, mas o que mais preocupava Jaken não eram essas coisas que supostamente ele devia tratar, mas sim o desaparecimento de seu tão idolatrado Lorde.

– Seus incompetentes! – brigava Jaken com alguns soldados. – Como não sabem o que aconteceu com Sesshoumaru-sama?

– Será que ele morreu? – perguntou um.

– Não sei, não achamos o corpo dele em canto nenhum. – respondeu o outro.

– Será que nosso Lorde fugiu da guerra? – o primeiro soldado voltou a perguntar.

– Oras bolas! Nunca nosso Lorde fugiria de uma luta! – Jaken se meteu na conversa defendendo seu senhor. – Agora chega de conversa! Vão, vão logo procurar Lorde Sesshoumaru pelas redondezas.

– E porque você não faz isso Jaken-sama? O senhor sabe mais do que todos nós juntos aqui onde Lorde Sesshoumaru poderia estar. – disse o segundo soldado.

– Seu idiota eu não posso sair daqui! – berrou. – Mas, não é uma má idéia procurar Sesshoumaru-sama! – falou mais convencido da idéia. – SESSHOUMARU-SAMA EU ESTOU A CAMINHO! – gritou saindo da frente dos soldados e indo para floresta ir atrás de seu amo.

– Jaken-sama é mesmo devotado ao nosso Lorde. – falou o segundo soldado.

– Nada! Isso já é neurose desse yokai sapo. – disse o primeiro yokai virando-se e seguindo o seu caminho.

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Um clima agradável de sol se fazia na vila onde Inuyasha morava junto com Kagome, Sango, Miroku, Shippou e Kaede. Uma suposta paz podia se sentir naquele local, mas apesar da aparência o local não estava totalmente em paz. Umas picuinhas começaram a se formar, boatos estranhos e fofocas comprometedoras. – É verdade isso? – dizia um morador ao seu compassa. – É o que todos estão comentando! – respondeu o outro falando baixinho. E o motivo desse alvoroço todo era simplesmente o desaparecimento de Inuyasha e Rin. Kagome já estava irritada, fazia alguns dias que Inuyasha havia desaparecido e Rin também. A miko não suportava viver naquela agonia e insegurança que o ambiente a transmitia.

– Sango-san, eu não estou gostando disso! – bufou colocando as mãos na cintura.

– Kagome-sama! Relaxa, vamos torcer para que Rin esteja com Inuyasha, caso contrário aí sim teremos que ficar bem preocupados. Aliás, Kaede-sama já deu falta de algumas roupas da Rin?

– Pior que já. – rodou os olhos – ela quer matar tanto a Rin quanto o Inuyasha por estarem desaparecido e sabe Sango-san... – Kagome entristeceu seu olhar e olhou para algum ponto do chão – Às vezes sinto inveja da Rin...

– Por quê? – perguntou Sango pegando uma bacia de roupas do chão.

– Ela e Inuyasha são muito próximos...

– Eles são só amigos. – disse Sango pegando um quimono de dentro da bacia estendendo.

– Justamente! Na época em que nós procurávamos os fragmentos da Jóia de Quatro Almas também éramos só amigos... Só amigos... – repetiu as duas últimas palavras colocando um tom melancólico nelas.

– Kagome-sama... Inuyasha-kun te ama mais que tudo, disso eu tenho certeza. É meio impossível ele e Rin terem algo! Por favor, pare de pensar nessas coisas tudo bem? Se não você irá arranjar graves problemas. Com muitas pessoas...

– Você fala isso por causa da vovó Kaede e de Sesshoumaru?

– Exatamente... Creio que o coração da Rin-chan já tenha dono... Ela olha para o Inuyasha como um irmão, apesar de Rin ser humana e o Inuyasha um hanyou ambos têm uma história de vida semelhante e isso aproximou os dois...

– Tudo bem, eu vou tentar. – Kagome sorriu, suspirou e olhou para o céu. – Inuyasha... Onde está você?

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As horas passaram voando. Já era fim de tarde e os raios de sol estavam numa mistura de vermelho e laranja que se infiltrava no meio dos troncos e galhos das árvores. Alguns passarinhos piavam e algumas corujas já faziam seus barulhos esquisitos. Rin já estava caminhando há horas e precisava parar em algum canto para descansar. A humana se apoiou em uma árvore e buscou fôlego, depois de um minuto criou coragem para andar, ao cruzar outra árvore viu algo que lhe chamou a atenção, com medo de ser algum inimigo Rin ficou atrás da árvore e ficou admirando o yokai que estava gravemente ferido dormindo tranquilamente com seu rosto sereno e passivo. Aquilo aqueceu o coração da humana que não entendia daquela situação e nem percebeu que havia encostado-se a um arbusto e que fez um gruindo que despertou o yokai que se levantou rapidamente com os olhos vermelhos. Rin se assustou e recuou um passo, além de está assustada com o que estava acontecendo, Rin estava assustada por aquilo lhe trazer uma sensação estranha. – Sinto como se isso já tivesse acontecido comigo! – pensou.

Sem perceber os olhos do yokai havia voltado ao normal e olhava para ela com uma expressão em seu rosto sem emoção nenhuma e aquilo incomodou a humana. Ele era frio e bastante sério! – Rin engoliu em seco e recuou outro passo. – Sua vontade era de correr, sair correndo dali, além de trazer uma sensação estranha aquilo trazia uma angústia sem tamanho.

– Rin? – falou o yokai.

Ela nada respondeu. O que iria responder? – sua respiração ficou alterada e começou a ficar mais nervosa.

– Rin! – chamou novamente o yokai de olhos âmbar. – O que faz aqui? Pensei que...

– Quem é você? – ela o cortou rapidamente com uma mão segurando o tronco da árvore e a outra no coração tentando inutilmente só com aquele gesto parar os batimentos involuntários de seu coração.

– O que disse? – questionou o yokai estreitando os olhos impacientemente.

– Quem é você? – ela não hesitou em repetir a pergunta.

– Não se faça de esquecida! – ele respondeu com arrogância.

– Como posso falar-te se nem ao menos lhe conheço... – falou saindo atrás da árvore e andando calmamente na direção do yokai – Afinal nem eu mesma me conheço... – sentou-se enfrente a Sesshoumaru – Você me conhece? – arqueou uma sobrancelha mostrando ao jovem daiyokai sua tremenda dúvida sobre sua própria existência.

O olhar inocente de Rin cativava aos poucos Sesshoumaru, seus olhos dourados percorriam o corpo inteiro de Rin, seu quimono estava manchado de sangue e seus olhos mostravam que realmente estava confusa com alguns fatos e inconscientemente sorriu de canto, um sorriso quase que imperceptível.

– Você está ferido... – ela começou a falar novamente tirando Sesshoumaru de seu transe. – Como aconteceu?

– Eu é que pergunto, por que está ferida?

– Se eu soubesse... – ela respondeu – Certamente não estaria perdida nesse lugar.

– Como ousa me responder assim humana... – rangeu os dentes.

– Por que falas como se houvesse uma grande diferença entre nós, nem ao menos sei seu nome. – ela simplesmente ignorou a ofensa proferida antes.

– Claro que há uma diferença entre nós, eu sou o Lorde das Terras do Oeste, para o caso de você ter esquecido. Um daiyokai muito importante, humana. – ele se recusava a aceitar o fato que ela realmente tinha se esquecido de tudo. Só podia ser brincadeira! Isso! Sesshoumaru pensou que era uma brincadeira, porém... Não era...

– Tá! O que isso vai influenciar na minha vida? – disse como se ele não houvesse falado grandes coisas e fechou os olhos.

– Você é uma mera humana... – fechou os olhos também tentando não se irritar. – Como podes ter se esquecido de mim? Como tem a audácia de ter me apagado de sua memória?

– Não posso me esquecer de algo que não me recordo. Novamente lhe digo: nem sei seu nome... Nem ao menos sei o meu – deu de ombro.

– Não precisa saber... – o Lorde se levantou com dificuldade, ainda sentia dor na área do abdome – Siga a trilha do sul e suma da minha frente.

– Espera, – ela se ergueu e o fitou seriamente – primeiro: você está ferido, olha para você... Mal consegue ficar de pé; segundo: se sabes quem eu sou então me diga, quando cheguei me lembro de você ter me chamado de Rin. Quem eu sou? Quem é você? – seus olhos se encheram de tristeza, aquilo já estava sendo um fardo para ela.

Sesshoumaru não tinha nem idéia de como explicar para ela aquela situação, além de não estar com muita paciência para isso e se o destino – se que ele existe – quis que ela esquecesse-se de tudo, então que assim seja. Melhor assim, melhor ela se esquecer de tudo e tentar uma nova vida, enquanto ele tenta fazer o mesmo, infelizmente para o azar dele, uma das "qualidades" que os yokais têm é que eles nunca se esquecem de nada. E aquele Lorde não estava a fim de se esquecer Rin... – seu olhar triste caiu sobre os olhos castanhos. E uma pergunta caiu como estralo: por que Rin estava ferida e sem memória?

– Não faria sentido mesmo se eu tentasse explicar... – virou-se e começou a caminhar em direção ao seu palácio.

Rin ficou por um tempo refletindo aquilo, tentando espremer alguma informação sobre aquilo e depois sorriu. – Se eu o seguir... – ela nem completou a frase, já sabia o resultado daquilo.

Se ela o seguisse, certamente saberia quem era e poderia saber sobre aquela criatura que tanto chamou sua atenção. A jovem dama correu até o yokai com um sorriso nos lábios. Ela sabia, ela já suspeitava que ele, aquele homem de olhos tão dourados sabia alguma coisa sobre sua pessoa e aquilo significava que era um bom sinal, para Rin.

– Então, você ainda não me falou o seu nome... – disse o alcançando e colocando as mãos atrás das costas.

Sesshoumaru olhou a moça pelo canto do olhou e a admirou por alguns segundos o sorriso que sentiu falta, o sorriso que tanto desprezou. Pelo que tudo indicava Sesshoumaru estava tendo uma segunda chance para se arrepender de seus pecados e esquecer seu orgulho que o afastara ele de Rin. Afinal ele estava com medo... Medo se deixar influenciar por coisas que julgava ser inútil. – Vai ser divertido descobrir... Algumas coisas... – pensou o Lorde...

– Hein? – Rin o tirou de seu devaneio.

– Sesshoumaru, Lorde Sesshoumaru.

Rin sorriu e virou o corpo enfrente de Sesshoumaru o forçando parar e olhar para ela fixamente. – Muito prazer! – disse estendendo a mão. – Eu não tenho nome, mas será um grande prazer em conhecer você! – sorriu.

Sesshoumaru, mesmo indiferente, estendeu sua mão para cumprimentar Rin. – Você se chamará Rin. Muito prazer.

– Bem, Sesshoumaru-sama, agora que nós nos conhecemos, eu acho que precisamos fazer uma parada. Logo escurecerá! – falou olhando para cima e vendo que os raios solares de fim de tarde infiltravam na floresta com muita dificuldade.

– Sesshoumaru olhou para Rin e depois para cima.

– Faremos uma pausa, meus ferimentos não estão totalmente cicatrizados... E você precisa tomar um banho, seu cheiro está me incomodando.

– Tudo bem! E desculpa pelo meu cheiro tão insuportável! – Rin falou ironicamente – Mas... Onde vou encontrar roupas limpas agora? Neste momento? Do que adiantaria eu tomar banho e usar a mesma roupa?

– O fedor de sangue coagulado do seu corpo diminuiria!

– Se você diz... – Rin virou-se de costas e começou a andar atrás de alguma fonte de águas termais. Todavia, quando deu o primeiro passo ouviu um ruído de dor partindo de Sesshoumaru, rapidamente virou-se para ver o que havia acontecido e lá estava ele sobre os joelhos com uma expressão de dor.

Ela se aproximou dele e fez menção de ajudá-lo, mas ele se recusou, mantendo – por enquanto – sua pose de daiyokai orgulhoso que não precisava de ninguém.

–Posso ajudar? – ela tentou novamente.

– Não! Já disse que não preciso de sua ajuda, agora vá! Vá tomar banho!

– Tá! Fica ai morrendo de dor então. – Rin queria jogar o mesmo jogo de Sesshoumaru: Fingir que não liga. E estava começando a dar certo! Isso era um bom sinal. Ela deu as costas a Sesshoumaru e foi tomar seu banho.

-x-

Alguns passarinhos ainda cantavam no silêncio do inicio de noite, alguns corvos pousavam sobre alguns galhos das árvores e poucos vaga-lumes começaram a aparecer perto do lago... Um jovem yokai ruivo começou a andar à procura de sua próxima cobaia.

– Olha só quem eu encontro perdida por aqui...

– Não começa... Há uma barreira a partir desse ponto, Hime-san conseguiu passar, mas eu não e é isso que eu não consigo entender...

– Como é inútil Dalila, nem na forma humana consegue ficar... Nem Hime-san consegue reparar... Como queres ser rainha daquelas terras que chama tanto de paraíso se nem ser babá de uma pessoa, humana, consegue vigiar? Olhe para você! É muita humilhação, maninha...

– Yuuki cala-te e me leve de volta para meu lar... Hime-san logo voltará...

O yokai ruivo de olhos violetas balançou a cabeça negativamente e enrolou Dalila envolta de seu corpo. Virou de costas e tomou um caminho diferente do qual Dalila e Rin iriam tomar.

Yuuki era um yokai serpente, irmão mais novo de Dalila, um nômade que vive a viajar pelas terras mais ricas para roubar informações para poder vender para seus respectivos inimigos, um espião de alto escalão que nunca foi descoberto. Alguns poucos senhores feudais sabiam de sua existência. Um ladrão da noite, uma sentinela sem capitão, um amante de ouro. Irônico quando tinha a oportunidade, cínico quando era necessário, assassino sem coração quando lhe davam uma ordem. Este era Yuuki.

O que Dalila não sabia sobre seu irmão era que agora ele tinha um chefe que mudaria um pouco as coisas, principalmente algumas coisas que envolvia sua liberdade...

Cada personagem tinha seu próprio objetivo, seu próprio sonho, mas todos estavam sendo manipulados por outros dos quais não dariam a oportunidade para que esses sonhos pudessem ser concretizados... Uma verdadeira cama de gato!

Notas finais
DESCULPAS PELA IMENSA DEMORA!!! Olha se eu tiver bastante reviews eu posto o capítulo 9 bem rapidinho até porque ele já está feito e...(censurado) xD beijão a todos tá?