Sabedoria E Agricultura Andam Juntas
6 These Streets
Um segundo. Dois segundos. Três segundos. Quatro segundos. Quatro segundos foi o tempo necessário para Terry Bower se transformar num manticore. O pelo do corpo de leão dele era de um tom dourado magnífico, que reluzia a luz do sol que entrava pelas janelas do ônibus. A cauda cheia de espinhos era da cor do sangue; um vermelho puro e grosso. Ele fazia uma carranca, mostrando os dentes afiados.
Aquela poderia ser a visão do diabo.
Travis foi o primeiro a tomar a iniciativa. Ele desembainhou sua espada, que até agora estava invisível no cinto de sua calça, e atacou o braço do monstro, mas ele acabou desviando. Depois foi Florence que tentou fazer um corte na barriga de leão, mas acabou só fazendo um arranhão.
Zach não sabia o que fazer no meio daquela multidão, então se lembrou do que Katie Gardner, sua irmã, havia falado para o caso dele ser ataco por algum monstro metade animal:
–Tem uma planta venenosa que mata só com um toque na língua do animal. É indiferente para nós, humanos, mas para os animais é como tocar o Sol. Eu te dou ela amanhã.
E a garota realmente deu. E aquelas santas folhas com cheiro de alcachofre estava no bolso de fora de sua mochila. Se apressou para pega-lá. Quando a tocou, ele já sentia o cheiro da morte, isso se a morte pudesse ter cheiro.
O garoto a amassou até formar um bolinho vistoso, que parecia massa de macarrão cozida amassada verde escuro. Ele gritou para Florence:
–Jogue isso na boca dele!-ele passou a pasta da sua mão até a mão da garota. Ela colocou na ponta da adaga, e Florence atacou o manticore bem na boca, esfregando a planta venenosa em todas as áreas da bochecha, céu da boca, na língua e até nos dentes.
O monstro começou a parar de se debater, e de repente, ele perdeu todas as forças, e acabou caindo no chão. Florence imaginou como os humanos veriam aquela cena através da Névoa.
–Acho que vencemos-disse Travis, embainhando a espada de volta no cinto.
–Algo mais ou menos assim-retrucou Florence-Bem, rapazes, acho melhor a gente sair na próxima parada.
Os dois meninos assentiram, e se sentaram de novo. Agora, era Zach quem estava na janela, Travis no meio e Florence na ponta. A garota encostava a cabeça no ombro do menino ruivo, enquanto ele fazia um certo cafuné na cabeça dela, o que fazia com que ela caísse no sono lentamente e gradativamente.
Quando Travis se certificou de que ela estava dormindo, sussurrou no ouvido dela:
–Eu te amo.
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Florence acordou com um sacode no ombro. Demorou pra ela perceber onde ela estava e o que estava fazendo naquele lugar. Piscou os olhos algumas vezes pra se acostumar com a luz do Sol das cinco da tarde. Quando ela já conseguia ver com mais clareza, viu Zach na sua frente, com o cabelo castanho bagunçado, e os olhos verdes arregalados.
–Acorda, dorminhoca-ele disse, sorrindo.
Ela sorriu ao ouvir as palavras dele e se levantou da cadeira. Pegou sua mochila, colocou-a nas costas, e saiu do ônibus. Travis já estava lá fora, esticando os braços e pernas. Quando ele viu os dois saindo do automóvel, parou com os alongamentos e falou:
–Estamos em Iowa, na capital mesmo. Nós atravessamos quatro estrados e meio de ônibus, contando que não tinha nenhum carro nas avenidas. Eu acho que, se a gente conseguir um carro, a gente chega em São Francisco em um dia e meio, se nós não tivermos interrupções igual nosso amiguinho leão-escorpião-me-acho-o-James-Bond.
–Mas como vamos arranjar um carro?-perguntou Zach.
–Ele é o filho do deus do roubo. Você acha que pra ele roubar um carro é coisa difícil?-falou Florence, num tom debochado. Ela gostava de debochar de pessoas que não compreendiam coisas óbvias.
–Então-Travis disse, com o mesmo sorriso que dava toda vez que planejava uma brincadeira com seu irmão-Quem quer pegar emprestado um Jeep Commander emprestado até ele ser destruído por uma fúria?
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A cidade de Des Moines não era muito grande, mas havia prédios gigantes, que encantam a qualquer um que põe os olhos neles. A maioria eram hotéis, mas, mesmo assim, eram um colírio para os olhos.
Os três perambularam a cidade até acharem uma concessionária de carros no centro da cidade. Haviam todo o tipo de carros; desde os mais comuns, até as Ferraris italianas. Mas o foco deles era o Jeep Commander; aquele era o melhor carro para sair em missões. Aquele carro parecia aguentar de tudo, desde chuvas fracas até nevascas.
Antes de entrarem na loja, arrumaram um pouco o visual, para ficarem com cara de filhos mimados pelos pais, e que agora iriam comprar o primeiro carro deles com o cartão de crédito da mãe.
–Nós temos que bolar um plano-Travis disse, enquanto arrumava seu cabelo.-Nós temos que fingir que somos três melhores amigos inseparáveis, e, por mais que isso me doa, você-ele apontou para Zach-, e você-movimentou o dedo até Florence-, princesa, terão que fingir que são namorados e eu o amigo babaca que segura vela.
–O que?-Zach e Florence perguntaram, em uníssono.
–Sim, é triste até pra mim. Eu queria ser o namorado mas infelizmente sou eu o filho de Hermes, não o agricultorzinho aí.
Zach não sabia se era pra considerar aquilo como uma ofensa, então ignorou, enquanto Travis continuava a falar:
–Florence, você tem que dar uma de filha de Afrodite, ou seja, encorpore a Drew Takana. Fale que você quer um carro esportivo e todo feminino, ai o nosso querido Zach vai lhe acompanhar enquanto eu vou destravar, sem ninguém perceber, as travas do pneu, então eu vou dar um grito e vocês nocauteiam os vendedores enquanto eu ligo o carro e a gente cai na estrada. Alguma dúvida?
–Sim-falou Zach-Você é louco? Sofre de insanidade mental, ou algo do gênero?
–Se você tiver uma ideia melhor, fale para nós.-silêncio-Sabia que você não tinha. Então, vamos proceder com meu plano?
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