STORM
4 TAYLOR: San é um bode!
Notas iniciais
Depois de Harry desmaiar e eu descobrir que San não era humano, eu comecei a me sentir sozinha, não nesse retrospectivo sentido, mas tudo começou a piorar quando Harry começou as perguntas.
– Do que aquela coisa me chamou? – Ele não parava de perguntar — O que é um sátiro? Morcegos falam? Por que você não ligou para a polícia?
Harry não foi sempre detestável, eu até acho ele legal, é fofinho e age como criança, as garotas da escola não ligam muito pra ele, quero dizer, ninguém liga pro trio ‘esquisito’ ( com exceção do faxineiro, o Sr. Benson, mas isso é outra história).Voltando ao ponto, eu pensei que ia arrumar confusão, que íamos ser expulsos e tudo mais, mas ao invés disso, parece que ninguém ligou para o que aconteceu, ninguém deu atenção ao morcego gigante, primeiramente quero dizer que não gostei nada desse papo esquisito de ‘logo chegaremos em casa’ que San disse, mas deixei esse pensamento só para mim, passamos uns 10 minutos agüentando Harry perguntar sem parar, eu também queria perguntar várias coisas à San, mas ele estava tão tenso que eu pensei que ele iria chorar, então decidi que cuidaríamos disso mas tarde, além do mais, começamos a ter outra preocupação: A Carruagem!
Tudo que vou contar agora parece mentira, mas você tem que acreditar, o sol era escaldante àquela manhã e eu já estava com tédio, até uma sombra um pouco grande cobrir onde estávamos, então algo estranho foi descendo, descendo até se encontrar na nossa frente uma linda carruagem, como aquelas antigas que se vê na TV, ela era dourada e tinha detalhes de lutas e homens guerreando, na frente, a carruagem era puxada por dois lindos cavalos brancos e era controlada por um cara de blusa laranja, San pulou e entrou na carruagem:
– Entrem, — Disse ele — É seguro!
Eu não queria entrar ali, mas era isso ou encontrar mais morcegos, Harry já ia fazer mais perguntas, ele não olhava para mais nada, somente para San, parcialmente pensei que fosse só nós três e o cara que controlava a carruagem, mas logo à minha frente, vi um garoto de uns 11 anos, com cabelos pretos e cacheados, ele usava uma blusa simples e short jeans, ao lado dele estavam duas garotas também com a blusa laranja, uma delas tinha o cabelo castanho claro, com algumas partes loiras preso em um rabo de cavalo, a outra tinha o cabelo meio ruivo e sardas por todo o rosto, elas conversavam baixo, eu não conseguia escutar nada, ou deviam estar em silencio e eu imaginando coisas, então eu me virei para Harry e San logo quando aconteceu algo que me deixou aturdida, San começava a tirar as calças!
Eu tapei os olhos com a mão, mas quando tirei pude ver as pernas de San, eram peludas (não estou falando literalmente) suas pernas eram pernas de um animal peludo, suas pernas de adolescente comum eram falsas, logo Harry desmaiou, sim ¬¬, ele fez o favor de me deixar sozinha com o San-bode e as garotas que falam em silêncio, eu ia chamar ele pelo nome, fazer algo útil, tipo os primeiros socorros da Taylor, mas então a garota ruiva parou minha mão e disse:
– Ele vai ficar bem.
Eu voltei ao meu lugar, fiquei parada até voltar a ver San novamente, ele então olhou para mim e soltou um barulho como se berrasse:
– Eu sei que tudo isso é muito esquisito para você Taylor, eu entendo, mas é o único jeito de lhe deixar segura, todos aqui entendem, então eu queria é...lhe pedir desculpas por mentir para vocês sobre minha identidade, eu sou San, um sátiro escolhido para proteger vocês dois de monstros como aqueles.
Eu queria chorar, não sei porque, mas então apenas concordei com ele e pedi que falasse mais.
– Sátiros são seres mitológicos, metade homem, metade bode, nós vivemos no acampamento e estamos sempre em busca de levar semideuses até lá.Lembra de tudo aquilo que nós aprendemos sobre Mitologia Grega na escola?Sobre Zeus, Poseidon, Hades... Tudo aquilo existe, tudo isso é real, e você é filha de algum deus grego, você é um alvo de monstros, eles querem destruir semideuses, aquilo que você viu era uma fúria, eu não sei por que ela veio até aqui, mas não foi para dar as boas vindas!
– Eu entendo, mas quem é meu pai grego? – Então veio na minha cabeça o pensamento sobre minha família, durante toda a minha vida eu não sabia quem era meu pai, minha mãe e eu vivíamos em uma casinha pequena até o dia em que ela se foi, naquele acidente, me deixando sozinha com meus pais adotivos, eu cheguei lá por que um homem alto e forte me disse que tudo iria ficar bem, ele fez um acordo com a justiça e eu acabei indo morar com aquela outra família, eles nunca gostaram muito de mim, mas eu não ligava, até que me colocaram naquela escola e eu conheci Harry e San, meu pai havia ido embora, sem nem ao menos dizer adeus.
Agora San me dizia que ele era um deus, e nada nisso melhorava minha autoestima, San também falou que ele não queria me deixar, mas os deuses têm um dever a cumprir.
Sobrevoamos o Brooklyn, ainda era tarde, olhei para baixo, eu não me importava com a altura, lá embaixo eu vi uma luz verde rodeando uma grande criatura que parecia um gato, eu não quis perguntar a San o que era aquilo, mas eu estava cheia de tantas respostas sem sentido, normalmente seria alguma criatura mitológica. Demorou muito para chegarmos até o lugar que San falou, as meninas continuaram murmurando, San ficava olhando para todos os lados e mexendo no cabelo, os cavalos relinchavam e Harry continuava dormindo.
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