Notas iniciais
"I'd catch a Grenade for ya..."

A reunião anual da SHIELD era um encontro entre todo o impressionante número de agentes e o diretor de operações, Nick Fury, e acontecia num grande salão de eventos com estilo arquitetônico dórico. Algumas vezes outro membro do Conselho aparecia, mas era raro. Natasha estava com um vestido preto e, por baixo dele, guardava um bom arsenal. Barton e Steve também levavam armas, os três estavam apreensivos quanto à reação de Fury e aquela era uma ocasião perfeita para que Sharon Carter revelasse o que sabia.

–Capitão Rogers, Agente Romanoff, Agente Barton- o diretor os cumprimentou e Natasha levou discretamente a mão próxima da coxa, onde estava sua arma, Steve colocou a mão sobre o coldre na cintura e Clinton tocou o próprio pescoço, próximo às flechas- Vocês três andam bem próximos, não? Talvez eu os mande juntos em uma próxima missão.

–Seria bom, nós trabalhamos bem em equipe- ela mentiu com um sorriso no rosto, procurando no rosto de Fury qualquer sinal de hostilidade mas sem obter resultados.

Steve sabia que era inútil tentar descobrir algo através do líder espião, então dirigiu seu olhar para Sharon que sorriu para ele, mordendo o lábio sensualmente depois. Quando a loira se virou ele pode ver um curativo bem escondido embaixo dos cabelos dela e se sentiu culpado.

–Steve?- Natasha lançou um olhar irritado e repreensivo para ele.

–Você não acha que talvez eu tenha sido violento demais com ela?

–Eu acho que deveria ter batido mais forte, assim ela não estaria nos ameaçando dessa maneira. Aliás, Cap, você não deveria dar tanta atenção a essa vadia.

–Por que está brava comigo?

–Achei que fôssemos um time.

–E somos!

–Então pare de se preocupar com aquela mulherzinha e pense um pouco mais em nós!

Depois de falar, ela percebeu a péssima escolha de palavras mas sabia que quanto mais tentasse se explicar, pior a situação ficaria.

–Com licença Capitão Rogers, gostaria de vir comigo por alguns instantes?

Natasha não podia acreditar que aquela mulher estava sendo tão audaciosa a ponto de vir falar com Steve diretamente depois da pancada que levara. Mas o pior era saber que ele estava se sentindo culpado por bater nela, o que a deixava com chances reais de conquistá-lo e que a descoberta do parentesco dela com Peggy e o fato de sua antiga paixão estar viva haviam mexido com os sentimentos do Capitão.

–Desculpe Agente Carter, mas eu, Nat e o Capitão Rogers estamos num triângulo “amistoso” aqui que não pode ser desfeito- Barton passou o braço em volta dos ombros de Natasha e deu dois tapinhas nas costas de Steve, acalmando a situação.

–É uma pena- a loira sorriu e se afastou, ficando próxima de Nick Fury e Hill.

Hawkeye lançou um olhar repreensivo para os dois e se dirigiu até um ponto em que pudesse observar todos os movimentos do diretor, sendo seguido por Steve e Natasha. De lá eles tinham uma visão privilegiada do salão e ficavam próximos ao corredor que levava aos banheiros e a uma outra sala separada por uma grande porta de mogno.

Quase uma hora de festa se passou sem que nada de estranho acontecesse e os três mal se falaram. Tudo estava normal até Natasha ir pegar alguma coisa para beber: Fury fez um sinal para Hill, que atirou uma granada na direção da Black Widow. A ruiva se preparou para correr, mas sabia que não daria tempo. Tudo estaria perdido se não fosse Steve jogado sobre a bomba, protegendo-a com o próprio corpo. Ela achou que a cena com Matt se repetiria, mas nada aconteceu. Nem uma explosão. Nada.

–Anos se passaram e você ainda cai no mesmo truque, Capitão Rogers. Eu li todos os registros de guerra sobre você e achei curiosa a sua reação então decidi testar...e não é que você fez de novo?

Steve se levantou e encarou Nick Fury, olhando em seguida para a granada que tinha a alça presa por uma fita. Estava com raiva por brincarem assim com seus sentimentos e colocarem a vida de Natasha em risco.

–Meus princípios não mudaram, diretor Fury.

–Tem certeza? Antes você cumpria as ordens dadas e agora espiona aqueles que te salvaram...acha isso justo, Steve Rogers?

Todos no salão olhavam incrédulos para Nick Fury.

–Vocês acharam mesmo que eu não perceberia quando a Agente Romanoff entrasse no banco de dados usando as próprias características genéticas? Ou então que um vírus na minha conta passaria despercebido? Eu esperava mais de vocês como espiões.

Steve pegou o escudo em suas costas e dirigiu brevemente um olhar para Barton e Natasha:

–Corram.

Ela não estava entendendo o motivo até vê-lo desenrolando a fita que prendia a alça da granada. Então os dois saíram correndo o mais rápido que conseguiam pelo corredor atrás de si.

–Sabe o que mudou daquela época, Nick Fury? Antes as pessoas que lutavam por um mesmo objetivo podiam confiar umas nas outras pelo resto de suas vidas.

O Capitão terminou de tirar a fita e arremessou a granada. Quando a explosão aconteceu, ele saltou e se encolheu atrás do escudo, sendo arremessado contra a parede pelo deslocamento de ar. Antes de bater ele colocou o escudo atrás de si para diminuir o impacto, conseguindo cair em pé e sem ferimentos. Natasha e Barton se levantaram do chão, era hora de agir rápido. O gavião usou uma de suas flechas para explodir a fechadura da porta que os separava da outra sala, mas Natasha puxou-os até o banheiro feminino.

–Ainda bem que as reuniões são feitas sempre no mesmo lugar. Steve, me levanta.

Ele não tinha entendido até ver a passagem no teto do banheiro, então deixou-a subir no escudo e levantou até que Natasha pudesse alcançar a grade. Ela usou a faca que tinha escondida em uma das coxas para abrir o cadeado e subiu até o terraço.Em seguida Steve deixou seu escudo com ela e deu um grande impulso, pulando até a abertura e oferecendo a mão para ajudar Clinton a subir. Eles fecharam a grade novamente e começaram a rastejar sobre o terraço, mas sabiam que precisavam agir antes que a SHIELD mandasse um helicóptero ou jato procurá-los. Natasha parecia contrariada, mas pegou o celular e escolheu um de seus contatos.

–Oi, precisamos da sua ajuda. Sem piadas, estamos com problemas sérios por aqui. Você tem algo que voe? Não, não uma dessas coisas eu quero algo em que pessoas normais possam voar. Sim, um mini jato serve. Se tiver armamento é melhor. Tá, quando chegar aí eu te explico.

–Pra quem ligou, Nat?

–Se eu te contar você não acredita. Agora vamos nos esconder até nossa carona chegar.

Os três entraram embaixo de uma caixa d’água e esperaram, até que um mini jato chegou depois de alguns minutos. Natasha foi pilotando e, quando perceberam para onde estavam indo, os dois homens riram.

–É irônico precisar da ajuda dele depois de tudo.

–Situações extremas exigem medidas desesperadas, Cap. Se preparem para uma noite cheia de emoções.

Notas finais
É isso, povo lindo *u*