Notas iniciais
Boa leitura~

O dia amanheceu e Riven mal havia dormido. Sua cabeça estava digerindo as informações que Talon contara. Era realmente chocante como a realidade podia ser cruel para alguns e para outros não.

Espreguiçou-se e guardou suas coisas atrás de alguns pallets que estavam no fundo do beco. Talon disse que voltaria para busca-la, porém não havia dito o horário. Sem se preocupar, Riven foi atrás de alguém para “conseguir” o seu café e aproveitou para espairecer sobre alguns assuntos, como a explosão de sua casa, por exemplo.

Durante o dia, Riven fez o que pôde para se concentrar em suas tarefas diárias. Treinar, roubar, investigar. Tudo foi em vão, estava ansiosa para saber o resto da história que não conseguia executar nada com qualidade aceitável. Próximo do pôr-do-sol, Riven aguardou em um beco próximo de onde encontrou Talon pela primeira vez. Assim que a noite chegou, pensou em ir até o local exato onde havia ficado, mas antes que desse um passo a mais, Talon chegou por trás e tapou sua boca.

O movimento dele tinha sido tão suave, que se Talon não tivesse tapado sua boca, Riven teria gritado de susto.

– “Acalme-se, sou eu.” – disse brevemente – “As ruas não são seguras neste horário.” – Realmente, o movimento reduzira bastante nas ruas, só se via ândalos e mendigos.

– “Como iremos para seu esconderijo?”

– “Pelos telhados.” – respondeu simplesmente.

Fizeram o mesmo trajeto até a localidade, porém, desta vez com uma surpresa, Talon, ao descer no beco para verificar se era seguro, encontrou um soldado das tropas noxianas no local. Silenciou-o rapidamente, mas seu corpo ficou a mostra para que Riven visse.

– “Hoje é meu último dia neste local” – ao ver a cara de interrogação de Riven, completou – “Já descobriram meu esconderijo”.

– “E agora?”

– “Eu vou te contar o resto da história e amanhã eu penso em outro local para morar.” – Talon deitou-se na cama e colocou os braços atrás da nuca, começando a narrar a história de olhos fechados.

– Centro de Noxus, uma semana atrás -

Os dias se passaram e Talon se via cada vez mais interessado pela garota, sempre que terminava seus afazeres diários, que em sua maior parte era roubar para comprar comida, ia atrás dos rastros dela. A observava de longe, treinando com sua espada quebrada ou tentando roubar pessoas de uma forma desengonçada. ‘Ela não leva jeito’. Sentia-se estranho, Riven tinha um jeito meigo e diferente, como July tinha, porém a voz do sofrimento no segundo caso era tão alta, que Talon quase não via tudo aquilo. Tinha medo. Medo que acontecesse o mesmo com a garota. Aquele monstro que havia dentro dele estava enjaulado, mas não bastava muito para que ele quebrasse a jaula e o transformasse em um bicho selvagem, sedento por sangue.

Em uma de suas vigias, notou algo estranho. Sempre um sujeito, enrolado em um pano cinza, estava perto dela. ‘Um assassino?’. Mas quem se interessaria por uma criança pobre, sem bens? Riven dormia sempre no mesmo local, o que era uma mania condenável em uma cidade cheia de vícios como Noxus, e o seu perseguidor sabia disso, só não contava que Talon estivesse observando tudo.

Em uma das madrugadas que Talon estava vigiando Riven, viu o sujeito se aproximar pela rua, em sua mão, um punhal que Talon se lembrava de ter visto em algum lugar. Seu coração disparou e seus sentidos ficaram apurados, alguém que conhecia estava tentando atingi-lo através da garota.

‘Expus minha fraqueza’. Era o pensamento constante na mente de Talon.

Preparou suas adagas e sorrateiramente, pelos telhados, aproximou-se do sujeito. Percebeu que ele hesitava, mas estava determinado. Quando estava a menos de três metros do beco, Talon saltou de uma altura de três andares e caiu em cima do sujeito. Ao puxar seu capuz, o baque fora tão grande que deixou ser empurrado pela figura de um Kavyn assustado.

– “Kavyn?”

– “Talon?”

Rapidamente sacou sua adaga e em um instante, já estava por trás de Kavyn com a adaga em riste no pescoço do menino. Era uma habilidade assombrosa que Talon tinha, mover-se entre as sombras era sua especialidade.

– “O que é isso Talon?” – disse nervosamente – “Porque está fazendo isso?”

– “Me diga você...porque você está atrás dessa garota?”

– “E-eu?” – gaguejou – “Eu não estou atrás de ninguém!” – respondeu desesperado.

– “Como você sabia dela?” – Kavyn sentiu a faca apertar em sua jugular e não teve escolha.

– “Ela estava estragando nossa vida Talon! Somos parceiros, esqueceu?” – apelou com a voz esganiçada – “Você não era mais o mesmo depois de um tempo, e percebi que era por causa dessa menina.”

– “E sabendo disso você veio atrás dela? Patético.”

– “Por favor amigão, me dê mais uma chance, por favor.” – suplicou Kavyn

– “Se eu te der uma segunda chance, Kavyn, você me matará junto com ela.” – respondeu indicando com a cabeça o beco de Riven.

– “Por favor, ent...URGHHHH” – sem conseguir completar a frase, Talon rasgou sua jugular com uma pequena adaga e atirou o corpo para o lado.

Levantou-se e bateu a poeira para longe. Olhou o corpo inerte de Kavyn, estirado na calçada e o puxou por uma das pernas. Levou-o até a lixeira mais próxima e atirou o corpo lá dentro.

Fechou a tampa da lixeira e olhou para o céu, dizendo:

– “Sinto muito Kavyn, mas era isso ou algo pior.”

– De volta ao presente... -

O silêncio preencheu o cômodo. Talon abriu os olhos e olhou para Riven, que o encarava abismada.

– “É só isso?” – perguntou a garota.

– “Sim, é só isso.” – retrucou Talon um pouco inquieto.

– “Você não sentiu nada? Nadinha?”

– “Na hora, ali com a adrenalina alta, não.” – disse se sentando – “O problema foi no dia seguinte, não havia ninguém para me fazer companhia.”

Era uma história triste, Talon tentava criar laços, mas a vida não deixava. Riven observou que sua expressão carregada estava expressando o peso de tudo aquilo. Seria eternamente grata por não ter sido morta no meio da madrugada e duplamente agradecida por saber que tem um ‘segurança’ particular.

Levantou-se do banquinho que costumava sentar e se dirigiu até ele. Talon levantou a cabeça e viu que Riven estava com os braços estendidos, levantou-se e a abraçou. Demoraram um bom tempo naquele abraço. Riven não sabia confortar ninguém pois nunca lhe confortaram, já no caso de Talon, ele não sabia exatamente o que era afeto, só sabia que era reconfortante aquele momento.

Separaram-se e Talon segurou sua mão direita. Riven o encarou em duvida e ele disse:

– “Você quer vir morar comigo?” – ela viu que ele expressava um olhar protetor – “Podemos juntos investigar o que aconteceu com sua casa.”

Subitamente Riven se lembrou, ele sabia de alguma coisa sobre o acontecido na sua casa, mas antes que pudesse perguntar qualquer coisa, Talon a cortou:

– “Sei que você quer saber sobre o que aconteceu na sua casa. Seu ‘pai’ era muito requisitado pelo comando noxiano. Eu tenho algumas suspeitas, podemos investigar juntos, o que você acha?” – disse, juntando algumas roupas e pertences. – “Primeiro, vamos arrumar um lugar para ficar, aqui não é mais seguro.”

Ele cedeu a cama para que Riven pudesse dormir, enquanto que ele próprio dormiu no chão. O dia amanheceu e ambos saíram de lá. Talon explicou que havia diversas casas onde os oficiais noxianos não os procurariam, porém, deveriam ser cautelosos na escolha. Do outro lado do subúrbio, havia uma pequena casa com dois cômodos que, após extorquir o dono, Talon havia conseguido. Era uma sala e um quarto, com um pequeno banheiro.

– “Antes de qualquer coisa, para conseguirmos ficar bastante tempo aqui, você precisa seguir duas regras.”

– “Quais são?”

– “Primeiro: só saia para investigar no período noturno. É o horário que se tem menos tropas noxianas fazendo ronda pela cidade.” – fez uma pausa, continuando em seguida – “Segundo: Se achar que está sendo seguida misture-se na multidão, não venha para casa, tudo bem?”

Riven apenas acenou em concordância. Ele já era experiente com isso, provavelmente sabia do que estava falando.

– “Você pode ficar com o quarto, eu durmo aqui na sala, sem problemas.”

– “Podemos revezar, se você quiser.” – sugeriu ela.

– “Não se preocupe, eu ficarei bem aqui.” – sorriu simpaticamente.

Logo que arrumaram suas coisas, Talon deu algumas dicas para Riven melhorar sua técnica de roubo. Vendo que ela estava desconfortável com a situação, tratou de esclarecer:

– “Olha, sei que você não gosta disso. Acredite, eu também não.” – disse atraindo a atenção de Riven – “Em Noxus, crianças como nós, sem uma origem nobre, podemos arrumar trabalho de duas formas: sendo escravos ou trabalhando na marginalidade. Eu não quero ser escravo, você quer?”

– “É claro que não!” – o óbvio não precisava ser dito naquele momento, mas Riven não estava muito disposta com a ideia de continuar roubando para viver.

Observando o rosto contrariado dela, o moreno interveio:

– “Vamos fazer o seguinte, eu faço o serviço sujo, apenas não estrague tudo.” – cruzou os braços na altura do peito e recostou-se na parede. – “Vou para o subúrbio limpar os rastros do que deixamos para trás...descanse pois de noite iremos sair.”

Ao terminar de falar, Talon puxou algumas facas e sua tradicional adaga de dentro de uma das trouxas que havia trazido do esconderijo antigo e guardou-as na roupa. Cobriu seu rosto com um lenço preto e saiu do local. Riven apenas se acomodou no quarto e pela primeira vez em anos, deitou-se confortavelmente.

Por volta das 20:00, Talon voltou e encontrou a loira impaciente, sentada no sofá da sala.

– “Você demorou.”

– “Foi necessário.”

Ele foi em direção a mesa de centro e depositou uma quantia considerável de dinheiro. Suas vestes cinza estavam um pouco sujas de sangue. Nada questionável.

Talon se sentou no sofá e suspirou longamente, puxou um pergaminho do bolso e estendeu a mão para que Riven pegasse.

No pergaminho havia uma lista de nomes, profissões e uma quantia em dinheiro, o que deixava Riven confusa.

– “São os nomes, profissões e o quanto foi pago pelo contrato para assassinar estas pessoas.” – disse rapidamente – “Você não vai encontrar o nome do seu pai na lista. Ao menos, não o nome verdadeiro.”

– “Nome verdadeiro? Meu pai só tinha um nome, e era Masamune!” – retrucou Riven irritada – “Meu pai não era desonesto!”

– “Eu sei, Riven.” – falou calmamente – “O alto comando noxiano deu um codinome para seu pai, caso descobrissem a operação de limpeza que estavam fazendo.”

Chocada, Riven apenas expressava um “o” com a boca. O moreno continuou:

– “Não sei o porquê, mas Noxus está interessada em Ionia.”

– “Ionia? A Ilha no nordeste do continente? Por quê?”

– “Estou tentando descobrir também, mas suspeito que seja por causa de controle territorial, Noxus está querendo se expandir.”

–“E o que o meu pai tem a ver com isso?”

– “Seu pai vendia armas para os ionianos.”

A primeira porção de peças do quebra cabeça de Riven estava ali. Seu pai vendia armas para ionianos, Noxus queria o controle de Ionia, mandaram matar seu pai. ‘É, até agora faz um pouco de sentido’.

O garoto indicou com o dedo o nome fictício do seu pai na lista: Yaktar. Profissão: contador. Valor do contrato: 30.000 em ouro.

– “Como sabe de tudo isso?” – perguntou Riven, impressionada.

– “Me ofereceram vários nomes dessa lista.” – antes que ela pudesse tecer qualquer comentário, Talon se adiantou – “Não aceitei porque era óbvio que iriam me matar depois do serviço. Ninguém tem 30.000 de ouro para pagar uma pessoa.”

Ao se ajeitar no sofá, Talon puxou um punhal de uma das mangas, jogou a lista para o alto e atirou a arma, fincando a lista na parede.

– “A primeira pista está guardada.”

– “Como você conseguiu essa lista?”

– “Você vai ver onde. Se arrume e vamos.”

O bar Galão de Aço era um bar respeitado em Noxus, frequentado apenas por oficiais do alto comando e a elite da sociedade. Era um sobrado de dois andares, com janelas escuras e uma fachada toda trabalhada no estilo velho oeste, ficava na mesma praça onde era o mercado central. De manhã, apenas o térreo funcionava. A noite, o lugar fornecia alguma “diversão” para maiores no segundo andar.

Nas noites de sexta-feira, os oficiais do alto comando, junto com Boram Darkwill se reuniam no andar superior para discutir assuntos estratégicos e procurar alguma forma de entretenimento.

No andar de baixo, ficavam os guardas garantindo que ninguém subisse para atrapalhar a festa do grão-general. O movimento era mais intenso neste dia da semana, happy hours e muitos desocupados enchiam o ambiente para celebrar ou até mesmo afogar suas mágoas. A música ambiente era um pouco alta, e o balcão de bebidas estava completamente tomado por canecas e pessoas. Do lado de fora havia apenas dois guardas vigiando na sacada.

Talon e Riven se aproximaram pelos telhados do mercado central e pararam de frente para o bar, ambos estavam ocultos pela sombra da torre do prédio do mercado.

– “Riven...” – a garota estava distraída, olhando para algum ponto no nada. – “Riven.”

– “Sim?” – Encarou o moreno com olhos curiosos.

– “Temos que ter absoluto cuidado agora, se nos pegarem, não vai ter moleza, é morte na certa.” – Talon tinha um olhar penetrante e um semblante sério.

– “Certo. Mas como vamos nos aproximar?” – Disse encarando a distância de aproximadamente 25 metros de queda entre o mercado e o bar.

O garoto pegou uma corda que havia escondido embaixo de uma das telhas, fincou um prego na parede do mercado e amarrou a corda. Riven não perdia um detalhe do que Talon fazia. Quando terminou de amarrar a corda e verificar se estava bem presa, o moreno disse:

– “Aguarde meu assobio.” – Tomou distância, correu e saltou de cima do telhado do mercado em direção ao bar. O vão que separava as construções era de aproximadamente seis metros. A loira, horrorizada, achou que o garoto se espatifaria no chão, mas ao correr até a beirada para ver se ele estava bem, arregalou os olhos: Talon estava no telhado, acima da sacada amarrando a corda.

‘Como diabos ele fez isso?’ pensou a garota. Antes que pudesse pensar qualquer outra coisa, ouviu um assobio baixo, olhou para o telhado e viu que Talon a chamava. Rapidamente puxou um pano que trazia amarrado na cintura consigo, passou pela corda e fez um rapel. O problema era, como parar? Riven desceu muito rápido e, para que o plano de investigação não fosse por água abaixo, Talon aparou ela com o próprio corpo, abraçando ela e batendo com força na parede. O impacto fez com que o garoto arfasse com força e um barulho um pouco alto ressoasse pelos becos ali perto, chamando a atenção de um dos guardas que estavam na sacada.

– "Me desculpa! Não calculei direito, você está bem?" — Riven iniciou, preocupada com o moreno.

– "Sim, estou bem." — Mentiu, ainda sentia dores na região das costelas. — "Agora fale mais baixo, estamos correndo perigo aqui." — Sussurrou para a garota que em resposta apenas assentiu.

O guarda apenas olhou em volta e viu que não havia ninguém por ali, voltando a posição original. Talvez fossem os barulhos na parte debaixo do bar, talvez não.

– "Tem certeza de que está bem?" — Observou o garoto se remexer enquanto arfava levemente com as mãos nas costelas.

– "Tenho."

Apesar de querer prestar atenção nas vozes que vinham do bar, era praticamente impossível pensar em algo com a dor que estava sentindo combinada com a teimosia da loira que insistia em perguntar se ele estava realmente bem. Fechou os olhos e respirou fundo, tendo se concentrar na conversa do ambiente abaixo de si.

'Droga...!' pensou o moreno, colocando a mão no ombro e movmentando o mesmo.

Riven apenas observava o moreno na sua frente. Se sentia culpada por aquilo. Baixou a cabeça para esconder o rosto sem jeito em meio a franja bagunçada.

– "Desculpa". — Sussurrou num tom quase inaudível.

Talon a observava. Percebeu que a loira estava sem jeito e deu um sorriso discreto, estava até que se divertindo com a reação da garota apesar da tensão do local. Mesmo se divertindo com aquilo, precisava dar um fim, afinal estavam correndo perigo ali e tinham algo importante para fazer. Se deixasse as emoções da loira tomarem conta, provavelmente seriam pegos.

– "Pare de se desculpar, já disse que estou bem." — Sussurrou de volta, levantando o rosto de Riven para obrigá-la a olhar em seus olhos. — "Estamos correndo perigo aqui, não estrague tudo se preocupando comigo."

– "T-Tá bom..." — Gaguejou, desviando o olhar sentindo as bochechas arderem tanto pela atitude quanto pela aproximação.

Vendo que a tentativa de deixá-la mais a vontade havia falhado — tudo o que realmente conseguiu foi deixá-la mais sem jeito do que já estava -, se afastou de Riven e foi para mais perto do parapeito do prédio, se concentrando na conversa que vinha de dentro do bar.

Dentro do ambiente, era possível ouvir algumas vozes, a mais grave e rouca delas era facilmente reconhecível: Boram Darkwill, o líder de Noxus. Ele tinha um tom constante e seco, quase sarcástico. Falava com outras três pessoas, um era Phillipe Durand o ministro das finanças de Noxus, o outro que tinha a voz mais suave ele chamou apenas de Vernon. Havia ainda uma terceira voz masculina que eles não souberam identificar, o homem quase sussurrava, mas era arrepiante o timbre, como se fosse a voz da morte cantando sobre o túmulo dos mortos.

– “Boram, precisamos treinar mais soldados, as ruas estão infestadas de pestes ladras e mendigos.” – bradou o homem.

– “Acalme-se Reece, tudo ao seu tempo, certo Phillipe? Provisione o que for necessário, faremos os recrutamentos apropriados e faremos a nossa máquina de guerra funcionar novamente”.

– “Nossas finanças não vão muito bem, principalmente depois que pagamos nossos fornecedores pela execução da lista.” – Disse Phillipe. Talon imediatamente retesou, segurando fortemente Riven, que fez menção de sair do esconderijo e bater no sujeito até ele dizer quem foi.

– “Por falar em fornecedores...Reece?” – questionou Darkwill.

– “Não sei onde ele foi parar, nunca o havia visto antes.” – resmungou o outro sujeito. – “Ele me dava calafrios, seu jeito de falar, de agir...parecia que estava mentindo o tempo inteiro.”

– “Se ele te dava calafrios é porque deveria ser o próprio diabo.” – riu Vernon. – “Há alguma chance de encontra-lo para recuperarmos o dinheiro?”

– “Duvido muito.”

– “Todos foram eliminados? Não sobrou ninguém?” – inquiriu Boram.

– “Sim. O negociador, a cientista, o ferreiro e o assassino morreram aqui em Noxus, os demais confirmaram as mortes em outros locais.”

– “Muito bem, levamos quatro anos, mas parece que agora podemos seguir em frente, certo?” – disse Boram, batendo palmas em seguida – “Por hoje é só senhores, segunda-feira nos falamos. Divirtam-se, é por conta da casa.”

Ouve-se barulhos de passos se afastando e alguns rangidos no assoalho, logo tudo fica em silêncio. Quando Talon e Riven pensaram em se afastar, eles escutam a voz de Reece:

– “Phillipe, faça conforme o prometido...quero meus filhos em uma posição melhor.”

– “A minha palavra será mantida, não se preocupe.”

Após isso, mais alguns barulhos de passos no assoalho e o barulho da porta batendo era o sinal para que os dois jovens, abalados, se retirassem. Talon foi o primeiro a se mover, um pouco assustado com a insignificância da sua pessoa perto de homens como aqueles, que decidiam o destino de tudo com alguns drinques e putas.

Riven estava inconsolável, não chorava, mas a expressão em sua face entregava que tinha sofrido com cada uma das palavras. Sentiu a mão de Talon em seu ombro, lhe oferecendo conforto.

Ambos se retiraram do local, se esgueirando pelos becos. Talon havia retirado a corda e a estaca presa na parede do telhado e guardou consigo enquanto puxava Riven entre as sombras das ruas.

Chegaram em casa e foram se deitar, cada um perdido em seus próprios pensamentos e dúvidas.

Notas finais
Ei, psiu! Você mesmo, leitorzinho adorável, comenta ai vai, nos ajude com sua crítica/elogio. :3