SAVE-ME GIRL
17 Capítulo 17-Depois do fogo parte 2
Jeon Jungkook
Encaro Amanda que parecia tão desesperada quanto eu naquele momento. Encaramos as duas crianças-Dois meninos- que estavam em pânico, juntos em cima da mesma cama. Não poderiam ter mais de seis anos, eram muito pequenos para isso. Vejo Amanda se aproximar das crianças, se sentando perto da cama.
—Hey…-Ela os chamou baixinho e eu me virei, encarando o teto do local, vendo o fogo subindo como serpentes pelas paredes.
Encaro novamente Amanda que segurava um dos meninos no colo, o balançando lentamente.
Ando na direção do outro menino e estendo as mãos, tentando não me tremer ou ficar mais nervoso do que já estava. Seguro o menino nos braços e respiro com dificuldade pois era provável que o fogo já havia consumido o pouco de oxigênio que existia ali.
—V-vamos.- Escuto Amanda falar e a vejo andar na minha frente, fazendo carinho nos cabelos do menino que carregava.
A sigo e entramos novamente no acesso de escadarias, começando a descer novamente.
—Eu não...consigo respirar direito…- Escuto Amanda falar e concordo com a cabeça, segurando no corrimão.
—Eu também não.- Respondo e a puxo devagar pelo braço, a pondo a minha frente.- Segura o corrimão da escada.- mando e a vejo voltar a descer.
Encaro o fogo que se aproximava, quanto mais descíamos ficava ainda mais quente. Estamos no quarto andar agora, vendo o fogo que corria por todos os lados, crescendo ainda mais. Encaro Amanda que estava olhando aquilo preocupada e depois me encarou.
—Vai arregar?-perguntou arqueando a sobrancelha e eu encarei o fogo, passando a língua pelo lábio inferior.
—Nem que me paguem.- Falo e começo a andar em direção ao fogo, sentindo o calor absurdo passar pelo meu corpo.
Park Jimin.
—VOCÊ FICOU MALUCA?-Escutou Taehyung gritar com a namorada, que estava sentada em cima do capô da viatura.
—NÃO GRITA COMIGO, TAEHYUNG!-ela rebateu , me fazendo respirar fundo.
—Eu não sei o que é pior, esses dois brigando feito duas lavadeiras ou o fato de que o JUNGKOOK E A AMANDA ESTÃO QUERENDO COMETER SUICÍDIO DUPLO!-Hoseok gritou e eu me assustei ao ouvir algo parecido a uma explosão.
Me viro encarando a entrada do hospital que estava totalmente tomada por fogo, ficando pasmo ao ver Amanda e Jungkook saírem do fogo, andando lentamente para fora e cada um segurando uma criança.
As pessoas que estavam ali presentes gritavam em comemoração e alegria, vendo os dois se aproximarem da ambulância, pondo as crianças na maca.
Alguns jornalistas corriam na direção de Jungkook e Amanda, que se afastaram.
—Não é bom deixar eles os entrevistarem, não podemos explicar quem é a Amanda.- Namjoom falou e eu concordei, indo junto dele e Hoseok, barrando as pessoas.
Escuto um ronco alto de uma moto e encaro a via, vendo um ponto preto em alta velocidade, se afastando dali rapidamente.
—Ótimo.- falo baixo e respiro cansado, ouvindo a gritaria do Casal.
—DEU OS DOIS.- Yoongi berrou com eles, os fazendo parar.- Entra dentro dessa porra e cala a boca.- Mandou abrindo a viatura, fazendo os dois entrarem e bateu a porta com tudo.- Desgraça dessas.
Agradeço mentalmente e vejo Mitsuri e Marcelo se aproximarem, conversando com Namjoom.
—Coisa maluca…
Jeon Jungkook
Termino de abrir a garrafa de refrigerante,pegando as duas e me aproximando de Amanda que estava sentada no chão, encarando a vista do mirante. Estendo a garrafa para ela, a vendo estranhar.
—O que é isso?-Pegou da minha mão, enquanto eu me sentava no chão, encarando as montanhas.
—Coca-cola- Falo a olhando e bebo um pouco do líquido gelado, relaxando o corpo inteiro.
A olho de canto de olho, vendo ela olhar desconfiada para o líquido e depois beber um pouco, encarando a garrafa com uma expressão surpresa no rosto. Me encarou e eu acenei com a cabeça, voltando a olhar para o céu que estava nublado.
—Isso é bom.- Falou e eu concordei, rindo fraco.- Do que está rindo?
—As vezes é engraçado o fato de você não conhecer coisas simples assim, nem parece que é civilizada.- Falo e rio ainda mais, sendo acompanhado por ela.
Era a primeira vez que eu a via rir. Isso é um pequeno passo para o homem, mas um grande passo para humanidade.
—É que…-Fez uma pausa e encarou a garrafa de vidro.- Na base onde eu estava, não temos certas coisas e...Mitsuri cuida muito da minha saúde e da saúde do Marcelo, então meio que não podemos provar.- Falou e eu a olhei incrédulo.
—Por isso que você é assim.- Falo e ela começou a rir- Do que você está rindo?
—Seus cabelos estão todos bagunçados e o seu rosto tá cheio de cinzas.
—Você também, nem por isso eu tô rindo da tua cara.-Falei e senti ela socar meu braço.- Olha a agressividade.
Falei e respirei fundo, encarando novamente para frente.
—O que você mais gostaria de provar?-pergunto curioso.
—Deixe-me ver….Huh! Tem tipo um bolinho cilíndrico que está enfiado em um palito, eu sempre quis provar um.- Falou e eu dei risada, a encarando novamente.
—Tudo bem, se você for legal comigo e eu não morrer até o final de semana, eu te mostro um lugar onde vende.- Falo e vejo ela sorrir animada.
Ficamos em silêncio por um tempo, somente encarando aquela vista que estava linda.
Após de uma experiência de quase morte -duas vezes seguidas- o meu cérebro não conseguia voltar a funcionar normal. Era somente sentar e esperar tudo se restabelecer.
—Posso fazer uma pergunta?-Ela perguntou e eu a encarei concordando com a cabeça.- Por que?
Franzi o cenho e tombo a cabeça para o lado, sem entender nada.
—Por que entrou naquele hospital em chamas?-Perguntou e eu suspirei, voltando a fitar a paisagem.
—hum….porque eu quis?
—Isso não é resposta, ninguém deseja entrar em um local pegando fogo e se jogar do prédio, isso não faz sentido.- Falou e eu me ajeitei, coçando levemente a têmpora.
—Uh...Quando você estuda por anos e tem que largar muitas coisas para seguir seus sonhos, entrar em um hospital em chamas é o menor dos seus problemas.- Falo e a encaro.- Vamos fazer assim, já que estamos em uma temporária trégua de paz, cada um faz uma pergunta para o outro, tudo bem?-Pergunto e ela concordou fraco.- Quantos anos você tem?
—Dezoito- respondeu e cruzou os braços.- Por que você fugiu?
—Porque eu não presto para apresentações e porque a sua cabeça está a prêmio de loteria, lembra?-Falei e vi sua expressão mudar.
—Ah não….-se lamentou e passou a mão no rosto, desesperada.- Eles vão me matar.
—Vão não, você é importante para a investigação.- Falo e ela me encarou fazendo careta.- Acredite, entre você e eu, é bem provável que eu morra primeiro, principalmente quando se trata da Mitsuri.- Falei e respirei cansado.- Tudo bem, por que quis manter a paz comigo?
—Bom, depois de ouvir muito vindo da Mitsuri no dia do hospital, eu fui atrás da Lyunn e...ela me ajudou a entender que do jeito que estava nada iria para frente.- Falou e eu dei risada, concordando com a cabeça.- Eu estava planejando ter uma conversa normal, não ter uma conversa onde você estava dentro de um hospital que estava pegando fogo e eu tendo que te guiar pelo tal prédio.- Falou e deu risada.- Minha vez...Você foi corajoso mas...Bom, desde que eu escuto falar de você, a sua fama é de que você não sai da sua sala então...qual é a verdade?-Perguntou e bebeu mais um pouco do refrigerante.
—Olha, eu não costumo sair o tempo todo mas eu ainda saio. Quando começou a investigação, Namjoom pediu para que eu tentasse descobrir os passos dela…
—Tipo sistema diamante?-Perguntou e eu concordei.
—Só que eu não tinha nenhuma informação, só tinham morrido três pessoas e foram três meses tentando descobrir algo que eu não conseguia porque não tinha informação.- Falo a encarando.
—Então...a fama de não fazer nada…
—Não é totalmente verdadeira.- Falo e me balanço lentamente.- Sabe, eu me culpo as vezes por ter deixado isso chegar onde chegou, mas quando você tem 27 anos e trabalha em um cargo desse, as pessoas não tem muita credibilidade.
—Eu entendo um pouco disso.- Falou e prosseguiu — eu sou a mais nova da base e da equipe, então ouvir as pessoas me corrigindo e achando que eu não posso fazer certas coisas ou não ter razão porque eu sou muito nova. Você já fez isso comigo, lembra?-Perguntou e eu concordei.
—Peço desculpas, senhorita Leal.- Falo e bebo mais do refrigerante.- Eu ganhei uma fama que por mais que eu não seja assim, eu mereci ter e quando isso acabar, eu vou dar um jeito de recomeçar a minha vida em outro lugar.
Ela ficou quieta por um tempo e cruzou os braços.
—Você tem família, Jungkook?-Perguntou e eu encarei o chão no mesmo momento, ficando quieto por um tempo.
—Eu...tinha, uma grande e bonita família.- Respondi a olhando e ela pressionou os lábios, como se quisesse falar algo.
—C-como...era?-Perguntou e eu pisquei algumas vezes, a observando.
—Era...era bom, pelo menos até o momento em que eu decidi viver o que eu queria.- Respondi e olhei por um tempo para a paisagem.- Mas...por que a pergunta?
—E que...eu não conheço a minha família biológica e...só queria saber como é a sensação.- Falou e começou a brincar com os dedos.- A minha família é a equipe.
—Por isso é tão obediente?-Pergunto e ela sorriu fraco, concordando com a cabeça.
—Só que...depois de hoje, acho que algumas coisas vão mudar.- Falou e passou a língua nos lábios.
—Qual foi a sensação de desobedecer a Mitsuri?-Pergunto e ela ri fraco.
—Foi maravilhosa.- Fechou os olhos rindo, me fazendo rir também e negar com a cabeça.- Eu nunca pensei que fosse falar isso.
—Tudo tem a sua primeira vez.- Falo e concordo com a cabeça.
—Eu me senti diferente quando sai daquele hospital com aquela criança nos braços.- Falou e eu a encarei- Quero dizer, eu sempre pedi a Deus com que ele me fizesse útil para salvar as pessoas, mas é a primeira vez que eu realmente sinto que fiz isso.
Paro para analisar a situação e apoio o braço em meu joelho.
—E você fez…- falo e pela visão periférica, a vejo me olhar.- Se você não tivesse me guiado pelo hospital, seria provável que agora, tanto eu, quanto os enfermeiros e as crianças estaríamos mortos.- Falo.
—Mas quem entrou no hospital foi você- Falou e seguiu.- Eu não me jogaria de um prédio.- Sorriu e eu concordei com a cabeça.
—Eu sou maluco.- Falei e ficamos em silêncio novamente.
Ela era bem diferente do que parecia ser.
Isso era interessante.
—Então delegado...qual é o plano agora?
A encaro por um tempo e depois olho para frente.
—Vamos resolver isso logo de uma vez.
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