Sacrifice

25 Novas feridas!


Notas iniciais
Eu ainda estou empolgada pelas recomendações então um cap beem grandão beijoos!

Tudo parecia um borrão, tudo estava branco, dava dor de cabeça, então abri os olhos bem devagar, me sentia tonta, pisquei algumas vezes, tentando focar em alguma coisa, e a primeira coisa que me concentrei foram olhos castanhos, acompanhados por um rosto sorridente, e tenho que admitir, muito bonito. O homem a minha frente estava de jaleco, e anotava alguma coisa, ele levantou os olhos e percebeu que eu o encarava, então abriu outro sorriso se aproximando.

- bom dia mocinha – ele colocou a prancheta de lado – você me deu um trabalho e tanto.

- eu dei? – minha voz saiu rouca.

- com certeza, que historia é essa de andar respirando ar poluído? – ele levantou uma sobrancelha de forma sexy.

Fiquei vermelha.

- desculpe.

- não precisa se desculpar, afinal esse é meu trabalho — Ele se sentou ao lado da minha cama – a proposito meu nome é John Carter, mais me chame de John.

- oi – minha voz estava rouca – eu sou Amanda.

- eu sei – ele deu um tapinha na prancheta – sou seu medico.

Sorri, minha garganta estava seca e parecia arranhada.

- posso beber um pouco de agua?

- desculpe, mais ainda não – ele fez cara de quem pede desculpa – tive que fazer, uma sucção no seu pulmão e teve que ser pela boca, você tinha muito ar poluído dentro que si, e tivemos que retirar, sabe se passasse mais um pouco, poderia ter morrido.

- então eu agradeço – murmurei – e os outros?

- o tenente petrov esta num outro quarto particular – ele se levantou e foi ate a porta – a princesa solicitou que os dois ficassem na ala da realeza, mais o caso dele é mais complicado.

- como assim? – me sentei depressa – o que ouve com ele?

- a ferida que tenente petrov tinha era muito profunda, por pouco não transpassou o corpo dele – ele parou segurando a porta – e ainda tinha o veneno, nunca tínhamos lidado com esse tipo de substância antes, tivemos que fazer uma sucção, e para ele foi muito difícil, ficou muito fraco.

- eu posso ir vê-lo?

- claro, só espere um pouco, você tem visita – doutor John fez uma pausa – e não pode sair da ala hospitalar, tirando isso, você pode ir vê-lo.

- obrigada doutor.

- meu nome é John – ele abriu um sorriso lindo – doutor faz eu me sentir velho, eu tenho 23 anos poxa.

- então obrigada John.

Ele concordou com a cabeça e saiu, fiquei esperando Gabriella ou connor entrar, mais ai me lembrei que eles me odiavam agora. E ninguém me faria esperar a entrada de um casal, com cara de mal encarados, e uma aura de poucos amigos.

- posso ajuda-los?

- meu nome é Pierre Belmonte e esse é minha parceira Soraia Vicentini – o homem com pela de cor chocolate se apresentou, ele era enorme – viemos lhe transmitir os sinceros agradecimentos do rei Victor por ter salvo a filha dele.

Me lembrei de onde os conhecia, eu os havia visto no dia em que chegara, a meses atrás, acompanhando a rainha.

- o senhor não é o sombra da rainha? – questionei.

- exatamente senhorita – ele falou brandamente – éramos seus guardiões.

Éramos?

- A rainha...?

Ele fechou os olhos por alguns segundos.

- sim, infelizmente sua majestade faleceu.

Senti um nó na barriga, sabia exatamente por que ela havia morrido, ela não havia suportado a ideia de perder sua filha única.

- eu sinto muito – murmurei.

- obrigada – Pierre agradeceu – mais o importante é que a acusação contra você e seu mentor foi retirada, vocês estão livres, na verdade são considerados heróis, e o conselho foi obrigado a retirar a acusação de traição e descumprimento de dever.

- obrigada – agradeci fervorosamente – de verdade.

Ele fez um pequeno aceno com a cabeça e se retirou, observei a mulher junto com ele, ela era bonita, seus cabelos estavam presos num coque disciplinado, mais pude notar que seus cachoa alaranjados deviam ser bonitos soltos, num ultimo instante, antes de se virar para partir ela se me olhou, e foi como levar um soco bem na boca do estomago, fiquei completamente sem fala, eram olhos amarelos, mais não qualquer tom de amarelo, fiquei atordoada por um longo tempo depois que ela se foi.

Depois de me sentir extremamente enjoada com que eu havia visto, me levantei com mais leveza do que um dia esperei ter, olhei minha perna sobre a roupa de hospital, estava ótima, de verdade, minhas feridas pareciam cicatrizes distantes, me vesti rapidamente, algum havia se dado ao trabalho de me conceder um novo uniforme. Caminhei pelos corredores, estavam completamente vazios, achei curioso o fato de parecer que a realeza se feria com menos frequência que nos, a plebe.

Perguntei na recepção por nicolae e a enfermeira me indicou seu quarto, ele estava deitado, parecia estar dormindo, mais quando me aproximei ele abriu os olhos, me fazendo feliz só com o fato dele estar bem.

- oi – me sentei na cadeira ao lado do seu leito – como você esta?

- bem – ele engoliu em seco – muito bem.

Seus olhos denunciaram outra coisa, será que ele andara chorando?

- você soube – não era uma pergunta – sinto muito.

- eu também sinto – ele murmurou – sinto muito mesmo.

- sabe como Denise esta? – perguntei.

- ela esteve aqui – ele apontou para a mancha de agua e rímel em sua camisa – não esta nada bem, ela amava a mãe.

Me senti pior do que antes.

- o pai dela se recusa a olhar para ela, deve achar que ela lembra de mais a mãe, enfim, ela esta sozinha.

- não, não estar – cala a boca Amanda, fique quieta – ela tem a você.

Nicolae me olhou nos olhos, serio.

- o que você quer dizer?

- que você deve ficar com ela – murmurei, sentindo meu coração sendo rasgado – cuide dela nicolae, Denise sofreu nesses últimos dias o que ela nunca havia sofrido em toda sua vida, ela é como uma boneca de porcelana, frágil.

- mais e você? – ele tentou se sentar, mas fez uma careta e voltou a se deitar – e nos? O que tivemos?

Me levantei e fiquei de frente a porta, de modo que ele não pudesse ver as lagrimas enchendo meus olhos.

- não existe nós aqui – minha voz falhou – você acha que eu não sei? Foi só uma transa de camaradagem, você só não queria que eu morresse virgem, já deu, eu não morri não é mesmo?! Já pode voltar pra sua namorada.

Sai o mais rápido que pude.

- Amanda.

Eu não me virei, em vez disso comecei a correr, para não ter o risco de voltar.

Entrei no meu quarto e bati a porta, escorreguei na parede e comecei a chorar, pela primeira vez, desde que Sidney havia morrido, era a primeira vez que eu chorava, mais as lagrimas escorriam copiosamente e manchavam meu moletom cinza.

Ouvi uma batida fraca na porta, ignorei esperando que quem quer que fosse, fosse embora, mas em vez disso, a porta se abriu, e doutor John colocou a cabeça para dentro, ele entro e se sentou do meu lado.

- eu achei que com sua visita tenente petrov ficaria melhor, afinal não é todo dia que recebemos a visita de uma linda mulher – ele falou baixinho – mais acho que fez bem demais, por que essa é a primeira vez que eu vi um paciente de UTI, tentar se levantar e andar sozinho com apenas um dia que fez a ultima coletagem de veneno, ele ficou tão agitado que tive que seda-lo.

Isso fez com que eu chorasse ainda mais, acho que ele se sentiu culpado, pois passou os braços pelos meus ombros e começou a pedir desculpas, eu me recostei em seu peito e deixei que as lagrimas rolassem ate me entregar a exaustão completa, só me afastei quando senti que as lagrimas começavam a secar no meu rosto.

- desculpe por isso – murmurei secamente.

- tudo bem – ele afagou meu rosto – é normal se sentir sensível depois do que você passou.

Fiquei em silencio, deixei ele acreditar que meu choro era por causa dos leviatãs.

- que mico – tentei sorrir – chorar no peito de um desconhecido.

- desconhecido? – ele fingiu indignidade – como assim, eu estou cuidando de você a 3 dias e inclusive te vi nua, como você pode dizer que somos desconhecidos?

- eu apaguei por 3 dias? – recapitulei a frase – espera. Como assim você me viu nua?

Vi sua pele caramelada corar.

- primeiramente, sim apagou por três dias – ele olhou para cima – e sim, tive que checar se você tinha outros ferimentos, foi extremamente profissional.

- tudo bem então – limpei os olhos – poderia me fazer um favor?

- claro.

- poderia avisar aos meus ami... a connor mason e Gabriella small que eu estou aqui? – pelo menos eu avisaria.

- claro será um prazer – ele se levantou.

- eu agradeço.

Quando ele saiu me arrastei ate a cama, eu havia acordado tão bem aquela manhã, mais agora me sentia exausta. Fechei os olhos.

- ela está dormindo? – a voz de connor encheu meus tímpanos, espantando os meus fantasmas.

- acho que não – Gabriella falou baixinho – ela esta chorando.

Abri os olhos, nem tinha me dado conta que havia chorado enquanto dormia.

- oi – encarei as pessoas mais importantes da minha vida.

Gabriella pulou em cima de cama e subiu em cima de mim, me prensando.

- ai meu deus você esta viva, eu achei que tinha te perdido – ela fez cara feia para mim – sua desnaturada maluca, quer me matar do coração?

- esse é o jeito dela dizer: senti sua falta – connor riu – mais serio, ficamos preocupados.

- também senti falta de vocês – murmurei embaixo de Gabriella – muita.

- sentir minha falta é uma coisa – connor fez graça – mais tentar se matar por amor a mim é outra totalmente diferente.

Fiquei apavorada, com medo de Gabriella ter outro ataque e sair, alternei meu olhar entre os dois.

- tudo bem – Gabriella se sentou – eu sinto tanto amiga, agi feito criança e quando fui implorar seu perdão você já tinha bestado e ido tentar se matar, e eu pensei que nunca iria te ver, você me desculpa?

- claro – passei a mão no rosto dela com carinho – não à o que se perdoar, eu também agi mal, fui egoísta.

- então estamos quites ? – Gabriella abraçou meu pescoço.

- ai, ai que coisa que mulherzinha – connor debochou – vocês parecem duas menininhas.

- cala a boca connor .

- nossa, esse já faz um tempo que eu não escuto – connor começou a rir.

- amor pode me fazer um favor? – Gabriella pediu suavemente.

- claro anjo.

- você pode me pegar alguma coisa pra comer?

Connor nos olhou por um segundo, antes de entender. Ele saiu silenciosamente.

Gabriella saiu da cama e ficou me olhando.

- que historia é essa de amor? – sorri.

- meio que estamos namorando — ela ficou vermelha.

- meio é?

Gabriella corou mais ainda.

- não estamos aqui para falar de mim, estamos aqui para falar de você – ela puxou a cadeira para mais perto – me conte tudo.

- o que quer saber?

- pra começar, sobre você não ter me contado que tinha uma queda por um certo pedaço de mal caminho russo que é gostoso a beça.

Foi minha vez de ficar envergonhada, como ela descobrira? Eu estava sendo tão obvia?

- eu só gostava dele, nada tinha acontecido ate o aniversario da princesa ou ate sairmos.

- como assim? – ela se aproximou mais – o que rolou.

Contei a ela o que ouve na festa depois que ela saiu, cada detalhe, eu estava cansada de guardar isso só para mim, nunca havia escondido nada de Gabriella, e não queria começar agora.

- que lindo – ela disse quando terminei – que horror, você não acha que ele deveria ter ficado?

- a princesa estava sendo sequestrada.

- ae – ela sorriu travessa – e o que aconteceu no deserto?

Me permiti um suspiro baixo.

- nos ficamos.

- ficaram?- Gabriella franziu a sobrancelha – mais isso já não tinha rolado no aniversario?

- a gente tranzou ok? – gritei

Vi o queixo de Gabriella bater no chão.

- como assim? – ela quicou de emoção – e como foi?

Senti meus olhos se enchendo de lagrimas novamente, Gabriella interpretou isso errado, ela pegou minha mão.

- amiga o que foi? – ela parecia assustada – ele machucou você? Te forçou a fazer alguma coisa?

- não – agora estava chorando – ele foi perfeito, eu tomei a iniciativa e ele foi ótimo comigo, fez eu me contorcer de prazer, e isso só piora tudo.

- por que?

- porque eu o abandonei – coloquei as mãos na cabeça – Denise precisa mais dele do que eu.

- ah minha amiga – a voz de Gabriella era carregada de doçura – você e essa sua mania de sempre pensar nos outros do que em você...eu sabia que um dia você sofreria muito por isso.

Não respondi, não poderia, ela tinha razão, eu abrira mão de uma coisa muito preciosa para mim, dava pra sentir, só metade do meu coração pulsando.

- toque, toque – John colocou a cabeça para dentro – posso entrar.

Concordei com a cabeça.

- parece que você já vai poder ir embora mocinha – ele sorriu do seu jeito alegre – a hora que quiser pegue suas coisas e pode ir.

- muito obrigada John, esse é uma boa noticia.

Sorri.

- ótimo, é assim que quero te ver, sorrindo – ele pegou minha mão – não se esqueça de vir me visitar, vou gostar de te ver sem ser como paciente.

- é, vai ser ótimo, tchau John.

- ate logo.

Gabriella me olhou atravessada.

- você tem um dom de atrair homens gostosos ou é impressão minha?

- como se connor fosse alguém de se jogar fora não é?

- eu o que? – connor apareceu na portar.

- você estava ouvido? – Gabriella franziu a testa, indignada.

-talvez – ele fez cara de inocente – mais não mude de assunto, que historia é essa de homens gostosos?

Caímos na gargalhada, eu me sentia vazia por dentro, mais meus amigos não eram obrigados a sentirem esse vazio comigo, eu ia me esforçar, ia ficar tudo bem, vou conseguir esquece-lo.

Espero.

Notas finais
u.u