SHIELD's -and Victoria's- secrets
11 Estranho
Notas iniciais
Steve acordara diversas vezes durante a noite (ou dia, ele já não tinha noção alguma de tempo e espaço), mas não conseguia se manter consciente por muito tempo. Todas as vezes que despertara, Natasha era a única coisa que lhe passava pela cabeça. Tudo bem, talvez não a única. Ele pensava em Bucky também, no amigo e no assassino de agora. O soldado sabia que não podia confiar nele e que deveria combatê-lo, mas o garoto franzino do Brooklyn ainda existia nele e este queria mais que tudo salvar o Winter Soldier...não, salvar Bucky. Depois de alguns pensamentos e lembranças aleatórios, a mente do Capitão se apagava novamente.
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Natasha acordou na enfermaria da SHIELD, zonza demais para se lembrar do que estava fazendo ali. Sonhara com Steve aquela noite, o tipo de sonho que não poderia ser dito em voz alta. A grande verdade é que se sentia atraída por ele, assim como qualquer um que se interessasse por homens (inclusive seu melhor amigo, ela sabia) mas nunca se arriscara a seduzi-lo. Não por achar que não tinha capacidade, não era isso...ela só não tinha a intenção de estragar aquele perfeito cavalheiro, de tirar a inocência infantil que deixava o soldado mortal irresistivelmente adorável. Não queria usá-lo. Ela passou a mão pelos cabelos ruivos, sentindo os cachos sendo desfeitos pelo suor. Bocejou discretamente, esfregou os olhos arrancando um cílio que a estava incomodando e percebeu, com um sobressalto, que o Capitão já não estava na maca a seu lado. Saiu do quarto.
–Clint! Sabe onde o Steve foi?
Hawkeye fez uma careta. Ele tentava organizar as coisas por ali, afinal Bruce não havia aparecido desde o incidente e Fury também não dera sinal de vida (o que era estranho, levando-se em conta que sua vida se resumia àquela agência e alguns encontros com Maria Hill).
–Passou por mim, perguntou onde estávamos armazenando os dados depois de todas as confusões com o Winter Soldier e saiu sem olhar na minha cara direito.
–Como assim perguntou onde estávamos armazenando os dados?
–Nós tivemos que mudar as coisas de lugar por causa da invasão, Nat. Vocês dois estavam lutando e, como ele é o líder dos Vingadores, não tem problema eu contar, né?
–É...isso, está certo. E pra onde ele foi?
–Pros quintos dos infernos, espero.
–Credo, tudo isso porque ele não deu bom dia? Dá um tempo, todos nós estamos estressados. Principalmente ele deve estar, já que o vilão era seu melhor amigo.
–Tá, tá, já entedi que você vai defender o “senhor bons modos”. Ele está na sala do Fury, você sabe a senha.
–Obrigada Clint, bom dia.
Num dia em que estava de mau humor Barton não era boa companhia, e ele com certeza não estava feliz com o namorado desaparecido, Fury fingindo de morto e a quantidade excepcional de trabalho a fazer. Natasha pegou o elevador e chegou rapidamente à sala do diretor, digitou a senha e esperou a porta se abrir. Sua expressão impassível quase se desfez ao encontrar Maria Hill abraçada ao Capitão.
–Atrapalhei?
Ao contrário do que a Viúva esperava, Hill não se sobressaltou. Apenas soltou-se de Steve e se dirigiu a ela com o mesmo tom profissional de sempre.
–Bom te ver, Agente Romanoff. Estava precisando falar com você.
Normalmente ela teria pensado se o resultado de alguma missão não fora o esperado, algum caso preocupante havia aparecido ou coisas assim, mas dessa vez a única cena que aparecia na mente de Natasha era o beijo dos dois na enfermaria da SHIELD. Será que ficaram incomodados? Não, era impossível. Ninguém dava importância para o caso de Clinton e Bruce e, quando ela mesma namorou Matt, ninguém reclamou. Era outra coisa.
–Algum problema, Maria?
–O Diretor Fury foi comprometido. Uma bomba explodiu o carro dele, houve um tiroteio...ele só se comunicou pra avisar que vai ficar inativo enquanto planeja um contra-ataque eficiente.
–E a SHIELD?
–Eu estou responsável pela parte burocrática e pelos agentes nível um, dois e três. Quanto aos agentes de elite, fica a cargo do Capitão América. Se querem um conselho, devem fazer tudo para localizar Bruce. Não o vi mais depois que começou a tratar Barton e não responde aos chamados. Além disso, precisamos achar nosso inimigo fantasma.
“Como assim ão o vê depois que começou a tratar Clint? E inimigo fantasma o caramba! Onde você estava quando um herói morto tentou acabar conosco?”
Natasha olhou para Steve em busca de qualquer sinal de incredulidade, mas ele estava tão frio quanto a Rússia no inverno. Aliás, ela reparou que ele não parecia querer consolar Hill quando ela o abraçou, provavelmente depois de falar sobre o estado de Fury. O que estava acontecendo?
–Agente Hill, gostaria de ter acesso aos dados da SHIELD por alguns instantes- a frase de Steve pegou as duas de surpresa.
–Não há necessidade, Capitão. Todas as informações necessárias serão enviadas para o seu tablet e também da Black Widow e do Hawkeye. Boa sorte.
–Acho que temos muito trabalho a fazer, Cap.
Steve virou as costas e saiu da sala, sem respondê-la ou se despedir de Hill. Alguma coisa muito grave havia acontecido naquela luta contra o Hulk e, se ela não conseguia descobrir como amiga, o faria como espiã. Mas antes de qualquer coisa, precisava falar com Barton sobre uma coisa ainda mais estranha do que a súbita frieza de Steve, então tomou a frente dele.
–Clinton Barton.
–Estou meio ocupado aqui, Nat. Pode me dar um minuto?
–Não. É importante e tem que ser agora.
Ele largou o telefone e fez um gesto para que ela se sentasse, parecia que havia tomado controle completo da sala de Bruce.
–Estava pedindo ajuda ao Stark, não vamos conseguir dar conta de tudo sem o Diretor.
–Então você já sabe?
–Maria me mandou uma mensagem logo pela manhã. Ou você achou que eu estava trabalhando daquele jeito porque gosto?
–Eu devia saber.
–Mas enfim, o que faz aqui que não está correndo atrás do nosso novo chefe?
–Steve não está normal.
–Não diga.
–É sério, Clint. Ele mal olhou na minha cara quando estávamos na sala do Fury.
–Vai ver ele está só te dando um gelo, sabe, se fazendo de difícil.
–Hill estava arrasada com toda a situação e ele a tratou quase com grosseria. Nunca vi Steve agindo assim. Mas não foi isso que chamou a minha atenção. Estava atordoada quando falei com você mais cedo e não notei.
–Notou o que, Nat?
–Por que diabos Steve te perguntaria sobre os dados se ele mal consegue mandar uma mensagem de texto?
O rosto dele se transformou em um quase engraçado, como nos desenhos animados em que uma lâmpada se acende sobre a cabeça do personagem quando tem uma ideia. Não que Natasha assistisse a desenhos em seus dias de folga.
–Ele não sabe mexer em computadores! Como fui burro a ponto de não perceber? Mas espera aí, também. O que estamos sugerindo? Se ele não entende nada de tecnologia, excluimos qualquer possibilidade de espionagem e roubo de dados.
–Fora que ele manda agora, não faz sentido querer prejudicar a SHIELD. Além disso...é o Steve.
–Tudo só deixa o pedido dele mais estranho. O que está acontecendo nessa agência?
–Tem mais. Hill disse que não via Bruce desde que ele começou seu tratamento e falou que temos um “inimigo fantasma”.
–Até aí, nada de anormal.
–Como nada de anormal?
–Ora, Bruce realmente se trancou na enfermaria e no laboratório enquanto me tratava. E quanto ao inimigo fantasma, talvez só estivesse se referindo ao modo como ele aparece e some sem que estejamos preparados.
–Pode até ser, Clint, mas ela não comentaria nada sobre o Hulk ou o ataque de Matt?
–Você fala isso tomando esses acontecimentos como verdade, mas nós mesmos chegamos à conclusão de que as coisas podem ter sido diferentes.
A ruiva esbravejou em russo, era tudo muito estranho.
–Quanto ao Capitão, que tal tentarmos falar com ele juntos?
Ela concordou e Barton mandou uma mensagem para Steve encontrá-los ali. Se ele estava pensando que poderia brincar com os sentimentos de sua melhor amiga, estava muito enganado. Se bem que até o ciumento Gavião acreditava e torcia por aquela relação.
“Droga, Rogers, por que você tinha que desistir logo agora?”
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–Me chamaram?
Os dois espiões o encararam de modo duro, porém ele não ficou nervoso como acontecia sempre que alguém o repreendia.
“Você é só uma criança que cresceu rápido demais, assim como eu, não é Steve?”
Natasha quase sorriu com aquele pensamento,no entanto era preciso manter a seriedade mesmo que Barton fosse falar tudo.
–Queremos conversar, Capitão.
Ele cruzou os braços em sinal de atenção.
–Estamos todos meio curiosos com algumas atitudes suas de hoje. O que está acontecendo?
–Nada, está tudo bem.
–Nós passamos por situações bem estranhas juntos nos últimos dias, pode confiar em nós dois.
–Obrigado, mas eu estou bem. É só isso?
A paciência de Natasha se esgotou, não estava com disposição para criancices naquele dia.
–Nós entendemos que as coisas têm sido difíceis pra você, mas isso não te dá o direito de tratar sua equipe com indiferença. Tudo isso é por causa do tal Bucky?
A expressão confusa no rosto dele pegou os outros desprevinidos, mas nada poderia surpreender mais do que o que o Capitão disse em seguida.
–Desculpe Natalia, mas quem é Bucky?
Ela empalideceu. A pergunta e o modo russo formal de dizer seu nome a fizeram entender imediatamente o que estava acontecendo.
–Ninguém. Pode ir agora, Cap.
Quando ele saiu e Natasha explicou a Barton o que havia percebido, os dois souberam imediatamente que precisariam entrar numa verdadeira guerra.
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Os olhos azuis dele se abriram com dificuldade, alguém cutucava seu ombro com mais insistência do que ele estava disposto a aguentar.Deu um soco pro lado, mas não acertou.
–Vai com calma, companheiro. Estamos na mesma.
–Desculpe. Sabe onde estamos?
–Não tenho nem ideia. Só sei que estamos sozinhos e, se me permite ser sincero, estamos bem fodidos e na merda também.
Era estranho ouvir aquelas palavras vindas dele, sempre tão calado e tímido.
– Nervoso?
–Lugares escuros e fechados não são os meus favoritos, sabe...mas não se preocupe, eu sei me controlar.
–Precisamos sair daqui e só tem um jeito de fazermos isso.
–Tem certeza?
–Como eu já disse uma vez...HULK, SMASH!
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