Sacrifício
14 Desânimo e Motivação
Notas iniciais

Acordou ao sentir uma pequena movimentação em sua cama. Deu um longo bocejo antes de abrir os olhos, já sabendo quem estava ali. Pelo menos ele respeitou sua noite de sono. Parecia que não tinha dormido, já que ainda estava exausta. E por sorte não sonhou com o que aconteceu. Procurou o animal que ronronava ao seu lado, e acariciou sua cabeça.
— Se queria ser silencioso, sinto lhe dizer que falhou. — Sua voz soou rouca e cansada. O gato verde que tentava lamber seus dedos agora beijou sua mão. Garfield havia voltado ao normal. Ela deu um sorriso desanimado.
— Na verdade eu vim te acordar, já passou do meio-dia e Dick chamou a gente — se aproximou, beijando o losango vermelho em sua testa. Queria deixá-la dormindo o tempo que quisesse, mas o moreno foi insistente.
Sentou-se na cama e alongou o corpo dolorido. Seu rosto estava amassado pelas marcas do travesseiro, cabelo bagunçado por ter dormido com ele molhado e seus olhos inchados por ter chorado demais. Estava se sentindo um lixo. Depois de um suspiro pesaroso, encarou os olhos verdes que a fitavam profundamente preocupados. Ele estava com uma roupa surrada de dormir junto com moletom novo que roubou de Grayson, o capuz lhe cobria a cabeça. Ainda emanava o perfume da loção pós-barba. O desgraçado não conseguia deixar de ser bonito.
— Eu estou bem. — Grunhiu quase inaudível, tentando acreditar no que ela mesma dissera.
Tinha noção de que ele não havia dormido direito por tê-lo deixado de fora do seu momento de fraqueza. Sabia que Gar estava aprendendo como lidar com essas situações. Contudo, ontem à noite foi diferente. Realmente não queria ser vista por ninguém. Estava envergonhada, se sentindo humilhada, e com o orgulho ferido. Aquele cristal vermelho maldito só estava servindo de enfeite em sua testa. Suas emoções estavam novamente ficando fora de controle sem motivo algum, e por isso estava com grande dificuldade de encontrar uma maneira de resolver o problema. Queria se estabilizar, pedir ajuda, e novamente não sabia como, e nem para quem.
Se Kori não tivesse entrado no banheiro e a levado para cama, muito provavelmente ela estaria embaixo da água gelada até agora. E aí Garfield a encontraria e muito provavelmente entraria em pânico. A ruiva não faz ideia do grande amparo que havia lhe dado e somente agradecê-la por ontem à noite nunca seria o suficiente.
— Você precisa comer alguma coisa — fugiu do assunto para não a incomodar — Quer descer? Ou eu posso trazer o que quiser — tentou ser prestativo ao perceber que ela não compareceria a reunião.
— Quero ficar mais um tempo aqui. E diga para Dick que falo com ele mais tarde.
Ele não contestou. Acariciava os nós dos dedos da morena, que reparou como o corpo dele estava tenso e o olhar inquieto. E não era por causa dela.
— Gar, — chamou sua atenção, o despertando dos pensamentos — o que está acontecendo? — ele olhou para ela com o cenho franzido, nervoso. O observou respirar fundo e abrir os lábios algumas vezes, procurando as palavras certas. Rachel não estava no seu melhor dia e foi direto ao ponto, mesmo não gostando de entrar na mente alheia, procurou logo qual era o assunto que o deixara assim, a fazendo revirar os olhos pelo drama desnecessário — Tara voltou da missão. E o que eu tenho a ver com isso?
Garfield a olhou com repreensão por perceber o que ela fez, bagunçou o cabelo depois de tirar o capuz do moletom da cabeça e deitou na cama bufando, se endireitou ao lado dela, a puxando para um abraço reconfortante na tentativa de fortalecer a morena deprimida. Brincou com as curtas mechas escuras para tentar tirar a tensão dos próprios dedos.
— Depois daquele dia que Trigon me feriu, ela disse muitas coisas sobre você que me deixaram magoado, furioso para ser mais exato — cerrou os dentes, pensando no que Kori havia contado a ele — E soube que ela tentou bater em você. E também... — suspirou, procurando as palavras certas, mas não encontrou — Agora estamos namorando — lamentou, incomodado pela presença da loira. Sentiu a morena enrijecer, e arrependeu-se por ter tocado no assunto em um momento tão delicado. Se sentiu um idiota.
— Isso já passou, Garfield. A missão que foi dada a ela deu tempo para todos pensarem no assunto e deixá-lo para atrás, não é mesmo? — foi seca, com o sarcasmo em sua voz — E sobre estarmos juntos, é o mesmo esquema. Não existe motivos para se preocupar. Somos adultos, se ela ficar incomodada, o problema não é nosso.
— Rachel, nem você acredita no que está falando.
Ele estava certo. No momento em que se conheceram Rachel sentiu uma energia desagradável vindo da loira. Não que isso lhe importasse na época. Para a sua segurança e a de seus companheiros de equipe, sempre evitou ao máximo desentendimentos vindo de qualquer um deles. Mas Tara parecia querer provocá-la, interrompendo suas meditações enquanto estava perto da área de treinamento na parte externa da Torre, sendo contra quase todas as sugestões e argumentações nas reuniões semanais dos Titãs. E quando ela raramente era enviada acompanhada de Mutano para uma missão, na volta o garoto era metralhado por perguntas da ex-namorada, lançando um olhar de desconfiança e enciumado a morena, que sempre foi indiferente ao relacionamento dos dois. E agora, no curto período em que Tara saiu, resolveram começar um namoro que nem a própria Rachel imaginaria.
Ele deu um riso sem graça, a tirando das lembranças e com os dedos puxou o queixo na morena para si, e selou os lábios com os dela brevemente. Após o beijo delicado, ela se levantou da cama e com passos lentos e arrastados se dirigiu ao banheiro. O garoto a observou confuso ao vê-la se afastar.
— Posso não acreditar, Gar. Mas para privar minha mente de mais estresse, eu prefiro esquecer o que aconteceu e ignorar o que virá por enquanto. — Fechou a porta, se preparando para começar a higiene diária que na sua situação ela não tinha a mínima vontade de fazer — Já vou sair. Vamos comer alguma coisa na cidade.
—
Dick estava na sala de controle, sentado na cadeira giratória acolchoada perto do computador e observava seriamente a loira que estava de pé em sua frente de braços cruzados. Agora ela estava sem seu traje de luta. Usava um conjunto de moletom bordô, com tênis brancos nos pés, e seu longo cabelo estava solto e bem escovado, diferente da noite anterior quando havia chegado na Torre. Correspondia o olhar com a sobrancelha arqueada, esperando impaciente o moreno continuar com lista de perguntas que já chegava ao fim. Estavam ali a mais de uma hora. Kori e Victor também estavam presentes, agora entediados, mas Grayson só tinha assuntos a tratar com Tara. E era dever da equipe compartilhar informações de todas as missões em que lhe foram destinadas. Garfield e Rachel deveriam estar ali também, mas pela demora do garoto concluiu que a morena não estava bem, então deixou passar. No começo da conversa Robin a atualizou e deu detalhes sobre o ocorrido na Torre, a morte dos médicos e lhe alertou sobre Zatanna e a situação de Rachel. A loira o ouviu em silêncio, se segurando para não dizer que concordava com a poderosa mágica.
— Então sua missão era encontrar Slade o tempo todo, sendo que quando estávamos todos juntos aqui na Torre havia sido concluído de que ele estava morto — a voz grave e rouca por não ter dormido despertou um pouco a ruiva, que bateu o cotovelo com força no braço robótico de Victor sem querer pelo leve susto, fazendo o barulho ecoar na sala ampla.
— Foi pedido sigilo — continuou a explicar com a voz amena, ignorando os dois — Existiam fortes indícios de que ele ainda estava vivo. Como trabalhei com ele antigamente, poderia ter mais facilidade em encontrá-lo, — o observava com o semblante tranquilo, vendo-o cruzar os braços com certo desconforto, por estar com curativos sob a camisa escura — Era para durar algumas horas, mas levou mais que isso por Slade estar possuído pelo demônio, então seu comportamento foi distinto, o que ocasionou em uma luta imprevista.
— A que os membros da Liga prestaram apoio — concluiu, com o aceno de cabeça em resposta.
— Zatanna e Lanterna Verde vieram interceptar. Logo após a expulsão da criatura, me liberaram para enviar meu relato à Liga, e agora estou aqui com vocês.
Um gosto amargo surgiu na boca de Grayson ao ouvir o nome da morena novamente. Os outros dois amigos se entreolharam em silêncio, também desconfortáveis. Ele tinha sede se sangue só de pensar naquela mulher, por mais que seu tutor havia o instruído a não matar, isso não o impedia desejar um final trágico para alguns inimigos. Tara percebeu, mas fez pouco caso.
A versão dela batia com as pistas que descobrira junto de Victor, mas o horário do retorno da mulher à Torre não. Dick massageou a testa e suspirou enquanto se levantava da cadeira, ainda mais intrigado do que antes. Não poderia fazer mais perguntas a loira para que esta não desconfiasse da sua investigação com Batman. O que lhe restava fazer era esperar alguma mensagem do homem morcego, que estranhamente estava calmo demais. Se o mesmo não entrasse em contato logo, ele iria até Gotham para ter uma conversa em particular. Seria o mais seguro, agora com Terra de volta à Torre.
— Certo. Estão liberados. Mais tarde comunico Mutano e Ravena sobre o ocorrido.
— Por que eles não apareceram? — a loira perguntou, estranhando a falta dos dois. O silêncio demorou mais que o previsto.
— Ele já explicou o que aconteceu ontem. Rachel deve estar em repouso — Victor disfarçou, falando pela primeira vez — Já Gar, eu não sei. Sempre se atrasa. Depois você conversa com ele.
Esperou a loira desconfiada e Victor saírem da sala para depois Kori fechar a porta e se aproximar. Não havia falado com o namorado até agora.
Por mais que o comportamento de Rachel fosse difícil de lidar, pelo menos ela recebia silêncio como resposta. Já com Dick, ele acabava soltando as palavras chulas sem pensar quando estressado, que às vezes a magoavam. Ficava mais tensa em lidar com o temperamento dele do que o da amiga.
— Meu amor, conseguiu dormir esta noite? — começou temerosa ao pousar a mão no ombro tenso do moreno com sutileza, torcendo para não haver uma discussão. Ele deu um suspiro pesaroso.
— Não, Kori. Estou exausto pra caralho, mas tenho que falar com Bruce, lidar com o estado da Rachel, saber mais sobre aquela maga louca e agora a Terra retornou, para me dar mais trabalho, porque eu sei que ela está escondendo alguma coisa e tenho que investigar — bufou estressado, mas depois de respirar fundo deu um pequeno sorriso ao observar a mulher em sua frente, com os raros olhos verdes expondo inquietude e preocupação. A puxou pela cintura, aproximando seus corpos, e mordeu o lóbulo de sua orelha, e a sentiu se arrepiar — No entanto, eu poderia ter relaxado e dormido um pouco se você estivesse na nossa cama — sussurrou em seu ouvido com malícia, a deixando encabulada.
Ela enlaçou o pescoço do namorado com os braços e deu um pequeno sorriso, percebendo o olhar arteiro e relaxou o corpo quando o sentiu passear os dedos pelas suas costas e descendo ao quadril. Ele teve sorte por ela estar com um vestido levemente justo no corpo definido e escultural.
— Está dizendo isso agora, mas tenho certeza de que meu falatório maçante o deixaria ainda mais enervado — murmurou manhosa, ouvindo a curta risada do moreno que roçava a barba por fazer em seu pescoço, sentiu os lábios e a respiração quente do homem que inalava seu perfume.
— Eu amo quando você fala desse jeito.
— Que jeito? — afastou-se um pouco para ver o rosto divertido de Dick.
— Esse vocabulário inabitual para alguém na nossa idade — brincou com ela, que foi desviar o olhar envergonhado, mas ele foi mais rápido e roubou um beijo carinhoso, que se tornou mais fervoroso enquanto ele continuava a passar as mãos no corpo da ruiva, como se quisesse memorizar cada curva da mulher que o deixou sozinho durante a noite, e ela apenas massageava sua nuca em meio a alguns suspiros, por saber que o namorado estava ferido em várias partes do corpo. O ar faltou para ele, e encerrou o beijo depois de mordê-la no lábio inferior. Os olhares desejosos, mas o momento inoportuno — Só você consegue me distrair enquanto trabalho.
— Me perdoe, querido — a voz doce não o ajudava — Não tive intenção.
Ele deu mais um riso baixo antes de se afastar, deixando a ruiva sentir falta do seu calor. Voltou a sentar-se na cadeira, e desgrenhou os fios escuros antes de retomar a suas pesquisas. Kori se despediu com um beijo em seu rosto e saiu.
—
Rachel vestiu com má vontade a sua calça escura rasgada nos joelhos, um blusão bordô e um sobretudo preto, junto com botas de couro com um salto baixo. Queria estar com suas roupas de dormir e ficar embaixo dos cobertores até o mundo acabar, mas precisava mostrar que estava bem para o restante da equipe. Desvantagem de não morar sozinha.
Ajeitou seu cabelo para esconder o chakra em sua testa com uma franja improvisada. Bruce pediu que ela não chamasse atenção na cidade e não aparecesse na mídia. Duvidaria que isso funcionasse, já que estava prestes a sair com um homem de pele verde.
Ao sair do closet se deparou com Garfield aplaudindo e dando um assobio. Ele se aproximou em um salto e a olhou de cima a baixo, aprovando o resultado do seu esforço.
— Você está absolutamente... Gostosa — mostrou o sorriso malicioso enquanto pegava sua mão, a levando para o alto, guiando a morena para dar uma voltinha à contragosto. Ela deu um sorriso torto, ainda desanimado enquanto ele se aproximou para selar seus lábios mais uma vez. — Rachel, olha pra mim, — disse em tom sério, chamando a atenção da morena pensativa — Você é a mulher mais forte que eu conheço. Eu não faço ideia do que passa na sua cabeça, mas eu estou aqui para te dar meu apoio, mesmo que não queira porque eu amo você — fitava os olhos que já escorriam algumas lágrimas, ele as secava com os dedos — Sei que sua ideia de sair é por minha causa, por mais que esteja ainda mais linda com essa roupa, isso não é necessário. Você precisa saber disso antes de sairmos deste quarto, que é sua zona de conforto.
Ela o encarou sem expressão alguma por alguns segundos, mas depois afirmou com a cabeça e lhe puxou para um forte abraço onde encontrou o aconchego, proteção e o amor vindo de Garfield, e ela tentou ao máximo demonstrar a sua gratidão. Um beijo ou palavras não eram necessários para demonstrar tamanhos sentimentos. Foi a partir deste meio de conexão que lhe deu confiança para dar mais um passo no seu relacionamento com ele, que conseguia ficar ainda mais preocupado que Kori, mesmo sendo poupado de ver seu estado deplorável no chuveiro na noite anterior.
— Vá se arrumar, Gar. Não vamos sair com você vestido assim. Está até descalço.
Abriu seu portal para poupar tempo. Sorridente, o homem agitado logo se aprontou com uma calça jeans, o tênis de cano alto preto e a jaqueta para o frio.
Os dois prontos para sair, deram as mãos e foram parar em meio ao beco vazio na zona sul da cidade. Caminharam por alguns minutos enquanto conversavam banalidades que o garoto iniciava para distrair a morena até entrarem em uma lancheria e pedirem hambúrgueres com refrigerante. Comendo bobagem na hora do almoço. Fazia alguns anos que ela não fazia isso.
— Você pode comer devagar? Daqui a pouco vai se engasgar — a morena disse em baixo tom ao perceber a gula do garoto. O local de repente encheu de adolescentes, a deixando desconfortável pela gritaria. Mutano quis ir para outro lugar, mas como ela sabia que ele gostava de comer ali e não estava com vontade de se levantar, decidiu ficar. Nem comer ela queria, estava fazendo tudo pelas aparências.
O público já havia percebido a presença do homem verde no local, então se saíssem na rua provavelmente seriam seguidos. Ela poderia dar um jeito nisso, no entanto não achou sensato usar os poderes em várias pessoas sem saber no que resultaria.
— Eu não como desde ontem. Fiquei te esperando para não ficar sozinho na cozinha com ela — explicou, ouvindo a morena bufar, desviando o olhar do dele — Desculpa gatinha, é que é difícil pra mim. Estar entre vocês duas e... Rachel, você está bem?
A morena parou de mastigar de repente, estava com o olhar atônito, fitando o nada. Estranhou a reação dela ao ouvir sua explicação, já que ela estava irritada pelas pessoas os encarando, que nem disfarçavam ao fotografá-los. Ou não era pela sua conversa? Rachel direcionou o olhar a ele enquanto largava o hambúrguer pela metade, limpando os lábios com o guardanapo e levantou-se com brusquidão, o deixando ainda mais confuso pelo comportamento repentino.
— Não saia daí, eu ainda não terminei de comer — alertou, impedindo-o de ir atrás dela, que já saía a passos rápidos para fora do estabelecimento, sentindo os olhos da maioria das pessoas sobre si — Eu já volto!
Rachel estava... Ansiosa? Constrangida? Animada? Envergonhada? Não entendeu nada. Algumas pessoas se aproximaram animadas, o fazendo desviar o olhar da morena e começaram a pedir algumas selfies. Alguém perguntou quem era a mulher que o acompanhava e ele estranhou.
Havia uma pequena chance dela não ser reconhecida pela maioria justamente por estar sem o capuz. Rachel ficava acima dos demais durante as batalhas enquanto levitava. Poucas vezes se aproximava dos civis para salvá-los, pois usava seus portais e a própria magia para facilitar o trabalho. E quando tudo acabava e repórteres se aproximavam, ela fazia questão de ir embora. Quem chamava mais atenção eram ele e Koriand’r. Permitiu ser fotografado rapidamente com um grande sorriso, com o intuito de livrar a morena do grande grupo de pessoas. Depois descobriria para onde ela estava indo.
—
Rachel odiava caminhar com pressa, mas era preciso para não levitar e chamar atenção. Não percebia que estava sorrindo afoita enquanto se dirigia à cafeteria no outro lado da avenida, onde havia mesas fora do pequeno estabelecimento. Seus sentidos ficaram em alerta de repente, quando sentiu a energia de alguém familiar enquanto estava comendo o hambúrguer com Garfield. Quanto mais se aproximava, mais o cheiro da nicotina chegava às suas narinas.
Viu a cabeleira loira, o sobretudo marrom, com um cigarro entre os dedos aceso já pela metade enquanto lia um jornal, de costas para ela. Se sentou em frente a ele, logo cruzando as pernas.
— Rachel Roth.
— John Constantine.
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