Notas iniciais
[Ana Beatriz] Oiii, tudo bem com vocês? Esse é um novo projeto que fui convidada a participar para escrever junto a minha amiga Danielle (minha mozona que me incentivou a participar desde o ano passado, obrigada ). É um novo desafio, já que temos que colocar a personalidade dos signos, e nos dedicamos muito a isso, mas se não encaixou com o tema e com a personalidade, sentimos muito, mas esperamos que gostem! [Danielle Godoy] Olá gente! Espero que estejam gostando dos contos, todos nós nos empenhamos bastante para fazê-los ^^ E um conselho, as músicas foram escolhidas especialmente para cada conto, que tal ouvi-las enquanto leem o conto? Boa leitura e até a próxima! —----------------- Conto: Sagitáries - Dois Caminhos do Zodíaco. Música Tema: I Wanna Be – Chris Brown. Classificação: +13 Sinopse “Duas desconhecidas se tornam melhores amigas em meio a uma de suas aventuras, e juntas começam a criar novas lembranças e aventuras, mas em meio à convivência outra aventura surge, todavia essa é carregada por preocupação e sentimento”. ♥

Alô, alô shippianos!

Eis aqui o mago Astrogildo GregÓrion falando diretamente da galáxia do amor :D

Que tal uma boa dose de desequilíbrio e impulsividade dessa vez? (hehehe isto vai ser explosivo!)

Bora conhecer então, um pouco das características das sobreviventes de hoje:

Áries: é cheia de determinação; não aceita ser contrariada tão facilmente, e chega a ser orgulhosa demais para admitir erros, ou ao menos pedir desculpas. Se irrita com facilidade, e é impulsiva. Mais conhecida pela postura de Mulher-Maravilha — determinada, durona, séria —, qual esconde sua personalidade emotiva.

Sagitário: pessoa cheia de energia, positiva e está sempre aberta a mudanças e renovações. Muito criativa, sendo que a usa também na vida mascarando a realidade. É uma grande companheira, que sempre estará presente e disponível; grande amiga, ótima ouvinte, conselheira e disposta a ajudar e proteger quem ama. E uma pessoa muito honesta.

Mas o que há em comum entre elas? A paixão pela aventura.

Beijos cósmicos*)

***___________________***

O sol das 10 horas deu vida ao dia com sua claridade, junto a um céu azul com poucas nuvens a lhe enfeitar, sem vento para refrescar. Mas, passando por aquela trilha, tudo visto antes parecia ser totalmente falso, uma ilusão: o sol sumiu em meio a várias nuvens, como se o dia fosse nublado, e o vento que antes não deu importância de aparecer, apareceu, e agora soprava forte, fazendo as roupas ondularem e cada fio de cabelo bagunçar, porém, apesar do vento, suavam, não pelo calor — que nem havia —, mas pelo esforço que fazia com cada músculo, só para prosseguir caminho, acompanhando os passos dos muitos outros da fila indiana, que caminhavam com puro cuidado naquela pequena trilha, onde a um passo em falso poderia atrapalhar a caminhada dos outros.

Depois de mais alguns esforços, pararam na encosta da montanha e todos aproveitaram a pequena pausa para se recompor, e a morena não fora diferente: começou a acalmar o ritmo da respiração; secou a testa suada e bebeu um pouco da água de sua garrafa.

— Fizemos um bom progresso — começou o guia, sorrindo, sem aparentar cansaço, já que estava acostumado com tudo aquilo —, agora só subir a montanha. — Encostou a mão na parede rochosa da tal montanha e olhou para cima.

Todos seguiram seu ato, olhando para o alto para tentar encontrar o fim desse, mas nada viram além de mais nuvens espessas.

— Que maravilha! — Disse a mulher de cabelos pretos, olhos castanhos e pele morena, sentindo o sarcasmo lhe derramar pela boca, porém, apesar de tudo, um sorriso lhe surgiu nos lábios: adorava desafios, a aventura, e só de imaginar-se escalando aquilo, sentiu a adrenalina nas suas veias.

— Animada? — Uma mulher, totalmente desconhecida, se aproximou, sorrindo simpaticamente. Possuía cabelos castanhos claros, presos em um rabo-de-cavalo torto, olhos castanhos e pele branca.

— Para escalada? Sempre.

A mulher soltou uma risada soprada.

— Prazer, Camila. — Estendeu-lhe a mão, ainda sorrindo.

— Jasmine. — Copiou o ato de Camila e com as mãos juntas, apertou delicadamente.

Camila observou-lhe, parecendo curiosa, todavia, nada disse, até porque o guia retomou a fala:

— Coloquem os equipamentos! — Gritou totalmente animado.

Todos ouviram-lhe e começaram a colocar os equipamentos com suas instruções, e todos devidamente protegidos e prontos, prenderam a corda. Ainda com instruções, aproximaram-se da parede da montanha e posicionaram-se: um pé no chão, firme para dar impulso, e o outro encaixado em uma das pedras salientes e as mãos enluvadas segurando uma pedra para apoio.

— Vamos que vamos! — Gritou após terminar de explicar tudo para o grupo, e, sem aviso prévio, começaram a escalar, com calma, sentindo seus músculos se contraírem e o lançaram para frente.

Camila que estava ao lado a encarava com um olhar questionador, e por algum motivo, Jasmine entendeu:

“Pronta?”, essa era a questão, e como resposta, ela assentiu com a cabeça, sorrindo, e assim deram início a escalada.

Essa estava proporcionando grandes sensações, onde a cada passo não conseguia conter um sorriso. Os pés se encaixando em cada rocha, e as mãos firmes, igual; algumas vezes havia vacilos, mas nada que impedissem de continuar, e apesar das duas conhecerem-se há pouco tempo, iam ao mesmo ritmo, como se estivessem ligadas: uma atração ritmada e vezes ou outra olhavam-se e trocavam sorrisos e risadas, como se aquilo fosse a coisa mais divertida do mundo.

Após alguns minutos Jasmine parou: as mãos segurando firme em rochas salientes, afastadas uma da outra; os pés seguros sobre uma mesma pedra, e o corpo, suado, grudado à parede. A respiração estava descompassada, junto a um peito que subia e descia freneticamente, ao ritmo do coração acelerado.

Camila, assim que a viu, parou também.

— Tudo bem? — Questionou, mas além da testa suada, não demonstrava um pingo de cansaço.

— Sim. — Jasmine tentou sorrir, mas aquele gesto parecia ser o mais difícil de fazer no momento. — Apenas fora de forma — soltou uma risada sôfrega, limpando a testa no ombro coberto pelo tecido de sua roupa.

— Entendo — a outra riu —, mas quando chegar lá em cima, você irá ver que vale o esforço.

Jasmine assentiu a cabeça, e após recuperar as forçar retornou a escalada.

Depois de alguns longos momentos, terminaram, e sentadas no chão, começaram a recuperar folego e força, enquanto outros do grupo chegavam, no mesmo estado. Camila foi a primeira a erguer-se, logo estendendo a mão para ajudar Jasmine, que assim feito, bateram em suas vestes e aproximara do pequeno grupo, que logo voltou a ser completo.

— Essa é a nossa recompensa — disse um dos guias, sorrindo orgulhoso olhando a paisagem à frente.

Apesar das nuvens tentando cobrir a maioria da visão, dava-se para ver tudo abaixo deles: a cidade, e o pico das várias outras montanhas, parecendo querer tentar alcançar o céu, toca-lo, esse que estava tendo a lhe pintar o amarelo da luz do sol, que estava totalmente visível, mesmo estando entre duas montanhas.

— Nossa! — Foi à única coisa que saiu da boca de Jasmine.

— Eu disse. — Pronunciou-se Camila e mesmo sabendo do que veria, parecia tão admirada quanto qualquer outro ali, com seus olhos castanhos brilhando de forma encantadora.

Jasmine pegou-se olhando a recente colega, porém voltou a observar a paisagem.

— Quanto tempo vem aqui? — Questionou, não conseguindo evitar olhar de relance a de cabelos castanhos, qual abriu um largo sorriso, orgulhosa.

— Eu nasci nessa cidade — contou com uma alegria inocente na voz. — Mas estava viajando para conhecer o mundo. Voltei há pouco tempo.

Por algum motivo, Jasmine, sem resistir, soltou uma risada.

— Gosta de viajar então?

— Instinto aventureiro — deu de ombros. — E você, o que faz aqui? — Fitou a colega, qual também desviou a atenção para encarar seus olhos.

— É como você disse: instinto aventureiro. — E sorriu quase maliciosa, mas tal ato fez a outra rir e abrir um sorriso largo como uma cúmplice.

Logo após a aventura decidiram ir comer e em meio aquilo conversaram sobre o que conheceram em suas viagens, suas aventuras, suas experiências, se conheceram ao todo, e desde então mantém contato.

C&J

Passava das cinco da tarde, mas mesmo assim estava ali, deitada no sofá bege da sua sala de estar decorada com mobílias antigas e outras de estilo oriental, lendo o grande livro de direito para o trabalho da faculdade que lhe esperava no computador. Era sempre assim: passava seu fim de semana lendo livros, fazendo trabalhos e tentando suportar a rotina que havia estabelecido.

Camila leu mais algumas páginas, até que, inesperadamente a campainha de seu apartamento tocou; não esperava visitas, mas torcia para algo acontecer. Marcou a página que parara a leitura, colocou o livro sobre a mesinha-de-centro e logo ergueu-se para ver quem estava à sua porta.

— Já vai! — Gritou prendendo seu cabelo castanho num coque mal feito e aproximou-se da porta branca, e olhando pelo olho mágico, encontrara uma mulher alta, morena de cabelos negros e olhos castanhos profundos, com uma bolsa de viajem ao lado e sem mais, abriu a porta, deparando-se com sua amiga de aventura, sorridente.

— Oi!

— Oi... — cumprimentou confusa. — Você não ia vir semana que vem?

— Correto: ia — deu-lhe uma piscadela. — Mas não tinha nada para fazer, aí decidi adiantar. — Explicou, soltando uma risada.

A amiga continuou a olha-la, duvidosa, mas não questionara.

— E então, posso entrar? — Pendeu a cabeça para o lado, qual fora acompanhada pelo cabelo que lhe deslizara pelos ombros.

— Claro! Estou feliz que veio. — Abriu espaço para a amiga entrar, fechando a porta em seguida.

Jasmine parou e observou o apartamento de um canto ao outro, procurando algo de diferente, mas nada havia: continuava a mesma decoração; mesmo lugar dos móveis e mesmo piso de madeira, a única coisa que mudara fora a pilha de papéis e livros que se deslocaram da estante para o chão, perto da mesa-de-centro e do sofá.

— Nem se preocupou em arrumar as coisas para mim, não é? — Fez cara de triste, olhando para a Camila.

— Ia arrumar dois dias antes de você chegar. Não reclama, ou vai dormir com os cachorros! — Riu e empurrou a amiga com facilidade. — Por que não me avisou? Tudo estaria mais bonito quando chegasse aqui! — Fazia um mês que ela não ia para lá, desde que decidiram manter uma cota de visita: cada mês uma se deslocava para a casa da outra. Aquele mês era ela a ir lhe visitar, e lá estava, mas com uma semana de antecedência.

A morena se virou e lhe encarou com um sorriso de orelha a orelha:

— Queria fazer uma surpresa! Tcharã: SURPRESA! — Abraçou a amiga com saudade. — Está me dizendo que não posso vir?

— Óbvio que pode, só tenta me avisar antes! E se eu estivesse com alguém?

— Você deixaria a pessoa de lado e correria para os braços da sua melhor amiga, é claro!

Depois de Jasmine jogar suas malas no quarto de hospedes, as duas pareciam até adolescentes conversando: riam aqui e ali, mas em algumas das perguntas que Camila fazia, Jasmine mudava de assunto subitamente, o que só dava a certeza de que essa estava diferente, estranha até, não pelo visual já que cortara seu longo cabelo; nem ao menos pela maquiagem que passara parecendo querer esconder algo, mas sim pelas atitudes — desconversar, ficar dispersa — e sem ficar enrolando, perguntou:

— O que realmente aconteceu?

Jasmine, que estava a rir, logo se calou, sem esperar tal questionamento, porém ao ver que a amiga estava séria, deu uma risada falsa.

— Por que a pergunta?

— Você tá estranha. Veio pra cá mais cedo. — Explicou. Jasmine abriu a boca para interromper, mas Camila, já sabendo seu argumento, acrescentou: — Foi impulsivo, seu tipo, eu sei, mas para isso acontecer tem que ter alguma coisa. O que aconteceu?

Jasmine olhou-a, quieta, queria muito desviar o olhar, mas se o fizesse, estaria se denunciando, e dava para perceber que a outra realmente queria saber. Mais alguns momentos de silêncio, até que, soltando um suspiro pesado, respondeu:

— Terminei meu namoro.

— Por quê?

— Por quê? Porque descobri que o idiota estava me traindo! — Explicou exaltada, enraivecida. A paciência que fingira ter, sumiu, junto ao seu bom humor. — Aí a gente discutiu, e ele falou que fez isso por causa de mim, que sou impaciente; grito muito; não demonstro sentimento; sou impulsiva, e que sou “aventureira” demais! — Contou, enquanto lágrimas começaram a lhe escorrer pelo rosto, sem aviso e descontroladamente.

Camila, vendo o estado da amiga puxou-lhe para um abraço, que rapidamente foi correspondido.

— Está chorando de raiva? — Afagou seus cabelos negros, com intenção de acalma-la.

— Não sei. — Admitiu, fungando. — Talvez.... Eu não pude matar ele. — E em meio à voz fanha, soltou uma risada, descontraída.

— Você terá outras oportunidades — disse. — Mas sabe... — começou sentindo Jasmine aninhando-se a seu ombro —... ele não mentiu sobre você.

Ao ouvir tal comentário, Jasmine abruptamente ergueu a cabeça e olhou-a incrédula.

— O quê? — A observava como se esperasse que tivesse ouvido errado. Camila encarou-a de volta.

— Tipo, você realmente se estressa facilmente; não gosta de brincadeiras feitas contigo, mas — colocou ênfase — gosta de fazer com os outros; grita muito; é impulsiva, sempre... — começou a explicar.

— Você não está me ajudando — interrompeu ainda de mesmo, o que fez sua amiga rir.

— Apesar de tudo — ignorou o olhar da morena. Estendeu-lhe a mão, mas essa não a segurou, então lhe puxou para um abraço, que Jasmine de início não retribuiu, mas depois cedeu —, você tem seus pontos fortes: é corajosa e determinada, por exemplo, no dia que nos conhecemos, que mesmo cansada, continuou. É confiante, algumas vezes, e é entusiasmada e otimista, por isso nos damos bem.

Assim dito, Camila sentiu um sopro em seu pescoço, que fora de uma risada que Jasmine tentara conter.

— Você é de Sagitário e eu de Áries, o que mais você quer? — Brincou afundando a cabeça entre o pescoço e o ombro da outra.

— Sabe que não acredito nisso.

— Eu sei — concordou erguendo a cabeça mais uma vez, agora sorrindo, sem graça, o que fez a outra sorrir junto.

— E outra... — retomou as palavras —... ele que perdeu uma incrível mulher. — Ao fim da frase, deu-lhe um beijo na testa, e ao encara-la, percebera que essa estava ruborizada e não conteve um sorriso de satisfação.

— Eu sei disso também, o que seria da sua pobre vida sem mim, não é? — O sarcasmo borbulhava em sua voz.

— Você é mesmo chata!

As duas continuaram nesse abraço por mais algum tempo e Jasmine, mesmo envergonhada, não conseguiu repreender a amiga, e nem ao menos tirar a atenção dos olhos castanhos dessa — olhos que sempre achara lindo, desde o primeiro dia que se conheceram —, e assim ficaram: a se encarar, sorrindo uma para outra, como se conversassem em meio ao olhar, sentindo certa energia percorrendo-as apenas pela troca desses. Energia, essa, que as atraia de forma intensa, tanto que foram ver tamanha atração quando estavam bastante próximas, sendo possível sentir as respirações se juntarem; o olhar intercalar entre olhos e lábios; o calor emanando de seus corpos; e passaram longos e agradáveis minutos assim, em completo silêncio, como se estivessem em um mundo criado apenas para elas, como se quisessem — apesar de tudo e do tempo que se conhecem —, guardar todos os detalhes do rosto: as linhas que marcavam a expressão; a cor dos olhos; o contorno dos lábios...

E não pensaram no que iriam fazer, a ação apenas aconteceu por instinto — e talvez pela carência de ambas —: os lábios se uniram em um beijo com intensidade que não poderia haver em outra situação. O calor dos corpos juntos, quase que entrelaçados, se fundindo de um jeito inocente, exercia uma tensão em seus ombros; as mãos que começaram no rosto, passavam a nuca e desciam, percorrendo seus corpos que procuravam mais contato, e cada vez mais a excitação e a ansiedade aumentavam, passando por cada centímetro de seus corpos. Com os lábios separados, Camila direcionou-se ao pescoço de Jasmine, distribuindo beijos, procurando uma maneira de se conectar do jeito certo. As duas estavam em uma sintonia jamais provada por qualquer uma; os beijos ainda mais fortes iam se espalhando pelo corpo uma da outra, e as mãos passeavam livremente com luxúria envolvida.

— Jas... — Camila a puxou para cima e a fitou: seu rosto tinha uma mistura de medo e ansiedade que nunca havia visto; uma forma tão intensa que parecia ter se escondido embaixo da pose de Mulher-Maravilha que ela sustentava com louvor.

— O que foi? Fiz algo errado? — Suas mãos tremiam e sua voz falhava.

— Ainda bem que veio... — e dito, lhe puxou para mais um beijo.

A noite prosseguiu, parecendo não ter fim, sendo envolvida em risadas, beijos e carinhos, em quais encontraram-se de uma maneira que poderia até ser divina; e então o sono veio à tona, e ali mesmo adormeceram.

Ao amanhecer, Jasmine acordara, e ao ver a amiga dormindo e lembrar-se do ocorrido da noite, decidiu sair, e estava a poucas quadras da casa da amiga. Seu rosto estava perdido, quase sem expressão nenhuma; suas roupas ainda tinham o cheiro da noite passada, o que a deixava ainda mais hesitante, afinal, havia acabado de sair de um relacionamento longo com um babaca e Camila era a sua melhor amiga, sempre havia contado com ela para tudo: trilhas, viagens, mesmo com as provas da faculdade ela sempre tinha feito o possível para faze-la feliz e ontem, tudo o que aconteceu, deveria ser apenas outro modo que a amiga achou para deixa-la alegre...

— Jas! Jas! — Os gritos vinham de encontro com a mulher que andava lentamente pela calçada, sentindo o sol entrando nela e a queimando; seu rosto mal se virou para a outra, que corria em sua direção. — Onde você está indo? — Questionou preocupada, depois de acordar e encontrar-se sozinha no sofá havia procurado Jasmine por todo canto do apartamento, e lá estava...

— Estou pensando, Mila, desculpe não avisar.

— Fiquei preocupada... É algo comigo, não é? — Os olhos das duas brilhavam numa mistura de confusão e medo, sabiam que precisariam conversar alguma hora, porém ainda estavam ali, no meio da calçada, suando, esperando. — Vamos para casa.

Elas se viraram e caminharam em silêncio até chegar na porta; a mão tremula de Camila procurava no bolso da calça sua chave, enquanto resmungava alguma coisa baixo demais para identificar.

— Droga! — Vociferou. — Esqueci a chave lá dentro.

— Vamos pedir para o porteiro. — Sugeriu, com sua voz suave tornando-se cada vez mais decidida.

— Pode ir lá, por favor, Jas? — Pediu, e antes mesmo de conseguir encarar a amiga, essa já havia dado as costas.

Com a chave do porteiro, Camila abriu a porta, dando passagem para Jasmine entrar, o que essa fez. O clima entre as duas se intensificou, nenhum olhar era trocado, apenas o som da respiração preenchia o ambiente quieto, o sangue fervendo e os pensamentos a um milhão, era impossível deixar de notar que elas estavam desconfortáveis. A sala ainda dava indícios dos acontecimentos da noite passada: almofadas no chão e alguns livros que antes estavam na mesinha de centro, agora estavam meios tortos debaixo dela.

Camila aproximou-se de Jas, e colocou-se a sua frente, agora, encarando-a com fervor; dava para perceber pelos seus olhos castanhos que havia tomado sua decisão, e Jasmine também. Sem nem conversarem chegaram a um senso comum, como era de costume com aquelas duas amigas.

— Vamos parar com isso, né? Não quero essa situação agora. Eu vou ficar aqui bastante tempo ainda. — A voz firme de Jas trazia certo incomodo na sala, tudo estava sob controle com aquela garota ariana, pelo menos é o que ela sempre gostava de pensar.

— Parar com o quê? A gente precisa conversar Jas!

— Conversar? Sobre você ter sido a primeira garota que eu peguei na vida? Sobre ter feito sexo com você, minha melhor amiga, por estar carente? Não, eu não quero falar sobre isso, obrigada. — Assim dito, esquivou-se de Camila, qual lhe seguia com o olhar, e foi em direção ao seu quarto, onde trancou-se.

Camila ficou em pé olhando para o pequeno corredor, como se esperasse a amiga sair do quarto, o que sabia que não iria fazer — não tão cedo —, e por fim, decidiu não insistir.

C&J

Os dias foram passando, e a comunicação entre as amigas diminuíra consequência da distância que esperavam não acontecer; consequência das duvidas que decidiram não resolver. As conversas não passavam mais de comentários, e a atmosfera aconchegante e agradável que antes tinham, tornara-se tensa, toda vez que sentavam-se para assistir televisão. Tinha como acabar com aquilo, mas mesmo que Camila tentasse falar sobre o assunto, Jas fazia o possível para desconversar, teimando que se conversasse sobre, aquilo iria piorar ainda mais a situação. E após tanto tentar, mas nunca conseguir, Camila decidiu usar o plano B:

— Vamos sair — anunciou entrando no quarto de Jas, sem ao menos bater, fazendo a morena sentada na cama, sobressaltar pelo susto. — Se arruma — disse com autoridade.

— E se eu não quiser ir? — Franziu a testa.

— Não dei escolhas: você vai, a menos que queira ir arrastada — e lhe sorriu de forma meiga.

Jasmine iria retrucar, mas deteve-se após pensar e ver que não seria uma má ideia: iriam distrair-se, talvez até voltassem a agir normalmente; e com tal conclusão, ergueu-se da cama. Camila vendo que havia ganhado a batalha deixou o quarto, pois assim como a amiga, iria se arrumar.

Estavam caminhando pela calçada da rua iluminada pelos postes: Jasmine apenas seguia Camila por não saber especificamente onde estavam indo, e essa muito menos fez questão de lhe responder ou explicar, apenas falara:

— Me segue; você irá ver — falara com um tom misterioso, sorrindo, dando a certeza que estava aprontando algo.

Mais alguns minutos andando, sem ao menos trocarem uma palavra, até que a portadora de cabelos castanhos parou repentinamente.

— Chegamos? — Indagou à morena, levemente irritada.

— Sim. — Assentiu com a cabeça, e abrindo os braços apresentou a amiga ao destino: um local grande e escuro, sem muito a chamar a atenção, apenas desconfiar. Camila parou em frente à porta dupla escura e a abriu.

— Onde estamos? — Jas indagou duvidosa.

— Welcome. — Retrucou fechando a porta assim que a amiga entrou. Jas virou-se, com a sobrancelha arqueada, deixando óbvio que não sabia o que isso significava. — É o nome da balada — e assim dito, pegou caminho pelo corredor estreito, em direção à outra porta agora decorada com papel crepom de várias cores, de onde vinham vários fachos de luzes e música alta.

Assim que passaram pela abertura de 1,00 por 2,10, as amigas foram recebidas por dois seguranças — um homem e uma mulher —, e enquanto eram revistadas, Jas olhou ao redor: amplo, muito colorido, cheio de gente, bebidas e gelo seco. A segurança deixou-as passar, e Camila de prontidão caminhou até a bancada do bar ali disposta, com Jas em seu encalço.

— Batida? — Perguntou sentando-se em um dos bancos.

— Pode ser — sentou-se ao lado da amiga que fez o pedido para o barman.

Passaram um tempo, apenas bebendo, sem trocar uma palavra, até que decidiram dançar. Na pista de dança já fora diferente: dançavam e riam como faziam antigamente e comentavam, e nada passava pelas cabeças delas, talvez pelo efeito das bebidas, ou não. Mas o momento não durara muito, porque assim que cansaram voltaram a se sentar, não tardando a pedir outra bebida.

A morena pegou o copo de batida que o barman havia entregado e tomou o primeiro gole da mistura perfeita, qual no começo tinha um gosto doce, nada exagerado, e assim que descia pela garganta o gosto de álcool aparecia: um amargo convidativo para mais.

— Então... — Jas começou, gritando por cima da música alta —... por que viemos aqui?

— Não é óbvio? — Soltou uma risada. — Para nos divertir e...

— Eu sei que não foi por isso — interrompeu. Apesar de sentir o álcool fazer efeito sobre seu corpo, mente e talvez sua fala, continuava a sentir um desconforto de que foram ali para outra coisa além de rir, divertir e beber. — O que você está planejando? — Olhou nos olhos da amiga, seriamente.

Essa abriu a boca para lhe retrucar, mas logo a fechou. O sorriso que antes estampava os lábios desfizera, e dando um gole em sua bebida, respondeu:

— Eu te trouxe aqui para conversarmos.

— Mas eu não quero! — Jasmine discordou decidida, e nem um pouco surpresa: era de se esperar, já que Camila não era tão chegada à balada.

— Esse é o problema: você não quer, mas eu quero. Eu decidi não insistir da última vez, mas estamos nos distanciando, e isso incomoda.

E não só a ela, à distância também incomodava Jasmine, mas era teimosa demais para admitir algo, sempre foi, e dessa vez não seria diferente.

— Continuo não querendo conversar — disse terminando sua bebida, e pedindo outra em seguida.

— Por quê? — Mila encarava-lhe intensamente, e Jas sempre vacilava nesse momento, mas não seria dessa vez.

— Porque isso nunca devia ter acontecido!

— Mas aconteceu.

— Sim — concordou baixo —, aconteceu, mas não deve acontecer mais. — Concluiu seria, quase não acreditando que conseguira falar aquilo. — É tão errado! — Exclamou, mais para si que para a amiga. — Você é minha melhor amiga, e eu terminei um namoro recentemente, e eu estava emocional... acho que isso foi uma das coisas que nos fez fazer isso. — Assim que terminara de falar, olhou Camila que estava com uma careta em seu rosto, que logo explodiu em risadas. — Por que tá rindo?

— De você — disse simplesmente. — Você acha que eu fiz isso só para você esquecer um babaca? Ou algo parecido? — Indagou risonha, e Jas não sabia o que responder, apenas manteve-se calada. — Se fosse por isso, acredite, eu faria melhor que aquilo... — sorriu-lhe travessa, com um olhar diferente, quase malicioso —... tanto que você nem lembraria nem do seu nome. — E com delicadeza colocou sua mão sobre a da amiga, apertando-a. — Mas eu fiz aquilo porque quis, não por carência ou pena. Ou sei lá o que você acha — aproximou-se, para encarar-lhe profundamente nos olhos, e assim, prosseguiu: — E outra: eu gostei — seu sorriso diminuiu mergulhado em desanimo —, mas acho que fui à única.

Camila, sem resposta rápida e uma expressão de denuncia da moça à frente, ajeitou-se no banco, e assim que começou a soltar sua mão foi impedida pela outra que entrelaçou seus dedos. Com a sobrancelha arqueada encarou a morena, qual abriu e fechou a boca algumas vezes, até que soltou:

— Eu também gostei... realmente gostei — declarou. Essa era a verdade: não conversara sobre o assunto não por ser estranho, errado, ou algo do tipo, mas sim por ter gostado, e aquilo havia lhe assustado. — Mas... pode atrapalhar nossa amizade — sua voz estava em um fio, e suas bochechas vermelhas. Mais uma vez havia deixado sua pose... Como Camila conseguia aquilo?

Sua amiga, com a outra mão ergueu sua cabeça pelo queixo.

— Não vai — lhe sorriu, tentando conforta-la. — A menos que você deixe.

Se Jasmine estivesse em seu estado normal iria brigar com ela, e falar algumas coisas, mas não o fez, ao invés disso acenou com a cabeça, para deixar claro que havia entendido, e sorriu. As amigas encararam-se por um tempo, até que se beijaram pela segunda vez: um beijo calmo para um que estava carregado de saudade e desejo. Tudo ao redor delas sumiu: as pessoas, a música, e até mesmo o local; o gosto da bebida misturava-se em suas bocas, e o beijo parecia o que mais as deixavam entorpecidas, não o tanto de álcool que tomaram até então.

Assim que separaram-se sorriram uma para outra, cúmplice.

— Vamos? — Perguntou Camila, lhe apertando a mão que ainda tinha os dedos entrelaçados.

Jasmine apenas concordou, e após pagar o que haviam consumido, ergueram-se e voltaram ao apartamento, onde assim que fechara a porta, sem demora, voltaram a se beijar.

— Sabe o que eu estava pensando? — Camila pronunciou-se ao desvencilhar do beijo, logo atacando o pescoço da morena.

— O quê? — Disse em um ofego.

— Um relacionamento aberto: continuamos com isso, mas sem compromisso... — Mordeu-lhe a ligação entre o pescoço e o ombro, fazendo-a ofegar —... e sem afetar nossa amizade — voltou pela trilha de beijos até a boca da outra, logo lhe selando os lábios. — O que acha? — Encarou a amiga, que tinha certa duvida na expressão.

— Pode ser — deu de ombros. — Uma nova experiência.

— Uma nova aventura — sussurrou em seu ouvido, antes de voltar a lhe beijar e em meio a caricias e beijos, tornaram-se uma mais uma vez.

Novamente aconteceu o que haviam esperado — mesmo que internamente.

C&J

O relacionamento que decidiram manter estava dando certo, enfim, e como queriam: não fora motivo para se separarem ou distanciarem, talvez apenas aproximar. E após algumas semanas agitadas, chegou a penúltima noite que passariam juntas, noite que entregaram-se ainda mais, a espera de nunca separarem-se, porque no outro dia Jasmine voltaria para a casa.

O céu clareou e mais uma vez Camila acordou com Jasmine ao lado, a cabeça sobre seu braço, enquanto abraçava-lhe de lado, e como todos os dias, apreciou a beleza da morena: o cabelo preto espalhado como leque pelo seu braço, deixando uma ampla visão de seu rosto de pele morena, qual expressava total serenidade, uma face que escondia sob sua postura de mulher durona, acompanhado por um miúdo sorriso em seus lábios rosados. Enquanto encarava-lhe, inconscientemente um sorriso lhe formou nos lábios.

Depositou um beijo na testa da amiga, e com calma para não acorda-la levantou-se e após fazer sua higiene, foi para a cozinha preparar o café-da-manhã, pois havia planejado um longo dia para elas, para ser “memorável”.

— Bom dia — uma voz sonolenta fez-se presente no ambiente silencioso, após algumas horas.

— Bom dia — Camila cumprimentou sorrindo, colocando a última panqueca no prato já levando-a para a bancada decorada com vários tipos de comida.

— Está inspirada hoje? — Questionou a morena, risonha, já sentando-se. — Ou fez para me agradar?

— Só para nos preparar para hoje — disse enquanto servia-se do suco.

— Interessante.

Então comeram, e após lavarem a louça e arrumarem-se, saíram da casa, preparadas para a aventura que as esperavam.

— Sério que isso é o que planejou? — Questionou a morena, cansada, enquanto continuava a trilha atrás da amiga.

— Para de reclamar, já estamos terminando.

— De caminhar, isso sim — disse em meio a um suspiro. — Esperava mais de você.

Camila soltou uma baixa risada, mas nada comentou, apenas prosseguiu, enquanto Jasmine continuava a reclamar. Após a caminhada, escalaram a montanha, onde assim no topo, cansada, Jasmine jogou-se no chão fechando os olhos.

— Está perdendo a prática — comentou Camila, risonha, já levantando-se após beber a água de sua garrafa.

— Cala a boca — repreendeu —, é culpa sua — e assim secando a testa suada, ergueu-se.

A paisagem continuava a mesma desde a última vez que foi ali: o sol entre as montanhas, o céu nublado por conta das nuvens.

— O que viemos fazer aqui? — Virou-se para a amiga, qual encontrava-se sentada em um pano quadriculado vermelho.

— Piquenique — respondeu tirando de dentro da bolsa um pote e garrafas geladas, talvez de suco.

— Desse jeito irei engordar — brincou sentando-se ao lado da amiga.

Serviram-se e mais uma vez comeram, enquanto conversavam e riam.

— É incrível como aqui continua bonito — comentou Jas olhando a paisagem, após tomar um gole do suco. — É tão nostálgico estar aqui, onde nos conhecemos...

— Na verdade foi lá em baixo. — Corrigiu.

— Você entendeu, não entendeu?

Camila riu com a expressão da amiga, mas nada comentou, apenas deu-lhe um beijo na bochecha, o que fez a outra sorrir fracamente. Após terminarem de comer, de guardarem tudo na bolsa e descansar um pouco, desceram a montanha; e depois de arrumarem-se no banheiro do local, saíram.

— E agora? — Questionou a morena, seguindo Camila que andava pela rua animada.

— Diversão — disse lhe pegando pela mão, puxando-lhe para apressar seus passos. — Parque de diversão — e sorriu como uma criança, o que fez a outra rir.

— Tudo bem, parque de diversão então — e prosseguiu a caminhada.

E lá se divertiram: foram na montanha russa, onde gritaram muito; carrinho de bate-bate, e muitos outros, até que foram embora, voltando para o apartamento, que assim que a porta se abriu, Jasmine entrou, já jogando-se no sofá da sala, sem importar-se com o suor em seu corpo.

Camila após fechar a porta aproximou-se, Jasmine ergueu o tronco, e assim que a amiga sentou-se colocou a cabeça em seu colo.

— É assim que irá acabar o dia? — Questionou aninhando-se na amiga enquanto essa lhe fazia cafuné.

— Não. — Negou. — Na verdade, só à noite — lhe sorriu travessa. — Mas por enquanto vamos descansar, porque depois temos que nos arrumar.

— Vamos aonde? — A olhou. — Em um restaurante, para me engordar mais? Ou para me pedir em namoro? — E riu de sua própria piada.

— Até que não é uma má ideia — após um tempo pensando, comentou, o que fez a morena lhe olhar surpresa e um tanto sem graça. — É só brincadeira — riu e depositou um beijo na testa da amiga. — Só vamos na balada mesmo.

— Você está muito baladeira.

— Você é uma má influência para mim — ao dizer tal recebeu um tapa no ombro, mas apenas riu.

E permaneceram deitadas, conversando e trocando carícias por um tempo, até que decidiram se arrumar.

Mais uma vez estavam na balada Welcome, a música agitada gritava pelas caixas de som; os feixes colorido de luz da pista de dança enchia o local de ânimo; estava cheia de gente onde uns estavam no balcão bebendo e trocando papo, outras na pista dançando, e outros já trocando beijos e carícias.

Como na primeira vez, direcionaram-se ao balcão onde sentaram-se e pediram suas bebidas, e enquanto bebiam foram conversando, mas após algumas doses, bebendo e rindo, Camila pegou a mão de Jasmine e a puxou para a pista de dança.

— Mila — Jas chamou após um tempo, gritando mais alto que a música —, tem uma menina olhando para você — e apontou para a mencionada: uma ruiva de no máximo 1m60cm.

Camila observou, mas no fim deu de ombros, desinteressada.

— Ela está vindo. — Anunciou Jasmine soltando uma risada nervosa.

— Oi — cumprimentou a desconhecida, sorrindo.

Por educação cumprimentaram-na, e por lá ela decidiu ficar dançando, enquanto trocava ideia com Camila que apenas recusava, e Jasmine que apenas observava tudo, sentindo certo nervosismo lhe invadir, e uma queimação em seu interior, mas nada fez, até que a ruiva comentou algo no ouvido da amiga que riu.

— Vou voltar para o bar — avisou sentindo a garganta secar. Por algum motivo não queria ficar ali vendo aquela cena.

— Você está bem? — Camila perguntou preocupada.

Jas concordou com a cabeça e saiu sem deixar a amiga falar algo; e antes que essa pudesse lhe seguir, a ruiva lhe segurou o braço, impedindo.

— Ela está bem — foi à última coisa que ouviu antes de se juntar a outra multidão em direção ao bar.

Sentou-se em um dos bancos vazios e chamou um dos barmen:

— Me vê uma batida, por favor — o homem concordou e logo saiu.

— Você e suas batidas — uma voz masculina conhecida soou ao seu lado.

"Por favor, Deus" pediu esperando que fosse algum engano, mas ao encarar o indivíduo ao lado e encontrar um moreno alto, seu sangue ferveu.

— O que está fazendo aqui? — Disse com a voz transbordando a raiva que guardara há tempos.

— Ei, ainda está brava comigo? — O tom inocente do rapaz fez um arrepio descer pela espinha. Depois de todo o tempo que passaram juntos, ele tinha sido o único pela qual havia se desmanchado em prantos.

— AINDA? SEU FILHO DE UMA... Você me traiu! — Todos olhavam para eles, a garota olhava o ex-namorado fixamente, qual brincava com um sorriso no rosto. — Não só fisicamente, mas por tudo o que nós passamos... — suspirou. — Quer saber? Eu não sou obrigada. Ou você sai daqui, ou eu saio.

— Que tal nós sairmos juntos? Eu realmente quero conversar com você. — Os dedos dele quase alcançavam sua mão, em um momento de hesitação, o silêncio que restava se esvaiu e junto com ele e a mera insinuação de toca-la a fez levantar e dar as costas para ele.

Jasmine correu até a saída, xingou mais do que poderia ao perceber que Christopher tinha ido até ela, reconheceu o anel que ainda estava em seu dedo e a camisa que ela o havia dado, e ainda era uma das suas favoritas, tinha que admitir que tinha um ótimo gosto, pois aquela camisa o deixava mais atraente e sexy do que ela se lembrava. O rapaz chegou bem perto dela e sussurrou em seu ouvido:

— Podemos conversar, por favor? — Um arrepio tímido cruzou sua nuca, apesar dela estar odiando a presença dele, sabia o quanto ele era extremamente gostoso.

— Me segue e fica quietinho durante o caminho. Está me ouvindo?

— Sim, senhora!

Os dois caminharam até o apartamento de Camila em silêncio, alguns olhares acusadores entraram no caminho um do outro, porém, nem mesmo o charme do rapaz conseguia apaziguar a raiva da ariana. Assim que chegaram no edifício o porteiro abriu automaticamente o portão para Jasmine com um sorriso no rosto:

— Boa noite seu Antônio. — A voz calma e controlada parecia ter vindo de outra pessoa.

— Boa noite senhorita.

Sem pensar muito Jasmine entrou e acenou para Christopher fechar o portão atrás dele, e seguir em frente. Mesmo que quietos os dois pareciam estar tendo uma conversa intensa, e ao chegar à porta eles já podiam sentir o gosto da boca um do outro num beijo salgado e selvagem; as mãos antes distantes passeavam livremente sobre o corpo do outro, a saia de Jas estava sozinha no chão, enquanto ela tirava a camisa de Christopher. Seu abdômen definido lhe chamava atenção, mas era sua boca a qual queria desesperadamente, e em meio de ódio e tesão, ela mal podia pensar, enquanto ele apenas aproveitava para sentir cada centímetro do teu corpo. Em pouco tempo os dois estavam na cama, sem ligar do barulho que estavam fazendo, mesmo sendo tarde da noite.

E, sem nenhum dos dois perceber, a porta do quarto abre. Camila, antes cansada, despertara ao ver tal cena. Realmente estava vendo os dois em sua cama como se ainda estivessem juntos?

— MAS QUE PORRA É ESSA JASMINE? — O tom amargo na voz dizia mais do que queria admitir. Os dois pararam rapidamente, olhando para a figura parada na porta.

— Ah! Que merda Cami! Você me assustou, mas será que pode voltar mais tarde? Estamos no meio da reconciliação aqui. — Christopher disse enquanto se escondia debaixo do cobertor.

— Reconciliação? — Sibilou, sentindo a palavra rasgar sua garganta.

O casal não ligou para sua pergunta.

— Melhor você voltar depois mesmo Mila.

— Depois merda nenhuma! Essa é minha casa! É melhor esse bostinha estar fora daqui em cinco minutos, ou eu chamo a segurança do prédio.

— Calma Cami, não é pra tanto — Christopher pronunciou-se ao perceber a seriedade da outra.

— Fica quietinho aí que estou falando com a Jas. — E encarou a mencionada. — Então, vai me explicar que merda é essa? — Jasmine lentamente levantou-se da cama, ocasionalmente lançando olhares para o homem ao seu lado.

— Qual o problema? Nós não combinamos de ter uma relação aberta? Que eu saiba, eu posso pegar qualquer pessoa que eu quisesse e... Olha só, o Christopher é uma pessoa!

— Mas esse bosta é diferente!

— Diferente? — Arqueou a sobrancelha, mas logo soltou uma risada. — Acho que você está exagerando. — Expôs, colocando sua última peça de roupa.

— Exagerando?! — Exaltou-se. Nunca tinha sentindo tanta raiva e decepção na vida, e não é muito seu estilo discutir, mas não se importava no momento: — Esse idiota... — apontou para o moreno já vestido, que apenas assistia a discussão, sem coragem de ir contra a ira de Camila —... te traiu e fez você chorar, e agora pego vocês ficando, na minha casa, como se nada tivesse acontecido. Isso para você é exagero?! — Jasmine nada comentou, apenas observou a amiga que fuzilava ambos com o olhar. — Agora só falta falar que irá voltar com ele.

— E seu eu voltar? — Cruzou os braços, encarando-a com a sobrancelha arqueada.

— Vai ser mais ridículo ainda. — Soltou uma risada nervosa.

— É, mas o problema é meu, Camila — disse seria. Não queria discutir, até porque sabia que a amiga só falava tais coisas porque estava preocupada, mas nunca fora de ficar quieta, muito menos quando o assunto lhe envolvia. — E quer saber? Nem sei pra que tanto drama, só ficamos. Se quer me encher o saco, acho melhor voltar para a ruivinha lá.

Camila por sua vez ficou calada, talvez pensando no que dizer, até que abriu a boca:

— Acho melhor os dois irem embora da minha casa — disse, sentindo-as mais amargas que o esperado.

— Quê? — Jas questionou surpresa, achando que havia ouvido errado.

— É isso o que você ouviu — Camila disse, dando as costas. — Estou pedindo para vocês saírem.

— Claro que não! — Contestou firme. — Só vou embora amanhã.

— A casa é minha, e estou mandando os dois irem, de bom grado. A menos que queira que eu chame os seguranças — e lhe olhou por cima do ombro. Seus olhos castanhos sempre brilhantes estavam, pela primeira vez, escuros, com vários sentimentos juntos, e a expressão séria, sem remorso ao dizer: — Pega suas coisas e saia, esse aí — apontou para Christopher — pode te ajudar. — Sua voz estava sem sentimento, como se estivesse falando com uma pessoa que não gostasse, já que não conseguia esconder sentimentos de desgosto tão bem, por ser tão honesta. E após dizer isso abriu caminho na porta do quarto, forma de manda-los sair silenciosamente.

Jasmine ainda estava surpresa, chegando a nem acreditar no que ouvira. Iria questionar, contestar como sempre, mas sabia que não faria a outra mudar de ideia, e contrariada, saiu do quarto, acompanhada de Christopher. Pegou suas malas espalhadas na sala para facilitar sua partida no outro dia, e direcionou-se para a porta da frente, abrindo-a. O primeiro a sair fora Christopher, e antes mesmo de passar pela porta olhou para a amiga, que olhava-os sem expressão. Ela não iria voltar atrás, nem tão cedo.

— Tchau Camila — despediu-se, sem mais e nem menos. Não iria pedir desculpas, mesmo que estivesse errada, e soubesse, nunca pediria, por simplesmente não querer ferir seu orgulho. Começou a fechar a porta, mas fora impedida:

— Jasmine — Camila chamou-lhe, sem desespero, fora mais como um sussurro. — Não que isso fosse de seu interesse, mas eu não fiquei com a ruivinha. A trouxa aqui — apontou para si mesma —, foi atrás de você, preocupada.

A morena lhe encarou, e antes mesmo de pensar em algo para falar, Mila não deixou:

— Tchau... Jasmine — despediu-se, dando as costas e entrando em seu quarto, e quando essa fechara a porta, Jasmine fizera o mesmo, já sabendo que não voltaria ali por um bom tempo.

O despertador soou e assim que Jasmine deparou-se com o teto branco do quarto de hotel, a ficha caiu: realmente tinha brigado com Mila, não fora um pesadelo e suspirando, ergueu-se, colocando-se a se arrumar.

Depois que saíra do edifício e de conversar com Christopher, além de recusar sua companhia, acabara com algo que possuíam, e fora dormir em um hotel qualquer, esperando que tudo aquilo não passasse de um mal entendido, mas não fora. E sabia que aquilo não se resolveria tão rápido.

Após tomar um café e pegar suas coisas, direcionou-se ao aeroporto, e antes mesmo de embarcar esperava — mesmo sendo ridículo de sua parte — a aparição de Camila, com os olhos brilhantes, mas de lágrimas, e um sorriso sem-graça, pedindo desculpas e se despedindo. Mas sabia que não teria esse gosto, até porque, quem estava errada era ela, não a amiga.

E sem aparição de alguém, embarcou, para voltar para sua casa.

C&J

Em meio aos dias que passaram — esses que percorreram de forma lenta e quase torturante —, as amigas não trocaram mensagens ou ao menos ligaram para pedir desculpas. Tiveram oportunidades, mas nunca as aproveitaram. Jasmine principalmente, pois assim que chegara em casa, tivera vontade de avisar Mila, mas deteve-se, porque não queria ser a primeira a fazer contato.

Entre orgulho, razão e saudades, decidira — como sempre — manter o orgulho intacto, e desde então isso permanece. E Mila, por sua vez, manteve-se concentrada em outras coisas, como seu trabalho de faculdade, para manter a mente distraída.

Mas depois de mais alguns dias a saudade aumentou, e o dia da viajem de Camila chegara, viajem essa para à casa de Jasmine passar o mês lá, como faziam. E mesmo sabendo que iria parecer desesperador — já que essa não iria, até porque não avisara em momento algum — arrumara toda a casa, e ficara a espera, ansiando sua chegada, todavia depois de algumas horas, essa não apareceu. Frustrada, e sentindo-se patética decidira ir comer algo, e ao descer as escadas para sair do edifício, encostada ao lado do elevador encontrara uma mulher de cabelo e olhos castanhos, cheia de malas.

Uma mulher familiar.

— Camila? — Questionou, aproximando-se com calma. Estava confusa, e até mesmo surpresa, mas um sorriso abobado lhe desenhou os lábios, um sorriso que não tivera tempo de controlar.

Essa, ao ser chamada, virou-se, mas ao invés de um sorriso nos lábios, deparara-se com um rosto encharcado de lágrimas, quais essa tentou secar rapidamente.

— Oi — cumprimentou forçando um sorriso.

— Oi — sorriu abertamente. Como sentira falta da amiga, mesmo não querendo confessar. — Não pensei que você viria...

— Também não. — Riu fraca, secando a última lágrima que lhe escorria pelo rosto. — Eu tinha comprado à passagem, mas eu não iria vir, ainda estou decepcionada, mas...

Camila não conseguira terminar, pois Jasmine puxou-se para um abraço apertado, quase necessitado. Realmente, o seu orgulho lhe fazia fazer coisas idiotas.

— Isso é sua forma de pedir desculpas? — Questionou um tanto estática.

— Cala a boca — repreendeu risonha, mas mesmo soando assim, Mila sentiu seu ombro sendo molhado: Jas também estava chorando, talvez de saudade, talvez de arrependimento.

Camila lhe abraçou de volta, com a mesma força que a outra empregava.

— Eu aceito suas desculpas — sussurrou em seu ouvido, erguendo sua cabeça e lhe dando um beijo na testa. — Afinal, nossa amizade vem em primeiro lugar, não é mesmo? — Secou as lágrimas da amiga, que lhe sorria feliz.

— Sim. — Concordou. — Nossa amizade em primeiro lugar.

Notas finais
Notas finais: Agradecemos essa oportunidade e espero ver vocês mais vezes. Beijos e até a próxima. OBS: na semana que vem vai ter outro conto, fiquem atentas!