Notas iniciais
Oi, galerinha. Primeiramente, eu queria agradecer a todos os comentários, favoritos e acompanhamentos. Eu achei que conseguiria estender a fic até o capítulo 6, mas 4 foi o meu máximo. Não quero encher linguiça, nem estragar a fic. Então... Este é o último. Espero que tenham gostado e que se emocionem, como eu o fiz. Acho que este foi o capítulo mais triste que eu fiz na minha vida. auhauhsuas Sou uma chorona u.u Obrigada a todos que me doaram os minutos de leitura. E obrigada ao Matteo, seu lindo ♥ O capítulo é especialmente dedicado ao Matthew, um amigo que eu sentirei eternas saudades ♥ Ótima leitura :) Ps.: A música que me inspirou a fazer a fic se chama You are my Sunshine Caso se interessem, o link > https://www.youtube.com/watch?v=rc2jsjnt-HY

Desde que meus dias se cruzaram com os da pequena Chloe, eles se passaram aos sorrisos e histórias inventadas. Não precisava de muito para concordar que ela era a melhor companhia que se poderia ter num apocalipse. No entanto, uma desventura nos cercou: primeiro foram os sangramentos nasais, em seguida a febre, tontura e dor de cabeça forte. Aconteceu tão repentinamente que eu pensei ser volta do castigo por desmerecê-la logo no início.

Estávamos sem medicações e com os zumbis sempre em nosso encalço. Eu tinha que carregá-la e me esforçar duas vezes mais, tanto para nos proteger, quanto para entender o que acontecia. Depois de vasculhar uma farmácia abandonada, pude entregar os devidos remédios para acabar com, pelo menos, a sua dor. Eles foram em vão. Seu estômago não os aceitava e a tristeza já me invadia, forçando-me a crer que em breve eu voltaria a ser aquele homem só.

— É ali! — Chloe apontou o dedo pálido para uma casa no meio do campo, parcialmente em ruínas, assim como todas as outras pelo qual passamos.

Ela insistiu que poderia andar sozinha e eu a depositei, delicadamente, no chão. Eu a acompanhei até o hall de entrada, provocando alguns sons agudos para me certificar de que não existiam infectados. A ausência deles me permitiu entrar primeiro e, ainda assim, averiguar. Quando deduzi que estava tudo dentro dos conformes, permiti que Chloe adentrasse o local.

Eu vi emoção em seus olhos carregados de lágrimas, tristes, vibrando com os raios do sol que saíam sorrateiros de algumas falhas do telhado. A segui pela maioria dos cômodos, em silêncio, observando-a deslizar os dedos pelas mobílias empoeiradas, nostálgica, como se quisesse que o tempo voltasse. O último cômodo que entramos foi um quarto rosa, perfeitamente limpo, com os móveis em estado suspeito. Parecia que alguém ainda frequentava aquele único lugar, deixando-me alarmado.

— Sente-se — ela pediu, deitando-se por sobre a cama e se cobrindo com o único edredom do guarda-roupas.

Ela tremia de frio e eu tremia de desespero. Embora não fosse visível, meu coração estava sendo esmagado pela tristeza que me invadia sem motivo aparente. Eu queria uma explicação, mas a temia. Temia tanto que me ardia até os pulmões, forçando e pesando minha respiração. A imagem de uma garota feliz, agora marcada por olhos fundos, arroxeados e um sorriso apagado, quase me fazia querer cometer suicídio.

Nenhuma criança deveria passar por aquilo.

Eu obedeci, quieto, esperando pelas suas palavras.

No decorrer de todos aqueles três dias que Chloe e eu andamos, encontramos vários obstáculos pelo caminho. Lutamos juntos, lado a lado e eu a protegi de diversos perigos, enquanto que ela me divertia com perguntas engraçadas, histórias malucas inventadas de momento. Aquela garota miúda e magricela havia me provado que eu não estava só e que futuramente, caso encontrasse, falaria dela para alguém. Fez-me perceber que meus dias voltavam a ser felizes, que ainda havia esperança em meu peito. Eu queria, acima de tudo, continuar a enxergar daquela forma, mas o mundo em que vivíamos era pútrido, cruel, impetuoso. Ele não permitiria que, mais uma vez, eu tivesse outra chance.

— Esta é a minha casa e eu precisava voltar antes de partir…

Eu já esperava que a vida não me daria, sem pegar de volta. Os momentos bons não durariam até o meu último suspiro como Évy me havia prometido. Meus momentos bons eram restritos a curtos períodos. E aquele era um deles.

— Há alguns dias, minha família e eu saímos em busca de alimento. Não conseguimos voltar e eles morreram pelo caminho. Eu perdi todos. Cada um: minha mãe… Meu pai… Minha irmãzinha… Todos foram mortos pelos infectados… — Explicou, sendo forte o suficiente para evitar as lágrimas. — Eu vaguei por dois dias, sem água, sem comida, sem descanso. Estava perdida e, quando comecei a variar, achei que fosse um conhecido, mas não passava de um maldito zumbi…

Chloe se colocou sentada, erguendo um pouco a camisa e mostrando uma faixa que lhe cobria grande parte da barriga. Ela desfez o curativo, revelando uma ferida fétida, funda e que sangrava negro. O odor era repugnante e tinha o formato de uma mordida. Eu levei a mão à boca rapidamente, contendo a angústia que me invadia. Era uma sensação de perda grande, de martírio, de infortúnio, de desgraça eterna. Não conseguia impedir as lágrimas que despencavam uma após a outra, fazendo-me soluçar como uma criança pequena, sem colo, sem proteção, longe de quem mais amava.

— Aquele cretino me mordeu e eu quase não consegui fugir! — Ela sorriu, chorosa. — E acho que estou morrendo! Mas o que me deixa feliz, é que eu te encontrei. Você pôde me trazer de volta... pra casa...

— Por que não me contou? — Eu a abracei fortemente, como sempre abraçava Évy. — Eu poderia ter…

— Não poderia — interrompeu, atirando a verdade na minha cara. — Ninguém poderia. São os dias de hoje, não são?

— Mas eu poderia ter feito algo…

— Matt, as pessoas nunca partem completamente… — Começou, evitando me olhar.

— Você não precisa partir, Chloe. Pode ficar aqui comigo… Ficaremos nessa casa! A farmácia é perto, eu farei curativos em você. Todos os dias! Podemos plantar algumas verduras e legumes, criar alguns porcos e galinhas… Eu cuidarei de você… Meu… Meu pequeno raio de sol! Eu prometo que cuidarei!

Eu entrei em desespero, largando-a e andando de um lado para o outro no quarto, buscando por uma saída. Forçando uma solução. Eu só queria salvá-la. Salvá-la acima de tudo.

— Ou me leve contigo — fitei-a, parando abruptamente. — Eu não quero voltar a ser sozinho. Você me trouxe luz… — Choraminguei, debruçando-me ao seu lado.

Ela deu um riso divertido, fraco, com seu semblante já se apagando e piscou:

— Ei! Eu cuidarei pra que seus dias continuem iluminados… Você não estará sozinho.

Aquele pequenino raio de sol lia a minha mente, sabia de tudo que eu pensava. Sabia quais eram as resposta que me acalmaria, que eu precisava. Aquele pequenino raio de sol havia me salvado do escuro. Havia se sacrificado para provar que eu estava vivo e errado. Havia me restaurado a alma, embora soubesse que meu caminho não seria o mesmo agora. Mas, quando os raios do sol me aquecessem o corpo, eu saberia jamais estar sozinho, pois agora… Pois agora eu sabia que as pessoas nunca partem completamente… Eu sei que, por sacrifício, elas sempre estarão aqui… Como Évy sempre esteve. Como Chloe sempre estará…

E então, eu vi os olhos de Chloe se fecharem, ainda esboçava um sorriso carinhoso em seu rosto, levemente sujo de amoras. Eu a abracei pela última vez, suspirei fundo e cravei a minha faca em sua cabeça. Perdi-me aos prantos por algumas horas, inconsolável no quarto ao lado. Logo me levantei e tranquei a porta do quarto rosa. Era ali que aconteceria a nossa despedida. Minha missão estava cumprida… Uma de muitas.

Notas finais
Bem, é isso! Espero que tenham gostado. Eu tenho planos para uma continuação sobre a vida do Matt, mas não sei quando vou postá-la. Se gostaram, recomendem :) Obrigada por tudo, lindezas e até breve, espero eu ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!