S.O.S. Coração
15 Mensagem desagradável.
Verônica ainda continuava parada, olhando o bilhete, pensativa.
– O que foi, Verônica? – Perguntou Ryan. – Você está parada aí feito estátua.
– Nada, Ryan. – Respondeu.
– E sem querer parecer intrometida, mas... – Começou Kathy. – O que você recebeu?
– Um... Parece um vidro de perfume. – Analisou, mostrou o frasquinho em seguida. – Olha!
Kathy abriu e cheirou.
– Humm! É um perfume muito bom. – E o devolveu à amiga. – Sente só.
– Realmente é muito bom. – Disse Verônica, depois de sentir o cheiro.
– Isso parece coisa do Henry. Não é? – Perguntou Ryan, sorrindo.
– Não sei. – Respondeu Verônica. – Na caixa não tinha o nome do remetente.
– Só pode ter sido ele. – Concluiu, Ryan, ainda sorrindo. – Aquele Henry!... Ele está gamado mesmo.
Verônica sorriu, mas continuava pensativa.
– Ok, meninas! – Continuou o garoto, se levantando. – Se me dão licença, vou acordar aqueles dorminhocos. Combinamos de ir comprar algumas roupinhas novas. Afinal de contas, vai ter festinha hoje na escola e quero causar ótima impressão.
– Tá ok! – Disse Kathy. – Vai lá!
E então Ryan deixou as garotas sozinhas. Verônica ainda estava pensativa. Kathy percebeu.
– Você está tão pensativa. O que tá pegando?
Verônica então olhou para as escadas, para se certificar que o primo já tinha subido. Então voltou para a mesa, se sentou e olhou para a amiga.
– Kathy... Não tenho certeza se foi Henry que me enviou esse vidrinho de perfume.
– Como? – Perguntou a garota intrigada para Verônica. — E quem poderia? Como você sabe se não foi ele?
– Olha o que veio junto com o perfume. – Verônica entregou o bilhete a amiga. Kathy o leu, atentamente. – Eu conheço essa frase. A li em algum lugar, muito tempo atrás. – E continuou num sussurro. – Na época em que morava em Surrey.
Kathy tirou os olhou do bilhete e olhou para a amiga.
– Nick!
Verônica posou a mão na testa.
– E agora isso! – A garota fechou os olhos. – Está acontecendo sempre uma coisa pra me deixar confusa! Affffff...
– Pois não fique! Apenas ignore isso. – Aconselhou Kathy, em seguida voltando os olhos novamente para o bilhete, analisando-o. – Agora não entendo. Primeiro fala como se vocês não tivessem tido nada e agora manda presentinho e bilhetinho. É estranho.
– É estranha e chata essa situação. Porque eu me propus a deixar isso pra trás e me dedicar a Henry. Aí aparece isso.
– Verônica, se eu fosse você, eu contava tudo pra o Henry.
– Ficou maluca, Kathy? Se ele souber disso vai ter um troço. Lembro que quando a gente começou a namorar ele se mostrava bastante inseguro por causa disso. Se ele souber que o Nick e eu nos vimos, e que eu recebi isso...
– Pois então ignore isso. – Kathy a aconselhou novamente, entregando o bilhete.
Verônica olhou um instante para a frase escrita. Depois se voltou à amiga.
– É isso mesmo o que vou fazer!
Longe dali, Cecily estava muito atarefada, recortando algumas revistas. A garota gótica estava em sua casa, mais precisamente em seu quarto, decorada com muitas coisas de cor preto, além de cores de tons muito escuros, como azul, roxo, verde, vermelho. E ela parecia alegre, a julgar pelo sorriso em seu rosto. Ao final, a garota pegava cada recorte das tais revistas, passava um pouco de cola e, em seguida, colava em um papel limpo. Quando estava por acabar, notou que a porta de seu quarto estava se abrindo, e Mallory, a garota punk, entrando.
– Fala, Punk! – Cumprimentou a amiga que adentrava no seu quarto.
– E aí, Cecily! – Cumprimentou Mallory, olhando intrigada para o papel nas mãos da amiga. – O que é isso em suas mãos?
– Um papel! – Respondeu Cecily, rindo maliciosamente.
– Idiota! – Disse Mallory, sorrindo. – Te perguntei o que tem nele pra você está assim tão sorridente.
– Olha! – Exclamou Cecily. Mallory se sentou do lado da amiga, e viu o conteúdo. O sorriso desapareceu de seu rosto. Cecily continuou, ainda rindo. – Não é a coisa mais linda?
– Cecily! – Mallory olhou para a amiga, incrédula. – Para! Você não vai fazer isso!
A garota gótica revirou os olhos.
– Ai! Começou a chata. – Falou Cecily, aborrecida, levantando-se em seguida da cama. – Não me apoia uma única vez, não é?
– Não é que não te apoio. Pelo contrário: Quero que você seja feliz! E isso não vai te fazer feliz coisa nenhuma. Cara, desiste disso! Esse garoto não é pra você.
– É sim! – Respondeu Cecily, com rispidez. – E isso vai me ajudar.
– Ajudar em que? – Perguntou Mallory, cruzando os braços. – Separar o Henry da namorada. Certo! Mas e depois? Ele vai te querer? Pensa um pouco: Antes de essa menina existir na vida do Henry, você já estava lá o tempo todo. Mas o problema é que ele nunca te percebeu. E a questão é: Você acha que ele vai te perceber quando ele terminar com a tal namorada? Pensa nisso!
– Você é igual a Lorraine! – Disse Cecily, começando a ficar com raiva da amiga. – Você deve achar que eu sou uma infeliz que não merece ninguém. Muito menos o garoto que eu sempre amei.
– Não é isso, menina! – Respondeu Mallory, ficando com um pouco de pena da amiga. – É que eu já vi esse filme tantas vezes... O Henry namora uma garota, depois eles terminam, ele começa a namorar outra, e você assiste a tudo isso, esperando que um dia a próxima seja você. Mas aí o tempo passa e você nunca é a escolhida.
Cecily então começou a ficar ofegante, e uma lágrima escapou de seus olhos. Mallory continuou.
– Não te digo isso por mal ou por querer sua infelicidade. Te digo isso porque gosto de você. Nós somos amigas. E isso de ficar a vida correndo atrás de quem nunca vai querer você é burrice. Não vale a pena!
Cecily limpou a lágrima sofrida em seu rosto e em seguida disse:
– Vou acabar com isso hoje à noite, na festa da escola!
E saiu do quarto, deixando Mallory perplexa.
Ryan e James desciam as escadas, enquanto conversavam. Verônica, Annie, Kathy e Lion também conversavam. Lion estava à espera dos irmãos. De vez em quando Lion espirrava de uma maneira bem teatral.
– Lion! – Falou James, ao se juntar aos demais. – Você ainda está gripado?
– Já disse pra ele procurar um médico. – Disse Kathy. – Isso não é normal.
– Verdade. – Opinou Ryan. – Faz tempo que você está assim.
– Tá ok! – Disse Lion, pondo uma mão no peito. – Vou ao médico amanhã mesmo. Não aguento mais essa tosse que por pouco não me leva o pulmão. Que não me deixa ajudar vocês nas tarefas. Que está a tirar todas as minhas forças. Não aguento mais! Como alguém pode sofrer tanto nessa vida?
– Lion, sem drama! – Riu Annie, com o desabafo dramático do primo. – Qualquer pessoa pode ficar com a imunidade mais baixa de vez em quando.
– Mas é verdade! Nem eu aguento mais fazer tudo. — Informou James. – E pra essa tua tosse braba acho que tenho um remedinho. Vou lá em cima buscar.
E saiu da sala.
Ao entrar no quarto, foi procurar em suas coisas e não achou remédio algum.
– Acho que acabou! – Concluiu, indo em seguida procurar nas coisas dos irmãos. Ao mexer nas coisas de Lion, o garoto encontrou uma grande sacola com medicamentos. Eram todos aqueles que Lion dizia ter tomado. Como num estalo, entendeu tudo o que estava se passando. O garoto lembrou que ele e outros haviam, nesses dias todos, feito as tarefas de casa, enquanto o “enfermo” assistia televisão, ficava deitado no quarto.
– Safado! – Disse James, ficando chateado. – Não acredito que Lion enganou todo mundo!
Quando James apareceu na escada, voltando à sala, Lion viu a sacola e olhou para o irmão, com cara de surpresa. Aquela expressão de criança quando é pega fazendo travessura. E percebeu que o irmão estava bastante chateado.
– Lion, fui buscar um remédio pra te dar e encontrei todos aqueles que você “tomou”. – Disse James, de modo teatral, descendo cada degrau da escada, lentamente. – Olha só! Todos os remédios que a gente te deu. Guardados numa sacola, escondida no quarto.
– Do que você está falando? – Perguntou Ryan a James.
– O Lion, que enganou todo mundo. – Respondeu James, parando na frente do irmão mais novo. Lion então percebeu que todos o olhavam, perplexos. – E a gente foi muito idiota. Como acreditamos nessa gripe fajuta? Só a gente mesmo.
– Então fizemos tudo enquanto você ficava sem fazer nada? – Perguntou Ryan, olhando para o irmão mentiroso.
– Espera... Eu posso explicar...
Pelo visto, dessa vez, o garoto tinha de se explicar bem direitinho. Mas o que Lion ouviria, Verônica não pôde escutar, porque Henry chegou no momento em que começava a discussão e Verônica decidiu tirá-lo dali, para que o namorado não ouvisse todos os palavrões que o primo iria receber.
– Você é um... – Gritava James, furioso, no momento em que Verônica fechava a porta.
– Caramba! – Exclamou Henry, um pouco assustado. – Nunca tinha visto seus primos assim, desse jeito. O que foi?
– Lion que usou uma gripe como desculpa para se ausentar de todas as suas obrigações na casa. – Explicou Verônica. – Fizemos todas as tarefas da casa, enquanto Lion ficava curtindo uma soneca, ou um programa de TV, ou sei lá o que.
– Nossa! – Admirou-se Henry, não contendo um riso. – Que esperto! Acho que vou tentar essa lá em casa.
Verônica apenas riu.
À noite, todos os alunos se reuniam no grande pátio da escola, local onde ocorria a festa oferecida pela direção, como era de costume todos os anos, ao fim de mais uma feira estudantil.
Verônica não parecia muito confortável. Estava com Henry, Annie, Kathy e com seus primos. Contudo, a discursão, começada de manhã em casa, continuava. Ao redor, muitos estudantes dançavam e se divertiam ouvindo a música que o DJ havia colocado. Era a música “I don’t know” da cantora Erika.
– Eu fiz um bem a todos vocês! – Lion tentava se explicar aos demais. – Eu fiz vocês todos melhorarem como pessoas. Olhem só, vocês acabaram praticando a caridade com o mais novo da casa.
– Deixe de bancar o engraçado, seu estúpido! Enquanto nós todos “praticávamos a caridade” você nos explorava! – Respondeu Ryan, indignado com o irmão. – Acha isso um grande feito?
– Isso não teve graça nenhuma, seu babacão! – Opinou também James.
– Calma, meninos! – Pediu Annie, antes que Ryan e James partissem para a agressão física contra o irmão. – O Lion agiu errado. Mas vamos procurar uma solução. Agora, por favor, sem brigas! Não aqui.
– Annie está certa! – Opinou Henry. – Aqui não é lugar de briga. Se acalmem.
– Vou ao banheiro. – Disse Verônica, que estava quieta por conta da discussão. – Annie, Kathy... Vocês me acompanham?
– Claro! – Respondeu Kathy. – Vamos!
– Eu vou ficar pra ver se eu vejo Mallory e Cecily. – Respondeu Annie.
– Tá ok! – Disse Verônica. – A gente volta já.
E saíram.
Cecily andava por entre os muitos estudantes que se encontravam no pátio da escola. Mallory andava logo atrás, apressando o passo, a fim de acompanhar a amiga, que andava quase correndo. Cecily então parou abruptamente. Mallory esbarrou na amiga. As garotas gótica e punk se encontravam muito próximas do local onde Henry, Annie, Ryan, James e Lion estavam, e se esconderam atrás de uma grande árvore que se encontrava a três passos de distancia. Cecily voltou o olhar a Henry, e sorriu com malícia.
– Cecily, não faz isso, cara! – Pediu Mallory, logo atrás da amiga.
– Mallory! Não se mete nisso. – Retrucou Cecily. – Isso é um problema meu.
– Pense no mal que você vai fazer a você mesma! – Mallory tentou argumentar. – Pense no mal que...
– Cala a boca, Mallory! – Falou a garota gótica com rispidez, já perdendo a paciência, sem tirar os olhos de Henry.
Um rapaz alto, loiro e um pouco desengonçado passava por elas. Cecily puxou-o pelo braço.
– Ei! Você é o garoto da Rádio Estudantil!
– Sim, sou eu! – Afirmou o garoto. Sorrindo em seguida. — Por quê? Acha minha voz bonita?
– Sei lá! – Respondeu Cecily, com urgência. – Nunca parei pra analisar. Eu só queria que você pudesse me fazer um favor. Agora!
O garoto ficou intrigado.
– Que favor?
– Entrega essa carta para aquele garoto ali. – Pediu Cecily, apontando para Henry.
– Aquele loiro?
– Sim! Ele mesmo.
– Cecily, não faz isso! – Suplicou Mallory mais uma vez.
– Já disse pra ficar quieta, Mallory! – Disse Cecily, desta vez virando-se para a amiga e a olhando feio. – Não estraga o meu plano.
– Agora fiquei curioso... O que tem aqui nesta carta de tão sinistro que sua amiga não quer que o tal loiro veja? – Perguntou o garoto, olhando de Cecily para a carta, mostrando curiosidade.
Cecily puxou o garoto e tascou-lhe um beijão. Mallory boquiabriu-se.
– Um beijo e nada de perguntas. – Falou a garota assim que terminou de beijar o garoto. – Apenas faça o que eu pedi. Aproxime-se do garoto, diga que encontrou essa carta no estúdio da Rádio. Diga que ela estava com o nome dele.
– Sim, senhora! – Disse o garoto com um sorrisinho no rosto. E saiu.
– Pronta para o espetáculo, Mallory? – Perguntou Cecily, passando a mão nos lábios. Mallory nada respondeu, apenas ficou quieta, em estado de choque com a cena que havia presenciado.
Cecily observou o garoto chegando e entregando a carta para Henry, falando o combinado. A garota notou que todos da turma de Henry observavam a entrega. E no instante seguinte, o garoto se foi. O DJ então falou que iria tocar uma música que está bombando, para toda a galera se agitar ainda mais. Então Annie, Ryan, James e Lion tiraram os olhos de Henry.
O garoto então abriu a carta e começou a ler seu conteúdo.
Em seguida, arregalou os olhos para a carta. Os outros não notaram sua expressão de choque, pois agora olhavam ao redor, a fim de verem as pessoas que por ali estavam.
Cecily riu ao ver a expressão de Henry.
– Ah, Henry... – Começou Ryan, sem notar o que se passava com o amigo. – Não sabia que você era perfumista.
Henry tirou os olhos da carta e voltou-se para Ryan, parecendo estar em transe.
– Aquele perfume que você deu a Verônica é bom, cara. – Continuou Ryan ao amigo. – E você sabe surpreender, mandando presentinho pela manhã. Você nem colocou seu nome no espaço do remetente. Isso bem pra fazer suspense, né?
– O que... – Começou Henry, mostrando-se incrédulo. Mas foi interrompido por Annie.
– Olha as garotas voltando!
Verônica vinha conversando alegremente com Kathy, quando pararam, logo atrás de Henry.
– E aí, o que é que tá rolando? – Perguntou Verônica, ainda rindo.
Henry virou-se lentamente, até ficar cara a cara com a namorada. Verônica percebeu que o garoto, por algum motivo estava furioso. A garota o olhou nos olhos. Nunca o vira daquele jeito. Ele passou a carta para Verônica com violência. Tanto foi que os demais do grupo pensaram que Henry havia empurrado a garota. Todos então perceberam que o garoto tremia de tão nervoso que estava. Verônica olhou para a carta, e novamente voltou-se para o namorado.
– Henry... – Começou Verônica, assustada, sem entender absolutamente nada. – O que...
– Leia! – Ordenou Henry, rispidamente.
Verônica viu que a tal carta foi feita com colagem de revistas e jornais, e não tinha remetente. Então começou a ler seu conteúdo.
Caro Henry.
Cuidado com sua namorada Verônica Watson. Ouvi dizer que ela reencontrou um garoto de seu passado durante a feira estudantil, acho que foi um ex namorado. Quando a escutei falando sobre o tal reencontro notei que ela havia ficado muito mexida. Portanto, cuidado! Esse garoto pode ser uma pedra em seu caminho. Se não me falha a memória acho que o garoto em questão foi um tal de Nick.
Verônica terminou de ler a carta, se sentindo totalmente abismada. Quem poderia ter feito aquilo? E Henry... A única pessoa de quem queria esconder o tal episódio. Agora ele já sabia de tudo.
Verônica tirou os olhos da carta, muito nervosa. Se voltou a Henry.
Ele enxugava uma lágrima que acabava de cair em seu rosto.
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