SS: Synchro Sirena

7 Capítulo 6 - A Donzela da Inglaterra Sangrenta IV


Orsola e o Rei encaravam um ao outro cautelosamente sem fazer movimento algum... O Rei parecia realmente irritada pela intervenção da Orsola, por outro lado, Orsola parecia extremamente confiante.

– Ei, Orsola, tome cuidado com a velocidade dela, ela é extremamente rápida! – Avisei a ela tentando evitar que ela fosse surpreendida durante a luta.

– Heh, me sinto ofendida por ser alertada por uma plebeia como você. – Ela disse com um tom de brincadeira, claramente me provocando mas ao mesmo tempo dizendo para eu não me preocupar.

Após alguns instantes de silêncio, o Rei partiu para o ataque, novamente sumindo da minha vista e aparecendo na frente da Orsola, antes mesmo que eu tivesse tempo de me preocupar com ela, eu apenas vi ela defendendo todos os ataques desferidos pelo Rei. O Rei estava atacando incansavelmente com múltiplas estocadas rápidas, porém isso não parecia sequer estar dando trabalho para Orsola, que estava desviando todos os ataques enquanto permanecia sorridente como alguém que está apenas testando sua presa...

– Isso é tudo que você tem? – Disse Orsola com um tom de voz extremamente provocativo.

Após isso foi a vez dela de atacar, ela começou a atacar o Rei com suas duas adagas numa velocidade inacreditável, eu sequer conseguia ver seus braços, eu só conseguia ver o rastro dos seus dois braços se movendo em altíssima velocidade, enquanto atacava o Rei freneticamente, esta que por sua vez, estava se vendo obrigada a recuar devido a ferocidade dos ataques de Orsola.

– Ainda nem comecei! – Orsola mostrava cada vez mais confiança no seu tom de voz, quase como se estivesse certa de que iria vencer.

– Synchro: 100 Slashes Count!

A técnica Synchro que ela usou naquele momento foi uma técnica especial que focando seus poderes nos seus braços por alguns instantes, permite ela a multiplicar o número de golpes que ela aplica por segundo. O “100 Slashes Count” permite ela a atacar exatamente 100 vezes por segundo, até aquele momento ela só conseguia manter a técnica por 12 segundos. Eu mesma só conseguia ver 20 dos 100 ataques dela e não era tão diferente assim para o Rei.

Após defender vários ataques de Orsola, o Rei se afastou por um instante e no instante seguinte, centenas de cortes apareceram por todo seu corpo, expelindo bastante do seu sangue roxo, mesmo sendo uma criatura não-humana, eu conseguia claramente perceber a expressão de surpresa misturada com a expressão de fúria, enquanto olhava para seu próprio corpo sendo todo cortado. No segundo seguinte o Rei começou a voar e voltou até seu trono, ela colocou sua mão novamente atrás do trono, retirando outra lança exatamente igual à que ela já estava usando e começou a lutar usando as duas lanças de uma vez só.

– Finalmente levando a sério hein! – Disse Orsola com um rosto de satisfação, se preparando para ir a sério também.

As duas partiram em direção uma da outra e começaram a se atacar em velocidades impossíveis de se ver a olho nu, porém, a Orsola desviava facilmente dos ataques que chegavam até ela, enquanto o Rei recebia mais e mais cortes no corpo, a diferença de níveis estava clara ali.

O que diabos exatamente eu estou vendo? Nem nas melhores das hipóteses eu poderia lutar contra este Rei lutando sozinha... E a Orsola está superando ela? Mesmo eu sendo a 7ª do rank e ela a 5ª... A diferença é tão grande assim?

Após perceber que não teria chances, o Rei recuou imediatamente e após permanecer estática por alguns instantes, ela curvou seu corpo um pouco para trás, colocando seu braço ainda mais atrás de suas costas enquanto segurava a lança apontada para Orsola... E então, ela jogou uma de suas lanças com toda sua força em direção a Orsola. A lança claramente viajava acima da velocidade do som, em um único instante a lança já estava no rosto da Orsola, que desviou da lança por pouco, enquanto olhava para lança que passava perto do seu rosto. Naquele momento uma imagem me veio à mente... Para ser mais exata, uma cena me veio à mente, eu simplesmente sabia que a lança que ela havia atirado era apenas uma distração. Como uma MR Sirena, eu fui treinada tanto fisicamente quanto mentalmente, a habilidade de ler através dos movimentos do oponente era só o básico do básico como meu trabalho de MR Sirena.

Eu sabia! Eu já estava desconfiando disso tem algum tempo... Apesar de ter o mesmo poder de um Rei, eles ainda são monstros artificiais, por isso seus movimentos são artificiais. Esse Rei se move de acordo com o oponente que enfrenta, minha fraqueza como usuária de correntes é o combate físico e por isso ela se focou totalmente na velocidade e nos ataques de perto, mas quando ela viu que nada disso funcionaria contra a Orsola, ela optou por usar distrações para pega-la de surpresa para que ela não pudesse contra-atacar. Mas eu não deixarei, este é meu dever como uma MR Sirena!

No intervalo de milésimos em que assimilei isso e em que a lança passava pelo rosto de Orsola, o Rei rapidamente apareceu na frente da Orsola, surpreendendo-a e atacando-a antes que ela pudesse reagir, ela atacou diretamente a cabeça dela, para matá-la num golpe, porém, no instante que a lança dela chegou ao rosto da Orsola, o braço dela parou. Sim, minhas correntes prenderam o braço dela, impedindo o ataque dela.

– Ghh... Fui salva...? – Orsola disse com uma expressão de surpresa no rosto, ainda que parecesse extremamente irritada.

Após perceber a situação ela voltou a sorrir, porém o sorriso dela estava muito mais cruel do que antes, ela claramente havia ficado furiosa.

– Desta vez você conseguiu...! Synchro: 1000 Slashes Count! – Orsola furiosamente utilizou sua melhor técnica enquanto o Rei não podia se mover, não lhe dando chances de defesa.

Orsola trabalha em técnicas Synchros especializadas em números de ataques por segundo, é natural que as novas técnicas que ela desenvolva sejam apenas evoluções de técnicas mais fracas, o “1000 Slashes Count” funciona da mesma maneira do “100 Slashes Count”, lhe permitindo dar 1000 ataques por segundo, porém por apenas 7 segundos.

Depois dos 7 segundos atacando o Rei sem parar, ela parou e instantes depois o Rei foi despedaçado em alguns fragmentos, pouca coisa sobrou daquele inimigo que quase me matou a alguns minutos atrás, até mesmo as gotas de sangue foram destruídas pela poderosa técnica Synchro de Orsola.

Quando a luta terminou o cenário mudou e tudo voltou a ficar branco, estávamos de volta a sala do centro de treinamento. E então, Orsola veio até mim para me agradecer.

– Você me salvou ali, acho que lhe devo uma, obrigado. – Disse ela demonstrando um lado dela que eu ainda não havia visto.

– Bem, acho que estamos quites, já que você me salvou anteriormente... – Respondi ela naturalmente, eu estava me sentindo mais confortável para conversar com ela, por algum motivo.

– Heh... Entendo... Se importa de ouvir uma pequena história enquanto vamos ao centro médico? – Orsola parecia surpreendentemente tímida ao falar isso.

– Hum... Eu realmente não me importo, mas você vai ter que me carregar até lá. – Respondi amigavelmente para ela, fazendo uma brincadeira.

– Acho que é o mínimo que eu posso fazer, né?! — Ela respondeu igualmente de maneira amigável enquanto me carregava pelo ombro.

E então, nós duas saímos do centro de treinamento, após sermos cumprimentadas pela instrutora Layla e fomos em direção ao centro médico, Orsola começou a contar a história que ela mencionou durante o caminho.

– Muitos anos atrás, um pouco depois do incidente que ocorreu nos Estados Unidos com a bomba radioativa, a Inglaterra foi um dos primeiros países a serem alertados sobre a contaminação e a família real imediatamente ordenou a construção de uma muralha em volta de uma parte do país, onde não só a família real ficaria protegida, mas a população poderia igualmente ficar lá dentro... Após um longo tempo, a muralha já estava quase finalizada, faltava pouco... Mas de repente os monstros começaram a atacar especificadamente a muralha, todos eles estavam se reunindo lá... – Explicou Orsola enquanto contava a história.

– Todos atacaram lá ao mesmo tempo...? Você quer dizer que... – Respondi com um olhar de surpresa e curiosidade nos meus olhos.

– Exato... Após começar a estudar aqui, percebi que aquele ataque foi organizado, provavelmente por um Colossal. – Respondeu ela, confirmando minhas dúvidas.

Eu sabia que o que ela estava me contando era a história da vida dela, embora não soubesse o porquê dela estar me contando isso, então não soube como responder, apenas esperei em silencio ela continuar sua história.

– A muralha era bem resistente, mas um ataque massivo como aquele, cedo ou tarde atravessaria a muralha. A muralha tinha muitos quilômetros de altura e de largura, por isso tínhamos confiança de que conseguiríamos de alguma forma... Mas você viu, não viu? Um monstro artificial aleatório conseguiu abrir uma grande cratera no chão com um simples soco, nós não sabíamos daquilo naquela época, mas com um Colossal entre eles, nós nunca tivemos sequer uma chance...

Eu estava pacientemente esperando ela contar a história no seu próprio ritmo, em silêncio e atenta.

– Até que um certo momento, do nada, algo colidiu com a muralha e instantaneamente destruiu boa parte dela, um único ataque que abriu uma fenda gigantesca, permitindo a invasão dos monstros. As pessoas começaram a ser atacadas e poucos minutos depois, quase toda população inglesa havia sido massacrada, sendo que boa parte dela já estava se transformando em novos monstros, enquanto a outra parte havia morrido, sobrando apenas o palácio real...

Após ouvir essa parte da história e ligar os pontos, não pude conter minha curiosidade em perguntar.

– Se a população foi massacrada e só sobrou o palácio real, isso significa... – Comentei extremamente surpresa com aquela revelação.

– Sim, eu sou membro da família real inglesa, sucessora do trono, princesa Orsola. – Respondeu ela, cabisbaixa, olhando para longe de mim.

Me senti mal por perguntar aquilo para ela naquela situação, então resolvi me calar e aguardar.

– Obviamente, meus pais prezaram minha vida, eu também tinha um irmão mais velho que iria fugir junto comigo e algumas dúzias de guardas, apesar da minha pouca idade, eu sabia o que iria acontecer com meus pais, então me agarrei as mãos deles, implorando para eles virem comigo... A última coisa que pude ver foram os dois sorrindo para mim... Pois no instante seguinte algo passou por eles, eu não consegui ver o que era, mas quando senti os braços deles pesados, percebi que os braços deles estavam nas minhas mãos e que eles tinham sido brutalmente assassinados, metade do corpo deles haviam sido obliterados, sobrando apenas o corpo da cintura para baixo... O sangue deles espirrava para todo lado, inclusive em cima de mim... Eu estava paralisada, nem sequer notei quando fui pega no colo por um guarda e carregada para uma passagem secreta do castelo, eu já não enxergava mais nada. – Contou Orsola, dando um longo suspiro de tristeza antes de continuar.

Ouvir tudo aquilo me deixou chocada, eu sabia que era melhor deixar ela continuar falando até chegar ao fim, pois devia ser extremamente difícil para ela contar algo assim para alguém...

– Quando recobrei a consciência, apenas alguns poucos guardas e meu irmão estavam comigo, estávamos bem distantes do palácio real, havia um helicóptero nos aguardando, mas também haviam alguns monstros nos seguindo, eles precisavam ser atrasados, então... Quando chegamos no helicóptero, meu irmão ordenou que me colocassem dentro e que decolassem logo, assim sendo, eu fui colocada dentro do helicóptero, desesperada, gritando pela última pessoa que havia sobrado da minha família... Mas tudo que pude fazer foi ver do céu, meu irmão e os guardas restantes serem massacrados pelos monstros, eu apenas percebi que eu havia passado... Do céu ao inferno em algumas horas... – Orsola parecia distante enquanto contava isso, após terminar, parecia que ela havia removido um grande peso dos ombros.

Ela ficou em silêncio por alguns instantes e parou de repente, pois havíamos chegado ao centro médico.

– Após isso eu fui levada para um laboratório e me tornei uma Sirena, o resto você já deve imaginar. – Disse ela com um tímido sorriso no rosto, totalmente diferente do que ela fazia na luta de antes.

– Talvez seja rude de minha parte perguntar, mas... Porque exatamente você me contou tudo isso? – Comentei com um tom de curiosidade.

– ...Porque? Se fosse pra dizer, acho que eu diria que eu queria me desculpar pela forma que eu agi antes... – Ela respondeu com uma voz suave e tranquila.

Naquele momento eu percebi que, talvez ela fosse como eu, fechada por ter sofrido uma grande tragédia e apenas precisasse de alguém com quem pudesse contar... Uma amiga...

– Hum... Sobre o que você disse sobre estar me devendo uma... Pensei que talvez você pudesse parar de me chamar de “plebeia” hehehe... – Comentei timidamente, tentando me aproximar dela de alguma forma.

– Hã? Não foi você mesma que disse que estávamos quites? Além do mais eu já paguei o favor te carregando até aqui! – Respondeu ela retrucando meu pedido.

Eu não tinha argumento contra isso.

– Agora, vá tratar dessas feridas de uma vez, antes que você morra por perda de sangue. – Disse ela enquanto me advertia.

– Sim... Então, até mais...! – Me despedi enquanto entrava no centro médico.

– Até amanhã, Alexandria! – Respondeu ela enquanto supreendentemente aclamava meu nome com um sorriso no rosto.

Notas finais
Esse é o fim do volume 1. O próximo capítulo será o início de um novo volume e um novo arco!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.