SOMBRAS - A Armadilha da Rainha
3 Capítulo 2 - Primeira aparição
— Mamãe falou comigo sobre os preparativos para a festa dos garotos. E as tarefas de cada um. Agora, chuta quem serão as sortudas que terão que manter Andrew na casa até a “surpresa”. – Aquela ideia era uma grande besteira. Andrew nunca ficaria até o final, como acontecia todos os anos. E sempre havia algum culpado por não o manter lá.
— Isso é besteira. E todos sabem, mas a mãe é teimosa. – Alex comentou. – Andie sabe que o Matt quer uma festa e que a mãe e o pai vão fazer.
As duas estavam no banheiro do primeiro andar da escola. Chegaram atrasadas para poder entrar no primeiro horário, então Izzie convenceu Alex a deixar que ela a arrumasse.
— Para de falar, ou então no mínimo não mexa o olho. – Ela estava apoiada na pia, quase sentada, enquanto Izzie fazia o contorno em seus olhos com um lápis preto.
— Izzie, sou boa em luta, matemática, até em biologia, mas maquiagem não tem necessidade. Só o lápis já está bom.
Normalmente, Isabel, até tentava discutir, mas sua irmã era linda e não forçava para realçar isso se não era o que ela gostava. Ela não forçava para que Izzie se vestisse menos estonteante, então estavam quites. Lógico que o quesito dela ajudaria muito mais. — Temos que achar paqueras para a festa dos garotos. Me nego a deixar a noite acabar inaproveitável.
— Você tem o Diego. Quem mais você quer? – Alex perguntou, puxando a mão dela para baixo, para que pudesse abrir os olhos. Ela sabia que trair não estava no histórico da gêmea.
Diego Spanzi era o namorado dela há alguns meses, mas as coisas vinham decaindo. Não tinham mais a química de antes. E já havia outro alguém no radar. Ele era bonito, com rosto fino, barba, e a mesma idade que Andrew e Matt. Tinha uma tatuagem no antebraço direito, a cabeça de um dragão com duas rosas. Olhos mel, como os de Dylan e um porte atlético bem definido. Um pouco mais baixo que seus irmãos. Para algumas ela estava perdendo. – Quero terminar. – Despejou
— Quando pretendia me contar?
— Agora? – Ela respondeu com um tom brincalhão.
— Isso é sério, Izzie. O cara acha que vocês ainda estão firmes e fortes. Você na dele. A escola inteira acha isso. Eu achava isso, e durmo no quarto ao lado.
Aquela definitivamente não era uma conversa para se ter no banheiro da escola. Todos conheciam o casal, era um namoro falado.
Isabel adoraria que Alexandra não tivesse pensado o mesmo que ela, assim não teria que falar. No entanto, Alex pulou da pia, indo até as cabines, abrindo-as. Para se certificar de que nenhuma estava ocupada, e realmente não estavam. Em seguida foi até a porta e olhou o corredor. Estavam todos nas salas ainda. Estavam sozinhas.
Alex cruzou os braços, esperando uma explicação — Já pode falar.
— Não é nenhuma bomba. Nós só não temos mais a mesma química. Aquela conexão dos primeiros meses. Não temos mais nada para falar. Literalmente. Ele só quer beijar e....
— Vocês fizeram? – A maior expressão de choque passou pelo rosto da sua irmã. Ela nunca a havia visto tão pasma ou chocada com algo. O assunto ficou maior do que precisava ser.
— Não. – Respondeu de prontidão. – Estamos juntos à o que? Seis meses? Mas é justo esse o problema. Eu não quero, ainda. Não é o momento, nem o cara certo. Ele com certeza não é.
— Quem te disse isso na sua primeira semana de namoro, mesmo? – Alex levantou a mão fazendo uma leve cara de deboche. O pior era que ela realmente tinha previsto assim. Às vezes, a lógica dela deixava Izzie com raiva.
— Ele só se preocupa em pressionar. Tenta tirar minha roupa e....
— Qual roupa? – O tom dela era irônico, mas somente ela poderia insinuar que sua irmã não prestava. – Quem aquele canalha pensa que é? Ele não deveria nem...
Izzie riu. Ela sentia a raiva da irmã, mesmo quando ela mesma não estava tão preocupada. A solução era fácil, um simples ‘acabamos’ resolveria por si só. – Você pode ir lá arrasar alguns corações que depois eu resolvo isso.
— Quando? – Questionou séria.
— Almoço.
Haviam muitos olhares voltados para Izzie, quando finalmente chegou a hora. Analisou sua roupa, rosto e cabelo. Não tinha nada de diferente. Seus irmãos também estranharam quando a viram passar.
— Finalmente resolveu dar as caras. – Diego disse alto, propositalmente, enquanto se levantava, chamando as atenções para eles, bem no centro do refeitório. Era a mesa de costume, onde se sentavam. Atrás dele, estavam suas amigas, Rebecca e Lucy, sentadas. Ela arriscou um olhar questionador para elas, mas Lucy desviou o olhar e Rebecca apenas a encarou de volta. Tentou dar um oi, mas foi interrompida pelo seu namorado esbravejando novamente. – Era agora que você pretendia fazer sua cena, Daddrien? – Sua voz se elevava cada vez mais.
Andrew já estava de pé, mais ao longe, prestando atenção no que acontecia, assim como muitos outros. Um movimento em falso e ele já estaria indo em direção a irmã.
Respirando fundo, ela ergueu a cabeça como de costume. Podia resolver aquilo, sem maiores complicações. – Não sei do que você está falando. Mas nós precisamos mesmo conversar, só que pode não ser aqui? – Tentou apagar a atenção, falando baixo e se aproximando dele. Tentou pegar sua mão, mas ele a rejeitou com um tapa. A ardência começou segundos depois, mas não olharia para a mão naquele momento.
— Agora você quer outro lugar? Só porque sua grande cena de acusações não funcionou, você não quer mais ser o centro das atenções? Bom, para sua informação nós dois acabamos. Mas tudo bem por você, certo? Já que eu sou “um canalha tarado que já te divertiu o suficiente”. – O que mais surpreendia Isabel, era que ele parecia acreditar que aquelas palavras sairiam de sua boca. Seu objetivo era fazê-la perder a pose, e não pararia até conseguir. Então a discussão iria muito mais adiante. Ele já estava gritando a milímetros de seu rosto. Focando seu olhar nos olhos dela. – Mas você quer saber, Isabel? Quem era a verdadeira canalha nesse relacionamento?
— Você já pode parar com isso, porque eu não tenho a mínima ideia do que você está falando. Desde que isso começou. – Gritou de volta. Empurrando-o.
Depois daquilo ele parecia bem próximo a explodir, e não excitou em agarrar o pulso de Izzie. Foi aí que como por mágica, Andrew apareceu.
Izzie não pôde evitar que a palavra ‘obrigado’ lhe viesse à mente.
— Eu acho que você deveria se acalmar, Diego. – Seu irmão praticamente sussurrava, comparado ao nível da voz de Diego a pouco.
Alex apareceu segundos depois, vindo até Isabel, passando os braços por sua cintura como se pudesse protege-la. Izzie queria se esconder, aquela cena toda era patética.
— Por que deveria me acalmar? Enh, Andrew? – Ele ironizou ao falar o nome do irmão mais velho. – Não sou eu a....
— Pense muito bem na próxima palavra que vai sair da sua boca. – Ele se aproximou subitamente de Diego, e não disfarçou sua irritação. A maneira mais eficiente de tira-lo do sério, era justamente se envolver com sua irmã. — Eu disse para se acalmar. Finja que é um terço do homem que você tenta ser. Minha irmã não fez nada. – A voz de Andrew ao responder era fria e calculista. Sem se exaltar em segundo algum.
Verônica se aproximou abrindo caminho em meio à multidão que se formou. Ela era uma garota invejosa, de cabelo liso progressiva loiro, pouco abaixo do ombro, da altura de Izzie, com carinha de boazinha, mas que tinha veneno escorrendo igual a uma víbora. E aparentemente apenas Izzie parecia enxergar o monstro que ela realmente era.
— Como você poderia saber, bonitão? –O fato de que ela dava em cima de seus irmãos, não ajudava em nada, para que Izzie gostasse dela. – Eu mesma ouvi, aquela ali, conversando com a irmã, sobre toda a farsa encenada que ela tentaria agora. E eu, como uma boa amiga, apenas avisei ao Digo.
E então fez-se a luz. Alex encarou a irmã e as duas entenderam. Ela provavelmente saiu antes da aula e ouviu o final da conversa entre Alex e ela no banheiro feminino, e com isso, o boato nasceu.
— Como uma boa falsa isso sim. – Izzie sibilou, enquanto Verônica apoiava a mão no peito de Diego. Ela olhou com ódio para Izzie, e Alex podia jurar que por um milésimo de segundo seus olhos ficaram negros por completo, como carvão. Mas aparentemente somente ela tinha notado.
— Na próxima vez que for falar de qualquer membro da minha família, loira, é melhor lavar a boca antes. – Andrew se aproximou tanto de Verônica para intimidá-la, que foi possível ver ela lamber os lábios, como se ele fosse a presa e ela a predadora. Alex soltou um ruído de desgosto. Ambas se sentiam enjoadas com a cena. Era como se o coração de Verônica estivesse tão acelerado com a excitação que era possível ouvi-lo do outro lado do refeitório. – Vamos. As duas. – Alex começou a puxar a irmã, mas Isabel hesitou, esperando que as amigas se levantassem, mas nenhuma das duas o fez.
Já estavam próximas da mesa onde Andrew estava sentado, quando Lucy correu em sua direção, com a bolsa pendurada em seu ombro. Ela chamou o nome de Isabel.
— Rebecca disse que quer ver nós duas depois do horário de aula. – Ela sussurrou em seu ouvido.
Lucy era uma garota agitada e louca em todos os sentidos. Adorava testar coisas novas e ir a lugares únicos. Da última vez que saíram, invadiram o shopping só para sentarem na praça de alimentação. Foi fantástico. A mãe das duas, já havia desistido de tentar colocá-las na linha. Lucy dizia que para se manter jovem, tinha sempre que se renovar e com isso em mente, sempre pintava o cabelo de uma cor diferente por mês. Naquele dia estava com o cabelo azul turquesa, cacheado nas pontas.
Alex sorriu para a irmã, ela sabia que Izzie se importava com o que os outros pensavam a seu respeito. E naquele momento, graças aquela cena, a escola acreditava que ela era uma armação.
Andrew sentou ao seu lado, passando um braço ao seu redor, puxando-a para perto. A sensação do irmão ao seu lado, realmente fez com que ela se sentisse melhor.
— Ela é uma idiota. – Andrew começou. – Assim como ele.
Ela não comeu nada durante o almoço, mesmo com a insistência de seus irmãos. Algumas pessoas a olhavam e comentavam. O que só piorou quando as aulas recomeçaram.
Dentro da sala, a cada risada que passava despercebida pelo professor, passava por ela também. Sua atenção estava total e inteiramente na frente da sala, mesmo que não prestasse atenção em nem mesmo uma palavra que estava escrita no quadro.
Nas outras salas. Andrew tentava se concentrar na explicação, mas o que houve com sua irmã era a única coisa que não parava de voltar a sua mente. E a mesma coisa acontecia com Alex. Durante a troca de salas, a história chegou até os ouvidos de Matthew e Dylan.
No final do último período, o alívio de Isabel aumentou, quando avistou Lucy parada na calçada da escola. No entanto ao se aproximar, notou a preocupação disfarçada em seus olhos. Ela se afastou, esperando na rua sem saída. Rebecca deveria estar ali também. Izzie atravessou a rua apressadamente, chegando ao final da esquina. Lucy não parava de andar, então ela apenas a seguiu.
Foi quando ela entendeu. Virando a esquina, Rebecca, Diego e Marie a esperavam parados. A última a se aproximar foi Rebecca, que tentava se manter indiferente, mas ela não era nem de longe tão boa com sua pose quanto Isabel.
Dentre eles, Marie era a mais velha. Estava no mesmo ano que Matt e Andrew, já tinha até mesmo tentado algo com os dois, e infelizmente conseguira com Matthew. Mas felizmente durou praticamente um nada.
Marie era alta e marcava presença, mas era muito mandona e possessiva de acordo com seu irmão. Sabia que ela fazia academia, até mesmo tentou se juntar ao time de luta greco-romana da escola, junto com Alex, mas o treinador a expulsou, pelo seu comportamento agressivo excessivo. Ela vinha exagerando nos exercícios. Parecia estar ganhando músculos, o que não combinou nada com o cabelo escuro com luzes.
— Lucy? – Chamou, sem desviar o olhar de Marie, que se mantinha calado bem à sua frente. – Você pode me dizer que droga está acontecendo aqui?
— Eu juro que não era para ser assim. – Sua amiga começou, com a voz abalada. – Eu não sabia que ela estaria aqui. – Disse, apontando para Marie.
Ela concordou com a cabeça, embora fosse difícil de acreditar. — Normalmente, não aprovaria ninguém que aprove você. – Marie começou. — Mas Lucy é insignificante...
— Todos, na sua doentia percepção, são insignificantes. – Izzie cortou-a.
Marie sorriu, afastando-se dela, enquanto sacudia o dedo em sinal de negação. – Sei que você é uma ameaça em potencial. Por que acha que deixei Diego manter esse relacionamento por tanto tempo?
A gota d’agua para Izzie foi precisar da aprovação de uma troglodita como ela. — Bom, então fico feliz em ser essa mesma ameaça, fora do seu radar.
— A questão é que você não será mais uma ameaça, linda. – Um garoto afirmou. Ele estava abraçado com Rebecca, seu rosto era desconhecido aos olhos de Isabel.
Todos ali estavam com uma concepção de si próprio. Já estava na hora de um meteoro atingir a cabeça deles.
— Sério, Ma? – A voz de seu irmão, fez com que todos se virassem. Matt atravessou a rua, seguido por Andrew, que olhava para os lados desconfiado, vestido com sua jaqueta de couro preta; Alex que analisava a todos e Dylan meio encolhido.
Por mais que ela não gostasse de admitir, Isabel se sentiu aliviada ao ver todos os seus irmãos se aproximando. Mas também sentiu preocupação, as coisas não poderiam acabar bem naquelas condições. Andrew era sem dúvida nenhuma, o mais sensato entre todos eles, mas quando perdia a linha, realmente a perdia.
— Precisa de ajuda, maninha? – Matt perguntou, puxando sua irmã pela cintura e beijando sua bochecha.
De onde estava, ela pôde ver Marie fechar o punho e na hora sorriu.
— Não. – Ela respondeu, fazendo seu irmão recuar com ela.
— Na verdade. – Marie interrompeu. – Eu só ia fazer um aviso. – Ela agarrou o pulso de Izzie, fazendo-a parar. Ela fuzilou Marie com o olhar. Estava cansada das pessoas agarrando-a. – Da próxima vez que resolver tentar degradar a imagem do meu irmão. Eu vou fazer pior do que ele no refeitório.
— Sabe de uma coisa, Marie? Eu realmente queria terminar com seu querido irmãozinho. Mas quando ele soube, do que eu “supostamente” faria para conseguir o termino, ele não veio falar com a namorada dele. Ele preferiu criar uma cena de humilhação fracassada. Então olhe para ele mesmo, quando procurar o culpado por degradar sua imagem.
— Izzie, vamos. – Dylan chamou, estendendo a mão para sua irmã. — Deixa o novo Godzilla de peruca para lá.
As coisas aconteceram rápido demais depois da sua piada. Marie agarrou a mão dele com um único movimento. Socando o rosto dele, com a outra mão.
Dylan caiu no chão, logo ao lado de Isabel. Não estava ferido, mas arranhou o rosto e as mãos, quando caiu, sem contar que o soco deixaria o local roxo mais tarde.
— Nunca mais dirija a palavra a mim, pirralho. – Marie rosnou.
— Você é uma covarde. – Alex esbravejou. – Adoraria ver você fazer isso com alguém do seu tamanho. – Era evidente o porquê da ameaça de sua irmã. Ela fizera ginástica durante cinco anos, karatê por dois e ainda um ano de luta greco-romana; e no atual momento fazia artes marciais novamente. Se alguém estava pronta para uma luta corpo a corpo, esse alguém era ela.
— Pode vir. – Neste momento, Diego deixou de ser um dois de paus. Quando Marie disse aquilo, ele agarrou sua irmã pela cintura.
Enquanto Matthew segurava Alex, que não se deixava intimidar. Andrew por sua vez se colocou entre as duas, para evitar que elas se atracassem.
Isabel reparou em Lucy, que ainda estava ali parada, próxima a parede da rua sem saída. Mais ao longe ela pôde ver Verônica observando. Rebecca e seu amigo, já estavam próximos a escola. Não eram tolos. Aquilo, na certa renderia no mínimo uma suspensão a todos os envolvidos. Era uma das regras da escola. Qualquer briga ou mal-entendido, ainda próximo das regiões da escola, envolvendo os alunos, era sim, responsabilidade do corpo docente.
Já estavam todos com as mãos no fogo, então no mínimo deveria valer a pena.
Com o aglomerado de pessoas, que aumentava cada vez mais por conta própria, para descobrir o motivo de toda a gritaria. Isabel se levantou, andou até Marie e pela primeira vez, ignorou por completo seu bom senso. Aproveitou que toda a atenção dela estava focada em Alex e Andrew, e socou, com toda sua força, o rosto de Marie. Mesmo com toda a agitação, foi possível ouvir o estalo do maxilar. A adrenalina corria por todo o corpo de Izzie e ainda assim sua mão doía como nunca doera antes. Foi naquele momento que ela pôde entender pela primeira vez o porquê as pessoas adorarem a violência. Ela lhe dá a sensação de poder.
Andrew estava pasmo, enquanto Izzie ficava ali encarando Diego e sua irmã.
— Melhor? – Dylan perguntou rindo, com a mão no nariz, onde havia sido socado. Izzie apenas sorriu de volta.
— Que droga, vocês, adolescentes desnaturados, acham que estão fazendo? – Senhor Vouler, o diretor da escola, apareceu gritando, enquanto agitava seu terno ao chegar até eles.
Para ele a cena significava problema. Mas para Izzie, aquilo significava uma vitória.
A plateia os entregava, e impedia que mentissem. Mas o que realmente os encrencou foi quando, sem prévio aviso, Matthew começou a rir. Em seguida, sem se aguentar, Izzie também começou, seguida por Dylan. Os únicos sérios e cientes do tamanho do que estava por vir eram Alexandra e Andrew.
Quando o diretor começou a gritar, o sorriso sumiu do rosto de todos. Entretanto, o que tirou o sorriso do rosto de Izzie não foi a represália, mas sim a estranha sombra de um humanoide, totalmente negra e sem feição, que parecia a encarar.
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