SURYA: A última ilha
3 Capítulo 3
Notas iniciais
Em uma grande floresta tropical, conhecida como Floresta dos Macacos, um novo visitante adentrava pela mata fechada. Um local repleto de criaturas de diversos tipos e plantas de várias espécies, não encontradas em nenhum outro local do mundo.
Após um tratado entre os habitantes da ilha, essa floresta foi dada como território neutro e resguardada de qualquer degradação, tão adorada por alguns, que eventualmente costumava atrair peregrinos destemidos ao seu interior, onde eram realizados rituais de agradecimento, regados a álcool e carne.
Arryn andava em direção ao centro da floresta e quanto mais se afastava do orfanato, maior e mais estranha era a sensação de angústia que inundava o seu peito. Parecia até sentir falta das inúmeras perseguições e capturas dos seus tempos de fuga, no qual sempre era levado de volta por Gólidas, um batedor de uns dois metros e trinta que, apesar do tamanho, movimentava-se a uma velocidade impressionante.
Mesmo com seu aspecto brutal, Gólidas era um homem de bom coração e Arryn aproveitava o fato de ele nunca pegar leve nas perseguições para treinar suas habilidades. Agora o orfanato estava tão distante que não passava de um vulto, uma lembrança.
Enquanto Arryn caminhava mata adentro, notou que, cada vez mais ficava envolto em uma densa escuridão. Os raios de sol que antes acalentavam o seu corpo agora eram escassos, devido às copas das árvores. Suas altas e frondosas folhagens formavam uma barreira que impedia a passagem da luz. Ele decidiu então parar um pouco para analisar o mapa que trazia na mochila, antes que a escuridão se desse por completo.
Sentando-se ao lado de uma macieira, colocou a sua mão dentro da mochila, mas antes de alcançar o mapa, notou que havia algo embrulhado em um pedaço de pano. Uma adaga de coloração esverdeada, com uma lâmina curta, fina e disforme. No pano vinham escritas algumas instruções:
Ela deve o acompanhar.
No momento certo o ajudará abrir seus caminhos.
Servirá de chave para suas dúvidas.
Use-a no limite.
Arryn sorriu satisfeito, finalmente, desde que saiu do orfanato, não se sentia mais solitário, uma sensação familiar o confortava.
— Sabia que não me deixaria vir sozinho Juliver. – Disse Arryn enquanto tentava alcançar sua mochila.
Para sua surpresa, a bolsa que tinha posto sobre a grama havia sumido. Ele se levantou em posição de guarda e com o coração acelerado, o suor escorria pelo seu rosto. Olhou atento em todas as direções para ver se conseguia localizar o gatuno, que havia, tão sorrateiramente, afanado seus pertences. Aquela situação o havia deixado ameaçado, afinal com tamanha maestria em ocultar sua presença, não seria difícil tê-lo atacado se assim desejasse.
Fale com o autor