S.O.S. Coração
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Henry sentiu vontade de eternizar aquele momento. De longe foi a sensação mais gostosa que um dia já experimentara. O gosto de Verônica era o mais doce possível. Foi o que o garoto pensou. Tanto era que chegou a tremer um pouco. Mesmo assim a beijava loucamente, fervorosamente. Pôs uma mão nos cabelos da garota, mas dois segundos depois Verônica o empurrou. Henry olhou para a garota com cara de "O que foi isso? Foi um sonho?" e então recebeu um tapa em sua cara, despertando-o. Verônica o olhou com um misto de fúria e incredulidade.
– O QUE FOI ISSO? — Gritou a garota, começando a lacrimejar. — COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO? EU CONFIEI EM VOCÊ! TE CONTEI MINHA HISTÓRIA COM NICK. VOCÊ TOMOU CONHECIMENTO DA MINHA TRISTEZA... E AGORA SE APROVEITA DE MIM?
– Verônica... Não foi isso... — Henry começou a justificar, ficando nervoso. — É que eu...
– É QUE VOCÊ É UM COMPLETO IDIOTA!
– Não. Deixe eu me explicar... — Henry chegou mais perto da garota, que se afastou.
– NÃO, VOCÊ NÃO PRECISA SE EXPLICAR. — Verônica passou a mão na boca, mostrando nojo do beijo. — VOCÊ SÓ PRECISA FICAR LONGE DE MIM.
– N-Não. Verônica, não. — Henry ofegou, estendendo a mão a garota. — Deixe eu me explicar...
– NÃO. NUNCA MAIS FALE COMIGO, HENRY.
E saiu correndo dali, deixando Henry em um silêncio sufocante. O garoto sentou-se no banco mais próximo, ainda ofegante.
– IDIOTA! É ISSO O QUE VOCÊ É, HENRY! UM IDIOTA! — Gritou para si mesmo. Então começou a bater o punho na sua coxa, com força, e depois deu tapas em sua própria face, mostrando-se indignado consigo. — VOCÊ ESTRAGOU TUDO, IMBECIL!
Ryan, James, Lion e Kathy estavam na sala comentando alegremente um programa que assistiam.
– O cara é otário! — Comentou Lion. — Vai procurar namorada em programa de auditório.
– Existe gente pra tudo, meu caro. — Disse Ryan.
– Muitos vão nesses programas para obterem seus minutinhos de fama, se querem saber minha opinião — Disse James.
– Obrigado, pezão. Mas não queremos saber sua opinião. — Disse Lion para James, rindo.
James riu, pegou logo em seguida uma almofada e jogou em Lion.
Ryan e Kathy riram junto com os garotos.
Verônica entrou apressada, fazendo todos a olharem com cara de assustados.
– O que foi que aconteceu, Verônica? — Perguntou Kathy, ficando preocupada, assim que percebeu que a garota chegou chorando. — O Henry fez alguma coisa com você?
– O Henry? — Ryan olhou de uma garota a outra. — Mas o Henry não faz mal a uma mosca.
Kathy se aproximou de Verônica.
– Garota, fala! O que foi que aconteceu?
Verônica começou então a chorar silenciosamente. Kathy percebeu que a coisa era séria. Pegou na mão da garota e se voltou para os garotos.
– Desculpem! Mas isso é papo de mulher. Vamos para o quarto. Lá a gente conversa.
E a levou para seu quarto.
Annie estava lendo uma revista quando as garotas entraram. Olhou para a irmã, depois para Kathy.
– O que aconteceu?
Verônica correu e abraçou a irmã. Pareceu que ela nunca havia ficado chateada com Annie. Passado alguns segundos, Verônica quebrou o silêncio.
– Annie, o Henry me beijou.
Annie boquiabriu-se. Kathy, no entanto olhou para a garota intrigada.
– Mas o porquê do choro? O Henry é lindo. Ele é um dos caras mais cobiçados do colégio, e ele...
– E ELE NÃO É O NICK! — Gritou Verônica, voltando-se para Kathy.
– Nick? — Perguntou Kathy, um pouco assustada com a reação da garota. — Que Nick?
– O amor antigo e não superado de Verônica. — Respondeu Annie.
Kathy foi até a cama em que as garotas estavam sentadas e olhou para Verônica, amigavelmente.
– Eu sabia!
– Sabia o quê? — Perguntou Verônica, ainda chorando.
– Que você estava assim por causa de um garoto.
– Como? — Perguntou Annie.
– Também já gostei de um garoto, mas nos deixamos.
Verônica limpou uma lágrima e olhou para Kathy.
– Por que vocês se deixaram?
"Porque ele teve de mudar de cidade. E eu vim pra cá para não sofrer tanto pelo fim do nosso namoro. Confesso que nos primeiros dias achava que morreria. Até que o tempo passou, e aí eu conheci outras pessoas, fiquei com outros caras, passei a pensar menos nele. Hoje me lembro dele com saudade. Mas não me prendo ao passado. Quero viver, curtir a vida, fazer faculdade de Direito. A vida é tão bonita! Não podia sofrer a vida toda por causa de uma pessoa e esquecer de mim. E acho que você não devia fazer isso com você. Se for para o tal do Nick ficar contigo, ele vai voltar. O que é verdadeiro sempre volta pra gente. Não deixe as oportunidades passarem. "
Verônica sorriu para Kathy, mas ainda chorava.
– Vem cá! — Chamou-a então para um abraço. — Obrigada por tudo. Obrigada mesmo, Kathy.
– Eu disse a você que pode contar comigo, não foi? — Falou Kathy a garota, ternamente. — Vou estar sempre aqui. Amigas são para isso.
Verônica chorou mais. E então contou às garotas como foi o encontro com Henry, contou a Kathy da sua história de amor com Nick, sobre o beijo, o que sentiu com tudo. A garota não conseguia acreditar que havia conseguido uma amiga e que havia beijado um outro garoto, tudo isso depois de 9 anos que Nick se foi.
O dias se passaram, Annie convenceu Verônica de melhorar um pouco seu humor, participar das conversas e das tarefas. Enfim, se socializar mais com os moradores da casa, até porque seus primos e Kathy não tinham culpa das coisas que tinham acontecido no passado da garota. Verônica até saiu uma vez à tardinha com os primos, e outra vez com Annie e Kathy para fazerem compras. Um bom começo. Henry não havia mais a procurado.
As férias estavam acabando. Era hora de voltar à escola. Só que, para Verônica e Annie era tudo novo.
Verônica, que já estava com um uniforme azul claro e de detalhes amarelos, se penteava quando Annie entrou no quarto e disse animada.
– Vamos, Verônica! Hora de irmos para a escola.
Verônica olhou-se no espelho um instante, depois desceu as escadas onde sua irmã, seus primos, e sua amiga a esperavam, e então saíram.
Caminharam um pouco até a parada de ônibus. Esperaram alguns minutos e então partiram.
Ao chegar à nova escola, que para Annie superava todas as expectativas, Verônica sentiu um frio na barriga. Tudo era muito diferente do ela estava acostumada. Era muito grande, muito organizado. As pessoas estavam muito bonitas e arrumadas, muitos estavam no pátio, conversando sobre suas férias. Pôde ser ouvida por toda a escola a voz do locutor da Rádio Estudantil que desejava a todos um bom início de ano letivo, e em seguida a música “Don’t lie” da banda Black Eyed Peas. Vários estudantes começaram a se agitar com a música. Verônica, ao contrário, se mostrava alheia.
– É, Verônica... Você vai ter de se socializar. — Disse Annie ao pé do ouvido para a irmã.
Verônica de fato era a menos alegre e arrumada criatura do lugar.
– Olha, Lion! O Anderson! — Apontou James para um rapaz que estava conversando com um grupo de colegas. — Vamos lá!
– Ihh, é mesmo. — Lion se voltou para os outros. — Galera, James e eu vamos conversar com um amigo nosso. Até mais!
E saíram.
– E assim começam as primeiras interações do ano. — Comentou Kathy, em tom teatral, em seguida olhando para Verônica e Annie. — É uma pena que não estudarei com uma de vocês.
Annie estava calada, observando umas garotas que acabavam de entrar na escola.
– Quem são elas? — Perguntou Annie, admirada com duas garotas, que apesar de estarem fardadas, tinham estilos diferentes dos demais, seja por conta dos adereços (Uma com colar preto com pingentes de caveira. A outra com um maxi colar de crucifixo. Ambas usando vários anéis nos dedos e pulseiras. Uma tinha as pulseiras pretas. A outra com muitas cores escuras. Elas usavam também ao invés de meias pequenas, meias arrastão rasgadas. Uma usava meias pretas. A outra usava uma meia de cor vermelha e outra meia azul.)
– Mallory e Cecily. — Respondeu Ryan. — São conhecidas por toda escola por serem donas de estilos punk e gótico.
– As acho originais. — Disse Kathy. — Só que elas não são muito de falar com ninguém. Elas ficam na delas, sozinhas. Só vi uma vez elas com o Craig, o Donnie e a Lorraine.
– E esses quem são? — Perguntou Annie, que ainda as olhava, admirada.
– São o trio barra pesada da escola. — Informou Ryan. — Sugiro que fique longe deles. Eles arrumam muita confusão aqui.
– E falando neles, será onde estão? — Perguntou Kathy, olhando para os lados. — Devem estar matando aula.
– No mínimo. — Disse Ryan.
– Ai! Mas aquelas garotas... Adorei elas! — Opinou Annie. — Corajosas. Isso é o que elas são por mostrar o seus estilos.
– É. Isso ninguém pode negar. — Disse Ryan. — E lembrando que Mallory vai estudar com você, e Cecily com Verônica.
– O que você achou Verônica? — Perguntou Annie, um pouco ansiosa com tudo: Amizades, garotos, a nova escola.
– Achei que já devia estar na sala de aula. — Verônica não conseguiu esconder seu nervosismo por tudo.
– Está bem, então! As aulas ainda não começaram, mas enfim... Até mais, Verônica! — Disse Ryan, enquanto observava a prima se separar do grupo. — Nos encontramos no intervalo.
Verônica estava a caminho da sua sala de aula. Passava por bancos que ficavam em frente de cada sala.
Ao se aproximar da sua sala, avistou alguém sentado no banco. A garota pulou de um susto.
Era Henry.
– Verônica! — Falou. — Estava esperando você chegar. Temos de conversar.
A garota reparou que o garoto tinha uma rosa vermelha em sua mão.
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