S.O.S Me Apaixonei Por Um Assassino Suicida
21 Posso sentir o cheiro do seu sangue
Notas iniciais
As horas passavam-se lenta e dolorosamente, estava fincando impossível continuar ali, submersa nas histórias idiotas que Milec não parava de contar. Ele havia dito que, quando conheceu Jason, estava tão bêbado que quase o beijou, o confundindo com uma garota, porque seu cabelo era grande demais. Eu forçava sorrisos amistosos, tentando não demostrar minha falta de tolerância, mas a vontade de sair correndo pedindo socorro era quase inevitável.
— Está com fome, Clah?
Eu levantei uma sobrancelha.
— Hum... não.
— E com cede?
— Você têm uma faca?
Milec coçou a cabeça, torcendo o maxilar.
— Como?
— Oh, deixe.
Joguei a cabeça para o lado, escorando-a no assento de uma das velhas cadeiras que estavam a meu redor, a fim de tentar tirar um cochilo, quem sabe assim Milec me deixaria em paz. O casebre era frio e muito mal iluminado, tentar dormir era complicado diante disso, e eu poderia ter, ao menos, fingido sono, se não fosse pelas batidas desesperadas na porta, o que me fez saltar num solavanco.
Milec levantou-se com rapidez e agilidade, apesar de ser um energúmeno, era gracioso e malemolente. Quando ele percebeu que eu o estava olhando, soltou um sorriso fraco. Eu tirei a vista. As batidas estavam ficando mais intensas, Milec avançou para a porta, sacando uma pistola.
— Deve ser Jason.. — ele sussurrou — mas é melhor eu me prevenir, sabe como é.
Eu assenti e procurei afastar-me. A porta foi aberta agilmente. Do lado de fora havia uma figura brutalmente ensanguentada, com as vestes rasgadas e a respiração ofegante.
Jason.
— Uh... — Milec fez uma careta — o que fizeram com você...?
Jason não respondeu, adentrando no casebre e caindo como um cadáver sobre o colchonete nojento. Seu rosto guardava um corte não exatamente profundo na bochecha direita, bem como vários outros pelo braço, pescoço e coxas. Seu cabelo estava grudado por toda a extensão da nuca, grudado com sangue, assim como na testa. Ele parecia cansado e destruído, muito embora tentasse demonstrar o oposto.
— Jason... — comecei — você está bem?
Ele sorriu miseravelmente.
— Você só pode estra brincando, Clarissa — tossiu sangue — e eu poderia ter realmente achado graça, se tivesse havido.
Eu rolei os olhos e puxei uma cadeira para sentar.
— Então Dean — Milec fez uma careta idiota, tombando o pescoço para o lado e pendurando a língua — já era...?
— Não.
— Não? — bradei — como assim não?
Jason fitou-me.
— Eu não sei... nós nos espancamos bastante, eu tentei matar aquele desgraçado, juro que tentei. Eu girei minha lâmina em seu estômago, mas...
— Que ótimo assassino você é, nossa — o interrompi — estou tão impressionada...
Milec sorriu rouco.
— Eu não tive como — Jason elevou a voz — ele fugiu!
— Fugiu? — Milec questionou — simplesmente? Assim como quem tem a opção de saltar por uma janela e pegar um embalo por uma avenida qualquer?
— Dean é muio mais bem treinado e experiente que eu, você sabe — Jason pausou — ele fugiu, porém, muito mais deteriorado que eu, e isso poderia ter sido até legal, se não fosse pelo juramento de vingança dele.
Eu bufei.
— Blefes de malfeitores — cruzei as pernas — já assisti muitos filmes assim. Os vilões são derrotados, prometem vingança e só fazem merda depois... não temos pelo quê se preocupar...
Jason rolou os olhos.
— Não estamos protagonizando um filme do Indiana Jones, Clarissa. — ele fitou o chão — e não há nenhum mocinho aqui para haver um vilão.
— Eu sou a mocinha! — protestei.
Milec estalou os dodos, chamando nossa atenção.
— Parando de falar idiotices... — ele começou — quero apenas saber o que faremos agora.
Jason levantou uma sobrancelha.
— Como assim o que faremos? Você irá para sua casa, Milec, cuidar da sua vida inconsequente. Clarissa e eu iremos... bem... fugir.— ele sorriu, fazendo aspas no ar — gosto desse termo.
Eu gelei no mesmo instante.
— Fugir?
— Isso mesmo... imediatamente. Não temos muito tempo.
— Com você?
— Aham.
— Mas... — suspirei — eu não posso. Eu tenho uma vida, Jason...
— Você vê uma alternativa melhor? — ele levantou-se, envolvendo minhas mãos em seus dedos ensaguentados. — Se tiver qualquer outra saída, me diga.
Eu fitei seus olhos, mordendo o lábio inferior.
— Eu apenas queria não ter lhe conhecido.
Jason mostrou-se num espanto visível, logo tratando de disfarçar. Cambaleou de volta para o colchão, enquanto Milec fazia uma careta azeda.
— Tudo bem... — Jason grunhiu — então você virá... — ele fitou Milec, que sorriu fraco — conosco.
— Mas...
— Sem desconversas, eu não quero mais um fardo de morte em minhas costas por questões tão intimas. Sim, porque se você puramente acredita que Dean não virá atras da sua cabeça, se estiver vivo, é claro, saiba que está tão enganada, Clarissa... — ele sorriu — posso sentir o cheiro do seu sangue.
— Chega! — bradei — eu irei... mas.... antes preciso recolher algumas coisas.... falar com meus amigos...
— Com seu irmão...
— Não... jamais teria coragem de encontrar Martim pessoalmente e contar-lhe que irei passear pelo mundo com um sujeito que ele não conhece, ainda mais com o retorno da faculdade tão próximo.
Jason deu de ombros, logo contorcendo-se em meio a dor.
— Faça como quiser... mas, se não for pedir muito, seria bom você procurá-los pela manhã, bem cedo, porque pretendo partir rápido.
Eu assenti relutantemente.
— Ótimo! — bradou Milec — agora é melhor nós descansarmos... o dia será cheio, eu mal posso esperar para viver perigosamente com vocês. — ele passou os braços finos ao meu redor.
— Solta ela, Milec — Jason sorriu — pode ir soltando.
Eu empurrei Milec irritadamente, procurando afastar-me para tentar colocar as ideias no lugar.
— Vocês tem papel — comecei — e... canetas?
Jason apontou para uma espécie de armário mogno mais adiante, que possuía quatro portas e três gavetas. Abri a primeira porta e lá estava um caderno amarelado, lápis, canetas, borrachas e milhares de rabiscos e desenhos estranhos espalhados por toda a área interna do móvel. Eu fiz uma careta.
— Pode pegar o que quiser. — Jason disse — fique à vontade.
Eu apanhei uma caneta e o caderno amarelado e recolhi-me no canto da parede paralela à que Jason e Milec escoravam-se, enquanto brincavam miseravelmente e relembravam, com uma aparente felicidade e brilho nos olhos, do tempo de matança, a época da fartura, como eles chamavam.
Fechei os olhos e pensei no melhor para escrever a Martim. Eu não poderia contar-lhe tão diretamente da minha nova vida e nem de Jason. Assim como nunca contei para Kat, Laura, Gabriela, ou Hecto. Há coisas que realmente não devem ser compartilhadas.
Deixo livre aqui a base para você pensar o que quiser sobre mim, a partir de agora.
Martim, quando papai havia considerado a possibilidade de nos deixar morar em outra cidade, lembro-me que prometi não ficar mas do que alguns poucos de quilômetros longe de você. Essa foi a condição, também. ''Não se mantenha muito afastada de seu irmão mais velho, Clarissa, não ouse cometer tal atitude.'' E assim eu fiz, não por papai ter imposto, mas porque seria inevitável ficar longe de você, meu bem. Queria primeiramente pedir um milhão e meio de desculpas por não ter ido lhe contatar pessoalmente, segurando suas mãos e olhando seus olhos... Eu não aguentaria, eu jamais partiria sentindo tão perto o aperto em seu peito. E quero que tenha em mente o quanto dói em mim lhe escrever isso. Eu não queria intrduzir tanto, mas você sabe o quão subjetiva eu sou, sempre fui. Martim... Eu estou bem, antes de qualquer coisa. Estou tão feliz e leve, de uma forma que jamais estivera. Nas últimas semanas me permiti entrelaçar-me nos nós amarrotados do sentimentalismo. Você sabe que sempre evitei tudo isto, mas dessa vez está tudo tão complicado... Eu não consegui, eu quero isso, realmente, quero muito embarcar nessa coisa de ''O amor é um precipício.'' Eu quero pular do precipício, e espero não morrer. Estou indo embora, devido a muitas coisas que aconteceram, e, também, ao fato d'eu estar deixando-me sentir tanto. Sei que pode achar pouco demasiadamente cedo, mas eu não tenho pressa, querido, eu tenho fome. Não sei exatamente para onde irei, não tenho um destino, e é justamente por isso que estou ausentando-me. A viajem fica mais interessante quando não sabemos para onde ir. Por favor, meu irmão, não quero que pense que sou uma louca inconsequente por abandonar minha vida em Crouzi, minha faculdade e meus sonhos. Não é bem assim. Eu não abandonei todos os meus propósitos, estou apenas dando préstimo a mim mesma, e não àquela casca que recobre tudo o que sinto, entende? A vida é tão estranha... Tão dura e má. Nunca poderei garantir que ficarei sempre em segurança e esticarei os lábios de cinco em cinco minutos. Eu sentirei tanta saudade de você, de Laura... de todos. Mas, bem, eu preciso disto, Martim, preciso de uma forma que jamais entenderá. Talvez eu volte, sabe? Semana que vem, ano que vem, ou daqui a dois dias. Não há como prever.
Clarissa Cavalo do Vingador
P. S.: Eu lhe amo, nunca esqueça disso.
***
O sol estava opaco e sem vida, assim como o céu. Jason, agora com seus hematomas envolvidos em curativos nojentos feitos por Milec, esbanjava sorrisos sarcásticos e piadas sem graça. Os dois repousavam nos bancos dianteiros do super carro de Milec, enquanto eu estava atrás, comendo batatinhas. O som estava alto e envolvente, tocando vários clássicos do Alice In Chains. Eu poderia estar completamente feliz por estar num carro super refinado com dois caras gatos ouvindo musica boa, mas eu estava mesmo era com o coração na mão.
— Clarissa... — Jason cantarolou — uh... eu vou lhe dar nada mais que meia hora para você despedir-se de seus amigos e tudo mais.
Eu levantei uma sobrancelha.
— Não venha querer impor coisas sobre mim, seu patife.
Ele sorriu divertidamente, batucando no vidro do carro. Depois de circularmos por mais duas ruas, o Tude Empire fora avistado. Milec estacionou o carro numa boa distância do prédio.
— Não é bom manter-se muito próximo do antro — ele sussurrou — Vá, Clarissa, converse com quem puder e faça o que precisa ser feito. — ele fitou Jason — e se eu fosse você passaria em seu apartamento para pegar umas roupas melhores, porque estas fariam qualquer garota recusar-se a dar para você.
Eu rolei os olhos e desci do veículo.
***
— Oh, meu Deus, quero apenas que vocês tentem entender que eu não tenho escolha.
Kat balançou a cabeça negativamente, enquanto Gabriela comprimia um choro escandaloso – tive sorte de encontrar Kat no apartamento de Gabriela, elas estavam fazendo uma super faxina quando cheguei. Gabriela estava jogando todas as coisas de Dean no lixo.
— Clarissa... — Kat segurou-me pelas mãos — você não conhece Jason nem a um mês. Você não vê o quanto isso pode ser perigoso...?
Eu assenti com pesar. Era claro que o que Kat disse não passava de um fato. Mas eu sabia muito mais sobre Jason do que ela, felizmente, ou não.
— Eu não quero que fiquem achando que eu sou uma maluca...
Gabriela jogou-se em mim, abraçando-me de forma sufocante.
— O que eu farei da minha vida sem você, sua desgraçada? — apertou minhas bochechas, quase as arrancando — eu não quero que você vá.
— Eu tenho que ir! — bradei, soltando-me dela. — mas eu voltarei, não sei quando.... — pausei — mas estarei de volta.
Embolei as mãos pelo bolço de minha calça jeans e retirei um papel amaçado.
— Gabi — comecei — entregue isto a Martim, por favor.
Kat levantou arcou as sobrancelhas.
— Você não irá despedir-se de seu irmão nem de Laura? Que horror, Clarissa.
Eu rolei os olhos.
— Não posso. Tenho meus motivos. — voltei-me para Gabriela — entregue-o e não explique nada, não responda nada, caso ele lhe pergunte algo.
Ela assentiu.
— Tudo bem.
Eu apanhei a mochila amarela, a qual estavam algumas roupas e assessórios de higiene, que havia pegado de meu apartamento antes de seguir ao de Gabriela.
— Tenho que ir agora — disse relutantemente. — eu... lamento tanto...
Kat e Gabriela abraçaram-me ao mesmo tempo. Eu tentei parecer um pouco amistosa, embora meus pensamentos estivessem demasiadamente amedrontados.
— Nós sentiremos sua falta — Kat sussurrou.
— Eu também.
***
Jason e Milec estavam cochilando dentro do carro, quando bati rudemente no vidro. Milec foi o primeiro a despertar.
— Você demorou!
— Ora, seu... — respirei fundo — saiba que não é fácil para mim abandonar minha vida para viver perigosamente com vocês.
Ele sorriu, gesticulando para que eu entrasse.
— Como foi a despedida? — Jason perguntou-me.
— Péssima.
Ele fez uma careta e Milec deu a partida, deixando marcas de pneu no asfalto.
***
O outono deixava as tardes densas e tristonhas. O silêncio no carro era pacifico e sufocante. Jason havia passado quase uma hora cantarolando Jazz, mas cessou após finalmente enjoar de sua própria péssima voz. Creio que Milec e eu agradecemos interiormente de uma forma indescritível. Passávamos por uma estrada vazia e triste. Plantações de um lado a outro, Milec disse que estávamos seguindo em direção a Joanpeet, uma cidade que ficava no estado vizinho. Seriam cinco horas de viajem em meio à uma estrada vazia e sombria. A velocidade do carro estava regular, dentro das normas de velocidade, o que era meio estranho para um rapaz dos crimes.
Eu estava completamente tranquila, tentando afastar o fato de que há essa hora Martim já teria lido minha carta e não poderia imaginar sua péssima reação. Estava quase a cochilar quando senti a freada desastrada de Milec, fazendo-me despertar num solavanco.
Um homem estranho e gordo, com uma barba muito mal aplicada a seu rosto, pendurava-se na Janela ao lado de Jason, ele pedia informações, alegando estar perdido. Eu levantei uma sobrancelha.
— Então... — o homem começou — eu estou há muito tempo vagando por aqui, sabe? Sem imaginar para que lado ir e o último carro que passou por mim indicou-me esse sentido... mas agora não sei mais para que lado devo ir a fim de chegar em Araços.
Jason fez uma careta, fitando Milec.
— Hum... nós não sabemos dizer, cara. — Milec tentou parecer simpático, muito embora a desconfiança saísse de seus olhos como faíscas — foi mal.
O homem sorriu torto, fitando Jason. Milec tentou dar partida no carro, mas o cara esquisito segurou forte na porta, no mesmo instante em que Jason direcionava a mão para subir o vidro.
— Vocês irão mesmo sair daqui sem fornecer informação para um pobre homem sem rumo?
Eu engoli seco, tentando intrometer-me no assunto, mas Jason parou-me, mandando-me um olhar doce e ameaçador.
— Desçam do carro devagar... — o gorducho sacou uma faca velha — façam o que estou mandando e nada acontecerá a vocês, filhinhos de papai idiotas — ele sorriu, mostrando os dentes podres — e nem à mocinha ali atras. Mas se vocês resistirem...
Jason olhou para Milec, que sorriu divertidamente. Logo, os dois estavam dando gargalhadas exageradas e fazendo piadinhas estúpidas. Meu sangue era gasolina.
— Do quê estão rindo? — o homem indagou, aparentemente confuso — não sentem medo da morte?
As rizadas de Milec e Jason aumentaram instantaneamente, tirando a paciência do cara na janela.
— Vamos Mirium — Jason começou, ainda sorrindo — venha, desça do carro.
Eu franzi o cenho, balançando a cabeça negativamente.
— Mas...
Milec desceu primeiro, abrindo a porta traseira e puxando-me do veículo. Jason saiu logo em seguida. O homem sorria vitorioso.
— Então você quer o carro? — Jason perguntou-lhe.
O cara coçou a barba sebosamente, fitando-me.
— E a garota também... — ele grunhiu em meio a um sorriso horrível — se não for exigir demais.
— Oh... — Jason debochou — acho que você realmente pediu demais.
Milec gargalhou e sacou um afiado e estranho canivete vermelho. O homem afastou-se levantando as mãos, apontando sua faca velha. Milec investiu contra ele, que correu pela direita, segurando-me pelo braço, numa velocidade que me deixou surpresa, a fim de manter-me sobre seu aperto. Eu, não sei como, agi mais rápido e o chutei na canela. Ele cambaleou e tornou a avançar em mim. Jason colocou-se em minha frente e esfaqueou o sujeito na barriga inúmeras vezes. Ele urrou de dor, caindo no asfalto, enquanto Milec preparava-se para cortar sua garganta.
— Deixa que eu faço! — Jason bradou animado, enquanto o homem suplicava por vida — eu adoro essa parte.
Eu estava horrorizada, completamente sem reação. Era uma realidade que, de fato, eu precisava tolerar, mas minha humanidade – minha noção de certo e errado–incomodava-me o tempo todo. Jason girou a cabeça para trás, fitando-me.
— Você não precisa ver isso... se não quiser.
Eu não disse nada, nem movi membro algum. Continuei com as duas mãos sobre a boca, minhas pernas pareciam dois varais tortos de roupas.
Jason suspirou e, sem demorar, introduziu rudemente a faca na garganta do homem, como se estivesse degolando um animal qualquer, jorrando sangue por todo o asfalto sujo. O corte era profundo e preciso, parecia haver toda uma técnica, no entanto, não retirei os olhos, eu não acreditaria se alguém simplesmente chegasse depois e contasse-me sobre isso. Era preciso ver claramente o que estava acontecendo.
Milec assobiou vitorioso.
— Jay — ele fez uma careta — acho que você foi muito tolerante... muito sem graça. Está perdendo a prática em, cara? Se eu soubesse que você iria fazer essa bosta, eu mesmo teria ceifado essa alma podre.
Jason o mandou um olhar afiado.
— Oh, claro — Milec fitou-me — a namoradinha.
Eu estava meramente enjoada. Abri a porta do carro e joguei-me no banco. Jason e Milec subiram logo em seguida, comemorando o sangue derramando. Era horrível e ridículo ao mesmo tempo.
— Jason... — comecei — você não precisava ter feito... aquilo — suspirei pesadamente, enquanto encarava seus olhos inexpressivos — ele não lhe fez mal algum... para quê matá-lo...?
Jason levou uma mão até meu cabelo, o afastando para trás da orelha.
— Clarissa... esse sou eu.
Imediatamente, afastei sua mão e escorei-me no banco, fitando a janela, analisando o movimento das folhas verdes ao passar do carro. Naquele momento fiquei sem saber se era o mundo quem estava fugindo de mim, ou eu dele.
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