SHIELD's -and Victoria's- secrets
6 Encontro
Notas iniciais
Natasha deu uma olhada geral no ambiente e se permitiu fazer uma expressão de nojo. Não que nunca tivesse visitado um motel antes, mas aquele era particularmente excêntrico.
–Por que decoradores de motel têm que ter um mal gosto tão gritante?- Barton afastou o lençol antes de se sentar na cama.
–Creio que decoração não seja o maior dos nossos problemas, Clint.
–Isso não muda o fato de que lençóis acetinados grudam e de que camas redondas são desconfortáveis.
Ela bufou, nisso ele estava certo. Precisariam de um pouco de conforto para estar em plena forma e não demoraria até que Fury os encontrasse. Olhou para Steve pela primeira vez desde que haviam entrado, ele parecia bem encabulado apesar de não ter dito nada nos últimos minutos.
–Falta de requinte à parte, quais são os planos? Precisamos agir rápido, além da SHIELD tem o tal Winter Soldier que pode atacar a qualquer momento.
–Tinha até me esquecido disso...vou procurar Jane Foster para ver se consigo avisar Thor sobre o que está acontecendo. Se bem que, pelas notícias do último mês, ele deve estar ocupado.
–Ok, Nat. Eu vou falar com o Bruce- Barton abaixou o olhar, envergonhado.
–Preciso falar com a Peggy.
Os dois encararam Steve, repreensivos.
–Olha Cap, entendemos que deve ser difícil pra você mas...estamos numa situação de alto risco. Qualquer movimento pode colocar até mesmo Peggy Carter em perigo. Se pudesse eu também evitaria sair, mas Bruce é parte dos Vingadores e não tem chances reais de se ferir. De destruir a cidade, talvez, mas duvido que o peguem.
–Eu sei, a questão não é essa. Peggy foi a primeira a me procurar e, pelas conversas que tive com Fury, ela participou ativamente de todas as tentativas de me resgatar. Deve saber algo sobre Bucky também. E sobre segurança...eu vou estar lá, não é? Eles não têm motivos para ataca-la.
–Fury é capaz de fazer qualquer coisa para te chantagear, não duvide disso.
–Clint, concordo com você mas uma paciente de uma casa de repouso não pode sumir sem deixar rastros. Depois dos ataques de ontem à Stark Tower, Fury não vai querer um ataque a civis. Sem falar que Tony está do nosso lado e vai fazer questão de denunciar ao mundo todo em segundos se a SHIELD der um passo em falso.
Natasha deu um suspiro contrariado, não gostava da ideia de ter Steve exposto daquela maneira. Porém, o raciocínio lógico fora mais forte que ela.
–Tudo bem, faça como quiser então. Só tenha cuidado. A propósito, acho que vou dormir aqui essa noite- ele apontou para uma espécie de maca de couro preto, com uma algema em cada ponta- parece mais confortável do que a cama redonda.
Natasha iria protestar, mas Barton entrou no banheiro segurando uma toalha. Depois de alguns minutos de silêncio constrangedor ela decidiu atender aos apelos de seu estômago e pedir uma pizza.
–Então Steve...acho que estamos juntos nessa. Acho bom dar um jeito na sua insônia por hoje, vai precisar estar descansado amanhã.
–É...eu sei. Obrigado por ter convencido Clinton.
–Ele não está convencido, só conformado. Tente não se abalar muito.
Steve concordou com a cabeça e não disse mais nada. Quando Barton saiu do banheiro os três jantaram em silêncio, cada um perdido nos próprios pensamentos. O Hawkeye planejava um modo de contar tudo a Bruce sem que ele se irritasse, Steve imaginava como Peggy estaria e Natasha o observava enquanto apreciava o sabor da pizza.
Foram dormir por volta de meia noite e, apesar da preocupação de não tocar em Natasha, Steve conseguiu dormir. Sonhou com Natasha vestida com o uniforme de Peggy.
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A sala de espera na casa de repouso era bem confortável, mas nada aliviava o aperto no coração do capitão Rogers. Quando a moça o chamou, sentiu que iria enfartar antes de encontrar Peggy, mas resistiu. Era trabalho também, afinal.
–Não fique parado aí, não esperei tanto tempo pra te ver só pela televisão.
A voz dela continuava a mesma, só um pouco mais lenta. Como estava de costas ele só conseguia ver que mantinha os cabelos negros e o penteado de tantos anos.
–Ande logo Steve, vi você lutando e continua bem ágil. Já eu não consigo mais andar...
Uma dor aguda apareceu em seu peito, mas Steve não podia ignorar um pedido de Peggy. Foi até perto da cadeira de rodas e sentou-se na poltrona de frente para ela. Demorou alguns segundos até finalmente encará-la, podia reconhecer alguns traços em seu rosto e isso o deixou aliviado.
–Está um pouco atrasado para o nosso encontro, Rogers. Acho que não vou poder dançar com você.
–Peggy eu...
–Está tudo bem, não chore por favor. Eu vivi muito bem todos esses anos. Construí minha família, cresci na minha carreira...talvez esse fosse o destino, talvez você precisasse estar bem para guiar os jovens por um caminho além da futilidade e da ganância. Não sei o que seria do mundo se você não os tivesse coordenado.
–O mérito é da equipe, não meu.
–Certamente, mas uma equipe que não possui um líder confiável se destrói. Sabe muito bem disso, foi ensinado a você no exército. Eu não era a pessoa certa pra você, Steve. Numa próxima vida, quem sabe.
–Achei que fosse católica.
–Na prática, vivi muitos anos a mais do que você. Sua fé mudará com o tempo, é natural. Só não a perca.
Ele sorriu.
–Gostaria de conversar com você sobre outras coisas Peggy, mas estou aqui a trabalho. Precisa me dizer se sabe qualquer coisa sobre Bucky.
–O soldado, seu amigo? Caiu no mar também.
–Eu sei mas...fiquei sabendo que ele se tornou um vilão que usa o codinome de Winter Soldier.
–Não é possível!
–Eu sei, é loucura mas...
–Não é isso, Steve. Tenho certeza de que acabei de ouvir sobre ele na televisão, estava atacando um laboratório aqui em Washington ou coisa parecida. Se não me engano era o laboratório daquela moça e do cientista que salvaram o mundo há algum tempo.
A mente de Steve deu um estalo. Jane Foster. Natasha.
Praticamente arrancou o controle de uma das enfermeiras e procurou qualquer canal com notícias. Lá estava o vilão mascarado, lutando com Natasha. Ela resistiu por algum tempo, mas acabou se ferindo.
“Capitão América, espero por você ansiosamente em Anacostia. Temos muito o que conversar, eu, você, Karpov e sua amiga russa.”
Os músculos de seu corpo se contraíram imediatamente. Precisava ajudar Natasha, mas não queria deixar Peggy. Não tão cedo.
–O que está esperando? Francamente, Rogers, você já foi mais ágil.
Ele a encarou por alguns segundos, o típico sorriso maroto estava em seus lábios novamente.
–Você está preocupado com ela, não está?- ele concordou- Já está mais do que na hora de substituir a foto desse velho relógio.
Steve pegou o relógio da mão dela e o abriu, a última coisa que vira quando caiu no mar ainda estava lá.
–Não posso te substituir, Peggy.
–Essa não sou eu, é apenas uma foto antiga. Sei que foi importante pra você, Steve, assim como foi pra mim também. Mas eu segui minha vida e precisa fazer o mesmo. Se ela está em perigo, você está preocupado e gosta dela, precisa ir. E eu preciso deixá-lo ir.
–Eu nunca disse que...
–Francamente Steve Rogers, sou mais esperta que isso. Só não espere mais setenta anos para tomar uma atitude, pode ser tarde demais. Agora me dê licença que estou velha demais para conversas longas.
Ele observou a cadeira de rodas se afastar, guardou o relógio no bolso e enxugou uma lágrima que teimava em cair. Então, saiu de lá à toda velocidade em sua moto. Natasha era a única coisa que importava agora.
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