Sacrifice

1 Capítulo Único.


Silencioso. Era a única coisa que definia o Santuário perfeitamente naquele momento. O rapaz sentado a escadaria da nona casa zodiacal se encolheu e passou as mãos instintivamente pelos braços desnudos, o qual foram arrepiados pela brisa da madrugada, que também bagunçava seus sedosos fios castanhos arrumados por uma fita vermelha colocada ao redor de sua cabeça. O moreno divagava sobre algo aparentemente monótono, ao julgar pelo seu semblante passional. O Santuário inteiro dormia e a única luz que iluminava a imagem do cavaleiro de Sagitário sentado a escadaria de sua casa zodiacal era a luz da lua minguante. Aioros admirava essas noites calmas, quando Milo resolvia dormir cedo e não ficar com o rádio ligado em um volume absurdamente alto até altas horas da madrugada em suas noites de insônia, ou quando Shura não resolvia treinar durante a noite em sua casa, quando a arena estava fechada, e o sagitariano apenas ouvia o som de coisas sendo cortadas e quebradas na casa de Capricórnio, que possuía sempre a desculpa de querer aperfeiçoar sua 'espada sagrada'. Não que não gostasse de seus vizinhos, pelo contrário, era muito amigo de Milo e de Shura assim como era próximo de todos os cavaleiros de ouro, além de seu pequeno irmão Aioria, que era um barulhento nato, diga-se de passagem, mas mesmo assim, como todo bom sagitariano, Aioros inegavelmente preferia a sutileza das noites calmas e silenciosas no santuário de Athena. Pensando em sutileza e calmaria, inevitavelmente seus pensamentos vagaram até ele. Aioros riu. Não poderia dizer que era um bom sagitariano depois de ter se apaixonado por uma pessoa tão intensa, porque de sutil, o amado só tinha a aparência. Era sempre calmo, isso é verdade, mas seus olhos possuíam uma chama tão acesa quanto as chamas que queimavam no Hades, assim ele pensava. Saga era dono de uma aparência sutil de traços divinos, uma inteligência incrível, e uma intensidade no olhar que era imposta em tudo que fazia. Aioros permitiu-se sorrir. Sim, tudo o que o amado fazia era intenso. Desde matar, até amar.

—Vai pegar um resfriado se continuar aqui fora – Aioros sobressaltou-se ao ao ouvir a voz grave, mas ao mesmo tempo aveludada de Saga. Divagava tão concentradamente que nem ouviu quando o cavaleiro de Gêmeos se aproximou, ou sentiu quando este colocou sua capa da armadura sagrada de Gêmeos sobre seus ombros no intuito de esquentar-lhe a pele fria pela brisa da madrugada. O loiro sorriu ao perceber que Aioros havia despertado do transe divagatório e sentou-se ao seu lado, fazendo um barulho de ouro tilintando por ainda trajar a armadura sagrada de Gêmeos. Aioros deitou a cabeça no ombro de Saga e este passou carinhosamente o braço direito ao redor de seu corpo.

—Como foi a missão? – O moreno perguntou, tranquilamente, enquanto brincava sutilmente com uma mecha de cabelo do loiro.

—Muito bem, eu consegui encontrar mais cinco crianças que possuem potencial para virar cavaleiro aqui nos arredores da Grécia. – Saga ditava sua missão calmamente, enquanto acariciava as costas de Aioros. – Levei-as para fundação e consegui chegar aqui só agora.

—Só agora?... – o moreno murmurou melancólico, tentando parecer passional, falhando miseravelmente. Saga franziu as sobrancelhas aloiradas e virou o rosto para encarar as esmeraldas lacrimejantes do sagitariano, que rapidamente virou o rosto e começou a secar as lágrimas teimosas com as costas das mãos. A verdade é que Aioros estava preocupado com Saga, soube por uma fonte confiável que o geminiano havia se encontrado com Kanon, e o trancado no rochedo do Cabo Sunion, mas o que deixou o moreno mais apreensivo ao ouvir a história foi que Kanon havia proposto a Saga para que matassem Athena ainda bebê e dominassem o Santuário, juntos. Claro que Aioros não se preocupou de início, seu amado era justo e possuía um coração puro, confiava nele de olhos vendados, mas não conseguiu tirar aquilo da cabeça, e o olhar distante e as faltas do geminiano desde então, cerca de duas semanas, fazia a dúvida sobre o ocorrido e mágoa de si mesmo por duvidar de Saga o corroer por dentro. O loiro, ao ver a agonia presente nos olhos que tanto amava, segurou delicadamente o queixo de Aioros e secou suas lágrimas com calma, logo unindo seus lábios desenhados aos lábios cheios do grego. Começaram com um delicado selar de lábios, após alguns segundos Saga queria intensificar o momento, pedindo passagem com a língua que foi prontamente cedida pelo cavaleiro de sagitário, onde as línguas se encontraram e um ápice de emoções se afloraram durante o beijo, Aioros se permitiu parar de pensar e aproveitar a doçura dos lábios de Saga, que encerrou o ósculo com um selinho nos lábios do moreno. O geminiano sorriu e acariciou o rosto do sagitariano.

—Eu não sei por que você estava chorando, ángelós mou¹ – Saga começou a falar, acariciando os lábios cheios de Aioros num mudo sinal de compreensão – Mas, se tem algo a ver comigo, – o geminiano encarou o sagitariano nos olhos, ele parecia desvendar tudo o que o moreno pensava – pode ficar tranquilo, Oros, eu nunca faria nada que pudesse machucá-lo – Aioros, mesmo emocionado, se permitiu revirar os olhos diante daquele apelido ridículo com que Aioria havia lhe presenteado e agora também era usado por Saga, rindo em seguida e sendo seguido pelo grego. – Isso, sorria, você fica muito mais bonito assim – O moreno ruborizou e parou de rir, sorrindo de lábios fechados, o loiro permitiu-se colar sua testa na dele – Eu te amo, cavaleiro de Sagitário...

E Saga cobriu os lábios de Aioros com um beijo apaixonado, no qual o moreno retribuía na mesma intensidade, como se dissesse "Eu também te amo, cavaleiro de Gêmeos"

. ☾ .

Silenciosa. Era a única coisa que definia a vida de Aioros perfeitamente, agora. Nunca fora de imaginar-se casado e com filhos, constituindo uma família e sustentando uma casa, mas, estranhamente, tinha uma vontade parecida com essa quando estava perto de Saga. Tinha vontade de dormir e acordar com o geminiano sempre ao seu lado, lhe dando aquele sorriso doce e intenso, enquanto murmurava um bom dia sonolento e lhe puxava para um beijo apaixonado, como sempre acontecia quando dormiam juntos. Tinha vontade de ficar sempre perto dele, sendo em silêncio, ou com Saga contando suas histórias de heróis que Aioros sempre pedia que lhe contasse quando sentia sono, para dormir mais rápido, claro que Saga sempre se sentia ofendido ao pensar que suas intensas histórias só faziam o sagitariano dormir mais rápido, mas não conseguia negar-lhe quando este pedia para contar alguma na hora do sono. Tinha vontade de abraçar Saga e não soltá-lo nunca mais, pois tinha medo que ele fugisse a qualquer momento. Ele tinha vontade de tudo isso. Pois agora, a única certeza que tinha de seu destino era a morte. Abraçou mais ainda Athena a seu corpo, no intuito de mantê-la aquecida e confortável, enquanto esperava as dores se esvaírem e a morte lhe acalentar como a um filho machucado. Após a noite que Saga lhe prometeu não fazer nada para machucá-lo, ele desapareceu sem dar pistas, deixando a vida do grego calma e estranhamente silenciosa, estava a beira da loucura, depois de uma semana, Aioros decidiu comunicar ao Grande Mestre o sumiço de Saga e se oferecer para procura-lo junto de mais alguns santos de ouro. Chegou ao salão e entrou sutilmente, estava tão cheio de pensamentos que não bateu ou se anunciou, apenas viu o Grande Mestre, com uma adaga dourada em mãos, circundando o berço, devido ao choque ao ver aquela cena duvidosa, Aioros estava em transe. Aparentemente, o Grande Mestre não o notou, pois posicionou a adaga dourada e desceu seu braço segurando a adaga em direção ao adorável bebê de fartos cabelos castanhos que dormia no berço. Aioros só acordou do transe nessa hora, que foi quando ele partiu sobre o mestre com uma velocidade sobre-humana e segurou a adaga. A-aioros... foi oque Saga balbuciou atônito. Depois disso, Aioros teve um rápido confronto com o Grande Mestre, até que em um de seus ataques, derrubou sua máscara. Aioros sentiu os olhos queimarem e Saga voltou a consciência, o olhando atônito, o moreno apenas pegou Athena e fugiu, deixando sua imagem com um semblante de horror e frustração gravada intensamente no fundo da mente do geminiano. Saga se sentiu culpado, então, aproveitando-se disso, seu lado maligno voltou a atuar, mandou Shura atrás de Aioros, porque ele não seria capaz, espalhou sua fama de traidor para cobrir a sua, em sua consciência se sentia o pior dos crápulas. Após uma árdua batalha, Shura venceu Aioros, que conseguiu sair do santuário para algumas ruínas ao redor de lá, onde ele agora jaz com a pequena Athena nos braços, sem energias para se levantar e entregar a pequena criança a alguém, apenas torcia para que alguém a encontrasse. Não temia pela sua vida, afinal, seu coração fora quebrado no momento em que descobriu ser seu amado atentando contra a vida daquela que protegeria a paz e a qual eles tinham o dever de proteger e, se Saga não conseguiria proteger alguém por obrigação, quem dirá por amor? – Divagava Aioros em seus momentos de lucidez. – Athena não poderia ser o sacrifício para os planos malignos de Saga, mas ele sim, porque, ao contrário do bebê que dormia em seus braços, ele amava o geminiano e estava disposto a ser seu sacrifício, se isso significasse sua felicidade. Saga havia recobrado a consciência e corrido até os arredores do Santuário, onde ele sentiu forte ondas de cosmo de dois santos dourados. Chegou ao local pouco depois de Shura ter voltado ao Santuário, seu coração martelava no peito ao fitar o amado tão debilitado e a beira da morte. Não poderia se aproximar e ver os orbes tão cheios de mágoa direcionados a ele, não suportaria. Observou o local e achou Mitsumasa Kido aos arredores do local, decidido a ajudar o sagitariano pelo menos uma vez antes de cair em trevas, Saga usou o Satã imperial em Mitsumasa e o fez chegar ao local do acidente, onde ele encontrou Aioros.

—As forças do mal estão no santuário – os olhos de Aioros lacrimejaram e ele engoliu em seco ao lembrar-se da pessoa a qual começou aquilo – e juraram matar este ser inocente, proteja-o.

—O santuário? – Mitsumasa perguntou, atordoado. Aioros então reprimiu um gemido de dor, respirou fundo e continuou:

—Eu fiz o que pude e consegui trazer o bebê até aqui, muitos dos cavaleiros foram fascinados pelo poder do mal sem o conhecimento do nosso mestre, e eu não conseguirei – Aioros já respirava com dificuldade, sentia seu fim se aproximando. – não conseguirei ir mais longe, por favor, proteja essa menina até ela crescer.. – o moreno se levantou com dificuldade, sua respiração estava ruidosa e ele sentindo uma dor imensa, Saga sentiu as lágrimas quentes que desciam pelo seu rosto ao mirar o amado tão machucado, mas, mesmo nessas circunstâncias, não conseguia se mover, esperava que ao grego entregar a menina e o velho homem sair, seu pânico e trava emocional passariam e ele seria capaz de se aproximar e pedir perdão por tudo o que fez, enquanto está são e, quem sabe, ser perdoado por Aioros – esta menina é a reencarnação da deusa Athena, que Deus envia sempre que o mal tenta dominar o mundo, mais cedo ou mais tarde, cavaleiros muito corajosos vão lutar ao lado da deusa Athena para garantir a sua segurança. – o moreno respirou com dificuldade – Eles lutarão até a morte para salvar o planeta dos horrores que a ameaçam, e quando um valoroso cavaleiro se destacar entre eles, entregue a ele essa armadura de ouro, a armadura sagrada de Sagitário. – Aioros não conseguiu reprimir um gemido de dor e cambaleou de joelhos com a pequena Athena nos braços. Mitsumasa, que até então ouvia sem questionar, se aproximou do rapaz.

—Você está bem? Resista, seja forte! – O homem, ao ver que o bebê chorava, a pegou nos braços e quando voltou a mirar Aioros, o mesmo jazia, aparentemente sem vida no chão. Mitsumasa se compadeceu com o esforço do rapaz e jurou – Eu, Mitsumasa Kido, prometo cuidar dela e também da armadura.

Saga, pois as mãos na boca para reprimir os soluços que se repetiam incansavelmente, enquanto Mitsumasa sumia entre os escombros com a armadura e Athena.
Já Aioros via a morte se aproximando sutilmente, ela tinha uma aparência tão sutil quanto seu amado. Ela se aproximou e abraçou seu corpo, começando um pranto, dolorido pranto. Aioros já não estava lúcido, levou uma das mãos ao rosto da morte, que se assustou.

—Você se parece com alguém que eu amo muito. – Então Aioros deixou-se tragar para o sono eterno, mas, antes que fizesse isso, pode ler os olhos que tanto o fitavam.

Quem estava ali não era a morte, mas sim a sua própria vida.

Fim.

Notas finais
ángelós mou¹ - meu anjo, em grego (usei o tradutor -q) EEEE, minha primeira oneee! *solta fogos de artifícios* Não sei se ficou bom, mas eu me emocionei escrevendo QAQ peço perdão caso tenha algum erro de escrita, cronologia ou qualquer coisa, fiz essa one agora de madrugada e eu mesma 'betei', porcamente mas betei ;W; não lembrava em que capítulo aconteceu tudo, então vi o episódio zero de novo pra me refrescar, ao menos um pouco, a memória, por isso peço que me apontem qualquer erro. é curtinha, mas eu gostaria muito que comentassem oque acharam também, já que essa é minha primeira fic de Saint Seiya. até mais õ/ beijos da Bel ♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!