Sabedoria E Agricultura Andam Juntas
3 Vermelho VS. Azul
Quando Zach viu Florence se retirando da fogueira, o coração dele disparou. Não sabia o porquê, mas aconteceu. Parecia que ele não podia perde-lá de vista, se não a sua existência sumiria. Era um tipo de sentimento meio submisso, estranho, e confortante. Sim, confortante. Zach se sentia ótimo com aquela sensação tomando conta do seu sangue, e querer ver Florence animava-o mais ainda.
Ele andava -quase correndo- atrás dela. Quando alcançou ela, colocou sua mão no ombro direito da menina. Ela olhou pra trás para ver quem era, e abriu um sorriso sincero em seu rosto.
–Oi Zach! -ela falou- Por que saiu da fogueira? Não estava gostando?
–Eu estava, é só que eu queria saber o porquê de você ter saído do nada. Aconteceu algo com você lá?
–Não, é porque eu não gosto dos rituais que acontecem quando um semideus é reclamado, sabe. Rola espancamento, as vezes até assassinato.
–Você esta falando sério? -Zach falou, totalmente sério. Uma expressão de medo estava se formando em seu rosto, e Florence caiu na gargalhada.
–É claro que estou brincando! Você acreditou mesmo que você seria espancado?
–Sim! Você falou com a maior naturalidade do mundo, é óbvio que vou achar que você estava falando sério.
Os dois riram. Se os olhassem de longe, achariam que eram dois amigos de infância. Mas eles não se conheciam nem a 24 horas. Eles, na verdade, não sabiam nada sobre o outro. Realmente. Saber o nome e idade conta como informação? Bem… Eu acho que não.
Ficou um silêncio constrangedor entre os dois, até que Florence resolveu quebrá-lo:
–Zach, eu vou entrar agora. Tenho que resolver umas coisas antes que meus irmãos cheguem.
–Mas já? Você não poderia andar comigo um pouco? Eu meio que preciso desabafar com alguém.
–Desabafar com alguém praticamente desconhecido nunca é aconselhável, mas sou toda ouvidos.
Florence e Zach saíram da área dos chalés, e foram se direcionando até a floresta. A garota disse que era o único lugar onde eles podiam ter privacidade de verdade.
Se sentaram no chão, e o moreno começou a falar.
Contou sobre seu pai, e como estava sofrendo com o câncer a 7 anos. Falou sobre o bullying que sofria na escola por ser filho de paciente terminal; chamavam-o de doente, e mandavam-o ir para um hospital se tratar. Ele contou sobre a sua ex-namorada, que havia terminado com ele justo no seu aniversário de 14 anos. Tudo isso por causa do pai. Zach não o culpava, pois ele não havia escolhido ficar com câncer, mas a doença no rim fazia com que a vida social dele se prejudicasse. Enquanto ele contava, lágrimas de verdade caíam de seus olhos, o que fazia com que um lado gentil de Florence se despertava.
Durante toda a história, a menina queria ir até ele e o abraçar, enquanto ele chorava. Sabia como era sofrer por causa de um pai. Quando havia somente 9 anos, viu seu pai se suicidando com uma revólver, atirando bem em seu coração. Florence ainda conseguia ouvir o barulho da bala entrando no órgão cardiovascular, estourando veias, fazendo com que o pai caísse morto no chão da sala. Lembrava do cheiro metálico do sangue invadindo o carpete. Depois disso, teve que morar com sua tia-avó, uma velhinha simpática que sempre trazia doces do trabalho dela para Florence.
Quando Zach ficou em silêncio, limpando suas bochechas já molhadas, Florence foi até ele. Se sentou ao lado dele, e fez com que ele encostasse sua cabeça no ombro dela. Ela beijou a cabeça dele- foi fácil, já que ele estava encolhido nela.
-Tudo vai ficar bem, Zach- ela sussurrava de vez em quando, enquanto acariciava a cabeça dele.
Depois de alguns momentos, Zach se recuperou e se levantou. Os dois foram até a área dos chalés, novamente. Já chegava a hora de se recolher, mas havia alguns campistas conversando lá, ainda.
Cada um foi para seus respectivos chalés, que eram um do lado do outro. Nada de abraços de despedida, nem beijos amigáveis na bochecha. Não deram “boa noite” um para o outro. Não teve nenhuma olhada carinhosa, ou um sorrisinho. Parecia que os dois haviam brigado, mas só estavam chateados com suas vidas tristes e solitárias de meio-sangue.
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Sexta-feira. Um dos melhores dias da semana.
Florence havia se preparado o máximo para a caça a bandeira daquele dia. Infelizmente, o time vermelho havia perdido na semana anterior, pois Clarisse la Rue havia ficado doente. Mas, felizmente, a melhor jogadora do time havia se recuperado, e estava pronta para dar uma lição no time azul.
Vingança é um sentimento muito forte, mas, para os filhos de Ares, era uma benção.
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-Todos prontos?- Quíron perguntou, gritando- Que comece o jogo!
Zach não sabia exatamente o que fazer. Ele havia parado no time azul, então não pode ter a ajuda de Florence, que era suia única amiga -se é que ele podia considerar ela desse jeito- no acampamento.
Ele estava do outro lado do rio, um pouco afastado da margem, tomando conta da bandeira. Sabia que o time acabaria perdendo por culpa dele. Segurava uma espada grande, que era feito de ferro estígio, de acordo com um dos filhos de Hefesto, e tinha um cabo grosso, feito de couro. A armadura era um pouco desproporcional pro seu corpo, e ele se sentia como se tivesse novamente 7 anos, e estivesse colocando as roupas de seu pai para fingir que era ele.
Zach foi interrompido por seus pensamentos, quando percebeu que havia alguém se aproximando. Ele olhou para os lados, e se deparou com uma menina de cabelos negros e pele pálida. Não sabia quem era ela, mas sabia que não era do seu time, e ela faria de tudo para pegar a bandeira.
-Ah, você é o garoto novo, né? -a garota desconhecida falou- Florence me contou sobre você. Aliás, sou Bethany. Bethany Green. Mas chega de papo, porque eu tenho um jogo pra vencer.
Bethany o atacou. Primeiro na barriga, e logo depois no ombro Zach tentou se defender, mas a atitude foi em vão; ele não sabia como lutar. A garota derrubou ele, e colocou o pé sobre seu abdômen, mas ele logo conseguiu sair de cima dela. Zach sempre teve o costume de pensar em trilhas sonoras para os momentos mais complexos da sua vida, como se ele estivesse num filme ou seriado. Naquele momento, tocaria Survival, do Muse. Ele adorava aquela música.
Zach levantou sua espada, e levou até a mão de Bethany, tentando tirar a espada de sua mão. A espada dela era grande, mas leve, e ele conseguiu tira-lá da mão da garota com facilidade; ela voou no ar, e Zach a pegou, com um sorriso triunfante no rosto. A garota o olhou horrorizada, e deu uma rasteira no menino, fazendo com que ele derrubasse a espada. Ela correu até a bandeira e a pegou. Ergueu a bandeira, e gritou:
-Time vermelho ganhou, seus imbecis!
Vários campistas chegaram, gritando vários “hip hip, uha!” para Bethany. Não era só o time vermelho que estava lá, mas o azul também, que estava totalmente desanimado.
Zach viu Florence comemorando com o seu time a vitória de cabelo dela estava bagunçado, e o rosto dela sujo de terra; aos olhos de Zach, ela estava linda. A loira notou que estava sendo observada,e viu o menino a olhando. Sorriu para ele, com toda a felicidade do mundo -ela estava realmente feliz. Florence voltou a atenção a comemoração novamente, e foi embora com seu time.
Rodrigo, um dos seus irmãos que estava no time azul, deu uma cotovelada em Zach, e falou:
-Se você estiver interessada pela Howard, saiba que ela não é fácil. Eu já tive um rolo com ela, e foi um pouco… Complicado.
Zach ficou chocado ao ouvir aquilo. Rodrigo tinha 17 anos, pelo que havia dito para ele, e Florence 15. Mas, bem, o cara era o sonho de consumo pra toda menina. Ele era musculoso, mas não era daqueles que tinham uma bola de basquete no braço. Tinha cabelos castanhos escuros, e olhos azuis claríssimos. Amava a natureza, e com certeza era do tipo que dava buques de flores pras namoradas.
-Você… Já namorou a Florence? -Zach perguntou, com cautela.
-Não se preocupe, cara. Foi ano passado, e durou só dois meses. Mas saiba que aquela menina é fechada, e meio difícil de conquistar. E tem o Travis também, que é apaixonado por ela.
-Ah, sei, Travis Storner, não é?
-Stoll, cara. Mas eu acho que você vai ter futuro com ela. Florence te olha de um jeito diferente, de um jeito que ela nunca tinha me olhado durante nosso relacionamento. Bem, quero que você saiba que eu apoio vocês dois. Vocês ficam bonitos juntos.
Rodrigo saiu com os outros campistas, deixando Zach sozinho com seus pensamentos e seu estômago se debulhando em borboletas.
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