Sacrifice

31 Mais do que amar


Notas iniciais
Fui ameaçada de morte...por isso estou postando. Medo de voces

- desculpe eu preciso sair daqui – tentei me soltar.

- espera

- não – agora eu estava gritando.

- você é muito mais do que isso — ele murmurou — se você quiser que eu diga que te amo eu digo, só quero que tenha consciência que o que eu sinto por você vai alem, quando eu te disse que você havia me salvado não estava me referindo ao deserto, estava me referindo a mim mesmo. Amanda você agora simboliza tudo o que eu mais quero na minha vida, ser rei não significa nada, se eu não a tiver ao meu lado, amor é uma palavra tão pequena para um sentimento tão grande, se eu te magoar, espero que me perdoe, por que posso perder o reino, a coroa, minha própria vida, mas não posso perder você.

Senti algo quente escorrendo pelo meu rosto,mas só notei que eram lagrimas quando senti o gosto salgado na boca, estava começando a me perguntar como minha vida fazia sentido antes dele entrar na minha vida. Não havia nada pra dizer, então eu o abracei com força e fiquei assim, mesmo depois que ele me ergueu para que pudesse ficar reto, e meus sapatos caíram no chão.

- ainda quer ir embora? – nicolae murmurou no meu ouvido.

- por que?

- porque gostaria que ficasse comigo essa noite.

- mesmo? — me afastei de seu pescoço – pra que?

- para dormir – ele fez graça – não pense besteira.

Eu o ajudei a arrumar o quarto, haviam milhões de empregadas que adorariam ter feito o trabalho, só que era algo costumeiro se virar sozinho, e ele estava agindo como sempre, desfiz o penteado enquanto observava nicolae se trocar, era uma experiência muito excitante mais me comportei direito, só admirei enquanto o rei se desfazia, e o nicolae de sempre entrava em seu lugar, com calças largas e uma camiseta. Depois ele foi em direção ao banheiro terminar sua higiene e eu guardei a garrafa de vinho que ainda estava quase cheia, eu vi o ano , 2018, esse vinho tinha quase 300 anos tai uma coisa que merecia se guardada.

- você quer alguma roupa minha – nicolae entrou entre as cobertas –ou quer que eu mande pegar algo seu?

Abri o zíper do vestido, deixando ele escorregar pelo meu corpo e se juntar num pequeno montinho no chão, ficando apenas de lingerie.

- ou você pode ficar exatamente assim – senti ele esquadrinhando meu corpo – só acho que vai ser difícil manter minha proposta inicial.

- vamos dormir – provoquei – não pense besteira.

- desculpe, não posso...

Foi como um pequeno surto de memória, as palavras de Denise aquela noite na cabana voltaram a minha mente.

- voce vai dormir? – perguntei

Ele levantou a sobrancelha do mesmo modo sexy que John costumava fazer.

- pretendo, por que? – ele fez uma cara maliciosa – você não quer dormir agora?

Sacudi a cabeça.

- Denise uma vez me disse que nunca tinha te visto dormindo. Por que?

- meu pai me disse que voce só deve dormir ao lado da mulher que retende passar o resto da vida – ele sorriu de canto – acho que ele me disse isso por que o peguei saindo do quarto de uma mulher de noite e o perguntei por que não estava dormindo. Enfim, levei a serio.

Achei graça, esse não era o tipo de assunto que deveríamos ter com crianças, mas respeito a opinião de August.

- e você vai dormir comigo?

Ele me estendeu a mão, num convite irresistível, sorrindo peguei sua mão e deitei em seu peito, não conversamos muito aquela noite, não foi preciso, estava com aquela sensação de que estava no meu cantinho particular, ele era meu refugio, assim como eu era o dele, nosso passado nos condenava, mas nos dois estávamos dispostos a olhar para o futuro. Foi com esse pensamento feliz que adormeci

O sol não entrava no quarto dele, graças aos controladores de luz, que não permitiam que o sol perturbasse o sono de nicolae, tentei não me mexer muito ao me levantar, ele ainda ressonava baixinho, olhei para seu rosto, ele parecia um anjo, seu rosto moreno estava sereno, com as maçãs do rosto relaxadas, sua boca em forma de coração estava entreaberta, implorando para ser beijada, mais resisti a tentação, ele precisava dormir, então retirei as mechas de cabelo que estavam sobre seu rosto e desci da cama. Pedi ao quarto uma das blusas de nicolae, ele gostava de me ver com elas e eu gostava de vesti-las, estava terminado de passar o braço sobre a camisa pólo preta, quando a porta foi aberta com um estrondo e um homem baixinho, de terno, óculos e cabelos embebecidos com gel, entrou uma prancheta e um mala gigante,trazendo atrás de si, uma plataforma com o desjejum de nicolae. fiquei constrangida, porem ele nem pareceu me notar, foi direto aos controles e abriu as cortinas, em seguida a janela, parecia que já fazia isso a meses, começou a arrumar a mesa de café da manha. Nicolae se mexeu em baixo das cobertas.

- bom dia majestade, e que bom que acordou mais cedo hoje.

- cala a boca Ramón – nicolae repreendeu – onde esta Amanda?

- senhor?

- acho que ele esta se referindo a mim – levantei a mão.

Ramon olhou em minha direção e vi sua face sardenta corar violentamente, talvez fosse pelo fato dele não ter percebido que eu estava aqui ate agora, ou por achar que eu atrapalharia seu trabalho, ainda tínhamos a opção do fato de eu estar nua, coberta por uma camiseta larga, mais vai saber.

- pra-pra-prazer senho-senhorita, e-eu não sabia que sua magestade teria com-companhia — ele gaguejou abaixando a cabeça.

- desculpe Ramon – nicolae se levantou e puxou a plataforma pra cima da cama – não sabia que eu tinha que avisá-lo da minha companhia.

- não seja rabugento – repreendi – Ramon gostaria de comer alguma coisa?

Acho que não deveria ter oferecido pois ele ficou ainda mais vermelho, depois de gaguejar um não bem rápido, ele saiu do quarto avisando que voltaria em uma hora para conversar com o rei.

- e você me dizendo eu não tinha liberdade – mordi um morango – tem ate café na cama.

- sim, grande liberdade, acordar, com aquela besta toda manha, tomar café e ir para a sala de reuniões, passar o resto do meu dia enfurnado entre um escritório e outro, decisões, partidos e um monte de burocracia. Tai, grande liberdade.

- desculpe – fui sincera – deve ser terrivelmente difícil mesmo.

- é meu trabalho.

- falando em trabalho – murmurei – tenho que ir.

- agora?

- tenho umas amostras muito interessantes no meu laboratório – dei de ombros – culpe o rei.

- é verdade, acho que você deveria agradecer especialmente a ele por essa grande generosidade. Um beijo bastaria.

Subi em cima da cama e o beijei generosamente, ele tinha gosto de chocolate quente e torradas com o gosto de nicolae que era o meu favorito,como se isso já não fosse o bastante para me tirar do serio.

- trabalhar – murmurei.

- eu sei.

Era engraçado, eu estava prestes a iniciar uma vida normal, seria essa minha rotina? Passar a noite com o homem da minha vida, acordar, trabalhar naquilo que eu amo, ficar com aqueles que gosto, tendo a certeza que quando eu voltar, nicolae estará bem ali, me esperando. Com certeza era o tipo de vida em que eu poderia me acostumar, senti um pontada crescendo dentro de mim, e sabia exatamente o que era, só sentira aquela sensação raramente para não me apegar a ela quando chegava. Felicidade.

- bom dia chefinha – Miica estava com seu sorriso de sempre – eu mal dormi a noite, esperando por hoje. Vamos começar as experiências?

Ela não sabia, mais ainda demoraríamos um bom tempo antes de mexer nas amostras, tínhamos que multiplicar todos os genes que tínhamos, teríamos que refazer cada ovo ou útero com perfeição antes de tentarmos qualquer coisa, só que uma coisa ainda estava me incomodando, então dividi os cientistas em cinco equipes, uma para multiplicar as aves, segunda para os anfíbios, terceira para os mamíferos, e quartas para os peixes, e a quinta para supervisionar, compunham essa equipe os mais velhos, para ajudar que nada saísse errado, meu trabalho seria fora dali.

Segui o corredor da realeza a dentro, conforme ia entrando passei pó condes, viscondes, damas e condessas. Havia bastante guarda por ali, só que fui completamente ignorada, fazia parte deles, e quando resgatei Denise, maio que virei uma heroína. Esperei em frente a porta.

Fiquei admirada com a pessoa que atendeu a porta, mesmo sem as roupas formais e sem a coroa, Victor ainda sustentava sua aura imponente que não deixava duvidas de sua verdadeira soberania .

- Amanda – sua voz estava rouca.

- senhor – abaixei a cabeça de leve, numa curta reverência – desculpe a falta de educação, não sei como me referir ao senhor, ainda não fui informada de se novo cargo.

- eu a chamei de Amanda – ele sorriu torto .então me chame de Victor. Por que não entra.

Parecia meio irreal estar entrando no quarto dele, mas notei que ele havia transformado seu aposento em algo mais, havia uma sala ali, com um piano sofá, televisão, havia algumas flores ao lado da mesa de centro que ficava em cima do tapete persa. Me sentei no sofá e Victor numa poltrona a minha frente.

- então a que devo tamanha surpresa ?

- papai é pra mim? – Denise colocou a cabeça para dentro da sala, vi seus olhos se arregalarem ao me ver – você?

- eu

- Denise, pelo amor de deus, essa menina salvou sua vida, tenha pelo menos respeito – Victor a repreendeu.

- desculpe papai – depois disso ela desapareceu.

- perdoe-me pela minha filha – ele esfregou os olhos – acho que ela é tão teimosa quando a mãe. Mas continue, fale-me o motivo de sua visita.

Respirei fundo, era algo que eu realmente precisava saber.

- gostaria saber se o senhor tinha ciência das espécies que a rainha mantinha confinado dentro de um laboratório particular.

Ele me encarou, por cima dos óculos.

- não, voce disse espécies? Esta se referindo a animais?

- sim senhor – confirmei – eles estão em embriões e é possível reproduzi-los, e também tenho motivos para pensar que a rainha as escondia, pensei que poderia me ajudar.

- não sei por que Clarisse as escondeu mocinha – uma empregada chegou servindo chá, aceitei por educação – mas caso não saiba, existem muitas coisas que minha esposa não me contava, nunca governei nada, eu era apenas o fantoche ela era quem dava as cartas.

Isso eu não esperava. Beberiquei o chá, era suave, ate gostoso.

- você, quero dizer, o senhor acha que ela teria motivos maiores?

- com certeza – ele sorriu – Clarisse era uma visionaria, tinha um motivo para tudo, eu sinceramente gostaria de saber o motivo pela qual ela lhe entregou um andróide, da marca militar mais rara, praticamente, de graça. Mas nunca iremos saber não é?

- parece que não – murmurei.

- quer uma dica garota?

- gostaria muito senhor

- não sei se você conhece o tenente alto?

Meu coração saltou.

- de vista – menti.

- se quer fazer perguntas a alguém sobre Clarisse pergunte a ele, eles eram amigos de infância – Victor parecia infeliz ao dizer isso – estavam sempre juntos.

Agradeci e sai de La o mais rápido que pude, minha maior duvida é se ele ainda estaria vivo, e para saber tinha que perguntar a uma pessoa, que com certeza, não iria gostar nada de me ver perguntando por Vincent, mas eu estava sentindo que os animais eram apenas uma peça de um quebra-cabeças gigante.

O local de trabalho do rei era gigante, para falar a verdade nunca estive num lugar tão grande dedicado a uma só coisa, era todo cheio de vidro, janelas espelhadas por toda parte, escritórios espaçosos com homens engravatados, um tapete vermelho gigante cobria todo corredor principal.Parei na recepção, onde uma mulher loira e extremamente bonita e bem vestida sorriu para mim.

- Posso ajudá-la ?

- sim – seu vestido,tubinho preto, fez meu uniforme parecer ridículo – eu gostaria de saber se à uma forma de falar com o rei?

Ela continuou me encarando como se esperasse eu começar a rir e dizer que era uma piada.

- isso é serio?

- completamente.

- então tudo bem – ela deu de ombros – voce tem hora marcada?

- não – meus ombros murcharam.

Precisava falar com nicolae antes que ele decidisse matar Vincent, eu não sabia onde ele estava e só nicolae poderia me dizer. Mas como chegar ate ele?

- pode me entregar sua identidade?

- como? –voltei a realidade.

- sua identidade – ela revirou os olhos na minha melhor forma de dizer: burra.

Entreguei meu crachá do laboratório, sabia que ele serviria, ela arregalou os olhos e notei que ela chegou alguma coisa duas vezes antes de se ferir a mim.

- por que não disse seu nome antes senhorita st’clarer? – ela pigarreou – é só entregar seu crachá a próxima secretaria, ela te indicara o caminho, eu cuido só desse setor.

Agradeci e segui e frente, por onde eu olhava havia pessoas de cara fechada e de uniforme, fez me lembrar de quando cheguei aqui, com a mulher antipática nos recebendo. Fui direto a segunda recepção, que parecia já estar me esperando, que me indicou direto a secretaria pessoal de nicolae, mas antes de chegar nela, passei por mais três outras recepções.

O escritório de nicolae ficava na cobertura, nada de novo, o que eu não sabia era que toda a cobertura era apenas seu escritório, quando a porta do elevador se abriu, uma mulher de vestido vermelho curto e saltos agulhas veio me receber.

- posso ajudá-la?

Já estava cansada daquela pergunta. Pela milésima vez expliquei por que estava ali, ela foi ate sua mesa e fez uma ligação, falando baixinho para que eu não pudesse ouvir, mais a resposta que veio do telefone ate eu escutei.

- me acompanhe senhorita — Ela me levou ate portas duplas de mogno maciço, havia dois porteis a postos.

O escritório de nicolae era imenso, havia de tudo um pouco, sofá, poltronas, uma mesa particular para reuniões, uma mini adega, um bar. Em frente a enorme mesa de madeira escura e imponente que estava sentado nicolae havia três enormes televisores,de tamanhos únicos, acho que poderiam ser comparadas a telões, neles estava sentados dúzias de engravatados em suas mesas de reuniões, parecia que nicolae precisava estar em três lugares ao mesmo tempo, então unira tudo em uma só coisa, ao redor de sua cadeira estava outras meia dúzias de pessoas, com suas pastas e papeis, um dos homens dentro do segundo telão falava sobre o colégio fênix. Nicolae Levantou a Mao assim que me viu e o homem se calou na hora, fiquei envergonhada por atrapalhar seu trabalho.

Sua secretaria falou rapidamente que eu precisava contatá-lo.

- você sabe que sempre pode vir falar comigo – ele se levantou e veio e minha direção, beijando-me rapidamente nos lábios. Vi de soslaio sua assistente arregalar os olhos, espantada – o que foi?

Olhei em volta, a secretaria, os assistentes, as dezenas de homens nos telões.

- posso falar com voce em outro lugar?

- senhor estamos sem tempo.

- cala a boca Ramon – ele sorriu pra mim – vamos.

Ele me indicou uma pequena sala que parecia ter sido projetada para encontros particulares.

- sente-se – ele indicou.

- não tenho tempo, nem voce – sorri nervosamente – preciso de um favor, mais tenho que te pedir para não surtar.

- ai vem bomba – ele brincou. Se recostando no braço do sofá

Respire, só respire.

- preciso falar com Vincent.

- o que? – ele pulou do sofá – enlouqueceu?

- lembra do que você disse que me magoa sem querer? – perguntei

- desculpe – ele colocou a mão em meu ombro – mas não posso fazer isso, se ele machucar voce, nem toda a tortura que eu pessoalmente o submeterei seriam capazes de amenizar o que ele fizer.

- por favor – implorei – preciso falar com ele, quero saber algumas coisas, poderia ser nessa sala de interrogação que voce mencionou, mande dois guardas que voce quiser para ficar comigo, eles podem ficar dentro da sala. E eu também sei me defender, e não vou falhar dessa vez, mais preciso fazer algumas perguntas.

Ele começou a andar de uma lado para o outro.

- espere La fora,por favor.

Sai e me sentei em uma das cadeiras acolchoadas da recepção, sua recepcionista. Amber, segundo a plaquinha, ficava me encarando descaradamente.

Nicolae saiu do seu escritório segundos depois com dois de seus guardas roupas, não sabia a quanto tempo esses homens estavam aqui, só estavam torcendo para connor não ficar assim no futuro. Nicolae ainda dava instruções quando me aproximei.

- deixem que ela passe o tempo que quiser, só não deixem ele chegar perto dela. Em hipótese alguma.

- que tipo de força estamos permitidos usar – mal encarado um perguntou.

Nicolae suspirou.

- como eu disse a segurança dela é tudo que importa.

- senhor – eles se afastaram

- quando fomos para o quarto vamos conversar sobre o fato de me achar indefesa – murmurei aborrecida – sou treinada.

- ele também é Amanda – ele respondeu no mesmo tom raivoso – se bem me lembro, a ultima vez que o vi, ele estava ganhando.

- eu estava bêbada.

- só estou prevenindo.

- tudo bem – fiz um bico.

- tome cuidado ok?

- sempre tomo .

Fui em direção ao elevador.

- ei?

Me virei para a voz. Nicolae estava de braços cruzados.

- eu tive que vencer meu eco nesse momento, será que não ganho nem um obrigado?

Corri em sua direção e tomei impulso na ponta dos pés, me entrelaçando em sua cintura, era fácil de mais esquecer que havia outras pessoas ali quando se esta beijando um anjo, mais ouvi um pigarro alto, Amber. Revirei os olhos e desci.

- obrigada – murmurei.

- quero que me agradeça assim mais vezes – ele sorriu.

Minha ultima visão, foi das costas de nicolae voltando ao escritório, e o olhar platônico de Amber para mim, mandei um beijinho com a ponta dos dedos.

- ele é meu – sorri.

Ela começou a fazer um sinal não muito honroso, mais olhou em volta, notando que não poderia fazer aquilo no trabalho.

- câmeras – lembrei.

Então, ela se limitou a se sentar na mesa.

As portas do elevador voltaram a se fechar, e dessa vez eu tinha companhia, duas grandes companhias, iria apertar o térreo, quando uma mão gigante me interrompeu.

- não vamos para o térreo – o da direita disse gravemente – nosso destino é mais embaixo.

Notas finais
e ai o que acharam?