SOMBRAS - A Armadilha da Rainha

8 Capítulo 7 - A divisão


Os olhares de todos se voltaram para Andrew. Era o momento de sua decisão. Entraria ou não no círculo? Era o que todos queriam descobrir. A plateia finalmente estava interessada no que acontecia.

Logo atrás deles, os pais observavam a cena preocupados. Danielly, no entanto, estava mais eufórica do que nunca. Tinha algo a incomodando, mas ninguém poderia suspeitar. Ela olhava para o relógio em seu pulso, incansavelmente. Ela apenas torcia para que o feitiço de Henry durasse por todo o processo. Não poderia perder os filhos.

Andrew olhou para trás, diretamente para sua mãe. Por um momento, ele sentiu raiva, se fosse verdade, ela havia mentido para todos eles. E com isso em mente, Andie fez com que suas pernas o obedecessem, andando em direção ao círculo. Sua insegurança em ser o primeiro não o perturbava mais, como nos minutos antes. Ele apenas focou nas palmas de todos da arquibancada, gritando em sua torcida. Chegavam a ser perturbadoras.

Parando a poucos passos de dentro do círculo. Ele olhou para as aprendizes do Oráculo, esperando por instruções. – Ande até o centro. – Katrina instruiu, primeiro.

Katharine pegou o punhal de uma faca, com uma visível habilidade em seu manuseio, entregando-a para Andrew. – Faça um corte com a faca, na palma de sua mão. Depois deixe o sangue pingar em qualquer área do círculo.

— Os cristais farão o resto. – O oráculo finalizou, apoiando-se em seu cajado, enquanto esperava.

Com a cabeça a mil, Andrew obedeceu. Tudo ao seu redor parecia de outra realidade. Ele sentiu seus ouvidos entupindo, como se para bloquear o som de todos ao seu redor. A única coisa que conseguia focar era em seu sangue, que depois da pontada de dor que veio após abrir o corte, caiu em contato com o chão e começou a deslizar em direção aos seis pedestais de madeira, como um metal indo em direção a um imã. O sangue subiu por dentro do cristal, fundindo-se ao mesmo, e movendo-se sem padrão ou controle. Tinha vida própria.

Enquanto esperava que algo acontecesse, qualquer coisa, passou a atenção de sua mão para a adaga que segurava com a outra. Ela era igual àquelas que via em filmes medievais. Continha um símbolo talhado em seu cabo, como se pertencente a um brasão. Além dele, outros desenhos, sem um sentido lógico imediato. Entretanto, diferenciou um, como sendo o símbolo compartilhado por todos os Representantes.

De onde estava, era possível ver os cristais no centro dos pedestais de madeira, começando a mudar de cor. A adrenalina deixava Andrew alerta, sem saber o que esperar. Alguns segundos depois, três cristais surgiram. Cada parte vinda de um dos seis pedestais. Os angapes, supôs Andrew. Um deles se destacava, sendo o maior entre os três. Andrew logo o identificou como sendo o angape fundamental, citado antes por Katrina.

Sua cor mudava, conforme ele era guiado, suspenso no ar, até o legítimo dono do sangue derramado. Os três cristais pararam próximos ao rosto de Andie, que no momento lutava contra todos os seus instintos, mantendo o corpo imóvel e a expressão o mais calma possível. Para isso, sua respiração estava presa.

As pedras, se não estivessem farejando todo o seu corpo, poderiam ser lindas. Conforme era examinado, Andrew também examinava. Os angapes eram da forma exata de uma pirâmide na ponta, seguindo o formato de cada lado da base da mesma, finas e compridas por todo o resto, até alcançar a outra ponta, finalizada com outra pirâmide, igual à anterior, tendo um pouco mais de 15 centímetros de comprimento. Eram exatamente pedras, em colunas hexagonais. Diversas cores atravessavam os cristais, como se houvesse algum líquido em constante movimentação em seu interior, semelhante às lâmpadas de lava fluorescentes.

Repentinamente, assustando a Andrew e a seus irmãos que o observavam, dois dos cristais foram de encontro violento a sua camiseta, atingindo sua pele, por debaixo da mesma, já próximo ao início da cintura. Uma grande queimação se alastrou. Como se estivessem escrevendo contra sua pele.

O maior de todos, o fundamental, foi em direção ao pulso direito, onde começou a trabalhar da mesma maneira. E a mesma sensação de queimação, como se estivesse sendo tatuado da forma tradicional.

Por mais que todo o seu corpo desejasse sair correndo, afastando-se o máximo possível dos angapes, nada o obedecia. Em seu íntimo a dor era quase apreciada. Sua pele suava, com a queimação e segundos depois, que mais pareceram milênios, eles se afastaram abruptamente, caindo no chão logo em seguida, o que surpreendeu aos cinco. Mesmo sendo obviamente cristais, não havia nenhuma rachadura após a queda.

Era como se antes eles estivessem possuídos, com vida e a perderam magicamente de um segundo para o outro.

Como instinto, olhou para seus pais e irmãos. Seus irmãos pareciam estar experimentando uma mistura entre o espantado e a maravilha, assim como seu pai, mas sua mãe, parecia aliviada, depois de prender a respiração aflita durante toda a cerimônia.

— Pegue-os, Andrew. – O Oráculo orientou.

Concordando sem pestanejar, pela primeira vez, Andrew se abaixou e recolheu os três cristais. Os mesmos, ao entrarem em contato com sua pele, ficaram instantaneamente vermelhos, com um toque alaranjado, igual as chamas do fogo, e as pontas pendendo para o transparente. Em uma das pontas, do anape fundamental, Andrew pôde observar A.L.D. tralhado, que logo deduziu serem suas iniciais. Era impressionante.

Quando se levantou, uma leve pontada de dor veio de onde antes os angapes tocavam. Primeiro girando o pulso, pôde ver o símbolo de Touro, seu signo de nascimento, bem desenhado, em preto, em contraste contra sua pele, tão escura quando carvão. Então, acanhado, ergueu a aba de sua camiseta, revelando outro símbolo, com o mesmo trabalho, desenhado como se por um artista, e ali se encontrava o símbolo de Virgem. Era como se a algum tempo atrás não houvesse tido queimação ou dor alguma.

Ele ficou confuso, não certo do que aquilo significava, até que Dominic anunciou. — Casa de Virgem. Aliado. Parabéns, Lenai. – Ele parabenizou a mulher, com cabelos negros até a altura da cintura, como cascatas de petróleo. Olhos verdes chamativos e vibrante encararam o garoto. Era possível ver o mesmo símbolo que Andrew possuía contra a pele, em seu antebraço, mas em maior escala e adornado por um bracelete dourado. Ela apenas sorriu com o anúncio.

Na plateia alguns dos adolescentes gritavam comemorando. Havia êxtase no salão, mas mesmo assim, Andrew não sorriu. Apenas caminhou para fora do círculo, de volta para perto de sua família. Seus olhos estavam fixos em sua mãe. Ela estava agradecida. Algumas lágrimas escaparam de seus olhos, quando a notícia ganhou um anúncio oficial.

— Diria parabéns se soubesse o que acabou de acontecer, irmão. – Matt sussurrou na direção de seu gêmeo, quando ele estava próximo o suficiente para escutar, cumprimentando-o com um tapa.

— Idem. – Disseram as meninas e Dylan, juntos.

— Matthew Lewis Daddrien, segundo filho, entre no círculo. – Dominic anunciou mais uma vez.

Matthew andou confiante até o centro, imitando os passos de seu irmão. A mesma cena se repetiu. Ele se posicionou no círculo. O sangue que pingou, entrou em contato com cristais, que logo saíram, indo em seguida a ele. No entanto, Matt não se preocupou em esconder seu receio conforme os angapes se aproximavam.

Então veio o contato. Os angapes foram em direção ao pescoço dele, de forma rápida e bruta, subindo e descendo, criando ardência na pele, conforme desenhavam o que definiria o resto de sua vida.

O tempo foi praticamente o mesmo que o de Andrew, mas estando ali, parecia uma eternidade. Entretanto, ele não reparou, mas o que diferenciava sua cerimônia da de seu irmão, era que havia três angapes trabalhando em seu corpo, mas em três lugares diferentes. Um no pulso, como em seu gêmeo. Um no pescoço, próximo ao ombro, que todos já estavam observando e o último nas costas, na altura do ombro. O motivo, pelo menos para os outros quatro irmãos, era um mistério.

Quando aquela sessão de tortura chegou ao fim, ele suava mais do que Andrew em sua vez. Os seus angapes caíram no chão, do mesmo modo do primogênito. E dessa vez, sem esperar quaisquer orientações, Matt se abaixou e recolheu seus angapes, seus três conectores, sua ligação com sua nova vida; de forma orgulhosa. Ao entrarem em contato com sua pele ganharam três cores. Começavam com um transparente nas duas extremidades, seguindo em degrade para o roxo, passando depois para um azul bem escuro, e continuava em espelho.

— Impuro. – Reinald anunciou baixo, mas de modo audível para todos, pelo silêncio que se alastrou. – Sinto muito, garoto.

Para o Oráculo, não era necessária uma análise de suas marcas. Seus angapes lhes mostravam duas cores. Ele tinha mais do que dois signos. O que significava um nascimento de um Impuro.

— O que? – Matt perguntou, preocupado. – Por que sente muito? O que há de errado? – Sua voz passou de preocupação para verdadeiro pânico.

Ele não entendia. Não houve anúncio. Dominic nem se quer abriu a boca. O salão estava em completo silêncio, ao invés de comemorando. Nenhuma casa havia sido parabenizada.

Matthew saiu do círculo, indo em direção a uma das janelas do canto da sala. Ele puxou a gola da camiseta e ali encontrou o símbolo de Câncer. Escuro igualmente ao de Andrew. Olhou então para seu pulso e ali tinha o símbolo de Gêmeos. Ele pensava no que estaria errado. E como se lesse sua mente, Katrina se aproximou delicadamente. – Suas costas. – Ela sussurrou.

Matt arrancou a camiseta, sem se preocupar com os olhares lançados em sua direção. Com dificuldade, conseguiu ver o reflexo de suas costas, na altura do ombro, no lado esquerdo, o símbolo de Libra.

Três signos. Impuro. Ele se lembrou da descrição de Dominic. Era isso que estava errado.

— O que isso significa? – Alex perguntou, embora já tivesse sua própria dedução. Mas pela primeira vez na vida, ela estava com medo de que estivesse certa.

— Vocês verão. – Dominic disse, calmamente. – Prosseguindo. Alexandra Alessia Daddrien, a terceira filha.

A incerteza aumentou no salão após a cerimônia de Matthew. A expressão no rosto de sua mãe também não ajudava em nada. Ela estava abalada e até mesmo desolada. Os murmúrios e falta de comunicação causavam desconfiança. A situação em si já era uma grande desconfiança.

Alex se aproximou do círculo, parando ao lado de Katharine para pegar a adaga que sabia que usaria.

— Me diz uma coisa. – A aprendiz disse bem próxima de Alex, antes de soltar a adaga. – Você já ficou com seu irmão? Qualquer um deles?

— Não. – Alexandra respondeu horrorizada. – São meus irmãos mais velhos e o caçula. – Podiam estar em uma dimensão paralela, mas mesmo assim, aquela hipótese soava um absurdo.

Pegando a adaga com certo desprezo, Alexandra se apressou para dentro do círculo. O que acabara de acontecer, somente serviu para distrair sua mente do maior problema, mesmo que por um milésimo de segundo. Contendo a respiração, ela deslizou a lâmina por sua palma, abrindo um corte, fazendo gotas de sangue pingarem no chão. O nervosismo aumentava, conforme o sangue era guiado para dentro dos cristais.

Eles saíram, indo em direção a ela. Seus movimentos eram circulares enquanto atravessavam o ar. Os pelos de sua nuca se ouriçaram. A pior parte, era ver uma ameaça, voando em sua direção, e ter de ficar parada.

Milésimos de segundos depois, sua pele já estava sendo queimada, na altura do ombro, nas omoplatas. Ela mordeu a parte interna da boca, para reprimir um grito. Como consequência, sentiu o gosto metálico de sangue na boca.

Outra coisa, entretanto, chamou sua atenção. Havia dois angapes trabalhando em seu ombro e busto, e o terceiro estava ocupado trabalhando em seu pulso. Aquilo a tranquilizou, o máximo possível levando em conta a dor. Aquilo já significava sua classificação como aliada. Menos coisas para se preocupar. Porque a reação de todos para com seu irmão não fora exatamente tranquilizante.

Os angapes despencaram de encontro ao chão. Alex demorou um pouco para perceber que ela precisava se abaixar para pegar suas novas armas. Ela se sentia cansada.

Quando se abaixou, ao encostar sua mão os angapes ganharam uma tonalidade de azul. Começava e terminava transparente, em degrade, como uma pedra da lua, ganhando um tom de azul bem escuro.

Apenas uma cor. Ela pensou aliviada.

Puxando a gola da camiseta, esperou que Dominic gritasse, fazendo seu anúncio.

— Casa de Escorpião. – Ele disse. Um homem loiro, com corte de cabelo curto, no estilo militar, e olhos azuis piscina, observou Alexandra com curiosidade. Sua postura era impecável, e seu símbolo fazia contorno em todo seu braço direito, a partir do cotovelo. – Parabéns, Aiden. – Dominic deu uma piscadela em sua direção. O que causou estranheza tanto nos irmãos quanto em Alex. – Sua nova integrante, Alexandra Alessia Daddrien...

Com o momento de avaliação, as palmas respectivas a sua conquista já estavam sessando. Então sem grande cerimônia deixou o círculo e parou ao lado de Matthew, que mantinha a mão sobre o pescoço desconsolado. Ele se sentia uma aberração. O sentimento era desconhecido e nada agradável para ele.

— Seguindo. – Dominic anunciou. — Isabel Alessia Daddrien, quarta filha. — Novamente um dos Representantes a observou. Mas aparentemente apenas Andrew e Alexandra repararam.

Izzie andou confiante, com postura firme, em direção ao centro do círculo. Todos os olhares focados nela, mas isso não a incomodava. Nunca havia incomodado, e não começaria ali. Ela inclusive sorria.

Katharine, por sua vez, não parecia nada contente com a nova personagem daquela história. Com um olhar, um tanto invejoso, ela lançou a adaga, usada anteriormente por seus irmãos, aos pés dela.

Sem pensar duas vezes, Izzie pegou a lâmina e passou-a na palma da mão, abaixando-se para que o sangue atingisse o chão mais rápido. Sua audácia acabou perturbando um pouco toda a plateia. Seu objetivo, em tese, estava sendo cumprido. Ao se levantar novamente, endireitou as costas, enquanto mantinha os olhos atentos no sangue que era sugado para dentro dos cristais.

Sorriu em direção a Katharine, que retribuiu, com um sorriso falso.

O mesmo processo se sucedeu. O sangue logo liberou os angapes, que avançavam com velocidade em direção a Isabel. Seu busto foi o alvo, assim como o pulso e o ombro. Era nítido o esforço para não gritar. Não só o dela, mas o de sua mãe também. Haveriam três símbolos, o que automaticamente classificava como Impura.

No entanto, como se não bastasse para as preocupações de Danielly, Henry parecia perdido.

— Querida? – Ele chamou. – Tudo ficou preto para você também? – Ele falava em meio ao pânico, tentando controlar o medo.

— Querido. – Ela chamou — Preciso que você finja que tudo está normal. Daqui a pouco tempo tudo voltará a realmente ser. Tente. Por mim. – Ela sussurrou, em sua direção. Em seguida, pegou a mão do marido, para que ele ao menos soubesse que não estava sozinho em seu breu.

Seu tempo estava acabando. Precisava que aquilo acabasse logo. Tinha que tentar levar pelo menos dois de seus filhos de volta ao lar.

Um grito, trouxe a atenção de volta para Isabel. O angape fundamental havia terminado seu trabalho no pulso dela, mas ao invés de cessar seu trabalho, estava ocupado em sua cintura, na altura da calça. Os dois outros angapes esperavam, flutuando em frente a Izzie.

Sua testa estava molhada de suor. Mas aquilo não era a maior preocupação. Os Representantes cochichavam entre si, assim como os demais na arquibancada. Os irmãos não sabiam o que estava acontecendo, mas estavam preocupados com o estado de Izzie. Ela parecia cansada, a um passo de desmaiar.

— Ela não me parece bem. – Alex sussurrou no ouvido de Andrew.

— Eu sei. – Ele respondeu. – Acho que isso não estava no planejamento. Ela está com mais uma marca.

Quando o angape fundamental finalmente parou e caiu no chão com os demais, Izzie também caiu. Ficando de joelhos, ofegante.

— Ajudem-na. – O Oráculo pediu às gêmeas.

Katrina e Katharine andaram até o centro do círculo. — Você precisa encostar neles. – Katrina disse de forma amigável.

Izzie concordou, erguendo a mão trêmula, até alcançar os angapes. Ao entrar em contato com sua pele, os angapes ganharam novas cores. Começavam transparentes, como todos os outros, indo em degrade para um verde água, ficando escuro até se tornar esmeralda, atingindo o preto e voltando em perfeita simetria.

Sem precisar da ajuda das gêmeas, Isabel se levantou. Não parecia mais a garota abalada que caiu a poucos minutos antes. Parecia mais forte. Não houve palmas, como não houveram para Matt, mas ela não se importava. Os sussurros dos Representantes por outro lado atraíram sua atenção. A preocupação em seus olhos fez com que ela se sentisse poderosa. Afinal não era por isso que os Impuros, não podiam morar e estudar junto aos demais?

O Oráculo se aproximou. Puxando delicadamente sua regata.

— Não é possível... – A mulher a direita de Dominic disse. – Nenhum Aliado, muito menos um Impuro, tem a marca tão próxima da de um Representante. – Ela cuspia as palavras conforme falava.

No busto de Izzie havia o símbolo de leão, igual ao de seu pulso, mas em um tamanho maior, da mesma forma que havia na Representante que se surpreendera a pouco. O começo do símbolo, estava em seu seio, e o restante, como uma linha ondulada, seguindo até próximo da clavícula.

Reinald ergueu a mão, pedindo um momento. Puxando a camiseta de Izzie, na altura do ombro esquerdo, nas costas, semelhante ao de Matthew, havia outro símbolo, de áries, em uma escala mediana. Na cintura, tendo que puxar um pouco a aba da calça, havia outro, de gêmeos, próximo a bacia, do mesmo tamanho do das costas

— Impura. – Dominic anunciou.

A Representante de Áries andou até Dominic, sussurrando alguma coisa em seu ouvido. Eles pareciam preocupados. Com razão. Tão raro quanto um Aliado Puro, era um Impuro, com mais de dois signos de proteção.

— Pode sair, querida. – Reinald disse atenciosamente.

Izzie concordou com um movimento de cabeça. Seguindo para perto de seus irmãos.

— Dylan Lewis Daddrien. O quinto e último filho. Aproxime-se. – Dominic comandou novamente.

Enquanto Dylan andava em direção ao círculo, uma coisa chamou a atenção, das sombras, que criaram um alvoroço.

Elas apareceram, surgindo do nada, cercando Danielly e Henry. A imagem de Henry estava se esvaindo, como se fosse um holograma durante problemas de conexão. — Traição. – Uma voz rouca disse. Sem lugar de origem especifico.

Repentinamente, Henry sumiu, assim como algumas das sombras que os cercavam. Danielly ficou sem reação, não sabia o que fazer quando seu plano falhou.

— Ela nos enganou. – Dominic disse calmamente. Olhando curioso para Danielly, no início do salão. – Resolvam. — Ele apontou para as sombras, e com um grito, por parte da mãe, ela sumiu, em meio a uma fumaça branca, que evaporou com todos eles.

A vontade das gêmeas era de gritar, mas apenas olharam chorosas, na direção, de onde sua mãe estava. Era como uma lembrança. Andrew puxou Izzie para perto, demonstrando afeto, em público. Cenas raras. E o mesmo fez Matthew com Alex. Dylan, por sua vez, engoliu em seco, voltando sua atenção para a distância que ainda faltava percorrer, para alcançar o círculo. Olhou para seus pés, e se manteve focado neles.

Ergueu a mão, para que Katharine lhe entregasse a adaga. Seu orgulho estava em jogo, então engoliu o medo, junto com a tristeza de ver sua mãe evaporar. Foi até o centro, passando a lâmina na palma da mão. Imitando sua irmã, abaixou-se para que o sangue atingisse o chão com mais rapidez. Ele não queria que o achassem atrevido ou corajoso, simplesmente queria que tudo aquilo pudesse chegar a seu fim.

Os irmãos e irmãs se separaram, focando, na cerimônia do caçula.

Dylan esperou, inquieto, até que os cristais saíssem, como fizeram os demais. Os três logo apareceram, indo em sua direção. No entanto não começaram de imediato a trabalhar em sua pele. Pareciam fareja-lo, como cães de guarda. Ficaram assim por um grande período. Até que o fundamental, foi em direção ao seu pulso. Marcando-o rapidamente.

Finalizado, os angapes caíram no chão. Sem mais nem menos.

Sem entender nada, Dylan se abaixou, tocando com receio os cristais. Ao entrar em contato com sua pele ficaram inteiramente brancos, tirando as pontas, que se mantiveram transparentes, como a dos outros.

— Não entendi... – Dylan disse, olhando a sua volta.

— Sub-aliado. – Dominic anunciou de maneira simples.

— Parabéns, a todos os Daddrien, por chegarem ao final de suas cerimônias. – Selina parabenizou.

Izzie deu um passo à frente, aproximando-se de Dylan. — O que acontece agora? – Ela questionou, sem esperar por autorização.

— Vocês. – Reinald disse, apontando para Matthew e Isabel, mesmo sem efetivamente enxergá-los. – Têm uma escolha. Podem escolher voltar para casa com sua mãe e pai, ou seguir para os Lugares Salvos.

— Reinald, acredito que isso não seja apropriado. – A mesma mulher que se surpreendeu com Izzie, interviu. — O pai não possui a Sombra.

— Entendo, Sharon. – Ele respondeu calmamente. – Mas o pai assistiu a praticamente toda a cerimônia, e a mãe era uma aliada legítima, de grande talento. Ela foi, sem dúvida, uma aliada crucial. Com isso em mente, peço que reconsiderem. Gostaria de pedir, que proporcionem aos dois Impuros, mais do que uma escolha.

Mesmos com seus olhos cinzas, Reinald falava, com o olhar direcionado, exatamente para Dominic, aguardando seu veredito.

— Tudo bem. – Disse finalmente, tirando de Reinald, um pequeno sorriso de satisfação e agradecimento. — Eles podem opinar.

— O que acontece se eles escolherem voltar para casa? – Dylan perguntou, receoso.

— Eles vão voltar como se nada tivesse acontecido. – Um homem respondeu com uma voz atenciosa. Ele era ruivo, com o cabelo liso na altura do maxilar, e um queixo quadrado, que combinava com o corte. Sua postura não era tão rígida quanto a dos demais e dentre todos parecia ser o mais simpático. – A existência de vocês na vida deles será apagada, assim como na de seus pais.

— Então, se escolhermos voltar para casa, será como se nós nunca tivéssemos tido irmãos? – Izzie perguntou, aproximando-se.

— Exatamente.

— Não. – Matthew respondeu de prontidão. – Nós somos gêmeos, não tem como vocês simplesmente apagarem meu gêmeo e esperarem que eu me sinta normal comigo mesmo.

— Vocês não terão qualquer lembrança deles. – Reinald explicou melhor.

— Não. Eu não vou. – Matthew decidiu.

— Isabel? – Reinald chamou sua atenção. – Você deseja ir?

— O que acontece com meus irmãos? – Ela perguntou, ao invés de responder.

— Os Aliados e o Sub, irão para a Casa Marcada, ter o ensino apropriado para cumprir suas obrigações. Lutar e proteger. Enquanto o Impuro, seguirá viagem para os Lugares Salvos, onde começará uma nova vida.

— Então eu vou com meu irmão. – Izzie disse com convicção.

— Assim seja. – Dominic gritou. – Podemos encerrar esta cerimônia e prosseguir para as apresentações.

— Sigam-nos. – Katrina pediu, com um sorriso amigável.

Todos se viraram, indo em direção às grandes portas, enquanto os espectadores começaram a esvaziar a arquibancada. Foi quando um ar gélido invadiu o salão, acompanhado por uma leve neblina. No entanto, eles estavam em um local fechado, não tinha como aquilo ter entrado de maneira natural, mesmo que para eles nada nas últimas horas parecia acontecesse de forma natural.

O salão iluminado, perdeu seu tão característico brilho e divindade, como se uma nuvem negra pairasse sobre todos. O ar ficou, além de gélido, pesado e a tenção entre todos, era quase palpável.

De súbito, para uma grande cena, as portas foram apertas, deixando entrar a pior parte. Uma lufada de ar causou arrepios em muitos dos presentes. Mas para o Oráculo e para os Representantes aquilo significava problema.

— Moiras. – O Oráculo disse, olhando fixamente para as portas, antes mesmo que qualquer um a atravessasse.

Notas finais
Olha eu aqui de novo!! Não quantos estão lendo e gostando, mas espero que todos!! *risos* Obrigado por acompanharem, e não se esqueçam de comentar, significa muito para mim ♥